quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Remarinados


É até perdoável que você tenha passado em branco por This Time Last Year, o bom álbum lançado ano passado por um dos projetos precursores do ambient techno - o Ultramarine. Não dá pra acompanhar todas as novidades mesmo, blá blá blá. Mas ainda dá tempo de correr atrás e garanto, vale a pena. Pecado mesmo é nunca ter ouvido o segundo disco gravado pela dupla britânica Ian Cooper e Paul Hammond, Every Man And Woman Is A Star (1991), um dos pilares do gênero.

De qualquer maneira, o Ultramarine apareceu com mais uma novidade pra te lembrar que eles ainda estão na ativa e ainda são relevantes: saiu há pouco o single ‎ Passwords, com três faixas pinçadas de This Time Last Year e habilmente remixadas.

Tem o post-rock original "Eye Contact" houseificado por Kai Alcé, a quase jazz "Passwords" ganhando em dançabilidade com o Hercules & The Love Affair e a desolação de "Decoy Point" soando duplamente angustiada pela lente fria do duo Juju & Jordash.

Uma geral em Passwords:

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Alive and Kicking


Giorgio Moroder é o Moisés da dance music: ele dividiu a música de pista em antes e depois de "I Feel Love" (Donna Summer, 1977). "74 Is The New 24" é o single que precede o novo álbum a ser lançado ano que vem (provavelmente com esse mesmo nome) e olha, é ótimo que aos 70 e poucos anos esse gênio ainda esteja na ativa e produza uma faixa consistente como essa. Os usuais arpejos de sintetizador, vocoders, pianos e guitarras da sua space disco atemporal o aproximam de pupilos como Lindstrøm e Todd Terje, ou seja, Moroder está mais atual do que nunca.

A bela animação de "74 Is The New 24": velocidade em slow motion.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Caras Novas: RÜFÜS


Australianos de Sydney, o RÜFÜS (DU SOL pro mercado norte-americano), debutou ano passado com o álbum Atlas e foi direto pro primeiro lugar na terra natal.


Achei exageradas coisas que li como "esses caras têm o potencial de mudar a maneira como as pessoas percebem a dance music" ou "o mais recente projeto australiano para dominar o mundo". O som deles é OK, indie dance que pode, na verdade, tomar o lugar do Cut Copy - que anda marcando bobeira desde o terceiro disco (Zonoscope, 2011). É simpático, é agradável, é dançável, é mezzo eletrônico mezzo orgânico. É exatamente o que Beloved fazia (muitíssimo bem) em 1990, mas que não passou de um álbum sensacional (coincidentemente, o também debut Happiness) e mais meia dúzia de singles bacanas. Não que eu esteja pessimista sobre o RÜFÜS, mas pezinhos no chão, aussies.

"Sundream": sobrevive ao hype?

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Alphaville


São os arranjos de gosto duvidoso, é o vocal afetadíssimo de Marian Gold, é a temática pueril. O Alphaville, definitivamente, não vai ser incluído entre as melhores coisas do synthpop 80. Mas isso não impede que faixas monumentais como "Big In Japan" e "Sounds Like a Melody" tenham sobrevivido dignamente durante esses anos todos. É facinho ouvir o som dos alemães ainda hoje em rádios e pistas. Pra comemorar 30 anos de atividades, o Alphaville acaba de jogar no mercado uma excelente retrospectiva: a dupla de produtores Blank & Jones pinçou (e remasterizou usando as fitas master originais) o filé da discografia da banda em versões doze polegadas num CD duplo chamado so8os presents ALPHAVILLE. Está tudo ali, de uma (pra mim) inédita versão dançante de "Forever Young" até os lados B (dispensáveis) no CD 2. O CD 1, no entanto, vale muito a pena, acredite.

"Sounds Like A Melody (Special Long Version)": sob o domínio dos sintetizadores.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Corrida do Ouro


Booka Shade retorna com Line Of Fire, um EP que evidencia a corrida do duo alemão atrás dos riffs ganchudos que tanto fizeram a cabeça dos clubbers há quase dez anos. O bom é que esses refrões instrumentais vem acompanhados de bases sólidas e encorpadas. A faixa título é a mais rebolativa do EP, com um groove elástico e uma frase de sintetizador ligeiramente fora do tempo - o que causa uma certa desorientação (que deve render ainda mais com a luz e a bebida certa). "Right On Track" é o tech house costumaz da dupla, aceleração constante de timbres roucos e distorcidos. "Back To Monza" tem a pegada firme do bumbo pesado e o caldo grosso do baixo, mais o charme dos strings ininterruptos.

Depois de algumas apresentações na terra do Obama, Walter Merziger e Arno Kammermeier estão a caminho da Austrália, onde tem datas no final de Novembro e começo de Dezembro.

Um cheirinho de "Line Of Fire":