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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Caras Novas: Bobby Nourmand


Nascido em Los Angeles, o multi-instrumentista e DJ Bobby Nourmand viveu por dez anos em Nova Iorque, onde decidiu que deveria produzir sua própria música. Citando o White Album dos Beatles, Sasha e John Digweed como influências, a house promissora de Nourmand (já) é reconhecível a distância: seus mastodônticos basslines vem em primeiro plano, acompanhados de vocais que transitam entre rap, soul e rock, com teclados e efeitos econômicos e um verniz deep dando o acabamento no trabalho. Dance enxuta, eficiente e linda de se ouvir.

"Mind":



O lançamento mais recente de Nourmand é o single "Prisoner" (saiu no final de Janeiro), com vocais arrepiantes do cantor de Antígua e Barbuda (agora baseado em Londres), Laurent John. Olho nele.

Soundcloud: https://soundcloud.com/bobbynourmand
"Prisoner":





quinta-feira, 5 de junho de 2014

Música Sem Rosto


Forever Closer é apenas o terceiro lançamento da gravadora Pole Jam Vinyl, união dos selos digitais de deep house/nu disco Pole Position Recordings (País de Gales) e Glam Jam Artists (Alemanha). O lançamento oficial é 16 de Junho e o EP traz quatro faixas de ilustres desconhecidos que merecem ser ouvidas com atenção: os movimentos circulares do italiano Cris Cassara na boa "La Vela", a elegância house do Deep Sound Express e sua "Forever", os sintetizadores italo-disco do Eclectic Sound na instrumental "Forever Young" e a melhor da leva, o soul-funk "You", do Monsoon Season.

O problema (OK, pode não ser um problema, se você levar em consideração só o que sai das caixas de som) de uma canção fantástica como "You", é que isso pode não passar de um edit de um funk eletrônico anônimo do começo dos 80, com o tal Monsoon dando uma lapidada nas batidas e adicionando uns tecladinhos aqui e ali pra depois chamar o trampo de "sua música". Salvo o acaso de topar com a fonte em alguma esquina do Youtube, eu nunca vou saber. E, claro, posso estar cometendo uma tremenda injustiça. Isso pode ser material absolutamente original, influenciado pela pós-disco, com vocais atuais, brilhantemente interpretados por Evelyn Joyce. Por via das dúvidas, já coloquei "You" na minha lista de Melhores de 2014.

Forever Closer EP, ao alcance do seu mouse:

domingo, 29 de dezembro de 2013

Disco Drum'n'Bass do Ano: Rudimental


A foto acima diz muito sobre o meu disco preferido de drum'n'bass em 2013. Tem um pouco de cada gênero dessas prateleiras reviradas em algum sebo pelo quarteto inglês Rudimental em seu debut Home, que saiu em Abril.


E que estreia. Seis singles foram extraídos do disco - que também chegou ao número um na parada inglesa, números que endossam a aceitação do som criado pelo grupo. A mágica aqui consiste na fusão de ritmos e texturas eletrônicas não pasteurizadas com uma vibração de forte apelo emocional - providenciada pelos órgãos Hammond, metais, cordas e, principalmente, por um senhor time de vocalistas convidados. É soul music moderna, embasada no difícil equilíbrio entre instrumentos acústicos (e não em samplers) e programações.

O drum'n'bass aparece em suas várias ramificações, do jungle enlouquecido de "Give You Up" até os beats atmosféricos de "Powerless" (esta com uma magistral sessão de cordas e vocais impressionantes da britânica Becky Hill):



Liquid funk acessível e radiofônico, "Waiting All Night" foi um dos singles número um de Home, no Reino Unido. Mais uma grata surpresa ao microfone, a cantora e compositora Ella Eyre tem apenas 19 anos, mas cantou com o desembaraço de uma Adele num hit com alto potencial de pista e um explosivo arranjo de metais:



A ótima Emeli Sandé canta em duas faixas, no soul pop "Free" e na dramática "More Than Anything", com backing vocals de elevação quase espiritual:



Outro single número um na Inglaterra, a popíssima "Feel The Love" aparece em duas versões na Deluxe Edition de Home: o bom soulful house do mix "Rudimental VIP" e o liquid funk original - que quase se perde entre um riff ordinário de sintetizador e uma batida que lembra um Pendulum genérico. Felizmente, a boa linha de baixo (de quatro cordas, mesmo) e o solo de trompete aliviam um pouco o apelo excessivo da faixa:



Pra quebrar o ritmo incessante das baterias, o Rudimental ainda investe em outras frentes, com resultados convincentes: downtempo regueiro que se transforma em house caribenha na deliciosa "Hide", soul encharcado de órgão Hammond em "Home", o R&B de "Hell Could Freeze", o dub de baixíssimas frequências de "Solo" e a house music elegante de "Baby" e "Spoons".

O Rudimental consegue com seu álbum de estreia um feito perseguido à exaustão: ser muito bem sucedido artística e comercialmente, focado num gênero que não é pop por excelência, como o drum'n'bass.

Com uma produção esmerada, arranjos brilhantes e vocais de tirar o fôlego, Home não é só o melhor disco de drum'n'bass de 2013, é um dos melhores discos lançados nesse ano.

domingo, 1 de dezembro de 2013

O Fio Da Meada

 
Foram dez anos produzindo e remixando, até o Kraak & Smaak finalmente apresentar um disco sólido, homogêneo e realmente digno de ser ouvido do começo ao fim.


O trio holandês vinha de ótimos singles (a deep "Built For Love" é um exemplo recente), mas nos seus quatro álbuns anteriores, a disparidade entre as faixas de trabalho e o restante do material era muito grande. Agora, no recém lançado Chrome Waves, é exatamente o contrário. Se não há nada tão bombástico quanto o breakbeat "Squeeze Me" (2008), o que temos aqui são onze faixas onde house com enxertos de funk, soul e disco se enroscam num mix cool, agradável e altamente dançante.

Difícil encontrar algo fora do lugar em Chrome Waves. Já de cara, a soulful house "The Future Is Yours" (com vocais do britânico Ben Westbeech, que já havia cantado em "Squeeze Me"), evidencia o uso irrestrito do piano, martelado no sentido Marshall Jefferson do instrumento.

A lista extensa de vocalistas convidados revela gratas surpresas: onde estava escondido o holandês Stee Downes até agora? Sua voz elegante e cheia de ecos preenche a introspectiva "
How We Gonna Stop The Time" com o refinamento que a faixa pedia. E o rapper Capitol A, que segura com versos firmes - numa tacada só - o incrível electro "The Upper Hand", enquanto Janne Schra suaviza a onírica "Love Inflation" (com baixo pós-punk e bateria acústica)?

Mais novidades: quem até hoje tinha ouvido falar em John Turrell? Pois esse impressionante pulmão soul fez de "Back Again" uma das canções mais fortes do álbum, com seu vocal emotivo
junto à uma linha de baixo propulsora, teclados circulares, percussão, palmas e euforia. Em "F.A.M.E.", o Kraak & Smaak procura apartar-se da manada, suprindo a demanda por tech house rebolativa que não abdica de uma produção esmerada, bom gosto na escolha de timbres (a programação de bateria é um espetáculo auditivo), e parcerias que mostram que a banda só acertou nesse quesito em Chrome Waves (aqui são os inventivos islandeses do Retro Stefson que participam).  

Uma house com jeitão de Trax Records circa 1987 ("
Your Body"), uma incursão pelo downtempo pra retomar o fôlego (com a irreconhecível amostra vocal da linda "Where You Been") e uma disco funkeada com cheiro de hit (a inacreditável "Good For The City"), e no balanço, Chrome Waves é um dos discos de eletrônica de pista do ano. Acessível, bem pensado e delicioso de ouvir. Qualidades que vão rareando com a velocidade dos beats das produções EDM atuais.

"Good For The City": euforia disco.

sábado, 14 de setembro de 2013

House Requintada


 Mass Digital é o projeto do jovem produtor e DJ sérvio Boris Mijolic.

 Mijolic tem um refinamento invejável no que tange à produção de suas faixas, da escolha dos timbres à riqueza percussiva que preenche sua música. In Your Arms é seu EP mais recente e traz três faixas de techno houseificado, com BPMs respeitando os limites de velocidade, basslines encorpados, recortes de vocais soulful ("Need U Now") e clima baleárico (a relaxante "You Bring Me Down Baby"). Promissor.

"In Your Arms":

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dançando No Escuro


Este é um daqueles momentos em que a dance music sai da pista de fininho e vai solitária pro lounge aconchegar-se num sofá.


Ainda bem que este EP do DJ e produtor alemão Nick Curly não tem nada a ver com a pilhagem que o duo dinamarquês farofa Bingo Players praticou em 2011 em cima do clássico de Brenda Russel: não contentes em copiar um trecho da letra, os Players ainda renomearam a faixa como "Cry (Just A Little)". Mas esta melancólica "Piano In The Dark" de Curly é uma deep house de percussão sexy e vocais soul (a cargo de Worthy Davis), e o piano aqui é elétrico. Pra ouvir sem estroboscópica.

"Piano In The Dark": clima de fim de festa.