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segunda-feira, 10 de julho de 2017

MahMiami


Depois do sensacional debut autointitulado, lançado em Maio do ano passado, a carioca Marcela Vale equilibra-se entre uma agenda cheia de shows e tempo pra gravar seu novo EP (que sai ainda em 2017), agora pela major Universal Music. A primeira faixa do trabalho, "Imagem", acabou de sair. No som, sai o synthpop oitentista e entra um Miami Bass relax, salpicado por timbres do clássico sintetizador Yamaha DX7 - o primeiro synth digital realmente bem sucedido da história, fabricado pela companhia japonesa entre 1983 e 1989. Quer dizer, se é um DX7 ou se é um synth virtual, eu realmente não sei, mas que a música é legal, é.

"Imagem": mais de seiscentas mil visualizações em menos de uma semana.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#19: Crystal Castles)


Quatro anos sem gravar até o Crystal Castles aparecer em 2016 com material inédito e vocalista nova. Amnesty (I) não fica nada a dever pra quem achava que o projeto de Ethan Kath ruiria com a debandada da performática Alice Glass. Em "Concrete", especialmente, dá pra sacar que Edith Frances pegou o bastão onde Glass largou, disparando seus trinados quase ininteligíveis sobre a base furiosa de Kath. Um redemoinho de sintetizadores numa das melhores faixas do disco.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Réquiem


Era um beco sem saída. Moby chegou ao topo com Play, seu multiplatinado álbum de 1999. Sintomaticamente, também, esgotava-se ali a fórmula: beats quebradiços recheados com loops de blues de meio século atrás e teclados sinfônicos a um passo da grandiloquência. Era o downtempo para as massas vendendo 12 milhões de cópias, estrelando campanhas publicitárias milionárias e elevando Moby à categoria de Pelé da eletrônica.


Dali pra frente, Moby manteve o foco num certo tipo de ambient music high tech, explorando com poucas variações a receita que deu certo em Play e abdicando do que foi o seu habitat natural no começo da carreira: as pistas de dança. Fora um ou outro single ("Lift Me Up", "Disco Lies"), os discos de Richard Melville Hall começaram a ficar cada vez mais modorrentos, arrastados, preguiçosos. E chatos.

Ouvindo Innocents - que sai oficialmente dia 01 de Outubro - deu pra sacar que Moby não intenciona mudanças significativas, mas os dezoito meses produzindo esse disco mostraram que o tempo foi muito bem gasto. Dá pra afirmar sem medo de errar que é seu melhor álbum desde 18, de 2002. Tem algumas colaborações vocais de respeito (Wayne Coyne do Flaming Lips e Mark Lanegan, ex-Screaming Trees, entre eles), e olha, é um mergulho em águas turvas. Ainda rolam aqueles samples obscuros ("The Last Day", "A Long Time"), chama atenção tecnicamente pelas camadas de vocais sobrepostas com perfeição (a produção é do craque Mark Spike Stent) e tem canções realmente lindas ("The Lonely Night" com Mark Lanegan e "The Last Day" com a desconhecida Skylar Grey são duas das melhores aqui), mas nada tem qualquer proximidade com as luzes frenéticas de uma discoteca, portanto não espere que Innocents migre dos fones de ouvido para alto-falantes de 18 polegadas. É um disco que pega no tranco: ouvi com desconfiança pela primeira vez, simpatizei com alguma coisa na segunda e comecei a descobrir as qualidades na terceira.

Ainda não é aquele Moby. Mas é o melhor Moby dos últimos dez anos.

"The Last Day": técnica de sampleamento em boa forma. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Amour, Imagination, Rêve

 
Hoje choveu mais de 200 milímetros na região sul do Rio Grande do Sul, onde moro. Ou seja, caiu de balde o que normalmente levaria dois meses pra acontecer.


Tava ouvindo "Le Soleil Est Près De Moi", single de 1997 do duo francês Air, e pensando em como essa faixa - a despeito do título - cai bem pra dias chuvosos como hoje:
 

segunda-feira, 8 de março de 2010

Luz no Fim do Túnel


Já faz tempo que Andy Cato e Tom Findlay do Groove Armada não precisam mais ser jogados no mesmo saco da farinha "dance music". Em mais uma amostra de talento e inventividade ("Black Light" é a sexta oportunidade que a dupla inglesa oferece para te convencer disso), o novo álbum tem um espírito roqueiro, mas emoldurado por sintetizadores. Isso fica bem claro em "Not Forgotten", com vocais do australiano Nick Littlemore (Pnau, Empire Of The Sun) onde os teclados à Fad Gadget poderiam facilmente ser substituídos por guitarras. O primeiro single, "I Won't Kneel", não faria feio num disco do Fleetwood Mac e mostra que o duo continua ligado em pop de boa cepa (olha a seleção deles pra série "Late Night Tales" e entenda  porque). De olho nas pistas com o refrão pop e os sintetizadores pesados do segundo single "Paper Romance", o Groove Armada se supera mesmo na melhor faixa do disco: "Shameless", com vocais do Mr. Cool, Bryan Ferry. Se eu precisar te apresentar Bryan Ferry, por favor dirija-se ao canto superior direito desta página e clique no "X".

No player abaixo está a música do ano até agora: "Shameless", de Groove Armada & Bryan Ferry.