Mostrando postagens com marcador clássico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador clássico. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Londonbeat


Mezzo inglês mezzo americano, o quarteto Londonbeat parecia estar em todos os lugares em 1991. "I've Been Thinking About You" é uma espécie de Fine Young Cannibals houseificado e foi um hit devastador: chegou ao topo de mercados complicados como a Alemanha e Estados Unidos e a número dois na Inglaterra. Produzido por Martyn Phillips (The Beloved, Erasure), "I've Been Thinking About You" tem vocais soul num falsete afinadíssimo, piano sintético saltitante, guitarrinhas country & western e uma programação de bateria primorosa (repare na tenacidade de tapeceiro persa de Phillips ao encaixar os beats). São ingredientes que garantiram fácil o crossover rádios/pistas naquele inesquecível 1991, um ano especialmente foda para a dance music/eletrônica. Aqui no Brasil a febre durou mais uma temporada, quando a faixa foi incluída na trilha da novela O Dono do Mundo (exibida entre Maio de 1991 e Janeiro de 1992).

Computação gráfica paleontológica e muita cara de pau no vídeo do Londonbeat:

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Club Classics: "The Luxury Gap", do Heaven 17


Nascido a partir de uma dissidência do Human League (os tecladistas Martyn Ware e Ian Craig Marsh) com o acréscimo do vocalista Glenn Gregory, o Heaven 17 fez relativo sucesso na primeira metade dos 80. Seu debut Penthouse and Pavement (1981) é considerado por muita gente como o melhor trabalho da banda - pra mim, eles atingiram a melhor forma, mesmo, com esse álbum aí, The Luxury Gap, de 1983. Imediatamente mais pop e acessível do que o predecessor, tem ao menos quatro singles de sucesso extraídos dele: "Crushed by the Wheels of Industry", "Let Me Go", "Come Live With Me" e o hitaço "Temptation" (que foi ressuscitada em 1996 ao entrar na trilha do filme Trainspotting). Synthpop em essência, mas com boas doses de funk e soul embutidas no som, The Luxury Gap sequer foi lançado no Brasil (o primeiro disco do grupo que saiu por aqui foi o seguinte, o fraco How Men Are, mostrando o quanto nossa indústria do disco canarinho estava ligada ao que acontecia lá fora). Bom, essa cópia aí da foto acabou de chegar agora a tarde. Bora curtir.

"Temptation": synthpop luxuoso.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Plus Staples


Uma lição deixada pelo Art Of Noise: imagem não é nada. O Plus Staples foi um desses casos. Projeto italiano sem rosto do começo dos 90, música pela música. Som de pista feito por gente que entendia demais do assunto, como o DJ Mauro Picotto e o produtor Gianfranco Bortolotti (chefão da Media Records, maior gravadora italiana de dance music da época). Durou só quatro singles, mas o debut "We Got 2 Be" (que aqui no Brasil saiu na coletânea da casa noturna paulista Rainbow - de capa horrenda, diga-se) fez um estrago considerável em rádios e pistas mundo afora, entre 1992 e 1993. Os vocais foram chupados de "Take Me Away", hit underground de 1991 do True Faith (mais tarde usados também na pancadaria "Warrior's Dance", do Prodigy). A base instrumental é épica. Sintetizadores se dividem entre arpejos e um riff inspiradíssimo, enquanto explosões de bateria anunciam que uma nova ítalo house estava chegando: mais pesada, techno, melódica e irresistível.

"We Got 2 Be": épica.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Clássico De Primeira


Dia desses li um negócio que me deixou de boca aberta. "Bette Davis Eyes", hit interestelar da californiana Kim Carnes, foi gravado numa tacada só. Acredita? Eu custei a entender que a versão final não tem overdubs, não foi gravada em canais separados, nada disso. Foi "um, dois, três... valendo!", do começo ao fim. E prensa o single, e põe nas lojas em Março de 1981, e vai pro topo da Billboard (onde ficou por nove semanas), e termina o ano como compacto mais vendido nos Estados Unidos e coroa tudo isso com o prêmio de "Gravação do Ano" no Grammy Awards 1982. O autor da façanha é o produtor Val Garay, que disse ter feito "uns três takes e ter aproveitado um deles", simples assim. "Bette Davis Eyes" foi composta por Donna Weiss e pela cantora Jackie DeShannon - que chegou a gravar a canção em 1975, sem muita repercussão. A composição foi apresentada a Kim Carnes e Garay, que mudaram completamente o direcionamento da música - da letra ao arranjo - e o resultado foi um sucesso estrondoso, número um em 31 países - Brasil, inclusive. A voz rouca de Kim e o riff memorável do então novíssimo sintetizador Sequential Circuits Prophet 5 (sampleado pelo escocês Mylo no hit "In My Arms", de 2005) continuam entupindo pistas até hoje.

"Bette Davis Eyes": de primeira.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Segunda Class: Paolo Conte


Cantor, pianista e compositor, Paolo Conte - italiano da região de Piemonte - tem em "Via Con Me" seu único hit com registro aqui: de vez em quando, ela aparece em rádios do segmento adulto-contemporâneo. São menos de 3 minutos em que Paolo canta na sua língua de origem, funde com inglês e ainda lasca uns scats que deixariam Louis Armstrong com aquele sorrisão característico. Maravilha. Lançada originalmente no álbum Paris Milonga, de 1981, a faixa entrou na trilha do abacax... digo, do filme French Kiss (no Brasil, Surpresas do Coração), de 1995.

"Via Con Me":
"Via, via, vieni via con me..."



Ao vivo:

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Segunda Class: Bryan Ferry


Se eu te perguntasse qual é a melhor música dos 80, o que você responderia? Eu afirmo sem pestanejar: pra mim é "Don't Stop The Dance", de Bryan Ferry. Lançada como segundo single do sexto álbum solo do cantor inglês (Boys and Girls, de 1985), a música é exatamente como Ferry: elegante, sofisticada, sedutora. Hoje - aos 67 anos e na ativa - a voz já não é a mesma, mas "Don't Stop The Dance" capta Bryan Ferry no auge. Clássico à prova do tempo.

"Don't Stop The Dance": como o vinho.


sábado, 7 de julho de 2012

Clássico é Clássico e Vice-Versa: Faithless

Naquele 1996 fervilhando de boa música pop, "Insomnia" era uma estranha no ninho. Tocava direto nas rádios, mas não era pop. Não tinha refrão, mas seu riff memorável de sintetizador grudou na cabeça de todo mundo. Era uma narrativa sombria com um clima eletrônico-opressivo impressionante, mas provocava devastação nas danceterias.


Como explicar o sucesso absurdo desse single? Impossível. O que dá pra dizer é que o Faithless apareceu com alguma coisa realmente diferente na dance music de então. O rosto da banda não tinha nada de glamouroso: tratava-se do rapper londrino Maxwell Alexander Fraser, o Maxi Jazz. Esquálido, olhar profundo, movimentos lentos... é dele a voz gutural e perturbadora de "Insomnia". Musicalmente, a banda estava muito bem amparada pela dupla Ayalah Bentovim (Sister Bliss, multi-instrumentista) e Rollo Armstrong (produtor e irmão da cantora Dido), responsáveis pela linha de baixo furiosa e pela produção notável da faixa. Fundindo trance e eurohouse sob uma ótica escurecida, o single foi sucesso no mundo todo, e abriu caminho para um padrão Faithless de eletrônica de pista que gerou outros mega hits como "God Is A DJ" e "We Come One". A banda acabou ano passado, mas "Insomnia" fica como um dos maiores hinos da dance music de todos os tempos.

"Insomnia": I can't get no sleep.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Numanóide


Que tal o Gary Numan versão 2011? Aos 53 anos, Gary Anthony James Webb (ou o vovô do pop tecnológico) deu um tapa na peruca e lançou Dead Son Rising em Setembro, cinco anos após seu último álbum.


Os cabelos podem não estar iguais aos de 1979, quando Numan mandava aquele olhar pro infinito no vídeo da clássica "Cars", mas a voz continua a mesma. O disco pega pesado em timbres grandiloqüentes de sintetizadores e guitarras com padrão Megadeth de distorção ("When The Sky Bleeds, He Will Come"), traz a habitual temática sci-fi em "Dead Sun Rising" e desnuda Numan ao piano com a gélida "Not The Love We Dream Of". O cantor mergulha fundo num experimentalismo orientalizante em "We Are The Lost" regida por uma batida ritualista e vocais assustadores, mas cai de quatro sob um violão monocórdico e synths deformados na gótica "For The Rest Of My Life". "The Fall" teve minha simpatia instantânea com sua bateria espancada, refrão messiânico e levada dançante. Percebendo aí um hit de pista em potencial, a faixa ganhou um vinil com três remixes na Super Deluxe Edition do disco. Bom trabalho, Sir Numan.

"The Fall": ator canastrão, cantor exímio.