quinta-feira, 5 de julho de 2012

Funk na Obra


Com a parada por tempo indeterminado da banda porto-alegrense Ultramen, o vocalista Tonho Crocco lançou seu primeiro álbum solo no final de 2010. O Lado Brilhante da Lua traz grooves redondinhos e suingados, numa boa fusão samba/soul/funk com jeitão de Tim Maia setentista. Uma das faixas do álbum ("O Conjunto da Obra") reaparece agora remixada pelo DJ BandeiraBeats. O sample da base é de "Feel That You're Feelin'" soul/funk relax do Maze, de 1979. Vale um confere.


"O Conjunto da Obra": suingue gaudério.
  
TONHO CROCCO - O CONJUNTO DA OBRA (RMX) Prod. @DjBandeiraBeats BRAZILIAN BREAK BEATS by TonhoCrocco

terça-feira, 3 de julho de 2012

Happy Birthday To...


 
Vincent John Martin, o Vince Clarke. 52 anos hoje. Músico, compositor, produtor. Depeche Mode, Yazoo, Erasure. Sua frase "Não tenho muita habilidade para teclados, tenho que apertar uma tecla de cada vez" é minha preferida dele. Imagina se tivesse, Vince. Imagina se tivesse.

 "Don't Go", do Yazoo. Alison Moyet nos vocais. Que Adele que nada.

The Fake Mode

Martin Gore, o Mão Santa do Depeche Mode.
Por ocasião do recém lançado S.T.O.P. (décimo primeiro álbum dos alemães do And One), fiquei pensando no tanto que o Depeche Mode fez a cabeça desse pessoal. Mas o And One não está sozinho. Abaixo, três exemplos de como seguir à risca os passos dos seus ídolos:


And One

Esse cabelo do vocalista Steve Naghavi aí acima é inspirado em quem? Dave Gahan, circa 1990. Mas curiosamente, Naghavi não passa nem perto de cantar como Gahan. E musicalmente, Depeche e And One não tem muito a ver. O And One pratica um EBM pesado, sombrio, e por vezes, dançante. O primeiro single da banda ("Metalhammer", 1990) mescla industrial e synthpop (gêneros que o Depeche soube explorar muito bem), num hit de pista doentio. A melhor música da banda alemã é, sem dúvida, "Sometimes", de 1997:




De/Vision

Mais germânicos: o De/Vision está na ativa desde 1988. Aqui o caso é mais grave: a inspiração beira a imitação. Os singles do grupo parecem acompanhar os passos do Depeche: a ótima "Heart-Shaped Tumor" lembra "Only When I Lose Myself", "Strange Affection" parece com "Barrel Of A Gun", "Rage" (com vídeo inspirado em "It's No Good", de adivinha quem?) soa como "Wrong"...



Color Theory

Projeto do americano Brian Hazard. Tecladista e cantor, tá na cara que Brian paga um pau pro Martin Gore. Canta, geme e solta aquele vibrato igualzinho ao principal compositor do Depeche. Cometeu a façanha de produzir, provavelmente, o pior álbum de covers dos ingleses de todos os tempos: Color Theory presents Depeche Mode, de 2003. É nesse disco que está essa versão lamentável de "I Want You Now":

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Michael Jahckson

O Easy Star All-Stars é um coletivo de reggae mezzo jamaicano mezzo americano. Reúne músicos e cantores do gênero, e oficialmente, grava desde 2003. O lance deles é curioso: regravar álbuns clássicos em formato de reggae. Poderia até ser um negócio meio oportunista, mas uma ouvida no trabalho da banda evidencia o talento dessa tchurba em verter coisas improváveis no ritmo abençoado por Jah sem objetivos comerciais claros. O barato aqui é provar que qualquer coisa pode virar reggae dos bons: até Pink Floyd e Radiohead. Foi assim que eles lançaram a primeira parte do projeto: Dub Side Of The Moon (2003), que nem preciso dizer que disco da banda de David Gilmour os Stars homenageiam. Em 2006 veio mais um ótimo trocadilho (Radiodread), e um álbum inteirinho de reggae em cima de OK Computer do Radiohead. Finalmente em 2009 foi a vez dos Beatles e seu Sargento Pimenta em Easy Star's Lonely Hearts Dub Band.

O mais novo desafio do Easy Star é ver o que aconteceria se o disco mais vendido de todos os tempos (Thriller, de Michael Jackson) tivesse sido gravado em Kingston. Nada fácil mexer com esse vespeiro, mas os Stars se dão bem, sim. Respeitando até a ordem das faixas, começam com uma "Wanna Be Startin' Somethin'" cheia de metais, mas sem o nheco-nheco do reggae: é num funk cru e redondinho que eles suam os dreadlocks. "Baby Be Mine" vira um ska de lindos vocais, "The Girl Is Mine" sai do pop romântico original e vai pras praias ensolaradas do Caribe (junto com Steel Pulse), "Thriller" ganha um baixo orgânico musculoso (substituindo o groove sintetizado original), enquanto "Beat It" cai de rotação numa batida preguiçosa. "Billie Jean" vem cheia de ecos dub e "Human Nature" parecia estar esperando por uma versão jamaicana de tão bem encaixada que ficou. Pra completar a sequência original, "P.Y.T. (Pretty Young Thing)" e "The Lady In My Life" são mais relaxadas e doces com seus vocais femininos. Pra fechar o álbum, dois dubs siderais: "Dub It" (feita a partir de "Beat It") e "Close To Midnight" (de "Thriller"). O esmero e a musicalidade empregadas em Thrillah não deixam dúvidas sobre a relevância da homenagem: passa longe de um simples álbum de covers. Certeza que Michael Jackson aprovaria.

"Billie Jean": vou apertar, mas não vou acender agora.

domingo, 1 de julho de 2012

Marrom Desbotado

Mensagem subliminar? Adam Levine é o único descalço.
 Grupos pop de sucesso viram alvos fáceis muito rapidamente. Ninguém aguenta esse povo no topo por muito tempo. Há exatos dez anos, o Maroon 5 apareceu com o funk albino de "This Love" e de lá pra cá não parou de empilhar hits. Tá na cara que os californianos são uma banda de singles e são só deles que você lembra, não dos álbuns.    


Parecendo querer dar uma cutucada nessa história, os marrons chamaram seu disco mais recente de Overexposed. É como - provavelmente - eles tem se sentido desde seu debut, que já foi sucesso de cara. Não acho que isso deva estar torturando esses caras tanto assim a ponto de colocar essa angústia nas letras ou os fazendo passar pelo dilema do pop star atormentado com o sucesso, mas que a pressão deve estar influenciando na música, eu não tenho dúvida. Porque qualquer coisa que venda metade das absurdas 10 milhões de cópias que o single Moves Like Jagger (do ano passado) vendeu, é potencialmente um fracasso. A fraca "Payphone" (com participação do mano Wiz Khalifa), primeiro single, foi número 2 na parada americana, e foi pro topo na Inglaterra. Bom. Já a reggatta de blanc "One More Night" não passou da incômoda quadragésima segunda posição na América. Sinal amarelo. E era isso. O restante de Overexposed varia entre tentativas de aproveitar uma sobrinha de "Moves Like Jagger" (com sua prima "Lucky Strike"), o falsete cansativo de Adam Levine e um cover particularmente horrendo: o Maroon 5 transforma o clássico "Kiss" (Prince) no blues mais canalha da história. Pra mim não faz a menor diferença se o Maroon 5 veste Versace ou come metade do cast da Victoria's Secret, desde que seus singles mantenham um jeito "Makes Me Wonder" de ser. Mas das faixas desse Overexposed, nem cheiro. Férias, pessoal.

A boa "One More Night": Rocky Levine.