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domingo, 20 de maio de 2018

Discloppointing


Fiquei deveras decepcionado com o novo single do Disclosure. Conforme a própria dupla inglesa relatou, há alguns meses eles descobriram a cantora e atriz da Costa do Marfim Fatoumata Diawara e, fuçando em sua discografia, encontraram um trecho que chamou atenção e tiveram a ideia para "Ultimatum", a faixa em questão. Bom, é assim que a canção soa: um sample vocal encaixado numa house que - usando o próprio Disclosure como parâmetro - soa um tanto preguiçosa, com um riff circular de piano elétrico e umas TB303 espalhadas. Seria um bom lado B pra qualquer um dos singles de Settle, o fantástico debut do duo, de 2013. Mas pra um single padrão Disclosure, achei mais parado que saci de patinete.

"Ultimatum": devagar, devagarinho.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Melhores do Ano - Álbuns (Parte 1)


Negócio é que em 2015 eu ouvi uma batelada de discos; mas nenhum que fosse irrepreensível, bom de ponta à ponta, que ficasse no meu player por dias a fio. Separei, claro, os que mais me chamaram atenção, mas desta vez vai sem ordem de preferência. São 15 álbuns, divididos em três posts. As escolhas - como sempre - ficam restritas ao meu campinho: dance/eletrônica/groove.

Beborn Beton > A Worthy Compensation


Benny Sings - Studio


Disclosure - Caracal



DJ Krush - Butterfly Effect


Esbe - Bloomsday

terça-feira, 26 de maio de 2015

Para Confundir


Passado o susto inicial causado pela primeira faixa disponibilizada pelo Disclosure ("Bang That", saiu no início desse mês) de seu próximo álbum, a dupla londrina solta agora outra amostra. "Holding On" tem ao microfone o cantor de jazz californiano Gregory Porter (vencedor do Grammy do ano passado na categoria Melhor Disco de Jazz com Vocais, por Liquid Spirit) e é justamente pela presença de Porter e pelo arranjo mais sóbrio que "Holding On" soa mais classuda e elegante, um tanto diferente do ritmo alucinado e dos samples de "Bang That". Ou seja, não dá pra prever mesmo que direção a dupla vai seguir no disco novo.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

When The Fire Still Burns


Já presente nos sets do Disclosure há algum tempo, "Bang That" é a primeira faixa do próximo álbum que a dupla inglesa sobe no Soundcloud. Os vocais foram emprestados de "Pass Out" (2002), do obscuro projeto electro 313 Bass Mechanics. "Bang That" me causou uma certa estranheza, é um Disclosure mais áspero em relação à house redondinha presente na maioria das faixas do debut Settle, de 2013. Negócio é esperar pra ver se o segundo disco dos irmãos Lawrence vai nessa direção.
"Bang That": primeiro indício de mudança de rumo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Jimmy Solo


Colaborador do Disclosure (foi um dos compositores de quatro singles do álbum Settle, de 2013), do recentemente grammyado Sam Smith (coautor e coprodutor do hit "Stay With Me"), além de Mary J. Blige e Jessie Ware, o londrino Jimmy Napes (nome verdadeiro: James Napier) debuta com o single "Give It Up", que deve estar no EP The Making of Me, programado pra Março. Com o bom falsete de Napes, "Give It Up" é um pop eletrônico e ganchudo, muito acima da média dos primeiros lugares das charts.

"Give It Up": hit em potencial.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

One More Time


Até quando vai o gás dos incansáveis irmãos Lawrence?



O single "The Mechanism" saiu em Abril, o vídeo, dia 30 de Maio. Com colaboração do produtor britânico Friend Within, é house com aquelas frequências sub graves de future garage. Impressionante, eles não erram uma.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Os Dez Álbuns de 2013


A exemplo da escolha das minhas faixas preferidas de 2013, os álbuns também seguem a mesma lógica sintético/sacolejante. Vão ser só dez, porque como escrevi no Top 65 Músicas, acho que foi um ano de poucos discos realmente bons, homogêneos, coesos. Olha, nada de The Knife, Boards Of Canada, Darkside ou Atoms For Peace. Não vou pagar de cool. Esses aí vão aparecer em muitas listas, ouvi todos e só consegui simpatizar um pouco com o Amok, do Atoms For Peace (projeto do Thom Yorke), mesmo assim, não acho suficiente pra estar num Top 10. Entendo a guinada artística e a ousadia do Knife, mas Shaking The Habitual é, francamente, inaudível. O Tomorrow's Harvest - que encerrou um jejum de oito anos do Boards Of Canada - achei árido demais, e o Darkside (parceria do músico/produtor Nicolas Jaar e do multi-instrumentista Dave Harrington), me deixou com a impressão de que o hype encobriu a música - que não é essa rapadura toda, apesar dos bons momentos revivendo o Pink Floyd no seu debut Psychic (especialmente em "Heart" e "Metatron"). O que eu realmente ouvi, curti, repeti, cantei junto, decorei a ordem das faixas e dancei, é o que está abaixo. Os links com os textos sobre cada um destes álbuns postados em 2013 aqui no blog, estão em vermelho.

10 - DJ Day - Land Of 1000 Chances


9 - Ian Pooley - What I Do


8 - Zomby - With Love


7 - Rudimental - Home



6 - Kölsch - 1977


5 - Mesh - Automation Baby


4 - Hot Natured - Different Sides Of The Sun


3 - Kraak & Smaak - Chrome Waves


2 - Daft Punk - Random Access Memories


1 - Disclosure - Settle


terça-feira, 18 de junho de 2013

Dance Music For The Masses


Não é propriamente uma revolução. Acontece que, de tempos em tempos, aparece alguém com um balão de oxigênio pra entubar na fuça de um gênero que anda apanhando mais que mulher de malandro: a dance music. Maltratada de todas as formas ultimamente e elevada à palhaçada EDM, a pior música de pista que se houve hoje em dia é a que está mais perto de você. No rádio, na TV, nos números acima de seis dígitos do Youtube, no festival patrocinado pela cerveja, na boate com ingressos à preço de derrubar todo o primeiro escalão do Ministério da Fazenda.


Calhou desse Messias vir como uma dupla: dois moleques ingleses que tem a palavra TALENTO estampada em caixa alta nas camisetas... e eles tem a manha. Tão novos e já sabem como o jogo é jogado: um single número dois e um álbum de estreia no topo da parada britânica não vão ser suficientes pra estragar esses guris. Porque eles tem a exata noção de que não há revolução (ou qualquer coisa que o valha) dando zero no Ibope. O que faz a diferença é que com Settle, o Disclosure entra pro seleto clube de artistas que sabem a hora certa de arriscar, de não deixar o impulso tentador de procurar as soluções mais corriqueiras pra tentar fazer sua música subir mais alto tomar conta dos dedos na hora de girar os botões da mesa de som, como no single "White Noise": os vocais infantilóides de Aluna Francis (do duo AlunaGeorge) aparecem mantidos à rédea curta pela base de ruído melódico criada pelos irmãos Lawrence. 

Settle tem dois lados bem distintos. Um, é ótimo. O outro, espetacular. São muitas ideias boas fluindo em 14 faixas (e a edição de luxo tem mais quatro extras), como a que transforma uma palestra motivacional do ex-jogador de futebol americano Eric Thomas em vocais para a house matadora "When A Fire Starts To Burn" ou a que chama a cantora pop Eliza Doolittle pra quebradeira do future garage na sensacional "You & Me". O Disclosure experimenta e se dá bem com a deep house em "Boiling", sustentando os vocais carregados de reverb de Sinead Harnett com uma linha de baixo emborrachada e sintetizadores ambient, explora com dedicação cada batida no espetáculo percussivo de "Tenderly", atualiza o soul para as pistas 2013 com a voz incrível de Sam Smith em "Latch" e transforma o hi-hat no elemento mais importante da bateria em "Defeated No More", "Voices" e "Help Me Lose My Mind" (essa com os vocais sentimentais de Hannah Reid, do London Grammar - outra banda que vale ficar de olho).  

Foi por pouco, mas felizmente - pra quem acha que um debut irretocável pode fazer a soberba ou a preguiça aparecer - esse não é um álbum perfeito. O que elimina a possibilidade do dez são apenas duas escorregadas: a fraca "Stimulation", com samples da cantora folk Lianne La Havas sendo jogados por cima de um instrumental abaixo do padrão do resto do álbum e a repetitiva e ligeiramente irritante "Grab Her!". No final das contas, o saldo é altamente positivo. Tanto que eu acho muito, muito difícil alguém aparecer este ano com algo tão divertido, esperto e dançante quanto a música que o Disclosure oferece em Settle. E espero que São James Brown não deixe esses garotos caírem na tentação que o mainstream (que se abriu como uma flor para a dupla) oferece.

"You & Me": quebradeira em favor do ritmo.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Revelação

 
 Disclosure são os irmãos Guy e Howard Lawrence, dois moleques ingleses (21 e 18 anos, respectivamente) que finalmente conseguem o hit que seu talento merecia: "White Noise" chegou a número 2 no paradão britânico em Fevereiro. Eles já haviam beliscado ano passado com a ótima "Latch" (# 11) - garage house com os vocais emotivos de Sam Smith - mas desta vez chamaram outro duo promissor (AlunaGeorge) e a parceria rendeu um pop house com um bassline insano, simplesmente irresistível. Álbum prestes a ser lançado. Vai estar entre as melhores coisas de 2013, tenha certeza.

"White Noise": vocais pop, bleeps hipnóticos.