quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Fugindo do CHVRCHΞS


É bonitinho, é fofinho, a vocalista é gatinha. Eu acrescentaria mais um à série de diminutivos aplicados aos escoceses do CHVRCHΞS: é chatinho. Músicas acima da média desse trio eu conto nos dedos de uma das mãos. Obviamente, os quase 800 mil cliques no play da nova "Get Away" (na página da banda no Soundcloud), estão aí pra mostrar que muito provavelmente, sou minoria. Mas, fazer o quê. Não vejo nada além de canções razoáveis, montadas sob bases de synthpop nada especiais. E com "Get Away", não é diferente.

"Get Away": popularidade a olhos vistos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Canção da Meia-Noite


Os nova-iorquinos do Midnight Magic retornam com um EP seguindo a habitual cartilha disco, mas com a eletrônica começando a se infiltrar aos poucos no seu som. Vicious Love abre com "Night Flight" - na mesma vibe do primeiro e fantástico hit do grupo, "Beam Me Up", de 2010. A rotação baixa um pouco com a um tanto arrastada "Vicious Love", mas o funk "Pick Up" (com o sempre bom trabalho de metais da banda) e a house "Trouble T" (que engata uma boa linha de baixo sintético) garantem que a festa continue mais animada - porque se depender do remix frouxo de "Vicious Love" feito pelo francês Dimitrios Yerasimos (Dimitri From Paris), geral abandona a pista e vai pro bar jogar conversa fora.

   "Night Flight": brilho próprio ou só um repeteco de "Beam Me Up"? 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Melodias Subaquáticas


Há uma linha tênue que separa experimentos com sons ambientais e eletrônica da cafonice em que resultam a maioria destas tentativas. Ultimamente, ou vira trilha da problemática série Café Del Mar ou entra numa chatíssima vibe new-age-pra-chamar-gnomo. Um tanto desconfiado, fui ouvir o novo EP do duo australiano Willow Beats e - surpresa - gostei. Water reforça o interesse que vem aumentando no som deles. Existe uma clara aproximação com o dubstep na maioria das faixas, perceptível nas frequências subterrâneas dos baixos e nas batidas fraturadas. Os samples não impressionam, mas preenchem as faixas sem exageros: vão dos habituais trinados de pássaros ("Guardian") e amostras da floresta até diversas referências ao título do EP. A melhor das seis canções de Water é, sem dúvida, a abertura "Merewif" (que parece título de música do Cocteau Twins). Aqui, a fusão eletrônica/ambient encontra seu ponto ideal, fazendo-se valer da batida dançante e dos vocais angelicais de Kalyani Ellis. Water pode ser ouvido inteiro na página do projeto no Bandcamp (assim como os outros dois EPs já lançados).

"Merewif": faltou o Ian Thorpe.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ciência Criativa


Preste atenção nessa música: é um dos melhores momentos que o pop eletrônico vai proporcionar nesse 2014. "Supernatural" é o novo single do duo inglês AlunaGeorge e deve aparecer num possível álbum ano que vem. Aluna Francis continua sussurrando lindamente, George Reid mantém o instrumental econômico e preciso (a percussão e o baixo são sensacionais), num cruzamento entre dance e R&B finíssimo. Pra definir o trabalho da dupla, dá pra citar um trecho da letra: "creative science that we make". É isso aí.

"Supernatural": os prováveis três melhores minutos da semana.

domingo, 2 de novembro de 2014

Chuva de Milhões


Admito: quando conheci Calvin Harris musicalmente, o escocês parecia possuir uma verve debochada na linha "I don't give a fuck", que ia do título do seu debut, I Created Disco (2007) até a tosquice da produção - torta e propositalmente datada. Harris era uma espécie de Mike Myers do pop eletrônico. Simpatizei com a cafonice explícita em sua música. Dei algumas risadas com o funk capenga "Merrymaking at My Place" e com os teclados fuleiros e o vocal desengonçado de "Colors". Me surpreendi com o potencial pop contido em "Girls" e até com o estranho caso em que o título de uma música era mais interessante do que a própria ("Acceptable in the 80s"). Era descompromissado, foi divertido e, bom, o disco vendeu relativamente bem. Harris viu que estava no caminho certo. Só que ele precisava atualizar seu som. A piada de I Created Disco não ia ter fôlego pra um segundo álbum. E assim foi. A partir de Ready for the Weekend (2009), o menino Calvin optou pela solução mais fácil: montou uma linha de produção de electro house genérica, acumulando montanhas de clichês do gênero (ouça "I'm Not Alone"). Depois, ladeira abaixo. Além da música igualmente ordinária do disco seguinte 18 Months (2012), Harris começou a andar com gente suspeita (Florence Welch, Nicky Romero) e compor para artistas como Rihanna (o mega hit "We Found Love"). Aí, 2014 e acaba de sair o novo Motion. Calvin Harris não pode jogar tudo pro alto agora. É um caminho sem volta: é o suicídio artístico em detrimento de uma carreira comercialmente bem sucedida - que o colocou no topo da Forbes, como o DJ/produtor mais bem pago do mundo. E mais uma vez, Motion é uma coleção monótona e burra, que inacreditavelmente repete fórmulas surradas de dance pop, de riffs insuportavelmente chatos de sintetizador, da falta de imaginação ao compor canções exatamente idênticas umas às outras, de afundar no terreno mais improdutivo da eletrônica atual e levar consigo nomes que nos faziam acreditar num sopro saudável de renovação quando apareceram (Hurts, Ellie Goulding), mas que agora provam que eram só mera curiosidade passageira, mesmo. É aquela conversa mole de "verão sem fim", "magia da noite", "todos numa só batida"... eca. Daria pra ligar um "foda-se, é só pop descartável", mas esse nem é o problema. Lance é que é pop descartável e ruim, muito ruim. Pensei que True do Avicii levaria fácil o primeiro lugar como Pior Disco de Dance Music do Ano. Pois ele acaba de ganhar um sério concorrente.

"Under Control": Hurts satisfeito com as migalhas.