domingo, 3 de julho de 2011

Insônia

Sem sono? Seus problemas acabaram. Dá pra garantir ao menos quase duas horas de cochilo sem apelar pros carneirinhos com estes dois lançamentos. In Flagranti e Com Truise estão naquela categoria de nomes relativamente hypados que eu não consigo entender porquê. E pode não parecer, mas são farinha do mesmo saco: seus discos são longas viagens instrumentais e provocam um tédio abissal ao invés de instigar o movimento - o que me parece o propósito de ambos.  


A dupla In Flagranti voa acionando o piloto automático nos ares da space disco com Céu de Brigadeiro: sem turbulências, sem emoção e de uma previsibilidade detectável em qualquer radar. Uns samples de vocais sexy aqui, umas percussões interessantes ali, mas tesão que é bom... imagina o Giorgio Moroder num filme pornô ambientado nos anos 70, com aquele bigodão. Tão sensual quanto uma persiana.  






Já o Com Truise parece ter tido inspiração mesmo na hora de escolher a alcunha, baseado num jogo de palavras com o nome do marido de Katie Holmes. Seu Galactic Melt é um bolo fatiado em dez pedaços rigorosamente iguais: slow disco instrumental de timbres invariáveis de bateria eletrônica e total carência de ousadia na escolha dos synths. Alguma luz na interessante "Futureworld", ainda assim insuficiente para salvar o disco do marasmo:



In Flagranti e Com Truise: dois nomes para não contar na combalida Dance Music safra 2011.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Plano Piloto


É bem provável que o quarteto Vitrine não almeje ocupar o nicho no mercado fonográfico que está vago desde o fim do Legião Urbana (mesmo com as tentativas fracassadas do esquecível Catedral, por exemplo), e isso é muito bom. Até porque esse tal mercado mudou absurdamente de vinte anos pra cá (leia-se ninguém mais compra discos e o mercado de download pago aqui na terra da Claudia Leitte engatinha) e também porque talvez as coincidências existentes estejam só nas origens locais e musicais de ambas as bandas: Brasília e pós-punk, respectivamente.


Ouvindo o single Zero Hora - lançado no final do ano passado - dá pra perceber que o gosto por palhetadas vigorosas de guitarra e baixos bem cadenciados não fazem do Vitrine the next big thing nem trazem nenhum tipo de esperança de que o bom rock, um dia, vai triunfar. Porque, acredite, não vai. Daqui pra frente é ladeira abaixo. Simples assim. É só dar uma olhada à sua volta. Pega o Brasil Hot 100 Airplay da Billboard e me diz se tem alguém que se salva ali. Não tem. Mas o que o Vitrine oferece então? Numa palavra: honestidade. Penso que esses caras acreditam no que estão fazendo, no que estão cantando - mesmo que isso remeta à uma época (sim, os anos 80) em que não seria constrangedor ouvir um verso como "Sou tão velho para entender/Tão jovem pra me ajoelhar" ("Submissão") ou fechar os olhos e visualizar Ian McCulloch cantando o refrão de "Esther", sob uma linha de baixo pulsante. A canção pra se estar atento aqui, no entanto, é inegavelmente a faixa-título. Bateria e guitarra duelando à Strokes e um refrão pop prontinho pra grudar na memória. E assim - sem camisas xadrez ou bigodinho indie, sem um nome pseudo-engraçadinho, sem cabecices ou politizações vazias - o Vitrine chega no seu single de estréia, produzido por Philippe Seabra (Plebe Rude), apostando na lógica invertida do "pra que complicar se a gente pode simplificar?". Go ahead, rapazes.

   O belo vídeo em P&B de "Zero Hora": darkismo sutil.



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ice Floor


Os islandeses do GusGus voltam com disco novo oficialmente na próxima segunda, 23 (Arabian Horse, de capa linda, diga-se). Abaixo, duas faixas do álbum: "Within You" e "Over", ambas transportando a dance music para os cantos menos iluminados da pista de dança. Fantástico. 

GusGus: gelo e fogo é uma combinação possível.




domingo, 1 de maio de 2011

Odara


Cayetano é o grego Giorgos Bratanis, na ativa desde 1996 e com cinco álbuns no currículo (o mais recente é Back Home, lançado no final ano passado com ótima recepção por parte de veículos especializados como Resident Advisor, DJ Mag e IDJ). Dá pra colocar os álbuns do cara na sua pasta Nu Jazz, junto com Parov Stelar, De Phazz e St. Germain: é downtempo jazzistico forrado com samples bem encaixados e instrumentos reais - como esta viciante "The Secret", presente em The Big Fall de 2009 (saiu pela gravadora de Marcus Füreder do Parov Stelar, a Etage Noir Recordings). Cayetano bolou um serpenteante riff de órgão repetido à exaustão sob uma enigmática narrativa que eu adoraria saber do que exatamente se trata. Aqui tudo se encaixa com perfeição: violões, percussão, piano, flautas, backings... a canção dura 3 minutos, mas cada clicada no repeat será justificada. 

"The Secret": se você conhece a fonte desse sample-narrativa, me deixe ficar sabendo.  





Brincando Com Fogo


Acha que é fácil mexer num monolito como "Finally" da CeCe Peniston? O mega hit da americana Cecilia Veronica Peniston já foi remixado dezenas de vezes desde seu lançamento em 1991, mas em Novembro do ano passado ganhou uma versão no mínimo inusitada: os britânicos do Cherry Ghost vestiram camisa xadrez e tênis All Star na house comportada original pra colocar no lado B do single "We Sleep On Stones" e o resultado é sensacional. O cover já aparecia em shows da banda, mas nesse 12" o maluquete Richard Norris (Time & Space Machine) tratou de providenciar uma bateria decente, arrumar uma cama macia de teclados e borrifar efeitos certeiros na sua visão de como deveria soar essa versão do Cherry Ghost. Experiência faz a diferença: Norris é metade do projeto eletrônico-cerebral The Grid (junto com Dave Ball do Soft Cell) e já trabalhou com gente como Chemical Brothers, Goldfrapp, Tracey Thorn e Badly Drawn Boy. E acertou em cheio nesse remix.

 "Finally": novinha em folha para as pistas, 20 anos depois.