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terça-feira, 17 de março de 2015

Super Mouse é Seu Amigo


 A lista de edits e remixes do britânico Mighty Mouse impressiona. Eclético e sem medo de fuçar no trabalho de monolitos como Smokey Robinson, Madonna e Prince, o DJ e produtor também lança singles com certa regularidade (sua faixa mais legal é a house chicana "Song For Ellen", um hitaço de pista de 2009). Mouse acabou de soltar música nova ("Wunder") e olha, é coisa boa. Disco-House padrão, mas com aquele pianinho safado de grudento. E o download em sua página no Soundcloud é grátis.

"Wunder": venenosa simplicidade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Let Me Sing


Como costumo errar com frequência o que - potencialmente - tem cara de que vai arrebentar, nem vou escrever nada do tipo. Ouça "Don't Sing" (o truque da autossabotagem do título também pode funcionar) e tire suas próprias conclusões. Me agrada muito o piano e a levadinha funky. Escrita pelo holandês Benny Sings (os vocais duplicados também são dele) e produzida pelo francês David Guillon (Data), a faixa saiu tem uns 20 dias (está no EP de mesmo nome, com mais três inéditas e três remixes extras), com esse refrão ganchudo e jeitão de que pode pegar fácil. Sei não, hein.

"Don't Sing": possivelmente, um sucesso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Italians Do It Better


Italianos: eles não perdem a mão. De vez em sempre aparecem com um blend irresistível de house e disco e provam continuamente que o pop pode entrar na fórmula sem desandar a receita. A cereja aqui são os vocais doces combinados com o ótimo gancho do baixo. Rude Boy - o EP de estreia dos DJs italianos Matteo Gatti e Diego Escobar, gravando como Los Gatos Escobar - resume-se à faixa título, em sua versão original. Os remixes são frouxos, pode acreditar e "Belong To Me Again" é apenas OK. "Rude Boy", no entanto, soa mezzo 80 mezzo 90 e a despeito de sua sedutora simplicidade, tem bala pra durar mais de um verão nos pendrives de quem a incluir em seu set.

"Rude Boy": fácil de gostar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Fake French


Mesmo com essa pinta de soldado do Exército Imperial Francês, Louis La Roche é o nome artístico do britânico Brett Ewels. Seu recente EP Dusty Cassette homenageia os 80 em seis faixas que limam os graves e privilegiam timbres de bateria à la Jimmy Jam & Terry Lewis, em três R&Bs de respeito: "Wondering", "I Wanna Be Your Man" e "The Way She Makes Me Feel". Só não sei onde ele arrumou esses vocais que são puro soul, mas desconfio fortemente que foram chupados via sampler. São bons demais pra serem 2014. Pra dar aquela maltratada no assoalho, duas faixas ("Ghost" e "Take Control") com cheiro de funk eletrônico pós-disco, mas produzidas com os loops e recortes típicos do french house praticado por La Roche. Bem bom, hein.

Dusty Cassette EP: pra sentir o gostinho.

sábado, 10 de maio de 2014

Música da Semana: ATTAR!


Synthpop mal das pernas, repetitivo, monótono... mas aí, do nada, aparece o produtor e DJ belga Renaud Deru (ATTAR!) e derruba o quarteirão inteiro.

O que é seu single “45 Days”, que saiu essa semana pela Eskimo Recordings? Absolutamente fantástico. Bateria obsessivamente dançante, linha de baixo furiosa, uma tempestade de arpejos em espiral, vocais sussurrados num francês sexy por natureza, sintetizadores épicos. 

Esqueça os remixes de Rob Made e Douze, descarte também a versão em inglês: o original é inigualavelmente dramático e poderoso o suficiente pra se tornar hit de pista sem precisar de revisões.

Achei que não se faziam mais canções como essa hoje em dia. Felizmente, me enganei.

As quatro versões de "45 Days":

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Electro Hipnótico


Ghost Carnival, segundo álbum da preguiçosa carreira do trio francês Hypnolove (o primeiro, Eurolove, é de 2006) traz uma bem resolvida fusão de funk, indie e disco com eletrônica, e o diferencial dos vocais especialmente bem executados - coisa cada vez mais inusual no pop recente.


Ao contrário do que alguns títulos sugerem, nem sempre é verão no álbum. As flutuantes "Holiday Reverie" (guitarrinhas e cowbell indie, ondas quebrando ao fundo) e "Winter in the Sun", convivem com ótimas faixas de melancolia fim de festa, como a disco "Beyond Paradise" e "Ghost Carnival".

A grande canção do disco é sem dúvida "Midnight Cruising", um dos momentos mais límpidos e singelos do pop sintético 2013. Ghost Carnival merece ser ouvido na íntegra, são apenas nove faixas com poucas semelhanças entre si mas com algumas qualidades compartilhadas: são músicas totalmente despretensiosas, mas muito bem acabadas, com a clara de intenção de durar bem mais do que uma estação.

"Midnight Cruising": synthpop cristalino.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Passou Perto


O filho de Dave Davies (The Kinks) continua tentando. Russ Davies grava desde 2009 como Cinnamon Chasers, já lançou três álbuns e acaba de soltar mais um EP. 


Time.Body.Tears continua a saga nu-disco/synthpop de Davies, privilegiando basslines sintéticos, bumbo pesado e timbres de sintetizadores movidos à carvão. É tudo muito bem feitinho, admiravelmente bem gravado; mas pra cinco faixas instrumentais, faltou um gancho forte, um riff matador pra grudar na mente. Passou raspando o alvo com a house "Body", com seu lindo piano flutuante e baixo com cordas de látex, ou quando ele chama a rapeize pra roda de break com o electro "Time", mas a animação vai por água abaixo com os synths cafonas de "Tears" - que daria uma boa trilha de abertura de programa esportivo da Rede Vida.

Time.Body.Tears: quase lá.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Caindo Na House


Coisa linda esse single. Falling tem duas faixas totalmente instrumentais com arranjos tão competentes que realmente dispensam vocais. Saiu no finalzinho de Dezembro, e é mais um disco bacana lançado pelo promissor produtor inglês Edwin van Cleef. A faixa-título é ouro puro, com timbres de teclados cuidadosamente bem colocados, amparados por uma base disco encorpada. O lado B ("Nala") traz sintetizadores saltitantes mirando o infinito, quase como um trance de rotação mais baixa. Vale ouvir.


"Falling": melodia sonhadora.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Escandinávia Disco Club

Terje: influência até...
...dos bigodes de Moroder.

Cada vez que ouço faixas como "Inspector Norse" do norueguês Todd Terje, me impressiono ainda mais com a imensurável influência na música eletrônica exercida por um cidadão italiano chamado Hansjörg Moroder, mais conhecido como Giorgio Moroder. A revitalização da disco praticada por gente como Terje leva a fidelidade às últimas consequências. Seu EP mais recente, Its The Arps, foi todo executado no sintetizador analógico ARP 2600, um equipamento largamente utilizado por Moroder. As outras quatro faixas nem são grande coisa, mas "Inspector Norse" é uma locomotiva sintética de quase sete minutos, que explora muito bem as possibilidades melódicas do ARP. Bem aos moldes do bigodudo Moroder, um dos pais da matéria.

"Inspector Norse": old-new-disco.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Boss Em Disco

Depois de uma série de remixes para outros artistas e com faixas do Boss In Drama pipocando aqui e ali desde 2007, o produtor curitibano Péricles Martins conseguiu finalmente organizar tudo em forma de disco, lançado em Outubro. 


Pure Gold é uma boa coleção de pop dançante, e felizmente é variada o bastante pra não se prender somente ao rótulo nu-disco. Por isso mesmo a guitarrinha com levada bossa nova pode surpreender já na segunda faixa, "I Don't Want Money Tonight". "I've Got Tonight" e "Favorite Song" são provavelmente as músicas mais conhecidas do álbum: pós-disco funkeada de baixo exemplar e com cheiro de Chromeo na primeira, french house de vocais vocoderizados aos cacos na segunda. Segundo Péricles, "Disco Karma" (vocais divididos com Christel Escosa) deve ser o próximo single do álbum e a despeito do título, a batida aqui descamba pro R&B ao invés do bumbo reto e do prato sibilante da disco. Com domínio total da produção, Péricles reforçou os arranjos com metais ("Perfect Symphony", "Gravy"), um molho percussivo convincente ("Body Rock") e baixos contagiantes ("Summer Madness"). Ainda mostra que é fã de carteirinha do mini-gênio Prince ("Addicted") e que por tudo isso, os elogios de ninguém menos que Justin Timberlake são mais do que merecidos. Boss In Drama vai ser grande.

"Favorite Song": french house longe da Torre Eiffel.

sábado, 30 de julho de 2011

Frequência de Classe


"Mas que raio de blog é esse que não tem informação nenhuma sobre o artista?" Pois é, eu também faria essa pergunta. O fato é que esse vinil que saiu esse ano é tão, mas tão underground, que não consegui descobrir quem é o tal J Kriv, muito menos a senhorita Adeline Michele. A faixa em questão, "Another Night", está totalmente imersa num creme pós-disco circa 1982 e tem aquele baixo sintético e elástico que deixa o groove redondinho. Os teclados forram tudo sem exageros - só pra deixar a vocalista desfilar seu conformismo no refrão "Just another night without your love...", de uma maneira absolutamente classuda e elegante. Só encontrei o B-Side do single (Social Disco Club Dub) no Youtube (mais acelerada), mas a original e o ótimo mix do mestre Greg Wilson são superiores, pode acreditar. De BPM baixo e perfeita pra uma noite de sábado, "Another Night" é classe, pura classe.

J Kriv: ilustre desconhecido comete uma faixa arrepiante:




 

domingo, 13 de março de 2011

Love Sensation


O DJ e produtor inglês Dean Meredith é metade do Bizarre Inc - projeto responsável por hits como "I'm Gonna Get You" e "Took My Love", que decolaram das pistas e voaram alto nos paradões inglês e americano no começo dos 90. O prolífico Meredith nunca parou de produzir e sua investida mais recente se concentra na disco espacial do Rhythm Odyssey. O debut Metaphysical Transition acaba de sair com dez faixas que transitam entre flertes com Giorgio Moroder e pós-disco circa 1982 ("Right On Up [For Love]"). O melhor momento do disco, no entanto, está nos pianos ensandecidos e na esperta programação percussiva de "Move Groove". Saudade da ítalo-house da trinca Limoni/Davoli/Semplici? Pois é. Eu também.

"Move Groove": só faltou um sample da Loleatta Holloway.