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sexta-feira, 17 de março de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Plus Staples


Uma lição deixada pelo Art Of Noise: imagem não é nada. O Plus Staples foi um desses casos. Projeto italiano sem rosto do começo dos 90, música pela música. Som de pista feito por gente que entendia demais do assunto, como o DJ Mauro Picotto e o produtor Gianfranco Bortolotti (chefão da Media Records, maior gravadora italiana de dance music da época). Durou só quatro singles, mas o debut "We Got 2 Be" (que aqui no Brasil saiu na coletânea da casa noturna paulista Rainbow - de capa horrenda, diga-se) fez um estrago considerável em rádios e pistas mundo afora, entre 1992 e 1993. Os vocais foram chupados de "Take Me Away", hit underground de 1991 do True Faith (mais tarde usados também na pancadaria "Warrior's Dance", do Prodigy). A base instrumental é épica. Sintetizadores se dividem entre arpejos e um riff inspiradíssimo, enquanto explosões de bateria anunciam que uma nova ítalo house estava chegando: mais pesada, techno, melódica e irresistível.

"We Got 2 Be": épica.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

João Cai na House


Dá uma ligada no single novo de John MacLean e seu (dããã) The Juan MacLean, que vale a pena.


"Get Down (With My Love)" sai pela DFA do James Murphy oficialmente na próxima semana (dia 17), em formato digital e num vinil sem lado B: apenas a faixa principal no A. A DFA ainda disponibilizou uma radio edit pra download gratuito na sua página do Soundcloud.

House frenética e enérgica, com piano saltitante no melhor estilo ítalo e bassline emborrachado. Os bons vocais são da frequente colaboradora Nancy Whang (a china girl da foto acima).

"Get Down (With My Love)": house febril.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Magic Marmalade


Teria sido 1991 o melhor ano para a dance na história da música? Não tenho a resposta, mas é tanta, tanta coisa boa que apareceu nesse período... simplesmente imensurável.

O Magic Marmalade foi um projeto italiano, ativo entre 1991 e 1995. Foram oito singles, do debut hip-house certeiro de "Everybody Get Up", até a eurodance já sem fôlego do último 12" do quinteto de produtores, "Morning Sun" (que chupa o refrão de "True Faith", do New Order).

"Everybody Get Up" é uma amostra de quão criativos eram os sampleadores dos 90. Com a batida de "Get Busy" (de um dos pioneiros da cena hip-house, Mr. Lee) e o refrão construído com os vocais de "System Of Survival" (Earth, Wind & Fire), o Magic Marmalade emplacou um hitaço nas pistas de então. A única coisa que eu não sei, é de onde eles tiraram esses metais. Se você tem o dom, me deixe ficar sabendo.

"Everybody Get Up": nem precisa pedir duas vezes.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Que Fim Levou Robin?

 

O Que Fim Levou Robin? foi um projeto idealizado pelo DJ Mauro Borges, no começo dos 90. A dance music brasileira engatinhava nessa época. Tínhamos alguns discos de rap aparecendo, Fernanda Abreu... e o que mais? O grupo (formado ainda pelo DJ Renato Lopes e a promoter Bebete Indarte) foi provavelmente o precursor da cena por aqui. Ganhou boa exposição na mídia, especialmente pela finada revista Bizz, que escolheu - pela votação da crítica - a faixa "Aqui Não Tem Chanel" como a melhor de 1990. Na TV não foi diferente - seu disco de estréia Aqui Não Tem Chanel foi lançado pouco tempo depois da MTV ter aberto as transmissões no Brasil, no final de 1990. Lembro de uma entrevista no Jô Soares, inclusive. O álbum saiu pela WEA, em 1991. Produzido por Dudu Marote (Skank, Pato Fu), traz soluções criativas para a tecnologia que se dispunha numa época em que o sampler era algo familiar a pouquíssima gente. Alguns semi-hits brotaram, como a house-batucada da faixa-título, a ítalo-disco "Que Fim Levou Robin?", e um cover para "Dancin' Days" das Frenéticas (que sampleia Cid Moreira na introdução!). Outra curiosidade do álbum é a ousadia da bossa eletrônica "Objeto de Uso Pessoal". Minha preferida sempre foi "Tia". Talvez porque uma FM local martelou isso direto durante um bom tempo e grudou a faixa em algum canto do meu cérebro. "Tia" tem o definidor trecho "garotos não são mais garotos, garotas não são o que são". É Mauro Borges, teu refrão está mais atual do que nunca.

"Tia": divertidíssima.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sexta Feira Bagaceira: Pianonegro


Roberto Zanetti. Nem sei quantas vezes esse nome já apareceu neste blog. Pudera. Produzindo, compondo e arranjando, o cara foi uma figurinha fácil na italo disco e eurodance do meio dos 80 e parte dos 90. Basta citar alguns nomes, de memória: Double You, Ice MC, Alexia, Corona. E os projetos solo? Savage, Raimunda Navarro... e Pianonegro.
 

O Pianonegro teve só dois singles na discografia: o autointitulado de 1990 e In Africa, de 1996. Mas o debut foi fantástico. Com um sampler na mão e uma idéia na cabeça, Zanetti fez o improvável: uniu a obscura disco-cucaracha "Jibaro" de Elkin & Nelson (1974), mais o funk "Jingo" do percussionista cubano Candido (1979), com a batida de "Keep On Movin'" do Soul II Soul. Pronto, hit instantâneo. Foi só dar uma bombada no groove e samplear um côro afro ritualesco que verbaliza uma letra ininteligível pra essa fusão dar certo. Ouvi, uns anos atrás, a versão original desses vocais, lembro que é uma gravação bem underground do começo dos 80, mas quem disse que eu recordo do nome? O interessante aqui é observar a criatividade de Zanetti ao juntar elementos tão díspares num hit bem esquisito para os padrões pop da época. Esse cântico hipnótico aliado à batida moderna grudou fácil na memória dos fãs de dance music e ganhou rapidamente o mainstream, tanto que essa faixa foi até trilha de novela aqui no Brasil (Meu Bem, Meu Mal, Globo) e frequentou tanto bailes black quanto as pistas do jet set. Democracia é isso.

"Pianonegro": maiabél o quê?

 

domingo, 27 de novembro de 2011

Discoteca Gaulesa

Dois bons discos de house fresquinhos:

Fred Falke é um DJ e produtor alemão, grava house com sotaque francês desde o começo dos anos 2000 e é chapa de Christophe Hoeffel, também conhecido como Kris Menace. Falke debuta em disco agora no começo de Dezembro com Part IV - na verdade um apanhado de faixas de seus singles e EPs desde 2006, mais algumas inéditas. É fácil um dos lançamentos de música de pista mais significativos de 2011, mesmo que a maioria das gravações não seja inédita. Fred Falke acumula experiência numa impressionante lista de remixes assinados por ele, o que faz muita diferença na hora de soltar um álbum autoral com faixas que vão do frescor baleárico de "808 PM At The Beach", passa pelo french house de vocais picotados e baixos disco de "Back To Stay" e "Look Into Your Eyes", o electro cambaleante de "Last Wave" e a space disco de "Electricity". Falke ainda lembra de suas origens como baixista com o show das quatro cordas de "Wait For Love", originalmente lado B do single "Omega Man" editado em parceria com o músico Savage.
   
"808 PM At The Beach": verão vindouro.














Benoit Heitz é francês de nascimento, assina como Surkin, tem só 26 anos e já engaveta uma penca de remixes pra gente bombada como Chromeo, Klaxons e Justice. Surkin lançou em Novembro seu segundo álbum (USA), uma refrescante coleção de canções divertidíssimas e com cheiro de anos 90. São 16 faixas divididas em freestyles melosos linha Stevie B. ("Lose Yourself"), electro-funk sossegado ("Silver Island", "End Morning"), house de pianos galopantes ("Ultra Light") e acento ítalo ("Quattro" deve ser a "Numero Uno" de 2011). Magistrais em USA são as batidas impactantes e o clássico sample "Uh! Yeah!" reutilizado pela bilionésima vez em "I.N.Y.N" e as belíssimas cordas recortadas por navalhadas de sintetizador e vocais em "White Knight Two". Olho nesse moleque.

"I.N.Y.N": Uh! Yeah!