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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Alive and Kicking


Novinha do duo norueguês Atella, "Alive" precede o EP Beacon One, que sai em Fevereiro pela sempre atenta gravadora belga Eskimo Recordings. Beats limpos e sintetizadores cirurgicamente colocados entre os vocais, o Atella mostra talento e apelo pop e lembra alguns dos melhores projetos sintéticos vindos da Escandinávia (Röyksopp, os primórdios do The Knife e a disco cósmica de Lindstrøm, Prins Thomas e Todd Terje). Deve ser alguma coisa na água (gelada) do Mar do Norte.


"Alive": hit em potencial.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Chromesthesia


É assim: do nada, de alguém que você nunca ouviu falar, cai no seu colo uma das músicas mais legais já ouvidas nesse 2015. Horixon é a dupla de produtores Andrew Armstrong e Joe Sambrooke, oficialmente eles tem só dois singles lançados até agora (Lifeline, pela Kitsuné, em 2013 e Hold It Like I Own It, pela Eskimo Recordings, de 2015) e acabaram de soltar faixa nova, a incrível "Colours" (com Else Born ao microfone). Lindos strings, baixo picotado e vocais emotivos. Gostei na hora.

"Colours":

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Aerohouse


Numa palavra? Eficiência. O novo EP do Aeroplane (o DJ e produtor belga Vito de Luca), Page One Is Love (saiu pela Eskimo Recordings), traz duas inéditas (bem parecidas entre si) e dois respectivos remixes. “Page One Is Love” tem a moral de ter o título sussurrado por Jamie Principle, o autor do monolito "Your Love". É um lindo pedaço de piano house com bassline simples e envolvente, caminha de synths que mantém a temperatura acima dos 30ºC e vocalizes sonhadores. Já a irmã gêmea "Dancing With Each Other" mantém o clima baleárico, com bleeps sintéticos substituindo as marteladas de piano. Ambas muito boas. Os remixes de CASSARA (para "Page..") e Ten Ven ("Dancing...") são pequenas variações para os temas, com alterações das linhas de baixo: CASSARA deixou as quatro cordas mais robustas, enquanto Ten Ven optou por uma mixagem quase acid. Beleza de disquinho.

“Page One Is Love”:


"Dancing With Each Other":

domingo, 28 de junho de 2015

Laranja Eletrônica


The Orange Collection é mais uma coletânea que dá uma geral no cast da Eskimo Recordings, o quarto volume da série cromática da gravadora belga (já saíram Pink, Blue e Green). É um bom panorama a respeito do que está se produzindo de electropop atualmente, trazendo fusões interessantes com house, disco e synthpop. O álbum tem, obviamente, altos e baixos. É o que normalmente se espera e é o que acontece aqui.

As cinco primeiras músicas (de um total de 12) são ótimas. A faixa de abertura "Odds Are Good", do projeto solo do produtor francês Frédéric Rivière, Anoraak, é technopop em slow motion, com uma bela sequência de arpejos e vocais entorpecidos.


"Higher" (Ary) e "Renegades" (Majestique) que vem em seguida, parecem canções de uma mesma banda: ambas tem vocais femininos delicados (com um pezinho no indie rock) e timbres de sintetizadores analógicos escolhidos a dedo. Dançável, mas não exatamente dance music. Ligeira vantagem pro Ary e o admirável trabalho vocal da norueguesa Ariadne Loinsworth Jenssen.




"Animals", do Du Tonc - dupla formada pelo vocalista e baixista do Van She, Matt Van Schie e o produtor Mighty Mouse - é um primor. Disco music sintética, com aquele baixo dugu-dugu-dugu infalível. Pra mim, a melhor do álbum.



"Riptide", de George Bakalakos e seu NTEIBINT, encerra a melhor parte desta Orange Collection. Mais influências disco filtradas pela sensibilidade e precisão eletrônica do produtor grego. 



A curva descendente começa com "On & On", do australiano This Soft Machine. A ideia de continuidade e movimentos ininterruptos sugeridos pelo título esbarram na falta de criatividade e repetição sonolenta do tema. A viagem space disco de Tarjei Nygard & Are Foss ("Flog") dura quase seis minutos e não vai a lugar nenhum. A inacreditável "Fernandez", do israelense Moscoman, também patina: um mix de gosto duvidoso entre Country & Western e eletrônica retrô, com uma linha de baixo monocórdica. Pode pular essa. Uma animadinha com o simpático dance pop (no sentido Olivia Newton-John do termo) da dupla Horixon e sua "Hold It Like I Own It".     



"Find My Love", do misterioso Trulz, tem um baixo de dar vertigem, a despeito dos vocais não serem lá grande coisa. A italo disco instrumental de Marvin & Guy ("Unfailing Fall") é totalmente dispensável. Pomposa e chata em seus longos oito minutos e meio de duração. The Orange Collection encerra com "Wear Out", do duo Hydrogen Sea. Linda trama de sintetizadores apoiada por strings emotivos e os vocais etéreos da cantora Birsen Uçar, tudo coberto com um verniz dark que deixa a faixa com aquela carga dramática contida e de beleza indiscutível. Vale dizer, no entanto, que o climão desta versão é culpa do remix do DJ e produtor holandês Mees Dierdorp (a original é muito diferente, mas igualmente boa).



O saldo de The Orange Collection, no final, é altamente positivo. Fica fácil constatar que a Eskimo continua lançando bom material (desde sua fundação, em 2000) e não precisa apelar para alguns nomes de peso em seu elenco (Prins Thomas, Lindstrøm, Kris Menace, Chromeo, Aeroplane) pra tornar uma compilação atraente.

sábado, 10 de maio de 2014

Música da Semana: ATTAR!


Synthpop mal das pernas, repetitivo, monótono... mas aí, do nada, aparece o produtor e DJ belga Renaud Deru (ATTAR!) e derruba o quarteirão inteiro.

O que é seu single “45 Days”, que saiu essa semana pela Eskimo Recordings? Absolutamente fantástico. Bateria obsessivamente dançante, linha de baixo furiosa, uma tempestade de arpejos em espiral, vocais sussurrados num francês sexy por natureza, sintetizadores épicos. 

Esqueça os remixes de Rob Made e Douze, descarte também a versão em inglês: o original é inigualavelmente dramático e poderoso o suficiente pra se tornar hit de pista sem precisar de revisões.

Achei que não se faziam mais canções como essa hoje em dia. Felizmente, me enganei.

As quatro versões de "45 Days":