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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Melhores do Ano - Álbuns (Parte 3)


Terceira e última parte: os últimos cinco álbuns dos meus favoritos de 2015, sem ordem de preferência.

Model 500 - Digital Solutions



New Order - Music Complete



Quest - Future Of House Music



Squarepusher - Damogen Furies



Tapes - No Broken Hearts On This Factory Floor

sábado, 18 de abril de 2015

Técnica & Fúria


Damogen Furies, novo álbum de Squarepusher, divide-se em duas partes: a primeira, harmoniosa e regular, começa com o drum'n'bass na velocidade da luz da faixa de abertura "Stor Eiglass" (com melodia baseada em "Just Like Heaven", do Cure). Fim da primeira parte.
As outras sete faixas compõe a segunda parte. É preciso fôlego. O que vem a seguir é um rolo compressor de cortes secos, rufos impossíveis, claustrofobia e opressão, num tsunami cibernético que deve deixar Mike Paradinas choramingando baixinho assim que ouvir esse álbum. Não é o tipo de disco que eu colocaria num churrasco com amigos.

É desafiador e angustiante acompanhar Damogen Furies faixa por faixa e ouvir Jenkinson esticar os limites de sua música num nível de tensão que beira o surreal. Por vezes as coisas parecem que vão fugir do controle, como na metade final de "Kontenjaz", onde os efeitos vão se sobrepondo de tal maneira que a impressão que se tem é que não vai caber na música, em si. Às vezes Squarepusher tenta nos desorientar, como na introdução cheia de teclados ambient de "Exjag Nives". O que aparenta ser uma delicada faixa de progressive transforma-se rapidamente num dubstep mutante, que vira um breakbeat hardcore de timbres ásperos e viradas de bateria inacreditáveis. Menção honrosa também para o ameaçador riff de "Baltang Arg"- que Jenkinson faz questão de picotar com pouco mais de um minuto, até sobrarem só estilhaços colados quase aleatoriamente sobre a polirritmia indecifrável das baterias. Construir, despedaçar e reconstruir um tema dessa maneira é algo um tanto brutal ou divino; assistir o processo no conforto dos fones de ouvido é fascinante. "Kwang Bass" leva o instrumento oscilante e minimalista do título à um passeio por paragens de drum'n'bass atmosférico e rajadas nervosas de ruído eletrônico e estrondos metálicos. "D Frozen Arc" lacra o disco com mais pistas falsas espalhadas: do clima soturno inicial restam poucos vestígios até o final, numa faixa com andamentos genialmente distribuídos de maneira irregular.

A duração de apenas 44 minutos de Damogen Furies é providencial. Absorver esse disco em doses homeopáticas é fundamental pra perceber que essa é a musica eletrônica mais violentamente sedutora disponível no mercado.

"Rayc Fire 2": no limite.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Eletrônica Visceral


Disco novo do Squarepusher à vista: Tom Jenkinson anunciou essa semana o lançamento de Damogen Furies, programado para Abril pela Warp. Em seu site oficial, Jenkinson disponibilizou gratuitamente uma amostra do que deve ser seu próximo álbum, através do download de "Rayc Fire 2". Baseado em pelo menos metade das canções de Ufabulum - disco mais recente do artista, de 2012 - dá pra dizer que "Rayc Fire 2" é uma faixa que mantém uma das principais qualidades do Squarepusher: a capacidade de surpreender. Estruturalmente complexa e de movimentos inesperados, "Rayc Fire 2" é um experimento eletrônico agressivo de nada fácil audição. Uau.

37 segundos de "Rayc Fire 2": o resto, no site.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Segunda Class: Squarepusher


A ideia é fascinante: ano passado um grupo de especialistas em robótica japonês criou uma máquina chamada Z-Machines, para que ela executasse música em instrumentos convencionais em níveis sobre-humanos. Um dos convidados pela equipe a desenvolver música para o projeto, Tom Jenkinson compôs cinco faixas que saem agora pela Warp no EP Music For Robots, inaugurando a colaboração entre Squarepusher e o robô Z-Machines.  

Imagina a treta: o tal autômato é um guitarrista com 78 dedos e um baterista de 22 braços. Squarepusher levou quatro semanas pra compor o material e mais dois meses pra transpor as composições em algo executável pela máquina.

O resultado é curioso. A superposição de notas de "Sad Robot Goes Funny" causa perplexidade e soa como free jazz de estrutura absurdamente complexa e realização realmente impossível por mãos humanas. Imagine um Yngwie Malmsteen solando sua guitarra com o triplo da velocidade, ou Art Blakey num fast forward com áudio. A onda é essa. 

Há momentos em que tenho a impressão que a coisa vai sair dos trilhos (a metade final de "Dissolver" dá um nó no cérebro), mas elas são compensadas por faixas mais pé no chão, como a frieza da abertura "Remote Amber", a enigmática "World Three" e o encerramento com a bela melodia de "You Endless".

O mais interessante nisso tudo foi Squarepusher conseguir imprimir sua marca no trabalho, diante da dificuldade do desafio, já que Music For Robots não ficou tão distante assim das intrincadas programações do artista em sua própria discografia.

"Sad Robot Goes Funny": jazz abstrato.

domingo, 6 de maio de 2012

Almost Unreal


Se você leu por aí que Tom Jenkinson deu uma diluída na sua música em seu novo álbum Ufabulum (lançamento oficial previsto para 14 de Maio), melhor ouvir o disco com mais atenção.  


Reconheço que nunca ouvi um Squarepusher tão palatável quanto o de "Unreal Square" - vai ver foi por isso mesmo que ele chamou essa música assim. Mas não se engane. A melodia ingênua e o rufar marcial dos tambores vai só até a metade da faixa: dali pra frente Jenkinson trata de subverter tudo, revirando as baterias e partindo os teclados em pedacinhos. Em "Energy Wizard" é a mesma coisa: sintetizadores afáveis começam fazendo carinho nos seus ouvidos mas logo se transformam em monstros cibernéticos pulando de um lado para outro das caixas de som. Na progressiva "Stadium Ice" parece que um Steve Vai autômato aparece solando entre batidas trêmulas e timbres new age. A ameaçadora "Red In Blue" divide o álbum. A partir daí, Ufabulum entra num terreno escuro de eletrônica abstrata e experimental de nada fácil audição. Ouvir "The Metallurgist", "Drax 2" e "303 Scopem Hard" é como dormir e acordar no meio de um filme de David Lynch. Jenkinson ameniza os ataques em "Dark Steering" e "Ecstatic Shock", mas sem facilitar muito. As duas faixas igualam-se no clima opressivo e nos estrondos metálicos de percussão, mas trazem uma sucessão de sons menos agressivos. De qualquer maneira, Ufabulum é um ótimo disco de eletrônica. Nem sempre agradável, mas também nada previsível e que passa longe da descartabilidade.

"Unreal Square" ao vivo: audiovisual ao pé da letra.