quarta-feira, 4 de junho de 2014

Nova do Caribou


O canadense Daniel Snaith deu as caras. "Can't Do Without You" é a primeira faixa disponibilizada sob a alcunha Caribou desde o sensacional Swim, de 2010 (vai estar em Our Love, o próximo disco, que sai em seguida). Em 2012 ele lançou o álbum Jiaolong creditado ao projeto Daphni, sua faceta techno/progressive.

Com a assinatura do Caribou, Snaith explora um terreno mais colorido e ensolarado, como prova essa "Can't Do Without You". Pode apostar que vem mais coisa boa.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Hors Concours


Alguém realmente esperava que essa parceria não funcionasse? Era batata: a união dos escandinavos Röyksopp e Robyn renderia algumas das gravações mais legais do ano. Foi o que aconteceu. Pelo menos três, das cinco faixas do EP Do It Again (lançado dia 23 de Maio), são irrepreensíveis.

A magnífica abertura, apropriadamente chamada "Monument", ganha contornos celestiais com seu coro ininterrupto fundindo-se aos sintetizadores e sua base engrenada com baixo de tom constante e hipnótico. Só lá pelos seis minutos (a faixa tem quase dez) uma percussão tribal preenche o ambiente e prepara o terreno para que um sax soprado com languidez encerre a canção de maneira brilhante.

"Do It Again" é uma obra-prima de inspiração pop e dance, mas absurda em cada detalhe da produção: das navalhadas de teclados entrecortando a música até os vocais de Robyn - do tipo que deixam até uma leitura de "O Capital" emocionante.

O synthpop "Every Little Thing" mais uma vez acentua o trabalho primoroso de Svein Berge e Torbjørn Brundtland à frente do aparato eletrônico. Saltam aos ouvidos a riqueza e a variedade de timbres alcançados e como os sintetizadores soam poderosos manipulados pela dupla, a sacada genial do pequeno enxerto de cordas especialmente bem encaixados no meio da canção e mais um trabalho exemplar da talentosa Robyn no microfone.

"Sayit" é uma faixa techno que traz Robyn duelando com um vocoder (idêntico ao que o Kraftwerk usou em "Numbers"), enquanto "Inside The Idle Hour Club" é um encerramento instrumental e melancólico, bastante distante da euforia da faixa-título. São duas músicas que baixam a média geral do mini-álbum, que mesmo assim, bate fácil nos 7.5.

"Every Little Thing": perfeição.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Segunda Class: William Orbit


A ambient music tornou-se um terreno perigoso, pra não dizer improdutivo. Até o renomado William Orbit escorrega algumas vezes em seu novo álbum Strange Cargo, o quinto da série iniciada em 1987.

O perigo aqui mora na abertura meio Neverending Story de "On Wings" e em composições que são puro pop de churrascaria, como as melosas "Big Country" e "Willow" - faixas que para um desavisado identificariam Orbit como um Richard Claydermann do techno, se ele não fosse inteligente o bastante pra compensar essas pisadas em falso com a sessentista "Just a Night Or Two" (lembrando sua produção com pinceladas psicodélicas para "Beautiful Stranger", de Madonna), a sufocante e autoexplicativa "I Paint What I See" (com vocais sussurrados por Beth Orton), a timbragem anos 90 de "Lode Star", o clima desolador das guitarras de "Recall" e o dub techno de "Parade of Future Stars". Ainda rola uma citação de "Trans-Europe Express" do Kraftwerk (na percussão inicial de "Poppies") e um encerramento bem otimista com o belo arranjo de "The Changeling", tudo disponível para audição na página do produtor no Soundcloud. Orbit conhece o campinho.

"I Paint What I See": sublime.

One More Time


Até quando vai o gás dos incansáveis irmãos Lawrence?



O single "The Mechanism" saiu em Abril, o vídeo, dia 30 de Maio. Com colaboração do produtor britânico Friend Within, é house com aquelas frequências sub graves de future garage. Impressionante, eles não erram uma.

domingo, 1 de junho de 2014

Coverfold


Num passado distante - bem distante, tipo século passado - o DJ e produtor inglês Paul Oakenfold foi um cara legal. Ganhou fama com seus remixes para o EP Madchester Rave On do Happy Mondays (junto com Terry Farley, Andrew Weatherall e Steve Osborne), acabou produzindo (com Osborne) o clássico Pills 'n' Thrills and Bellyaches dos Mondays, excursionou com o Stone Roses, remixou "Even Better Than The Real Thing" do U2 (o single de sua versão vendeu mais que o original) e ainda trabalhou com Massive Attack, The Cure, Radiohead, Smashing Pumpkins, Madonna e mais um monte de gente bacana.



Pois os planos do superstar das picapes para 2014 são bem mais modestos. Oakenfold planeja para este mês o lançamento do álbum Trance Mission, composto de covers para, cof cof, "clássicos" do trance, como "Cafe Del Mar" do Energy 52, "Madagascar" do Art Of Trance e "Adagio For Strings", já gravada por William Orbit e Tiësto. O segundo single do projeto é "Toca Me", e vem com remixes de três nomes que eu nunca ouvi falar (Eshericks, East Freaks e Benjani), mas que não fazem a menor diferença, musicalmente. Bom, Oakenfold nivela-se por baixo e tem tudo pra dividir os CDJs com gente como Ferry Corsten e Armin van Buuren em festivais mundo afora. Tem quem goste.

"Toca Me": Oakenfold rende-se à EDM fuleira.