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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Sandra


Olha, em 1985 eu tinha 10 anos. Não escutava Kraftwerk e George Clinton. Eu curtia o que o rádio oferecia. O que tava na trilha da novela. O que aparecia no Cassino do Chacrinha. Isso incluía a alemã Sandra Ann Lauer, tenros 22 aninhos na época do lançamento de "(I'll Never Be) Maria Magdalena". Foi o terceiro single da carreira da moça, mas o primeiro hit de fato. Hitaço, aliás. Li em algum lugar que passou de cinco milhões de cópias vendidas. Aqui no Brasil, foi trilha do remake da novela Selva de Pedra, em 1986 - o que causou o airplay exaustivo por um bom tempo.

Produzida pelo romeno Michael Cretu (que casou-se com Sandra três anos depois e emplacou o Enigma no começo dos 90), "Maria Magdalena" é um synthpop épico. Riff poderoso de orquestra sintetizada, refrão memorável, beat lento mas altamente dançável.

Fora o que ela era bonita.

"(I'll Never Be) Maria Magdalena": nunca será!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Children's Day


Ele não é exatamente uma criança, mas já pode comprar a última versão do iPhone sem encher o saco dos pais. O rapper adolescente de Atlanta Ricky Lamar Hawk tem 17 anos, lançou seu primeiro single usando o pseudônimo Silentó em Maio deste ano e - daquelas coisas que não se explica no pop - arrombou a banca. "Watch Me (Whip/Nae Nae)" é um rap de temática infantil e, vai saber porquê, foi pro alto do paradão da Billboard (vendeu quase dois milhões de cópias nos EUA) e vai bem no resto do mundo, também. O vídeo, já passa de trezentos milhões de visualizações no Youtube (!). A letra é uma daquelas bobagens "MMMBop", com sintetizadores de videogame e uma base tipo LL Cool J circa 1987. É divertido, vai.

"Watch Me": Kris Kross versão 2015.

sábado, 7 de julho de 2012

Clássico é Clássico e Vice-Versa: Faithless

Naquele 1996 fervilhando de boa música pop, "Insomnia" era uma estranha no ninho. Tocava direto nas rádios, mas não era pop. Não tinha refrão, mas seu riff memorável de sintetizador grudou na cabeça de todo mundo. Era uma narrativa sombria com um clima eletrônico-opressivo impressionante, mas provocava devastação nas danceterias.


Como explicar o sucesso absurdo desse single? Impossível. O que dá pra dizer é que o Faithless apareceu com alguma coisa realmente diferente na dance music de então. O rosto da banda não tinha nada de glamouroso: tratava-se do rapper londrino Maxwell Alexander Fraser, o Maxi Jazz. Esquálido, olhar profundo, movimentos lentos... é dele a voz gutural e perturbadora de "Insomnia". Musicalmente, a banda estava muito bem amparada pela dupla Ayalah Bentovim (Sister Bliss, multi-instrumentista) e Rollo Armstrong (produtor e irmão da cantora Dido), responsáveis pela linha de baixo furiosa e pela produção notável da faixa. Fundindo trance e eurohouse sob uma ótica escurecida, o single foi sucesso no mundo todo, e abriu caminho para um padrão Faithless de eletrônica de pista que gerou outros mega hits como "God Is A DJ" e "We Come One". A banda acabou ano passado, mas "Insomnia" fica como um dos maiores hinos da dance music de todos os tempos.

"Insomnia": I can't get no sleep.