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quarta-feira, 24 de junho de 2015

French Blues


St. Germain, lembra? Falei sobre o projeto do francês Ludovic Navarre um tempo atrás, aqui. Doze anos sem lançar material novo. Navarre promete álbum novo pra 2015, autointitulado. Tem um cheirinho do que vem aí, que o músico subiu semana passada no Youtube. Chama "Real Blues". Não conheço ainda os detalhes de produção, mas tem jeitão de vocal sampleado. O mix com percussão latina e graves atuando em segundo plano ficou interessante. Mas muito distante de coisas como "Rose Rouge" ou "So Flute".



"Real Blues": samples?



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Tirando os Pés do Chão


A paixão de Sam Shepherd pelo jazz fica bem clara no seu single mais recente, King Bromeliad. Ritmicamente, a bateria da faixa título fala por si só. A estrutura montada a partir de um esqueleto onde quase de improviso Shepherd vai adicionando os elementos e deixando cada um levantar voo e pairar magnificamente por alguns momentos, também evidencia o nome do projeto do jovem britânico: Floating Points. A longa faixa no lado B, "Montparnasse", tira a música da simplicidade do 4x4 suarento e a leva para lugares bem mais interessantes, como alguns cantos do seu cérebro visitados com menos regularidade.

"King Bromeliad": um rolê pelo jazz houseificado.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Segunda Class: Parov Stelar


O austríaco Marcus Füreder pode reivindicar para si o título de "um dos criadores do electro swing", mas ultimamente anda se repetindo.


Seu recém lançado EP Clap Your Hands não arrisca mais do que ele tem gravado recentemente sob seu alter ego Parov Stelar. Para a faixa-título, Füreder não mexeu no time que vem ganhando pistas há mais de uma década: a flamejante mistura de house com samples de swing jazz circa anos 30 (nesta faixa, Stelar emprestou de Glenn Miller). Mas a coisa melhora quando ele larga o sampler e investe no formato canção, propriamente. "The Sun", com vocais inacreditáveis do neozelandês Graham Candy é a melhor faixa aqui, com lindo arranjo de cordas e piano. Mais dois números completam o EP, "The Duke" e "The Speed Demon", boas faixas, mas que variam minimamente em cima das ideias lançadas por Marcus Füreder desde seus primeiros singles.

"The Sun": acredite, o vocal é masculino. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Segunda Class: Skalpel


Skalpel são Marcin Cichy e Igor Pudlo, DJs e produtores de Wroclaw, Polônia. A onda deles é jazz, mas não é uma trip de músico: a dupla sampleia tudo de vinis poloneses de décadas passadas e salpica algumas batidas aqui, uns loops ali e em alguns momentos, reforça os grooves com sintetizadores, pra recriar o jazz à sua maneira.

O duo assinou com a gravadora Ninja Tune (de propriedade do Coldcut) no começo dos anos 2000, embora esse Simple EP tenha saído no começo de Maio pelo selo PlugAudio.

As quatro faixas de Simple são uma cinematográfica viagem ao passado, mas com embalagem de future jazz. Com recortes precisos (os samples de "On the Road" são brilhantes) e clima enfumaçado ("Soundtrack"), o Skalpel pratica o sampling criativo, coisa rara para os fatigados usuários do Akai MPC de hoje em dia.

"Simple":

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Segunda Class: St. Germain


St. Germain é o músico francês Ludovic Navarre. Acid Jazz, Nu Jazz... é essa onda aí, jazz houseificado, cordas e metais costurados com loops, samples e beats digitais. Seu álbum Tourist, de 2000, entupiu os cofres do tradicional selo Blue Note: vendeu inacreditáveis 4 milhões de cópias.


É de Tourist o monumental single "Rose Rouge", sete minutos de improvisos de sax e trompete com baixo, elementos de bateria e piano emprestados da fenomenal "Take Five" do pianista Dave Brubeck, mais o vocal sampleado e de tom ligeiramente alterado de "Woman Of The Ghetto", de Marlena Shaw.

É a melhor faixa de jazz house já feita, ponto.

"Rose Rouge": saxofones e samplers.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mais Do Que Merecido


Domingo à tardinha fui dar um confere na Official Charts Company pra ver em quê os ingleses estavam gastando suas valorizadas libras. Surpresa: estão empregando direitinho os pounds. Paradas de mais vendidos hoje já não são parâmetro pra muita coisa, mas dá pra tirar algumas conclusões sobre como anda o gosto musical de quem ainda compra discos, por exemplo.


 Caroline Esmeralda van der Leeuw nasceu em Amsterdam, tem 32 anos e o lance dela é dar uma tapa no jazz suingado das décadas de 30 e 40, combinando com beats sedutores, samples, instrumentos de verdade e uma senhora simpatia. Seu debut Deleted Scenes from the Cutting Room Floor (2010) já passa de um milhão de cópias vendidas, beliscou Alemanha (# 5) e Reino Unido (# 4) e ficou 77 semanas no Top 10 de seu país natal (Holanda), a maior parte delas em primeiro lugar. The Shocking Miss Emerald, o segundo disco, acabou de sair. Foi direto pro primeiro lugar na Inglaterra. O que tem de tão especial? Ora, Caro Emerald tira gêneros como o ragtime e o tango do formol e os funde com eletrônica e um irresistível apelo pop para atualizar seu jazz para as massas - nada muito diferente da tecla em que o austríaco Marcus Füreder vem batendo desde que começou a gravar como Parov Stelar, no começo deste século. Mas Caro é o rosto que o nu jazz merecia. Além de ótima cantora e compositora - o que elimina qualquer possibilidade de acusação do tipo "aproveitadora sem talento" - ela provou ser possível unir gêneros tão díspares, fazendo música boa e tornando isso vendável.

"Tangled Up": Carlos Gardel ficaria orgulhoso. 

 

Segundo susto do domingo: Alison Moyet com álbum novo, estreando em quinto lugar na parada inglesa - melhor posição dela desde 1987. Eu tinha ouvido o disco pela primeira vez no dia anterior, e fiquei curioso sobre o desempenho comercial dele. Seis anos sem gravar, e Moyet vem com The Minutes (gravado entre 2011 e 2013), um disco pop, sólido, atual. Alison é soul puro, descende de uma nobre linhagem de cantoras como Dusty Springfield, mas em The Minutes ela soube modernizar seu som sem pasteurizá-lo e não há aqui qualquer resquício saudosista de seu passado com o furacão Yazoo: Alison e o produtor e compositor Guy Sigsworth (Seal, Björk, Madonna, Alanis Morissette e mais uma pá de gente legal no currículo) trabalharam com timbres, efeitos e texturas eletrônicas totalmente 2013, mas com o vocal emotivo de Moyet em primeiro plano. É uma adaptação difícil, mas The Minutes não soa gratuito nesse sentido e arrisca com andamentos incomuns ("Changeling"), rufos sintéticos entre redemoinhos de sintetizadores impressionantes ("Apple Kisses", "Rung By The Tide"), baladas sombrias ("A Place To Stay"), pop dançante (a linda abertura "Horizon Flame") e remixável ("Right As Rain"). Com tantos acertos e faixas no mesmo nível do ótimo primeiro single "When I Was Your Girl", dá até pra perdoar a bobinha "Love Reign Supreme". Que disco, amigos, que disco. Agora, legal mesmo seria ver Alison Moyet sendo (re)descoberta pela geração que tem em Adele uma diva soul sem par no pop atual. 

"When I Was Your Girl": Alison e sua filha Caitlin.