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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Disco Vegana


"My Mind's Made Up", nova do trio holandês Kraak & Smaak, é puro boogie pós-disco, algo 1982. Guitarra funky escovada convive em harmonia com bassline sintético e slaps reais; timbres de teclados com console de madeira emolduram os bons vocais de Berenice (quem?). Quanta gente tem a manha de produzir um negócio assim, tão bom e atemporal, que passa à léguas do pastiche? Bem pouca.

"My Mind's Made Up": disco orgânica.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Fonte Esgotável


Ou há pouca oferta de vocalistas no mercado, ou os samples estão ficando realmente escassos. O próximo single dos holandeses do Kraak & Smaak, "Mountain Top", empresta os vocais de um projeto de estúdio do começo dos 80 chamado Rockers Revenge, bolado pelo mestre Arthur Baker. A faixa original, "Acappella Sunshine", já foi usada por uma das picaretagens de Norman Cook, o Pizzaman (em "Trippin' On Sunshine"), pelo The Orb (numa faixa também chamada "Tripping on Sunshine [Live Mix]") e no hit "Sunshine '89", do Fax Yourself. A "Mountain Top" do Kraak & Smaak é uma house potente, deve pegar.

A fonte... 



...e como o Kraak & Smaak usou:

domingo, 12 de janeiro de 2014

Os Dez Álbuns de 2013


A exemplo da escolha das minhas faixas preferidas de 2013, os álbuns também seguem a mesma lógica sintético/sacolejante. Vão ser só dez, porque como escrevi no Top 65 Músicas, acho que foi um ano de poucos discos realmente bons, homogêneos, coesos. Olha, nada de The Knife, Boards Of Canada, Darkside ou Atoms For Peace. Não vou pagar de cool. Esses aí vão aparecer em muitas listas, ouvi todos e só consegui simpatizar um pouco com o Amok, do Atoms For Peace (projeto do Thom Yorke), mesmo assim, não acho suficiente pra estar num Top 10. Entendo a guinada artística e a ousadia do Knife, mas Shaking The Habitual é, francamente, inaudível. O Tomorrow's Harvest - que encerrou um jejum de oito anos do Boards Of Canada - achei árido demais, e o Darkside (parceria do músico/produtor Nicolas Jaar e do multi-instrumentista Dave Harrington), me deixou com a impressão de que o hype encobriu a música - que não é essa rapadura toda, apesar dos bons momentos revivendo o Pink Floyd no seu debut Psychic (especialmente em "Heart" e "Metatron"). O que eu realmente ouvi, curti, repeti, cantei junto, decorei a ordem das faixas e dancei, é o que está abaixo. Os links com os textos sobre cada um destes álbuns postados em 2013 aqui no blog, estão em vermelho.

10 - DJ Day - Land Of 1000 Chances


9 - Ian Pooley - What I Do


8 - Zomby - With Love


7 - Rudimental - Home



6 - Kölsch - 1977


5 - Mesh - Automation Baby


4 - Hot Natured - Different Sides Of The Sun


3 - Kraak & Smaak - Chrome Waves


2 - Daft Punk - Random Access Memories


1 - Disclosure - Settle


domingo, 1 de dezembro de 2013

O Fio Da Meada

 
Foram dez anos produzindo e remixando, até o Kraak & Smaak finalmente apresentar um disco sólido, homogêneo e realmente digno de ser ouvido do começo ao fim.


O trio holandês vinha de ótimos singles (a deep "Built For Love" é um exemplo recente), mas nos seus quatro álbuns anteriores, a disparidade entre as faixas de trabalho e o restante do material era muito grande. Agora, no recém lançado Chrome Waves, é exatamente o contrário. Se não há nada tão bombástico quanto o breakbeat "Squeeze Me" (2008), o que temos aqui são onze faixas onde house com enxertos de funk, soul e disco se enroscam num mix cool, agradável e altamente dançante.

Difícil encontrar algo fora do lugar em Chrome Waves. Já de cara, a soulful house "The Future Is Yours" (com vocais do britânico Ben Westbeech, que já havia cantado em "Squeeze Me"), evidencia o uso irrestrito do piano, martelado no sentido Marshall Jefferson do instrumento.

A lista extensa de vocalistas convidados revela gratas surpresas: onde estava escondido o holandês Stee Downes até agora? Sua voz elegante e cheia de ecos preenche a introspectiva "
How We Gonna Stop The Time" com o refinamento que a faixa pedia. E o rapper Capitol A, que segura com versos firmes - numa tacada só - o incrível electro "The Upper Hand", enquanto Janne Schra suaviza a onírica "Love Inflation" (com baixo pós-punk e bateria acústica)?

Mais novidades: quem até hoje tinha ouvido falar em John Turrell? Pois esse impressionante pulmão soul fez de "Back Again" uma das canções mais fortes do álbum, com seu vocal emotivo
junto à uma linha de baixo propulsora, teclados circulares, percussão, palmas e euforia. Em "F.A.M.E.", o Kraak & Smaak procura apartar-se da manada, suprindo a demanda por tech house rebolativa que não abdica de uma produção esmerada, bom gosto na escolha de timbres (a programação de bateria é um espetáculo auditivo), e parcerias que mostram que a banda só acertou nesse quesito em Chrome Waves (aqui são os inventivos islandeses do Retro Stefson que participam).  

Uma house com jeitão de Trax Records circa 1987 ("
Your Body"), uma incursão pelo downtempo pra retomar o fôlego (com a irreconhecível amostra vocal da linda "Where You Been") e uma disco funkeada com cheiro de hit (a inacreditável "Good For The City"), e no balanço, Chrome Waves é um dos discos de eletrônica de pista do ano. Acessível, bem pensado e delicioso de ouvir. Qualidades que vão rareando com a velocidade dos beats das produções EDM atuais.

"Good For The City": euforia disco.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Construído Para Dançar


Kraak & Smaak
Eu não cometeria o exagero de dizer que foi decepcionante, mas esperava mais dessa parceria promissora entre o trio de produtores holandeses Kraak & Smaak e o vocalista, DJ e produtor americano Romanthony (cantou com voz limpa em "Too Long" e chapado de auto-tune em "One More Time" do Daft Punk).

Romanthony
A versão original é bacana, mas está mais pra ouvir do que correr pra pista. A longa introdução (dois minutos e pouco até chegar numa batida funky) e as paradas não muito estratégicas quebram um pouco o ritmo.


Legal mesmo é o excelente remix synth/progressivo que o britânico Psychemagik fez pra faixa - bem melhor que o original, no que diz respeito a dançabilidade.

"Built For Love": Psychemagik recolocando as coisas no lugar.