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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Melhores do Ano - Álbuns (Parte 2)


Parte 2: mais cinco álbuns muito apreciados em 2015, sem ordem de preferência.

Etienne De Crécy - Super Discount 3



Felix Da Housecat - Narrative Of Thee Blast Illusion



Kölsch - 1983



LA Priest - Inji



Maribou State - Portraits

domingo, 21 de junho de 2015

Mágica No Absurdo


O grande mérito do produtor Kölsch está em equilibrar sua tech house numa balança que não pende nem pra EDM rasteira nem pra eletrônica cabeçuda. Seu ótimo debut 1977 (2013) já mostrou de cara como uma produção detalhista combinada com riffs certeiros e pequenas doses de ousadia transformou-se num dos álbuns de dance music mais sólidos daquele ano. Para o desespero dos puristas, o novo 1983 acaba de sair pela Kompakt e pega o bastão justamente onde 1977 largou: techno melódico, com progressões de acordes grandiosas e ganchos poderosos.



1983 é inspirado nas viagens de infância de Kölsch: todos os verões sua família costumava atravessar a Europa de carro rumo ao sul da França, ouvindo os discos preferidos de seu pai no tape deck. Kölsch começou a fazer sua própria trilha sonora (recheada com os então emergentes electro e hip-hop), assim que adquiriu um walkman. A representação sonora das mudanças de clima e cenários percebidas durante os longos períodos de observação enquanto estava sentado no banco traseiro do carro estão muito bem expressas por Kölsch nas 13 faixas de 1983, desde a introspecção com a faixa título de abertura até os vocais melancólicos de Nikolaj Vorsild no encerramento "Papageno".



No meio do caminho, o esplendor das construções melódicas de Kölsch, em sucessões de acordes empilhados de forma ordenada, sempre rumando para cima e expressas em ganchos que tanto podem ser uma linha de baixo ("Pacer") quanto um vocalize onírico ("Two Birds")
: 



Outro acerto de 1983 é a colaboração com o multi-instrumentista e arranjador alemão Gregor Schwellenbach. A parceria rendeu três faixas, com os lindos enxertos orquestrais de Schwellenbach em perfeita sintonia com a eletrônica precisa de Kölsch.



1983 é uma continuação natural de 1977, sem que isso represente mesmice ou adequação. A mágica de Kölsch consiste em transformar temas aparentemente banais em faixas emotivas, numa montanha-russa de sensações que vão da euforia de uma pista de dança encharcada de suor à solidão-conforto de uma autoestrada percorrida com o deslumbramento típico de paisagens de tirar o fôlego. A tapeçaria sonora tecida por Kölsch cumpre a tarefa de descrever essa viagem com perfeição, algo digno de um artesão de mão cheia como o produtor dinamarquês.

"The Road": Kölsch impressiona com mais um discaço.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Os Dez Álbuns de 2013


A exemplo da escolha das minhas faixas preferidas de 2013, os álbuns também seguem a mesma lógica sintético/sacolejante. Vão ser só dez, porque como escrevi no Top 65 Músicas, acho que foi um ano de poucos discos realmente bons, homogêneos, coesos. Olha, nada de The Knife, Boards Of Canada, Darkside ou Atoms For Peace. Não vou pagar de cool. Esses aí vão aparecer em muitas listas, ouvi todos e só consegui simpatizar um pouco com o Amok, do Atoms For Peace (projeto do Thom Yorke), mesmo assim, não acho suficiente pra estar num Top 10. Entendo a guinada artística e a ousadia do Knife, mas Shaking The Habitual é, francamente, inaudível. O Tomorrow's Harvest - que encerrou um jejum de oito anos do Boards Of Canada - achei árido demais, e o Darkside (parceria do músico/produtor Nicolas Jaar e do multi-instrumentista Dave Harrington), me deixou com a impressão de que o hype encobriu a música - que não é essa rapadura toda, apesar dos bons momentos revivendo o Pink Floyd no seu debut Psychic (especialmente em "Heart" e "Metatron"). O que eu realmente ouvi, curti, repeti, cantei junto, decorei a ordem das faixas e dancei, é o que está abaixo. Os links com os textos sobre cada um destes álbuns postados em 2013 aqui no blog, estão em vermelho.

10 - DJ Day - Land Of 1000 Chances


9 - Ian Pooley - What I Do


8 - Zomby - With Love


7 - Rudimental - Home



6 - Kölsch - 1977


5 - Mesh - Automation Baby


4 - Hot Natured - Different Sides Of The Sun


3 - Kraak & Smaak - Chrome Waves


2 - Daft Punk - Random Access Memories


1 - Disclosure - Settle


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Just Good Enough


"It's just not good enough for a Kompakt release..."

Quando li esse comentário de um leitor do Resident Advisor sobre o debut do produtor dinamarquês Rune Reilly Kölsch (1977, saiu no meio do ano), fiquei pensando que tipo de música poderia se encaixar no perfil artístico da prestigiada gravadora alemã, segundo o conceito ortodoxo do inconformado rapaz. 

O certo é que a habilidade de Kölsch em transformar sua produção minuciosa em temas de fácil assimilação, é admirável. Algumas coisas já nasceram prontinhas. A trinca inicial de faixas, por exemplo, é de tirar o fôlego. Cada detalhe da abertura "Goldfisch" vale a análise: é a locomotiva de sintetizadores que vai puxando consigo loops esquisitos entre uma melodia fofinha, é a sacada do contratempo da caixa, é o efeito tranceiro de jato em decolagem. E "Opa", então? Timbres deformados e nem tão amistosos viram um riff que sofre mutação constante durante toda sua extensão. "Bappedekkel" talvez seja a melhor do álbum. A sucessão de sons que parecem estar fora de tempo vai gravitando em torno da percussão, até que as batidas cessam e os sintetizadores aceleram num espiral de causar vertigem. O truque é repetido em "Loreley", com resultado igualmente acachapante. Kölsch vai atirando em vários alvos e seus disparos passam raspando em alguns momentos: na um tanto monótona house-com-piano-saltitante em "Der Alte", na mais pop do que synth "All That Matters" (a única faixa com vocais, do também dinamarquês Troels Abrahamsen), na óbvia "Basshund", e nas faixas "Oma" e "Zig", em que ele fica à um passo da EDM (Eletrônica Descartável Medíocre). Mas Kölsch se recupera rápido e manda mais três tijoladas pra fechar 1977 com saldo positivo: os lindos arpejos à Kraftwerk de "Wasserschutz", o redemoinho de sintetizadores de "Loreley" e o techno engrenado de "Felix".

 1977 é um disco com uma produção detalhista, pra ficar atento em sua hora e pouco de duração. É bem verdade que metade de suas faixas já haviam saído como single desde 2010 (pela própria Kompakt), e agrupar um trabalho tão consistente como esse em forma de disco é quase covardia. Mas é a oportunidade dos fãs - não só de tech-house ou p
rogressive, mas de eletrônica em geral - ouvirem numa tacada só, um dos álbuns de dance music mais sólidos do ano. 

"Bappedekkel": efeitos e timbres de cair o queixo.