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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: 2 Brothers On The 4th Floor


Mal comparando, a Eurodance foi o que a perigosamente rotulada EDM representa pros dias de hoje. Vejamos: apelativa, de fórmulas repetidas e com o olhar sempre desconfiado dos puristas. Hm. A receita da maioria dos projetos do gênero vindos - em sua maioria - da Alemanha, Holanda e Bélgica, continha ganchos fortes de sintetizador, refrão repetido ad nauseum, rappers disparando estrofes na velocidade da luz e um bumbo quicando quase sempre na casa dos 120 BPM. O 2 Brothers On The 4th Floor foi mais uma dessas armações, mas, ao contrário de gente como 2 Unlimited e Culture Beat, não teve lá um desempenho realmente digno de nota nas paradas. Apesar dos poucos hits, chegou a ser bem popular em pistas e rádios. O maior sucesso do grupo é "Dreams (Will Come Alive)", de 1994, que copia algumas ideias do single anterior, "Never Alone" (minha preferida). "Never Alone" não é nenhuma obra de arte, mas é bem feitinha, há de se reconhecer. Tem os vocais berrados (e muito competentes) de Desirée Manders, que, diga-se, era gata demais (confira no vídeo abaixo) e funde - ou dilui, depende do ponto de vista - house, hip-hop, Hi-NRG e pitadas de techno numa dance track, acima de tudo, eficiente. Bonitinha, vai.

"Never Alone": sonhos molhados.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Real McCoy


Você viveu muito bem até agora sem saber disso: boa parte dos rappers de grupos eurodance alemães eram americanos e ex-militares. Explicação fácil: como os Estados Unidos ainda mantém várias bases em território alemão, foi juntar o talento (ou a força de vontade, em alguns casos) de alguns soldados metidos a rapear nas horas de folga com a crescente cena dance germânica do final dos 80 e deu naquele hip-house festeiro que estava em todos os lugares na primeira metade dos anos 90. Turbo B. (Snap!), Jay Supreme (Culture Beat), B.G. The Prince Of Rap e Captain Hollywood são alguns exemplos desse pessoal que deixou o Tio Sam na mão.



Olaf Jeglitza era uma exceção. O nascimento em Berlim foi apenas um detalhe geográfico, porque desde moleque O-Jay esteve envolvido com a cultura hip-hop em seu país: montou o primeiro fanzine sobre o gênero na Alemanha, integrou grupos de break, produziu programas de rádio e criou um selo (Freshline Records), até tornar-se produtor e vocalista do MC Sar & The Real McCoy, em 1989. Teve dois singles com relativa repercussão local, suficiente para atrair a BMG alemã, encurtar o nome para Real McCoy e lançar "Another Night", em 1993. Hit mundial. A faixa entrou no difícil mercado americano, chegou em terceiro lugar no Hot 100 da Billboard e vendeu impressionantes um milhão de cópias só no território ianque. Com bleeps de sintetizador inspirados em "More and More" (hit do Captain Hollywood Project) e da oitentista "Desire" (de Roni Griffith), "Another Night" traz o vocal soturno de O-Jay contrastando com a voz quente da cantora Karin Kasar em versos que explodem num refrão popíssimo, que não era nada diferente do que Human League ou Duran Duran faziam anos atrás ("In the night, in my dreams, I'm in love with you / 'Cause you talk to me like lovers do / I feel joy, I feel pain, 'cause it's still the same / When the night is gone I'll be alone..."). Os pianos house e o groove seco e preciso do baixo mantinham os pés em movimento. O Real McCoy teve mais alguns singles de sucesso e ainda está na ativa, provavelmente fazendo playback em festas retrô. Who cares? "Another Night" continua foda.

Real McCoy: hit intergaláctico.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Ice MC


Em 1989, o projeto de rapper britânico Ian Colin Campbell topou com o produtor italiano Roberto Zanetti (Savage, Pianonegro) e o resultado foi o debut de Ice MC, o single "Easy". Hip-house que usa o surrado sample de bateria de "Ashley's Roachclip" (The Soul Searchers, 1974), "Easy" foi bem nas paradas europeias - o que encorajou a dupla a gravar mais quatro singles e um álbum (Cinema, 1990). Passada a febre hip-house, Ian reinventou-se como toaster (com dreadlocks e tudo) e cruzou sua house ordinária com raggamuffin', o que rendeu mais alguns hits e exposição suficiente pra fazer com que sua "Think About The Way" (1994) fosse parar na trilha de Trainspotting, de Danny Boyle. Com algumas tentativas de comeback fracassadas, seu álbum mais recente é Cold Skool, de 2004.

"Easy": "If your system is wack then you should hear".

sexta-feira, 14 de março de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Doug Lazy


Virada dos 80 pros 90: hip-house no auge. Tyree Cooper ("Turn Up the Bass") e Beatmasters ("Rok Da House") disputando o título de 'primeira faixa de hip-house registrada em vinil', hits, crossover pistas/rádios, todo mundo usando o sample "Uh! Yeah!" e finalmente, a bagaceirada que diluiu o gênero.

O DJ e produtor americano Gene Finley, conhecido como Doug Lazy, pegou a coisa na gênese e guardou ao menos três balaços pra posteridade: "Let The Rhythm Pump", "H.O.U.S.E." e o primeiro sucesso, "Let It Roll", de 1989. Baseada em samples de Marshall Jefferson ("Move Your Body"), Mantronix ("King of the Beats"), Big Daddy Kane ("Set It Off") e M.A.R.R.S. ("Pump Up The Volume"), "Let It Roll" tem a ladainha meia boca de Lazy, na clássica linha Kurtis "Eu Sou Foda" Blow, mas sinceridade que a letra é o que menos importa aqui. O que vale é se deixar levar pelos pianos flutuantes e esse baixo monocórdico irresistível. Just let it roll, let it roll, move!

"Let It Roll": hip-house mainstream.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Magic Marmalade


Teria sido 1991 o melhor ano para a dance na história da música? Não tenho a resposta, mas é tanta, tanta coisa boa que apareceu nesse período... simplesmente imensurável.

O Magic Marmalade foi um projeto italiano, ativo entre 1991 e 1995. Foram oito singles, do debut hip-house certeiro de "Everybody Get Up", até a eurodance já sem fôlego do último 12" do quinteto de produtores, "Morning Sun" (que chupa o refrão de "True Faith", do New Order).

"Everybody Get Up" é uma amostra de quão criativos eram os sampleadores dos 90. Com a batida de "Get Busy" (de um dos pioneiros da cena hip-house, Mr. Lee) e o refrão construído com os vocais de "System Of Survival" (Earth, Wind & Fire), o Magic Marmalade emplacou um hitaço nas pistas de então. A única coisa que eu não sei, é de onde eles tiraram esses metais. Se você tem o dom, me deixe ficar sabendo.

"Everybody Get Up": nem precisa pedir duas vezes.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sexta Feira Bagaceira: Ice MC

 
Ian Campbell Esquire: ICE, sacou? A parceria com o produtor mezzo picareta italiano Roberto Zanetti (Savage, Pianonegro) pegou a fase áurea do hip-house (1989/1990) e transformou isso em um álbum e alguns singles de sucesso - "Cinema", entre eles.
 

Mas qual era a graça de ouvir um monte de nomes de atores famosos (John Wayne, Eddie Murphy, Alain Delon, Mickey Rourke, Woody Allen, Sean Penn, Marilyn Monroe, Whoopi Goldberg...) berrados sob uma base house xinfrin? Hããã... o frescor da novidade, talvez? Os elementos eram manjados, mas juntos numa canção, sei lá... quantas vezes você dançou com alguma outra faixa anterior de idéia parecida? Eu achei que era original, pelo menos. Aliás, em 1990, qualquer coisa que tivesse um sintetizador (pra mim) era novidade. E o britânico Ice MC era carismático. Sabia da fuleiragem do seu som, mas interpretava bem o papel de arauto da então novíssima dance music européia - nova no formato, mas pilhada do underground da cena de pista americana (house e rap). Vai saber se não foi por essa cafonice assumida que Danny Boyle incluiu sua "Think About The Way" (de 1994) na trilha do estupendo Trainspotting? E aqui no Brasil ainda foi trilha da novela Barriga de Aluguel. Imagina a superexposição de "Cinema", durante 10 meses martelando em cerca de 50% dos televisores ligados na faixa das seis da tarde no Brasil. Ice MC foi um sucesso tremendo do crossover rádios/pistas, até cair no ostracismo pós-eurodance da segunda metade dos 90. Mas "Cinema", esse clássico do hip-house farofa, ficou pra posteridade.

"Cinema": Uh! Yeah!
 

domingo, 24 de janeiro de 2010

Très Amusant




Não é cedo pra dizer que Stromae pode ser um dos grudes do ano. O belgo-ruandês Paul Van Haver nasceu em 1985 em Bruxelas, Bélgica. Começou a se interessar por música aos 11 anos de idade e algum tempo depois, aos 18, Stromae ("maestro", ao contrário) juntou-se ao rapper J.E.D.I. para formar a dupla Suspicion, mas logo em seguida parte para a carreira solo. Paralelamente ao trabalho numa rede de fast-food e a escola de cinema, lança em 2007 o EP "Juste un Cerveau, un Flow, un Fond et un Mic…" com 4 faixas, e ainda compõe para outros artistas, como as quatro canções para o álbum "À L'Ombre du Show Business" do rapper francês Kery James, disco de ouro na França por mais de 75 mil cópias vendidas em 2008. Divulgando seu método de composição através de uma divertida série de vídeos chamada "Les Leçons de Stromae" (disponíveis no Youtube), finalmente em Dezembro do ano passado saem seus dois primeiros singles no iTunes: "Up Saw Liz" e "Alors on Danse".

"Up Saw Liz" é um electrofunk alicerçado por um paredão de synths, mais o rap desengonçado de Stromae:



Se alguém ainda lembra de hip-house, essa seria uma boa definição para "Alors On Danse". Com um sax incisivo e um ritmo house datado e chiclete, a diferença aqui é a maneira absolutamente relaxada e particular com que Stromae rapeia sobre o cotidiano sem nenhum glamour e de como alguns momentos pé na jaca podem fazer bem para o espírito.

O clip, dirigido por ele mesmo, é impagável:



Estourado na Bélgica, e com o primeiro álbum a caminho, Stromae é apontado como o principal nome belga com potencial para expandir território mundo afora. Ele canta, compõe, produz e dirige seus próprios vídeos. Tudo com muito sarcasmo e bom humor, que são sempre bem-vindos.


PS.: Agradecimentos à Franey Smith, por me apresentar esse artista!