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domingo, 30 de julho de 2017

A Volta Do Que Não Foi


O duo synthpop Monarchy deu azar de ter começado a chamar atenção por volta de 2010, justo numa época em que todo mundo estava maravilhado com o Hurts. Com uma bem cuidada e misteriosa imagem e uma sequência empolgante de singles ("Gold in the Fire", "The Phoenix Alive") e até um lado B que causou frisson na blogosfera ("Black, The Colour Of My Heart"), o duo formado por Andrew Armstrong e Ra Black viu seu álbum de estreia (autointitulado) ser abortado pela gravadora Mercury Records, que rompeu o contrato com a dupla meses depois de tê-lo assinado. O bom debut só sairia no ano seguinte, com novo nome (Around the Sun) pelo selo 100% Records, quando o interesse pela sua música parecia ter diminuído. A dupla chegou a encerrar atividades um mês após o lançamento do segundo disco (o razoável Abnocto, de 2015), mas reconciliou-se pouco tempo depois, continuando a gravar (lançaram o fraco EP de covers Re|Vision, ainda em 2015) e fazendo shows. Armstrong e Black retornam em 2017 com um novo single, "Hula Hoop 8000", agora lançado pela Warner Music espanhola. A canção é um technopop límpido e de fácil audição, que assimila elementos de flamenco e que tem nos vocais em falsete de Ra Black um diferencial decisivo - fugir do modelo barítono/atormentado de Dave Gahan (Depeche Mode) é altamente positivo num campo minado de imitadores - além de, musicalmente, o Monarchy ganhar em sofisticação em relação à seus coirmãos do segundo escalão (especialmente o futurepop urdido por boa parte das bandas germano-escandinavas). Eles continuam bons compositores de pop sintético, num sentido Vince Clarke da afirmação e embora "Hula Hoop 8000" ainda esteja longe das encantadoras canções da primeira leva do Monarchy, não é de se descartar que seu apelo pop faça-os voltar à ordem do dia.

 "Hula Hoop 8000": o Monarchy emerge mais uma vez.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sweet Monarchy


Depois do razoável álbum Abnocto, lançado em Março, o duo Monarchy já tem disco novo saindo: trata-se de Re/Vision, um EP de covers que inclui versões para gente como Arcade Fire, Nine Inch Nails, Blur, Lana Del Rey e Beck. Tem também uma retrabalhada em "Sweet Harmony", uma das minhas músicas preferidas de uma das bandas mais subestimadas/injustiçadas que eu conheço: The Beloved. Confere aí abaixo a (insuperável) versão original e como ficou com o Monarchy.  


domingo, 29 de março de 2015

Pra Trás é Que Se Anda

Camouflage                                                                                    Monarchy
Camouflage e Monarchy, duas bandas de synthpop vindas de cenas e épocas diferentes, mas com algo em comum - além da opção pelo pop sintético: ambas não passaram no teste do segundo álbum. O Camouflage volta olhando pro passado, o Monarchy mostra que pode ter um futuro brilhante (se deixar a soberba de lado).
Os alemães do Camouflage surgiram na segunda metade dos 80, uma época em que o synthpop já estava em franco declínio. Com a boa estreia em álbum (Voices & Images, 1988) e um ótimo single na manga ("The Great Commandment"), o grupo primou por letras políticas de uma certa ingenuidade, mas compensou com bases eletrônicas sólidas e ótimos ganchos de sintetizador ("Neighbours", "Strangers Thoughts", "That Smiling Face"). A partir do segundo álbum (Methods of Silence, lançado no ano seguinte), a música do Camouflage pareceu ter envelhecido dez anos e a banda perdeu-se em tentativas de atualizar seu som. Greyscale, depois de ter sido adiado por duas vezes (estava programado para 2013, depois 2014), acabou de sair e é o oitavo disco do grupo. Volta o Camouflage 100% sintético dos primeiros trabalhos (eles chegaram a utilizar bateristas e instrumentos convencionais no começo dos anos 90), mas ainda não há, aqui, uma sequência de faixas que dê homogeneidade ao trabalho. Os devotos mais fervorosos do technopop vão curtir a levada futurepop e os synths da boa "Misery", a apelativa "Shine" (primeiro single de Greyscale) e o clima sombrio de "Laughing", mas o existencialismo duvidoso de faixas como "In The Cloud" e os arranjos grandiloquentes de "Still" e "End Of Words" puxam a média pra baixo. Dentro do gênero, Greyscale não é um disco ruim, mas quando nos induz a procurar pelo botão skip do player, é porque alguma coisa não saiu como esperado.

"Shine":






O Monarchy - duo australiano residente em Londres - apareceu por volta de 2010 e ascendeu rapidamente no meio eletrônico, com uma sequência de singles e faixas de tirar o fôlego ("The Phoenix Alive", "Love Get Out Of My Way", "Black, The Colour Of My Heart") e um álbum com poucas arestas a aparar (Around The Sun, 2011). Mostrando-se ainda talentosos remixadores (Marina and the Diamonds, Ellie Goulding, Lady Gaga, Orchestral Manoeuvres in the Dark, Jamiroquai e Kylie Minogue na lista), minha empolgação com o trabalho da dupla me levou a pensar que ali estavam os herdeiros que os Pet Shop Boys estavam esperando. Seu recente Abnocto não chega a decepcionar, embora não traga nada tão impactante quanto "Jealous Guy", do debut de quatro anos atrás. Os vocais em falsete de Ra Black continuam sendo um diferencial decisivo - fugir do modelo barítono/atormentado de Dave Gahan (Depeche Mode) é altamente positivo num campo minado de imitadores - e musicalmente, o Monarchy ganha em modernidade em relação à seus coirmãos alemães. Chamar a modelo e dublê de cantora Dita Von Teese para a boa "Disintegration" também foi uma sacada esperta da dupla, assim como a perfeita assimilação do pop na assobiável "The Beautiful Ones". Eles continuam bons compositores de pop sintético, numa tradição Vince Clarke da coisa ("Living Without You" é a melhor prova), constroem baladas com toquezinhos de R&B ("Dancing In The Corner") e technopops clássicos ("Falling In Love With A Memory"), o que já basta pra considerar Abnocto um disco OK - mas ainda distante do arrebatador Around The Sun. O Monarchy tem potencial, tenho certeza. Acho que um produtor como Stephen Hague cairia como uma luva para um hipotético terceiro álbum.

"Living Without You":

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Restoring The Monarchy


O Monarchy deu azar de ter começado a chamar atenção por volta de 2010, justo numa época em que todo mundo estava maravilhado com o Hurts. Seu ótimo álbum de estreia, autointitulado, acabou ofuscado por Happiness, debut igualmente digno de nota do Hurts. O synthpop parecia estar em boas mãos, mas... não foi bem isso que aconteceu.  A sequência do Hurts foi decepcionante, com o fraquíssimo Exile, do ano passado. E o Monarchy, depois de um single lançado em 2013 com Dita Von Teese ‎("Disintegration"), ensaia uma volta mais consistente. 

Saiu ontem no Soundcloud uma amostra de "Living Without You", nova faixa de trabalho do Monarchy. Um minuto e meio é muito pouco pra qualquer avaliação, mas a impressão é bem positiva. Popismo sintético, com ótima sensibilidade melódica, características encontráveis facilmente no primeiro disco do duo australiano.

01:30 de "Living Without You":

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Fim do Reinado e a Volta da Monarquia


O Erasure passou a ser uma banda de singles a partir de 1994. Nesse ano a dupla britânica lançou o fraco I Say I Say I Say, e o álbum naufragou com a produção excessivamente digitalizada do admirável Martyn Ware (Human League, Heaven 17). Ou você lembra de alguma coisa de I Say que não seja a orientalizante "Always"? Ainda assim, era mais um disco do Erasure que chegava ao topo do paradão inglês. Pela última vez. Claro que o número de cópias vendidas não serve como termômetro para medir qualidade, mas como Andy Bell e Vince Clarke pareciam ter a fórmula mágica dos três minutos nas mãos durante a segunda metade dos 80 e o comecinho dos 90, foi de se estranhar que o tecno assumidamente pop da dupla começasse a rarear, em troca de composições mais longas ora tristonhas, ora experimentais. O problema é que até mesmo para singles o Erasure parece ter perdido o Toque de Midas. "In My Arms" (1997), "Freedom" (2000), "Breathe" (2004)... dá pra contar nos dedos o que é realmente digno de nota desse período. E eles se intimidaram? Nada. Continuaram lançando discos. Foram oito de 1995 até 2011, média de um a cada dois anos - contando o mais recente, Tomorrow's World, que saiu mês passado. Aqui temos Vince Clarke de novo usando sua coleção de synths de boa cepa para dar um acabamento mais envernizado nas canções e Andy Bell sofrendo nas mãos do produtor Frankmusik, no que tange aos vocais. O cantor está irreconhecível em "Fill Us With Fire" e cai na armadilha dispensável do auto-tune em "A Whole Lotta Love Run Riot". Honestamente, Bell soa muito melhor ao vivo do que nesse álbum (vi um show da banda em Agosto). Você certamente vai ler coisas por aí como "... é o melhor disco do duo desde...", e a gente quase acredita ouvindo refrãos como "Then I Go Twisting" e "Just When I Thought It Was Ending" ou o esforçado single "When I Start To (Break It All Down)". Fato é que o Erasure tem se desafiado constantemente nos últimos 15 anos: como não passar despercebido no meio de tanta música ofertada? Olha, só com um trabalho (ou uma sequência razoável de singles) realmente bom. E isso aconteceu pela última vez em 1991.

"When I Start To (Break It All Down)": softwares na voz.




Já o duo australiano radicado em Londres Monarchy finalmente debutou de forma oficial com Around The Sun. O disco deveria ter sido lançado ano passado, vazou, foi adiado para Janeiro, depois Julho... Com a lista de faixas alterada em relação a 2010, o álbum ganhou a adição das novas (e ótimas) "I Won't Let Go" e "Jealous Guy". Se você passou batido por esse hype em 2010, saiba do que se trata no texto que escrevi pro rraurl. Depois ouça Around The Sun e tenha certeza que o synthpop está em ótimas mãos com bandas como o Monarchy.

"Jealous Guy": o futuro é o passado, baby.



domingo, 8 de agosto de 2010

Monarchy

Não fosse a possibilidade do Hurts lançar seu disco até o fim do ano, já consideraria Monarchy o melhor disco synthpop de 2010.
Leia resenha completa no rraurl: http://rraurl.com/resenhas/7602/Monarchy_-_Monarchy

Nota: 9
Pra quem gosta de: ABC, The Human League, Visage, Phoenix

"The Phoenix Alive":