domingo, 30 de setembro de 2012

Disco Savoureux


 
Acabou de sair By Your Side, debut de Breakbot (o largadão aí acima). O francês Thibaut Berland grava pela Ed Banger - o que é sinal de alguma credibilidade - e a lista de artistas bacanas remixados por esse tiozinho é bem relevante, dá uma espiada


O recheio de By Your Side é bem mais apetitoso do que a capa. Pós-disco aconchegante, electro-funk sossegado, grooves macios, pianos Wurlitzer, boas harmonias vocais, ritmos disco. Ás vezes até descamba pra um indiezinho Tahiti 80/Phoenix, mas nada que tire o foco setentão do álbum. Bem agradável. De lambuja, o hit "Baby I'm Yours", do ano passado:
 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sexta Feira Bagaceira: Kon Kan

 
"_ Hey, vamos dançar!"
"_ Ah, eu não sei.."
"_ A única coisa que você tem que fazer é mover os seus pés."
"_ Que música é essa que tá tocando?"
"_ Eu não te entendo!" 
"_ 'Eu não te entendo'? Eu não entendi".
 
Porque cargas d'água o músico, compositor e produtor Barry Harris resolveu incluir esse diálogo em português na abertura da versão Club Mix de "I Beg Your Pardon" eu não sei, mas em 1989 todo mundo que ouvia FM ou frequentava alguma danceteria parecia saber o texto na ponta da língua.

 
O single (lançado em 1988) foi o debut da então dupla canadense Kon Kan - nome extraído das palavras Can(adian) Con(tent), regulamentação de rádio que obriga as estações locais a transmitir 30% de música produzida no Canadá. Hit dos dois lados do Atlântico, "I Beg Your Pardon" está no álbum de estréia do duo, Move To Move. A faixa empresta (e devolve em outro contexto) os sintetizadores de "Call Me" (da italiana Ivana Spagna), tem um sample de "(I Never Promised You a) Rose Garden", hit de 1971 da cantora country Lynn Anderson (o trecho "Smile for the while and let's be jolly / We shouldn't be so melancholy / Come along and share the good times while we can"), mais amostras dos grupos G.Q. ("Disco Nights", 1979) e Silver Convention ("Get Up and Boogie", 1976). Esse pacote de referências veio numa embalagem house não muito original, mas de eficiência comprovada. O vocalista Kevin Wynne caiu fora pouco depois, e o Kon Kan de Harris ainda lançaria dois álbuns (o segundo, Syntonic, teve relativo sucesso aqui no Brasil), antes de acabar. "I Beg Your Pardon" segue como identidade sonora do grupo, identificável já nas primeiras socadas do bumbo robusto da canção.

"I Beg You Pardon": "_ A única coisa que você tem que fazer..."


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pop Song do Mês: Catcall

 
"Satellites", single da australiana Catcall (Catherine Kelleher) saiu em Outubro do ano passado, mas só fui conhecer umas semanas atrás porque ela está no playlist de uma rádio que ouço direto. Nunca é tarde. É uma (synth)pop song no formato clássico dos três minutos e meio que parece ter sido estudada à exaustão pra nada dar errado: vocais, ponte pro refrão, refrão, batida acessível, melodia, o violão em 02:20... uma maravilha. Mais dessas por favor, Ms. Kelleher.

"Satellites": na mosca.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Segunda Class: The KLF

 
Segunda feira é dia de tirar o pé do acelerador. Deixar o som baixinho, iluminação fraca.
 
 
Pra colaborar com o clima, temos Chill Out (capa acima), do KLF. Foi o primeiro álbum pensado e concebido para o descanso pós-gandaia dos ravers. Lançado em Fevereiro de 1990, é provavelmente o primeiro disco de ambient house da história. E foi um marco. A inclassificável coleção de 14 faixas concebidas por Jimmy Cauty e Bill Drummond narra uma viagem noturna de trem, partindo do Texas e chegando à Louisiana (detalhe: eles nunca estiveram lá, até a data), em meio a samples de pastores ensandecidos, transmissões radiofônicas, rebanhos de ovelhas e sintetizadores etéreos, além de trechos de Fleetwood Mac, Elvis Presley, 808 State e Van Halen, entre outros. Já li em alguns lugares que o álbum foi gravado num take só, com a dupla inglesa disparando samples e tapes pré-gravados, mas honestamente, não dá pra acreditar. O que eu posso afirmar é que Chill Out é um dos melhores discos que já ouvi na vida, fácil. E o KLF, uma banda que está no meu Top 10 eterno.
 
"Wichita Lineman Was a Song I Once Heard": aperte o cinto.


domingo, 23 de setembro de 2012

Rosa de Plástico


O sexto álbum do Four Tet não é exatamente uma novidade: das oito faixas, seis já haviam sido lançadas como single.

 
Ainda assim, Pink é obrigatório se você quer saber a quantas anda a eletrônica relevante deste 2012. "Lion" e "Peace For Earth" (as duas inéditas) mantém o padrão de qualidade das produções do britânico Kieran Hebden. "Lion" cresce aos poucos; é didática ao mostrar como ir preenchendo a estrutura da canção a partir de um esqueleto percussivo até deixá-la no piloto automático e percorrer um caminho de sombras provido pelos sintetizadores, enquanto encara uma chuva de xilofones no final da viagem. Já "Peace For Earth" é uma cápsula ambient techno que flutua na placidez estratosférica e depois volta à terra fragmentada em dezenas de pedaços flamejantes. Poético, não? Mas a sensação é essa mesmo. Four Tet é mestre em suscitar emoções e criar paisagens fictícias como essas através de sua música, sem resvalar para a eletrônica experimental incoerente ou o transcendentalismo barato. Satisfação garantida.

"Lion": lição de eletrônica.