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domingo, 28 de maio de 2017

Mesh Up


Você, jovem (ou nem tanto), fã ardoroso de technopop e que anda decepcionado com suas bandas preferidas (Erasure, Pet Shop Boys, Depeche Mode), saiba que o Mesh continua na ativa entregando trabalhos deliciosos. Álbuns redondinhos (Looking Skyward, o mais recente, é do ano passado) e singles idem. 

Mês passado a dupla de Bristol soltou o EP Runway (Dependent Records), com a faixa título extraída de Looking Skyward (aqui acrescida de um remix), mais uma inédita e um cover do Yazoo. "Runway" junta com maestria alguns elementos que os fãs do gênero apreciam: uso inteligente da eletrônica, acessibilidade, intensidade. É uma grande canção synthpop, com um belo gancho de sintetizador e um refrão que merece ser conservado na memória. A versão Club Class Mix não é nenhuma radicalização em cima do original; só ganhou mais extensão, arpejos de baixo, efeitos e um bumbo mais amigável às pistas de dança. As duas faixas extra nem de longe lembram algo que se pareça com um lado B: "Too Little Too Late" é um tanto enegrecida pelos sintetizadores, mas a construção das estrofes até chegar ao refrão de tom épico é digna de nota. "Tuesday" é um ótimo cover do Yazoo, transformando o minimalismo gelado (e espetacular) de Clarke/Moyet em hit de pista gótica. 

Esqueça os medalhões preguiçosos. Adote o Mesh.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Os Dez Álbuns de 2013


A exemplo da escolha das minhas faixas preferidas de 2013, os álbuns também seguem a mesma lógica sintético/sacolejante. Vão ser só dez, porque como escrevi no Top 65 Músicas, acho que foi um ano de poucos discos realmente bons, homogêneos, coesos. Olha, nada de The Knife, Boards Of Canada, Darkside ou Atoms For Peace. Não vou pagar de cool. Esses aí vão aparecer em muitas listas, ouvi todos e só consegui simpatizar um pouco com o Amok, do Atoms For Peace (projeto do Thom Yorke), mesmo assim, não acho suficiente pra estar num Top 10. Entendo a guinada artística e a ousadia do Knife, mas Shaking The Habitual é, francamente, inaudível. O Tomorrow's Harvest - que encerrou um jejum de oito anos do Boards Of Canada - achei árido demais, e o Darkside (parceria do músico/produtor Nicolas Jaar e do multi-instrumentista Dave Harrington), me deixou com a impressão de que o hype encobriu a música - que não é essa rapadura toda, apesar dos bons momentos revivendo o Pink Floyd no seu debut Psychic (especialmente em "Heart" e "Metatron"). O que eu realmente ouvi, curti, repeti, cantei junto, decorei a ordem das faixas e dancei, é o que está abaixo. Os links com os textos sobre cada um destes álbuns postados em 2013 aqui no blog, estão em vermelho.

10 - DJ Day - Land Of 1000 Chances


9 - Ian Pooley - What I Do


8 - Zomby - With Love


7 - Rudimental - Home



6 - Kölsch - 1977


5 - Mesh - Automation Baby


4 - Hot Natured - Different Sides Of The Sun


3 - Kraak & Smaak - Chrome Waves


2 - Daft Punk - Random Access Memories


1 - Disclosure - Settle


domingo, 22 de dezembro de 2013

Disco Synthpop do Ano: Mesh


Mesmo cambaleante e repetitivo nos últimos tempos, o synthpop sempre vai ter cadeira cativa aqui no blog. Comecei a me interessar por música ouvindo passivamente o A-ha no meio dos 80, que me levou a conhecer Orchestral Manoeuvres in the Dark, depois Erasure, Pet Shop Boys, New Order e Depeche Mode.

Foram poucos álbuns bacanas do gênero em 2013, praticamente nada de bandas novas com discos relevantes. Os melhores lançamentos foram dos medalhões acima. O blues sintético do Depeche Mode em Delta Machine, a agradável visita do OMD ao seu próprio catálogo em English Electric e o retorno dos Pet Shop Boys à música de pista em Electric.

E teve o Mesh.


O Mesh parece ter nascido pra ser coadjuvante. Desde sua fundação (1991, em Bristol, Inglaterra), nunca teve um hit memorável ou um disco inesquecível. Mas tem dois bons motivos pra merecer sua atenção: primeiro, eles não imitam o Depeche Mode - coisa que 90% dos grupos emergentes da cena alemã, por exemplo, fazem. Segundo, o Mesh não é retrô. Não soa como um cópia caricata de artistas new romantic do começo dos 80 (penso em La Roux enquanto escrevo isso).

Automation Baby é o sétimo álbum do Mesh. Saiu no começo do ano, e é mais uma coleção de faixas a ser ignorada pelas paradas (exceto na Alemanha, onde concentra-se o maior público do grupo). Afora o sucesso comercial (de importância questionável), o disco firma-se como o melhor e mais equilibrado de sua carreira; é a consolidação da fórmula technopop em 14 faixas, desde a inflexibilidade da dupla no uso do sintetizador como instrumento principal até as composições que resumem o estilo: tudo aqui é pop e eletrônico.

 Mark Hockings (vocais, guitarras, teclados e programações) e Richard Silverthorn (teclados e programações) são muito bons de melodia. Não há uma faixa que não tenha um bom gancho, seja um refrão, seja um riff. O single mais recente, "Adjust Your Set", é uma boa amostra. Sustentando as estrofes com uma batida robusta, ela vai crescendo devagar com timbres sombrios, até culminar no ótimo refrão de tons mais otimistas:



Faixas cativantes e dançáveis como a abertura "Just Leave Us Alone" (esta com guitarras quase escondidas no arranjo) passam longe de meros arremedos saudosistas. Aqui o Mesh celebra o presente (note como casou bem com a faixa a inserção de um bass drop típico de dubstep, há exatos 03:18 da canção), sem deixar de lado a raiz electropop e sem se deixar seduzir de forma gratuita por sons que estão pegando atualmente, a dupla não perde o foco no futurismo da sua música:



Em andamentos mais lentos e pesados, o Mesh também se sai bem, especialmente valorizados pelos vocais enérgicos de Mark Hockings e pelas construções eletrônicas épicas - mas não pomposas ou grandiosas - da dupla. Mesmo em composições de estrutura mais complexa como "This Is The Time" (com toques de industrial), a base é contida, os elementos combinam-se entre si sem os exageros que sintetizadores mal pilotados poderiam causar:



"Flawless" é outra composição dedicada exclusivamente aos sintetizadores e à batida pesada e dançante - synthpop clássico - que explode num excelente refrão pop (e ele é exatamente como o nome da faixa: sem defeito):



 "The Way I Feel" é a única música em que um instrumento acústico (o violão, no caso) se sobressai, rivalizando com uma bela sessão sintética de cordas e dramáticos coros celestiais, numa balada honesta e harmoniosa: 



Automation Baby ainda tem outras boas faixas ("Taken For Granted", "Born To Lie", "You Want What's Owed To You"), que, sem cabecices, politizações vazias ou pretensão, suprem perfeitamente o fã carente de pop eletrônico redondinho, bem produzido e com vários refrões bons na manga, como esse oferecido pelo Mesh.

Synthpop puro, cabeça erguida e olhando pra frente, nesse ano ninguém fez melhor.