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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Alive and Kicking


Novinha do duo norueguês Atella, "Alive" precede o EP Beacon One, que sai em Fevereiro pela sempre atenta gravadora belga Eskimo Recordings. Beats limpos e sintetizadores cirurgicamente colocados entre os vocais, o Atella mostra talento e apelo pop e lembra alguns dos melhores projetos sintéticos vindos da Escandinávia (Röyksopp, os primórdios do The Knife e a disco cósmica de Lindstrøm, Prins Thomas e Todd Terje). Deve ser alguma coisa na água (gelada) do Mar do Norte.


"Alive": hit em potencial.

domingo, 12 de outubro de 2014

House Funcional


Com um início de carreira apoiado por Eric Pridz, o produtor norueguês Jonas Fehr (Fehrplay) se sai melhor que os últimos singles do tutor. OK que seu single "Everywhere You Go" não é nada demais em termos criativos, mas tem um baixo a base de elastômero muito funcional e pianos galopantes no melhor estilo ítalo da virada 80/90.

"Everywhere You Go": pianinhos familiares.

quarta-feira, 26 de março de 2014

To The Moon And Back


Porque, depois de uma série memorável de singles e EPs, Todd Terje lançaria um álbum? A resposta é a mais óbvia e mais clichê possível: por que no seu debut, Terje pôde colocar tudo aquilo que não caberia em edições curtas e direcionadas à um local específico, obviamente, a pista de dança.

Seguindo essa lógica de fácil compreensão, o DJ e produtor norueguês investiu sem pudor em sons que não fariam muito sentido lançados sob a limitação de um doze polegadas, como nas paragens latinas ligeiramente abrasileiradas e contagiantes de "Svensk Sas" e "Alfonso Muskedunder" - um negócio meio Hermeto Pascoal, meio jazz, meio prog. Sim, a disco espacial (desafio alguém a resenhar um álbum de Terje sem usar esse termo) do barbudo continua forte, vide as pegadas firmes de "Strandbar" (essa com um pianinho ítalo ensandecido), o pseudo-tema de Miami Vice "Delorean Dynamite" e "Oh Joy". Mas It's Album Time serviu também para Terje exercitar um lado mais contemplativo, como na versão lentíssima de "Johnny and Mary", originalmente de Robert Palmer (dividida com um quase irreconhecível Bryan Ferry nos vocais), ou suar em temas mais complexos, como na instrumental "Preben Goes to Acapulco". It's Album Time reforça o status de Terje como um dos artistas de eletrônica mais inteligentes dos últimos tempos.

"Johnny and Mary": Mr. Cool em pessoa, nos vocais.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Segunda Class: Biosphere


A música eletrônica ambiental dos anos 90 foi de uma abundância e qualidade impressionantes. Desta cena saiu o norueguês Geir Jenssen, responsável por um clássico irrepreensível do gênero, o inacreditável Substrata, de 1997.



Até chegar na placidez hipnotizante de Substrata, Jenssen foi lapidando sua fórmula em dois álbuns de ambient house: a excelente estreia Microgravity (1992) e o seguinte Patashnik (1994).

Patashnik 2 chega 20 anos depois ao mercado, trazendo faixas inéditas que ficaram de fora do disco original e mixagens alternativas para músicas presentes no registro, gravadas entre 1992 e 1994. Ora dançante, ora absorto em mergulhos profundos em camadas de sintetizadores congelantes e samples de diálogos de filmes de ficção científica, Patashnik 2 torna-se uma obra tão essencial quanto sua matriz. No caso do Biosphere, um álbum de sobras que não soa menor ante a discografia notável de um gênio da ambient, como Geir Jenssen.

Disponível para audição e venda (com preço sugerido de €10 Euros) na página do Bandcamp do projeto. Altamente recomendável.

"Novelty Waves v.1": dançando nas calotas polares.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nos Trilhos


O norueguês Todd Terje acabou de soltar um 12" novinho: "Spiral", com a faixa-título e "Q" no lado B (ambas passam de dez minutos). É o terceiro single esse ano (contando um lançado em Março com o chapa Lindstrøm).
 

Terje é um dos melhores domadores de sintetizador que eu conheço atualmente. Ele usa todos que cabem no par de faixas e ainda adiciona uma sessão percussiva tipo "Little" Louie Vega pra temperar essas duas locomotivas de ritmo e melodia. Só fica a dúvida sobre qual tag usar: house ou disco? Fique com as duas.

"Spiral": sai da frente.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Something (New) In My Ears


Música nova do Röyksopp é sempre algo pra se prestar atenção. Depois do single digital "Running To The Sea", lançado em Dezembro do ano passado, a dupla norueguesa lança agora um B-side a altura da bela faixa cantada por Susanne Sundfør.

"Something in My Heart" tem os vocais de Jamie McDermott, do conjunto orquestral britânico The Irrepressibles, e é um lindo pedaço de synthpop tristonho, com sintetizadores lânguidos e andamento bem relaxado. Vou colar "disco novo do Röyksopp em 2014" na porta da geladeira.

"Something in My Heart": cheiro de disco novo no ar.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Segunda Class: Flunk


Novo álbum do bom quarteto norueguês Flunk, Lost Causes saiu no final de Abril.


O som não difere de seus discos anteriores: é folktronica com climinha de trip hop noventista valorizando os sempre agradáveis vocais sussurrados de Anja Oyen Vister.

Nada que vá mudar sua vida - e nem é essa a intenção de uma banda inofensiva como o Flunk - mas é o tipo de disco pra deixar tocando sem se importar, que ele cumpre bem o papel de trilha pra preguiça. Pra segunda à noite, recomendo.

"Lost Causes": saudade dos 90.

domingo, 28 de outubro de 2012

Norwegian Good

 
Não basta ser prolífico. Tem que ser produtivo em quantidade e qualidade. E os noruegueses Lindstrøm e Prins Thomas não param (de lançar coisa boa).  


 Lindstrøm soltou em Fevereiro desse ano o amargo Six Cups of Rebel, e já tratou de corrigir a rota agora com Smalhans. Seis faixas instrumentais com nomes impronunciáveis mixadas pelo chapa Todd Terje (também responsável por uma das músicas do ano, "Inspector Norse"). Conforme o single Ra-Ako-St / Eg-Ged-Osis (lançado em Julho) já indicava, os pés de Lindstrøm voltam pra pista de dança, mas a cabeça continua no espaço sideral. Sintetizadores analógicos a bordo, Smalhans tem timbres mais macios e amigáveis que seu antecessor, sem diluir a música.

"Faar-I-Kaal": uma das ótimas faixas de Smalhans.






Prins Thomas também embarca na vibe Mochileiro das Galáxias, mas vem um pouco mais progressivo e experimental em Prins Thomas II. Com beats que diferem do bumbo reto de Lindstrøm, seu álbum é um prato cheio de percussão eletrônica em variadas formas. As rajadas de bateria na abertura "Bobletekno (Pepkmiks)" e a suíte electrolounge de "Symfonisk Utviklingshemming" são duas amostras do talento de Thomas na programação de batidas que nem sempre induzem ao movimento. Não que produzir faixas dançáveis seja problema pra ele: ouvindo o baixo gordo de "Tjukkas Pa Karussel" e o techno cerebral de "Søt Kløt", dá pra reposicionar o termo IDM na música eletrônica (geralmente usado pra classificar material que passa longe da dance music). A única coisa que faltou mesmo em Prins Thomas II foi bolar uma capa melhor.

"Symfonisk Utviklingshemming": ladies and gentlemen, we are floating in space.
 
Prins Thomas, 'Symfonisk Utviklingshemming' by Mixmag

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Segunda Class: A-ha

 
Uma caminhada pelo pier, ondas quebrando, Morten Harket lamenta-se - sussurrando - que o verão está se indo e ele está só, e o trio norueguês comete uma canção na medida pra um fim de tarde sem a menor pressa. Quase uma bossa nova futurista, "October" trouxe uma agradabilíssima fusão de metais, cordas, bateria eletrônica e sintetizadores, numa levada prá lá de preguiçosa.
Pra quem dizia que o A-ha praticava uma mesmice pop insistente, "October" foi uma surpresa e tanto. Está no álbum Scoundrel Days, lançado em Outubro de 1986.

"October": "down, in the city..."
 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Recover


O norueguês Bernhoft aventura-se no catálogo das Tias Fofinhas e comete uma versão vocoderizada do clássico "Shout". Só não entendi o porquê do topetudo ter chamado isso de remix, se na verdade trata-se de um cover. O óculos e o cabelo são cool. Mensagens mal educadas para http://www.bernhoft.org/. Dica do Cris Antunes.

"Shout": por trás dessa lente tem um cara legal.
 


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Tântrico e Espacial


 
Cada single novo do norueguês Hans-Peter Lindstrøm é um frisson, é polvorosa na blogosfera. Pudera, o cabra é bom mesmo.


 
Seu último 12" Ra-ako-st / Eg-ged-osis saiu no finalzinho de Julho e não decepciona. Pelo contrário: eu que não digeri muito bem o álbum mais recente (o cabeçudo Six Cups Of Rebel, lançado no começo do ano), agora me rendo definitivamente ao talento. O que esse cara faz nas duas faixas do single é arte pra pista de dança. Da trip espacial de sintetizadores viajando no galope seguro do baixo de "Ra-ako-st" ou na progressão de acordes genial de "Eg-ged-osis", Lindstrøm mostra que pertence mesmo ao primeiro escalão. E com essas versões estendidas por Todd Terje - outro DJ/produtor norueguês que não devemos tirar o olho - é prazer supremo e prolongado garantido. Praticamente música tântrica. Uh.

"Eg-ged-osis": um lado B com cara de lado A.

domingo, 22 de abril de 2012

Sugarpop


Intolerante ao açúcar? Cuidado. O nível de sacarose em Out Of My Hands, novo álbum do vocalista do finado A-ha é alto. Muito mais pop do que synth em comparação à sua ex-banda, Morten Harket já está no seu quinto álbum solo. Voz intacta aos 52 anos, aquele falsete impressionante de sempre. O problema são as composições exageradamente românticas, os arranjos melosos. Ouvir o instrumental constrangedor do single "Scared Of Heights" dá uma saudade tremenda de coisas do A-ha como "The Blood That Moves The Body", de cordas brilhantemente arranjadas por Anne Dudley. E se isso já é de fazer corar fãs antigos do norueguês, imagine ouvir o refrão "Everybody’s gonna have to hurt somebody / Everybody’s gonna need to be somebody / Baby I’m the one" de "I'm The One". Bacanas aqui são as levadas um pouco mais roqueiras de "Burn Money Burn" e "When I Reached The Moon" - esta uma prova da incrível extensão vocal de Morten. Como curiosidade, "Listening" é uma canção escrita pelos Pet Shop Boys para Morten Harket, mas não ultrapassa o nível médio das baladas de Out Of My Hands - um disco indicado para fãs xiitas e para o incorruptível público feminino do cantor, aquele mesmo que tinha sonhos pecaminosos com o nórdico de olhos espremidos em algum lugar dos anos 80.

"Scared Of Heights": só para os fundamentalistas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Complextrøm

O sapo não lava o pé, não lava porque não quer. Putz...
Eu não tenho dúvida nenhuma que o norueguês Hans-Peter Lindstrøm é um sujeito talentoso. Já viu a cacetada de remixes que ele tem na pasta? LCD Soundsystem, Franz Ferdinand, Roxy Music... o cara tem jeito pra coisa. 


Seu recente Six Cups Of Rebel extrapola os limites da chamada space disco: é um álbum de eletrônica meticuloso, bem pensado, complexo e muito bem executado instrumentalmente. Dificilmente você vai encontrar opiniões contrárias por aí, e eu seria esmagado por um caminhão de argumentos se ousasse discordar. Só bato o pé num ponto: Six Cups Of Rebel não pode receber a tag Dance Music. Ninguém precisa abdicar de conceitos como criatividade e inventividade, mas música pra dançar já foi bem menos complicada do que isso um dia.

"De Javu": Houston, we have a problem.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Escandinávia Disco Club

Terje: influência até...
...dos bigodes de Moroder.

Cada vez que ouço faixas como "Inspector Norse" do norueguês Todd Terje, me impressiono ainda mais com a imensurável influência na música eletrônica exercida por um cidadão italiano chamado Hansjörg Moroder, mais conhecido como Giorgio Moroder. A revitalização da disco praticada por gente como Terje leva a fidelidade às últimas consequências. Seu EP mais recente, Its The Arps, foi todo executado no sintetizador analógico ARP 2600, um equipamento largamente utilizado por Moroder. As outras quatro faixas nem são grande coisa, mas "Inspector Norse" é uma locomotiva sintética de quase sete minutos, que explora muito bem as possibilidades melódicas do ARP. Bem aos moldes do bigodudo Moroder, um dos pais da matéria.

"Inspector Norse": old-new-disco.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Preto no Branco


Jarle Bernhoft é um cantor, multi-instrumentista e compositor norueguês. Já tem três álbuns lançados e visualmente é algo entre Buddy Holly e Johnny Bravo. Em seu semi-hit "C'mon Talk", o faz-tudo Bernhoft canta como se fosse um daqueles negões do Temptations de 1972 num cruzamento entre soul e folk bem atípico pra quem vem lá dos fiordes escandinavos. A música nem é espetacular, mas o cara tem uma qualidade que anda meio escassa hoje em dia: sabe cantar. Dica do sempre ligado Cris Antunes.

"C'mon Talk": Bernhoft cobra o escanteio e tá na área pra cabecear.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dois corpos iguais ocupam o mesmo lugar no espaço


O Ugress é um projeto norueguês de música eletrônica, invenção de um tal de Gisle Martens Meyer. O cara vem soltando discos desde 2000, até chegar à “Reminiscience”, lançado em Junho desse ano. Como um cientista louco (como sugere a capa), Meyer vai experimentando com gêneros tão díspares quanto dub (“New Shoes Escape Manoeuvre”), soul (o climão blaxploitation de “AMZ 1974”) e synthpop (a linda “Chrome Shuriken Dragonfire”), e sem muito alarde comete um dos discos mais bacaninhas do ano. Dá pra comparar o trabalho de Ugress ao do seu compatriota Röyksopp numa boa (em “It Was A Great Year (Movies With Robots)” fica muito evidente), mas isso não chega a incomodar porque de fato Meyer tempera tudo de maneira a fazer com que o som chegue macio ao seu ouvido e com cheiro de coisa nova ao seu nariz. De hits dance em potencial (“Sordid Pulse”), faixas mais relax (“The Bosporus Incident”) e uma certa obsessão cinematográfica noir (“Apocalypse Please Wait Buffering”), “Reminiscience” garante ecletismo sem exageros com o fio condutor da eletrônica mantendo o equilibrio. Mais um pro meu Top 10 do ano.

Ouça a ótima "Chrome Shuriken Dragonfire" no vídeo abaixo e comprove que a Noruega não merece ser lembrada somente pelo excelente bacalhau que exporta.