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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Você e Eu, Eu e Você


Em 2015, o hino "Body Language" completa 10 anos. Hitaço de pista, a música foi uma colaboração entre o Booka Shade e M.A.N.D.Y. (Me AND You?), dois projetos alemães que, junto com Thomas Koch (DJ T), também fundaram a Get Physical Music, em 2002 - uma das gravadoras de música eletrônica mais importantes dos últimos tempos. Pra comemorar, o que o M.A.N.D.Y. fez? Uma "Body Language 2015"? Claro que não. Deixa a faixa sossegada que ela é perfeita do jeito que está. O EP novo da dupla Philipp Jung e Patrick Bodmer saiu há poucos dias pela Get Physical e chama-se Gizmo, com a faixa título mais "Montagsmaschine". Tech House paquidérmico e intricado (mas a léguas do pedantismo), ambas mostram o duo direcionando sua música tanto para a cabeça quanto para os membros, o que (quase sempre) é bom sinal.

"Gizmo": Tech House cerebral.   

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Just Good Enough


"It's just not good enough for a Kompakt release..."

Quando li esse comentário de um leitor do Resident Advisor sobre o debut do produtor dinamarquês Rune Reilly Kölsch (1977, saiu no meio do ano), fiquei pensando que tipo de música poderia se encaixar no perfil artístico da prestigiada gravadora alemã, segundo o conceito ortodoxo do inconformado rapaz. 

O certo é que a habilidade de Kölsch em transformar sua produção minuciosa em temas de fácil assimilação, é admirável. Algumas coisas já nasceram prontinhas. A trinca inicial de faixas, por exemplo, é de tirar o fôlego. Cada detalhe da abertura "Goldfisch" vale a análise: é a locomotiva de sintetizadores que vai puxando consigo loops esquisitos entre uma melodia fofinha, é a sacada do contratempo da caixa, é o efeito tranceiro de jato em decolagem. E "Opa", então? Timbres deformados e nem tão amistosos viram um riff que sofre mutação constante durante toda sua extensão. "Bappedekkel" talvez seja a melhor do álbum. A sucessão de sons que parecem estar fora de tempo vai gravitando em torno da percussão, até que as batidas cessam e os sintetizadores aceleram num espiral de causar vertigem. O truque é repetido em "Loreley", com resultado igualmente acachapante. Kölsch vai atirando em vários alvos e seus disparos passam raspando em alguns momentos: na um tanto monótona house-com-piano-saltitante em "Der Alte", na mais pop do que synth "All That Matters" (a única faixa com vocais, do também dinamarquês Troels Abrahamsen), na óbvia "Basshund", e nas faixas "Oma" e "Zig", em que ele fica à um passo da EDM (Eletrônica Descartável Medíocre). Mas Kölsch se recupera rápido e manda mais três tijoladas pra fechar 1977 com saldo positivo: os lindos arpejos à Kraftwerk de "Wasserschutz", o redemoinho de sintetizadores de "Loreley" e o techno engrenado de "Felix".

 1977 é um disco com uma produção detalhista, pra ficar atento em sua hora e pouco de duração. É bem verdade que metade de suas faixas já haviam saído como single desde 2010 (pela própria Kompakt), e agrupar um trabalho tão consistente como esse em forma de disco é quase covardia. Mas é a oportunidade dos fãs - não só de tech-house ou p
rogressive, mas de eletrônica em geral - ouvirem numa tacada só, um dos álbuns de dance music mais sólidos do ano. 

"Bappedekkel": efeitos e timbres de cair o queixo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Correção de Rota


Depois do decepcionante Honeyslave EP (lançado ano passado), o duo alemão Booka Shade inicia 2013 acertando a mão, e principalmente, nossos pés. Haleshop EP põe a locomotiva tech house de Walter Merziger e Arno Kammermeier de volta nos trilhos com três faixas dignas dos melhores momentos da discografia da dupla (os álbuns Memento de 2004 e Movements de 2006). O gancho de sintetizador da faixa-título, a levada que derruba tudo pela frente de "Chateau Rouge" e o balanço cheio de barulhinhos certeiros de "Karrera" colocam o Booka Shade na primeira classe de novo. E, melhor, dá pra baixar o EP na faixa no site oficial.

"Haleshop": back for good.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Capim-limão


Roland Voss começou na quebradeira jazzy do drum'n'bass (no debut Drumatic Universe, de 1998), mas hoje seu som é um confortável tech house digno de figurar na compilação Café Del Mar.

Em Gloriette - seu novo EP - as seis faixas são altamente dançáveis, mas com esse calor... melhor curtir numa espreguiçadeira. O chill house de Voss é 4x4, mas por cima dele planam pianos elétricos Wurlitzer, vocais sussurrados pela russa Jane Maximova, synths aconchegantes, bleeps discretos, violões dedilhados. Eu até descreveria com mais detalhes esse EP, mas, opa, tá chegando meu drink, então você vai ter que se virar.

"Reinvented Me": vai mais um Bloody Mary aí?

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Jay Lumen Lazy


As idéias do húngaro Csaba Lumnitzer tem variado minimamente, nos últimos tempos. Single após single, a gente já sabe que vem mais daquele tech house de grooves bem robustos. Mas se eficiência é o objetivo, "Get Ready" é o que há. É o novo 12" que ele lança sob o pseudônimo Jay Lumen.

"Get Ready": sample da voz de Doug Lazy no balaço "Let The Rhythm Pump". 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Hard Bass

 
Não faço idéia de onde vem esse projeto de nome curioso, mas fazia tempo que eu não ouvia uma linha de baixo tão furiosa como essa de "If I Had a Nickel". No EP, ainda tem estilhaços de Kraftwerk em "I Twist You Turn" e mais três faixas curtas e experimentais que dá pra pular sem culpa. O 12" saiu pela Maybe Tomorrow, distribuído pela Kompakt.  

"If I Had a Nickel": se eu tivesse 7,80 €uros, compraria esse vinil.  

    


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Shade Techno

 
Os tech housers do Booka Shade acabam de lançar EP novo.

 
 
Chama Honeyslave EP e saiu pela Dim Mak Records, não pela habitual Get Physical. Não me pergunte porque. Tanto a faixa título quanto "Tomorrow Belongs to Us" estão à léguas de distância da precisão matemática dos beats e dos riffs memoráveis de hits anteriores da dupla alemã ("Body Language", "In White Rooms", "Mandarine Girl"). A curiosidade fica por conta da versão Club Mix de "Tomorrow Belongs to Us", que tem um baixo que me lembrou de cara o clássico "French Kiss" do Lil' Louis.   


"Honeyslave": faltou aquele gancho.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Imperfeita Simetria


Bem que o californiano Justin Martin poderia ter dividido seu álbum Ghettos & Gardens em dois EPs. 


No meu imaginário, um deles chamaria Gardens. Seria meu preferido. Nele, haveria a faixa de abertura ("Hood Rich") cheia de cordas disco, firulas de baixo e rap attacks infanto-juvenis. A segunda faixa seria uma dance track comportadinha pontuada por samples de harpa ("Don't Go") e depois viria um tech house de pouca variação melódica mas com um riff que ganha pela insistência ("Butterflies"). Pra fechar, dois remixes para artistas como Goldie ("Kemistry [Justin Martin Remake]") e Pillow Talk ("The Gurner"). Ghettos seria o outro EP, que eu não levaria pra casa: mais simpático à subgraves ("Ghettos & Gardens"), downtempo ("Ladybug ") e parcerias que não deveriam ter acontecido (a irritante "Lezgo VIP", com o desconhecido Ardalan). Martin resolveu juntar tudo num único álbum e o resultado é o irregular Ghettos & Gardens. Fácil resolver: é só procurar o botão skip no player.
"Don't Go": das mais divertidas da temporada.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Come Quieto na Pista


Digitaria é o duo mineiro Daniela Caldellas e Daniel Albinati. Com dois álbuns no portfólio (o debut saiu pelo conceituado International Deejay Gigolo Records, selo alemão de propriedade do DJ Hell), a dupla chega agora ao terceiro extended play (Masochist EP, pela inglesa Hot Creations).


O trio belo-horizontino Funky Fat participa em duas faixas ("Masochist" e "You Bring Me Down"), ambas cruzando indie rock e electro, com basslines fortes e vocais à Lovefoxxx. Já "Crazy Life" e "Paradise" engatam um tech-house 4/4 mais linear e bem simpático à pista de dança. Vale conhecer.

"Crazy Life": "...I felt smaller before".
DIGITARIA - Crazy Life (original mix) // Out on Beatport by Digitaria

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Housenovocalwithmyheadman


Unpatterns - novo álbum da dupla inglesa Simian Mobile Disco - traz nove lições de anatomia com capítulo extra para a neurociência: James Ford e Jas Shaw ensinam exatamente onde ficam os membros inferiores, mas fazem questão de lembrar que é o cérebro que comanda essa brincadeira toda.  


Enganou-se quem pensou (eu, por exemplo) que o primeiro single do disco ("Seraphim") seria termômetro de alguma coisa. Fora o experimento chiptune de "The Dream of the Fisherman's Wife", Unpatterns vem com um vivíssimo tech house cheio de grooves musculosos, vocais que se limitam a repetir o título das canções (e isso só acontece em quatro faixas) e uma paleta de sintetizadores diversificada o suficiente pra tingir tudo com bleeps electro insinuantes. Ouvir o tema central de teclado em "Cerulean" sendo martelado meio ao acaso parece uma brincadeira na linha "meu primeiro Casio ToneBank", mas repare como as coisas vão acontecendo lá no fundo: cristais sintetizados vão flutuando por entre a melodia enquanto o bumbo e o baixo vão fazendo a coisa toda se movimentar como uma locomotiva. Músicas como "Put Your Hands Together" (onde o mantra é apresentado em forma de loop vocal) e "A Species Out of Control" (com seus synths irregulares e pulsos elétricos ditando o ritmo em código Morse) justificam a realização de um álbum num mundo de lançamentos cada vez mais direcionados aos singles e EPs. Basta ter força criativa e feeling de pista o bastante como o Simian.

"Cerulean": melodia de precisão geométrica.

sábado, 28 de abril de 2012

TOC


Single novo do Simian Mobile Disco, "Seraphim" precede o álbum Unpatterns, previsto para 14 de Maio. A versão original está mais pra downtempo com variações do simulador de baixos Roland TB 303 e um mantra repetido à exaustão: "Why can’t you be where I want you to be?", nos moldes daquelas divas flamejantes do comecinho dos 90. O "SMD Extended Mix" dá uma turbinada no bumbo, mas mesmo assim fica na casa dos 110 BPMs. De lambuja, um B-side bem bom: a tech-house instrumental simpática "Cerulean".

 

"Seraphim": Transtorno Obsessivo-Compulsivo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mo ' Better Maceo


Moeda valorizada na house music atual, Maceo Plex não decepciona no seu EP mais recente, Sweating Tears. Saiu em Setembro do ano passado, mas continua fresquinho. "Can't Leave You" traz uma base bem cimentada, groove macio, samples vocais esquisitos. É house com blips techno, é techno com levada house. O B-Side "Stop Your Hate" segue na mesma linha, só que mais engrenado, hipnótico. De lambuja, um remix com um véu dark cobrindo "Can't Leave You", feito pelo duo italiano Tale Of Us. 

"Can't Leave You": Maceo Plex subindo de cotação.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ultrasonoplastia


Tech house ou progressive trance? Sei lá. O que importa é que o novíssimo single "Costa Rica" do duo sueco Ticon é tão empolgante que parece ser daqueles hits de pista que já nascem prontos pra manter um alto número de pés em movimento sob luzes frenéticas numa pista de dança. Dance track da semana.

"Costa Rica": a procura do riff perfeito.

domingo, 7 de agosto de 2011

Chão! Chão! Chão!



Eu levantaria uma sobrancelha em sinal de desconfiança antes de comprar um single de um cara chamado Csaba Lumnitzer. Ainda bem que esse produtor húngaro escolheu o pseudônimo Jay Lumen pra lançar coisas como o recente The Groovy Stuff. Apesar da pouca variação melódica, o single traz três faixas de tech-house bem suingadas, com baixos à galope e vagas referências vocais picotadas sabe-se lá de onde. Destaque para a capa com a vagabinha dançando no melhor estilo boquinha da garrafa.  

"The Groovy Stuff": caixa, bumbo e sexo.