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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Sandra


Olha, em 1985 eu tinha 10 anos. Não escutava Kraftwerk e George Clinton. Eu curtia o que o rádio oferecia. O que tava na trilha da novela. O que aparecia no Cassino do Chacrinha. Isso incluía a alemã Sandra Ann Lauer, tenros 22 aninhos na época do lançamento de "(I'll Never Be) Maria Magdalena". Foi o terceiro single da carreira da moça, mas o primeiro hit de fato. Hitaço, aliás. Li em algum lugar que passou de cinco milhões de cópias vendidas. Aqui no Brasil, foi trilha do remake da novela Selva de Pedra, em 1986 - o que causou o airplay exaustivo por um bom tempo.

Produzida pelo romeno Michael Cretu (que casou-se com Sandra três anos depois e emplacou o Enigma no começo dos 90), "Maria Magdalena" é um synthpop épico. Riff poderoso de orquestra sintetizada, refrão memorável, beat lento mas altamente dançável.

Fora o que ela era bonita.

"(I'll Never Be) Maria Magdalena": nunca será!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Taco



Taco Ockerse nasceu na Indonésia, mas sua carreira engrenou na Alemanha. Ator, produtor, compositor, escritor e cantor, Taco montou sua primeira banda em 1979 (Taco's Bizz), mas assinou solo com a Polydor alemã em 1981.


Seu primeiro single saiu em 1982. "Puttin' On The Ritz" é um cover da canção gravada originalmente por Fred Astaire, em 1930. A idéia era ousada: transformar o swing orquestrado de Astaire num technopop dominado por teclados e baterias eletrônicas. E deu muito certo. Foram mais de um milhão de cópias vendidas somente nos Estados Unidos e a canção ainda entrou no Top 5 de diversos países.


O vocal de Taco - entre elegante e canastrão - casou magistralmente bem com a base sintética, lenta e venenosa. E como referência à Astaire, uma seqüência de sapateado ainda aparece no meio da faixa, entre guitarras funkeadas, percussão e várias amostras absolutamente criativas de timbres de sintetizador. Um single memorável, de um artista que se tornou um dos one hit wonders mais populares dos 80.

No Brasil, "Puttin' On The Ritz" saiu na trilha da novela Eu Prometo, exibida na Rede Globo entre 1983 e 1984.

"Taco": pioneiro do electro swing?

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Real McCoy


Você viveu muito bem até agora sem saber disso: boa parte dos rappers de grupos eurodance alemães eram americanos e ex-militares. Explicação fácil: como os Estados Unidos ainda mantém várias bases em território alemão, foi juntar o talento (ou a força de vontade, em alguns casos) de alguns soldados metidos a rapear nas horas de folga com a crescente cena dance germânica do final dos 80 e deu naquele hip-house festeiro que estava em todos os lugares na primeira metade dos anos 90. Turbo B. (Snap!), Jay Supreme (Culture Beat), B.G. The Prince Of Rap e Captain Hollywood são alguns exemplos desse pessoal que deixou o Tio Sam na mão.



Olaf Jeglitza era uma exceção. O nascimento em Berlim foi apenas um detalhe geográfico, porque desde moleque O-Jay esteve envolvido com a cultura hip-hop em seu país: montou o primeiro fanzine sobre o gênero na Alemanha, integrou grupos de break, produziu programas de rádio e criou um selo (Freshline Records), até tornar-se produtor e vocalista do MC Sar & The Real McCoy, em 1989. Teve dois singles com relativa repercussão local, suficiente para atrair a BMG alemã, encurtar o nome para Real McCoy e lançar "Another Night", em 1993. Hit mundial. A faixa entrou no difícil mercado americano, chegou em terceiro lugar no Hot 100 da Billboard e vendeu impressionantes um milhão de cópias só no território ianque. Com bleeps de sintetizador inspirados em "More and More" (hit do Captain Hollywood Project) e da oitentista "Desire" (de Roni Griffith), "Another Night" traz o vocal soturno de O-Jay contrastando com a voz quente da cantora Karin Kasar em versos que explodem num refrão popíssimo, que não era nada diferente do que Human League ou Duran Duran faziam anos atrás ("In the night, in my dreams, I'm in love with you / 'Cause you talk to me like lovers do / I feel joy, I feel pain, 'cause it's still the same / When the night is gone I'll be alone..."). Os pianos house e o groove seco e preciso do baixo mantinham os pés em movimento. O Real McCoy teve mais alguns singles de sucesso e ainda está na ativa, provavelmente fazendo playback em festas retrô. Who cares? "Another Night" continua foda.

Real McCoy: hit intergaláctico.


terça-feira, 24 de junho de 2014

Yo! Deutsch Rap!


Não se assuste com a cruz invertida tatuada nessa máscara-panda. O alemão Carlo Waibel é inofensivo. Tanto quanto o rap que ele grava sob o apelido Cro. Discursando sobre trivialidades numa embalagem bem pop, Cro consegue ser divertido e dançante, com um punhado de refrões bem grudentos na manga.


Seu novo álbum Melodie, saiu no começo de Junho e o fato de Cro mandar suas rimas na língua materna soa curioso por si só, mas não faz a menor diferença. O que vale é a capacidade do artista de encaixar na métrica apertada do rap suas historietas juvenis, e fazer isso soar bem no ouvido. A bola da vez no disco é "Traum", mas "Erinnerung", "Bad Chick" e "Hey Girl" agradam do mesmo jeito. Desde o Falco que rap em alemão não dava tão certo.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Moskwa TV


Custei a acreditar no locutor quando ele disse que isso não era Information Society. Como não? A mesma batidinha Miami, os samples, os vocais... no mínimo, era o Kurt Harland metido em algum projeto paralelo. O nome Moskwa TV não era familiar pra mim. Nunca tinha ouvido falar. Muito tempo depois é que fui descobrir a origem do grupo, formado no meio dos 80 na Alemanha por um quarteto capitaneado pelo DJ e produtor Talla 2XLC.


Na época que o single "Tell Me, Tell Me" estourou (entre 1991 e 1992), nem Talla 2XLC estava mais no projeto - que reduziu-se a uma dupla, mas manteve o mesmo Ion Javelin no microfone.

Freestyle alemão, foi hitaço no Brasil e encaixava-se perfeitamente numa discotecagem que incluísse o próprio Information Society e T42. Eu já não sabia quem era quem. 

"Tell Me, Tell Me": InSoc chucrute.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Segunda Class: Phonique


Kissing Strangers, álbum de 2010 do alemão Michael Vater (Phonique), é ruim que dói. Mas no meio de tanta dance xinfrin, tem uma pérola que não merece estar nesse disco. A terceira faixa, "Amy's Heart", é sensacional. Vocais em falsete por um tal Ruben Scheffler, a música é um reggaezinho totalmente eletrônico, com uma percussão fragmentada que parece gravitar em torno dos sintetizadores de timbres agradáveis e fluidos. Maracujá sonoro.

"Amy's Heart": para ascender.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Radio Song



Esperto esse Michael Baumann. 


 Assinando como SoulPhiction, é co-fundador do selo Philpot (com sede em Stuttgart), por onde tem lançado suas faixas recentemente. Seu mais novo single, When Radio Was Boss, no entanto, saiu por outra gravadora alemã, a Pampa Records, e - como o nome indica - é uma homenagem ao tempo em que o rádio era o caminho natural pra quem buscava música.
A faixa tem um cowbell insistente, movimentos de orquestra no segundo plano e um enigmático monólogo em forma de transmissão radiofônica. Tudo isso junto funciona bem, mas o que me derruba mesmo é esse baixo, totalmente Mr. Fingers ("Can You Feel It"). 

"When Radio Was Boss": groove germânico.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Pooley Dance

 

Tá que não é nenhuma maravilha de inovação e criatividade, mas Ian Pooley trabalha direitinho. Seu mais recente álbum, What I Do, saiu no começo do ano e mostra um produtor experiente (Pooley grava desde o meio dos 90), que sabe usar bem o estúdio, com arranjos competentes e eficiência nos grooves e batidas.


Exemplos no disco não faltam. A refrescante "Bring Me Up" - com seu baixo cavalar e a voz sossegada de Dominique Keegan - é um bom começo. A divertida "Kids Play" evidencia que vocais infantis são infalíveis mesmo (pense em "Get A Life", do Soul II Soul e "D.A.N.C.E.", do Justice). Pooley mostra criatividade nas programações de bateria com a exuberância de "1983" (vocal de Högni Egilsson, do Gus Gus) e "What U Love" (com uma bela sessão de cordas sintetizadas). Uma pincelada com tintas escuras em "I Should Be Sleeping", inserções jazzy ("Over") e alguns detalhes que não passam despercebidos (as slapadas de baixo fazem toda diferença na faixa título), e What I Do fica tranquilamente acima da média vigente, num 2013 de poucos álbuns dance dignos de nota. 

"1983": leva pouco tempo pra viajar dos quadris ao cérebro.

sábado, 16 de novembro de 2013

Quando a Noite Cair


 

  Lebanon Hanover é o duo Larissa Iceglass (Larissa Georgiou) e William Maybelline (William Morris). Formado em Sunderland, Reino Unido, há pouco mais de três anos, a banda já tem quatro álbuns (contando o primeiro, dividido com o grupo La Fete Triste, e que saiu só em cassete). O negócio do casal é uma radical celebração do darkismo oitentista; sem concessões, sem atualizações, nem fusões com sons que estão pegando atualmente.


Tomb For Two (com sua aflitiva capa acima), saiu no finalzinho de Setembro. É um mergulho de quarenta minutos nas águas turvas da dark wave. São timbres congelados de sintetizador, baixos de duas notas, bateria eletrônica (Doktor Avalanche?) e riffs secos de guitarra, emoldurando canções que não fogem da temática do gênero (solidão, abandono, morbidez, romantismo febril). O tempo nublado nas 10 canções do álbum é potencializado pelos vocais à Siouxsie Sioux de Larissa Iceglass - mais assustadores ainda com letras em alemão, como em "Your Fork Moves" - e pela voz de William Maybelline (que canta em duas faixas), algo entre Ian Curtis e Andrew Eldritch.

Tomb For Two é minimalista e econômico (dá pra ouvir inteiro na página do Bandcamp da banda), e dentro desse lugar onde o sol não bate, tem ótimas músicas. O single "Gallowdance", por exemplo, com suas navalhadas de guitarra e letra que é puro otimismo ("Dance comigo a dança da forca / Contanto que não estejamos pendurados / Enquanto ainda podemos, meu amor / Ambos sabemos que a corda está sempre pronta"). Tivesse sido lançada em 1984, dava pra dançar com o nariz colado na parede do Crepúsculo de Cubatão.

"Gallowdance": dancinha desorientada e corda no pescoço.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Futuro Do Passado


Fã de sintetizadores? No seu novo álbum The Entirety of Matter, o prolífico Kris Menace oferece uma coleção deles. E se tem um cara que domina essas maquininhas com rara maestria e bom gosto hoje em dia, é esse produtor alemão.


Christoph Hoeffel pode não ter pensando muito nos clubbers nesse disco, mas presenteou os produtores de TV com a trilha perfeita para documentários sobre missões espaciais. São doze faixas em menos de uma hora de techno com aquele gosto retrô indelével e adocicado. 

"Mona": obra sintética.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Shade Amor


É um joguinho de palavras bobo, eu sei, mas não consegui pensar em nada melhor pro título desse post. Aliás, pra próxima postagem relativa ao Booka Shade, já tenho outro trocadilho na manga: "Shade Ginga". Hm? Hm? 


Atenhamo-nos à música: Love Inc é o single novo dos alemães. Precede Eve, álbum programado pra 04 de Novembro. Walter Merziger e Arno Kammermeier vêm com uma house que tem uma bonita base orquestrada - tipo 15 oboés sintetizados - samples vocais espalhados e não cola o pé no fundo (130 BPMs). O vídeo mostra uma bela sequência de pegações calorosas e malhos concentrados, pra todos os gostos. Vale o clichê: gostei mas não me apaixonei.

"Love Inc": não tem muita cara de single, não.

domingo, 1 de setembro de 2013

Electronic Digitalism Music


EP novo dos alemães do Digitalism, Lift traz colaborações com o grupo californiano The M Machine e o produtor Steve Duda. 

A faixa título (com M Machine) tem um jeitão dessa EDM genérica feita pros festivais de verão e pra danceterias com capacidade acima de cinco mil pessoas, onde ser clicado na área VIP é mais importante do que estar na pista. Bombada, breaks estratégicos... sei não. Me pareceu calculada pra ser bem sucedida comercialmente. "Dudalism" (com, dããã, Steve Duda) e "Electric Fist" recolocam o Digitalism nos trilhos. A primeira é aquele techno onde várias TB-303 parecem entrelaçar-se com uma mini sinfonia sintética, características comuns ao som da dupla (lembrei da já clássica "Zdarlight", de 2005). "Electric Fist" é uma maravilha da manipulação sonora. Sintetizadores que derretem e voltam à forma original e uma taxa de compressão que faz os graves coicearem forte no peito.

"Electric Fist": saudades do maximal?   

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Headshop


Cria do produtor germânico Olaf Pozsgay, o Headshop foi um projeto de três singles lançados no período 1993 / 1995. "Xenomorph" está no debut 4 Sale!, semi-hit que não transcendeu as pistas nem chegou ao airplay significativo, mas fez um estrago considerável pelos clubes mundo afora, vinte anos atrás.

"Xenomorph" capta o hardcore techno num momento especialmente popular (1993). A base tensa sustenta a espetacular profusão de sintetizadores carregados de flanger, num beat lento, que dura até um minuto e meio. A partir daí, o BPM sobe alucinadamente e leva tudo por diante, e - incrível - é uma faixa irresistivelmente dançante, mesmo sem linha de baixo.

Imagine o céu se abrindo de ponta à ponta entre trovões ensurdecedores e relâmpagos cegantes.
"Xenomorph" é isso aí.
 "Xenomorph": marco do underground.

domingo, 23 de junho de 2013

Deformando o Óbvio


Não sou lá muito fã do Modeselektor. Nem do Apparat. Reconheço que a produção é esmerada e a criatividade é manifesta em batidas e timbres não convencionais, mas ambos os grupos tem um certo apreço por levar esse modo de distorcer a eletrônica até que ela beire a bizarrice, com as levadas tortas e o clima árido do Modeselektor e as composições e texturas amargas do Apparat. Decididamente, não é muito fácil digerir.


Acontece que Gernot Bronsert e Sebastian Szary (do Modeselektor) e Sascha Ring (Apparat) uniram-se em 2003 no projeto paralelo Moderat, que acabou resultando em alguns EPs e, em 2009, num álbum autointitulado. E deu caldo. Tanto que depois de seis meses trancados no estúdio, o trio retoma as atividades em 2013 com mais um disco de inéditas, chamado II.

Imediatamente mais acessível do que os trabalhos titulares, os alemães mantém uma distância segura do pop, embora algumas canções utilizem elementos próprios ao gênero, como a estrutura de estrofe, refrão e melodia. O exemplo mais claro está no primeiro single do disco, "Bad Kingdom": uma oscilação de baixa frequência do sintetizador impõe a pulsação que serve de base para os vocais e a batida que vai sendo construída aos poucos. Aliás, o modo como o Moderat dedica-se à voz em II é um capítulo à parte. Em "Let In The Light", as notas delicadas de teclado aliviam o tom doloroso que o pitch baixo a que os vocais foram submetidos oferece. Já em "Therapy" e "Versions", é o contrário: a velocidade das vozes é alterada para a posição "higher", o que causa um efeito angelical. Em "Gita", o canto é recortado por loops, e só na delicada "Damage Done" as coisas voltam ao normal. Menção honrosa para os beats engenhosos de "Ilona" e "Versions" e o techno engrenado e áspero da instrumental "Milk".

II é um disco que explora com inteligência e aplicação o que a tecnologia oferece, com filtros, reverbs, distorção e efeitos varrendo as 11 faixas. Só que o Moderat administra e equilibra tão bem os recursos, que afasta a música da trivialidade ao mesmo tempo que não a torna inaudível.

"Bad Kingdom": techno e pop. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quarta Do Sofá: Culture Beat


O Culture Beat é um projeto germânico de eurodance. Teve alguns hits no começo dos 90 ("Mr. Vain", o mais emblemático). 


O primeiro single do terceiro álbum da banda, Inside Out, foi lançado em Novembro de 1995. Imagine que o maxi-single em CD veio com sete versões diferentes. O CD de remixes, lançado pouco depois, veio com 11 (!) variações do mesmo tema. Bom, uma das interpretações pra "Inside Out" que aparece no single é a "Not Normal Mix", despida da jamanta de sintetizadores da original, sem bateria e sem o rap de Jay Supreme. Só o vocal arrepiante da ótima vocalista Tania Evans, um violãozinho pra acompanhar e uma caminha bem fofa de teclados.

É uma prova simples de que por trás daquela tranqueira cibernética, há uma música emocionante respirando.

"Inside Out (Not Normal Mix)": melhor que a original.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sexta Feira Bagaceira: The Twins

 
 
Eu ouvia aqueles sintetizadores dramáticos e aquele tom de voz apocalíptico de Ronny Schreinzer e parecia que a letra tratava de uma hecatombe nuclear, que o fim estava próximo, que o telefone vermelho iria tocar na mesa do Reagan e ele ia se dirigir à salinha secreta da Casa Branca e levar sua mão trêmula ao botão que mandaria uma chuva de ogivas à União Soviética, terminando de vez com aquela troca de ofensas e piadas de mau gosto com Leonid Brejnev. 


 Mas não era bem assim. Bastava ver uma foto do Twins e entender o que dizia a letra de "Face To Face - Heart To Heart" pra sacar que por trás daqueles ternos com ombreira à lá Didi Mocó, batia um coração despedaçado por um ex-amor.

Lançado pela dupla alemã em 1982, o single foi sucesso internacional. Synthpop clássico flertando com a ítalo disco, "Face To Face" foi o melhor single do Twins. Quase repetiram a dose com "Ballet Dancer" (lançada um ano depois), que não fez feio, mas sua execução e vendagens expressivas ficaram restritas à Europa.


A partir daí, os gêmeos não conseguiram engatar mais nenhum sucesso, e apesar de sua curta discografia (apenas seis discos lançados, desde 1980), a banda ainda está na ativa.  

"Face To Face - Heart To Heart": gancho de sintetizador inesquecível.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Pop Song Da Semana: "Neon (Lonely People)"


Putz. Linda essa Lena Meyer-Landrut. Alemã, só 22 aninhos. Venceu o festival Eurovision de 2010. Dois - dos três álbuns que ela já lançou - chegaram no topo da parada germânica. Não é pouca coisa. "Neon (Lonely People)" é um single lançado em Fevereiro e mostra que Lena tem um bom senso pop: ela foi uma das autoras da música. E canta direitinho. Nem precisava. Com essa carinha aí...

"Neon (Lonely People)": solidão que nada. Ó eu aqui, Lena.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Segunda Class: Ulrich Schnauss


O prolífico produtor alemão Ulrich Schnauss voltou a se concentrar em um álbum solo, depois de seis anos colaborando com outros artistas.


A Long Way To Fall foi lançado em Janeiro, e a despeito de acusações como "falta de inovação" ou "zona de conforto" descritas por seus detratores, é um belíssimo álbum de eletrônica. Escolha sua tag preferida (ambient techno, chill out, downtempo) e mergulhe no oceano de sons que Schnauss espalha pelo disco: beats macios emoldurados por timbres encantadores ("Like a Ghost In Your Own Life"), cristais sintetizados pontuados por violoncelos ("A Forgotten Birthday"), ruído eletrônico vertido em melodia ("Borrowed Time"), programações enigmáticas ("Broken Homes") e uma clara influência do dream pop do Cocteau Twins de Robin Guthrie e Liz Fraser nas várias camadas de som da etérea "A Long Way To Fall".

É um clube cada vez mais restrito esse que inclui artistas relevantes de música eletrônica contemporânea. Schnauss tem a carteirinha. 

"A Long Way To Fall": melodias que evaporam.

domingo, 26 de maio de 2013

Westphalia Bambaataa


Maximilian Lenz não nasceu ontem. Está nesse negócio de discotecagem desde 1983, lançou seu primeiro 12" em 1985. Sua técnica de mixagem apurada e suas produções techno prapular o tornaram o mais conhecido e bem-sucedido DJ da Alemanha. 


Agora, apavorante é a moral de WestBam em Götterstrasse, seu décimo primeiro álbum, que saiu no final de Abril. A lista de vocalistas convidados é estelar: Lil Wayne, Iggy Pop, Bernard Sumner, Brian Molko e Kanye West, pra ficar só no primeiro escalão.

 Götterstrasse é econômico nas batidas, um techno que não deixa o pé ir na lata (130 BPM, em média), 4x4 de bumbo pesado onde a única coisa que varia é o som da caixa - um timbre diferente pra cada música. WestBam usa uns ataques fortes de strings, uma orquestra cibernética que garante alguma diversidade às 14 faixas do disco.

Richard Butler (Psychedelic Furs) canta na dramática faixa de abertura (e primeiro single extraído do álbum) "You Need The Drugs", mais adequada pro abatimento de um fim de festa frustrante do que pra euforia do auge da noite. "Iron Music" com a voz grave de Iggy Pop é sombria o bastante pra não virar hit de pista; "She Wants" careceu de um refrão, mas tem os vocais de Bernard Sumner pra garantir que seja reconhecível à distância. "Sick" quase soterra Brian Molko com seu instrumental suntuoso; Kanye West consegue soar tão pedante quanto suas produções recentes na marcial "Radio Siberia" e o vocal elegante de Hugh Cornwell (do seminal grupo punk The Stranglers) soa meio deslocado na base sem graça de "A Night To Remember".

As participações menos badaladas são as melhores de Götterstrasse. Em "To The Middle Of Nowhere", a veterana cantora alemã Inga Humpe encaixou sua voz doce com perfeição às cordas que WestBam adicionou ao tom constante da bateria, num synthpop primoroso (com resultado semelhante na outra música em que Humpe participa, "Gцtterstrasse No. 1"). "Solid Sound" (com o desconhecido Andrew Tyler) é um techno engrenadinho que não faz feio e "We Feel Love" (participação de Afrika Baby Bam do Jungle Brothers) é ordinária, mas a boa linha de baixo, os backing vocais afinadinhos e o infalível panfletarismo paz & amor bastam pra torná-la uma dance track popular no verão do hemisfério norte. Outro bom momento é a lúgubre "Where We're From", que revive o Ultravox com seus sintetizadores ameaçadores, clima desolado e vocais da cantora pop Rockell.

A Deluxe Edition ainda vem com versões dub das faixas, com andamentos diferentes e vozes limadas sem dó.

Chamar esse pessoal todo pra trabalhar em Götterstrasse mostrou reverência ao que WestBam representa, mas foi arriscado. Talvez o DJ e produtor alemão não tenha sabido administrar tanta gente relevante num único trabalho, e a consequência foi um disco morno, com impressão de subaproveitamento. Sintomaticamente, as vozes mais afastadas dos holofotes foram as que mais brilharam em Götterstrasse.

"To The Middle Of Nowhere": sublime.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Peter Kent


O cantor e produtor Peter Kent (nascido Peter Hedrich, na Alemanha) apareceu no meio dos 70 tentando a sorte no Eurovision - um concurso anual com canções de gosto pra lá de duvidoso - até conseguir um honroso terceiro lugar em 1975. Seu primeiro sucesso de fato foi "It's A Real Good Feeling", lançado em 1979. Chegou ao número um na parada alemã em Abril de 1980 e vendeu cerca de 750 mil cópias, hit massivo no Velho Continente. A faixa perambula entre a então moribunda disco (baixo e bateria) e o nascente technopop europeu (sintetizadores), com o insólito e excelente vocal efeminado de Kent. Obrigatória em qualquer festinha retrô imbuída de animação.

"It's A Real Good Feeling": disco germânica.