segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Segunda Class: DJ Day


Day é o californiano Damien Beebe. DJ, produtor e multi-instrumentista, Beebe começou a discotecar em 1995, mas seu álbum de estreia só saiu agora, em 2013 (sem contar uma coletânea de singles, faixas inéditas e remixes lançado em 2008).

E que disco. Land of 1000 Chances pode ser colocado sem hesitação na mesma prateleira (ou na mesma pasta de arquivos) do que melhor DJ Shadow e RJD2 fizeram em suas carreiras. A síntese é a mesma: beats de hip-hop e andamentos de jazz sustentando enxertos de funk, soul e eletrônica. A diferença de DJ Day é que sua trip é de músico - ele se apoia fundamentalmente em instrumentos, não em samples. Ocasionalmente, amostras de diálogos e vocais são inseridos ("Mama Shelter"), mas são apenas coadjuvantes frente a quantidade de Mellotron, Clavinet, piano elétrico, baixo, guitarra e percussão usados nas faixas. Em "Boots in the Pool" e "Hopefully", belíssimos arranjos de cordas ornamentam músicas que transbordam bom gosto, calor e emotividade.

Land of 1000 Chances
tem 15 faixas instrumentais sem altos e baixos: o nível das composições é tão plano e homogêneo, que funciona incrivelmente bem se ouvido do início ao fim, sem interrupções. E pode ter certeza, você não vai querer pular nenhuma.

"Land of 1000 Chances": só uma das 15 pérolas do álbum.

domingo, 29 de setembro de 2013

Foxxtronics


Surpresa boa esse EP novo do John Foxx.

O ex-Ultravox uniu-se a Jim Jupp (Belbury Poly) e Jon Brooks (The Advisory Circle) para gravar o EP Empty Avenues, que saiu agora em Setembro pelo selo londrino Ghost Box.

Os sintetizadores barrocos de Foxx mais o folk/ambient de Jupp e Brooks deixaram canções como a faixa-título e principalmente "The Right Path" com uma cara de Emerson, Lake & Palmer circa 1972. Nenhuma objeção.

Preview de "The Right Path":

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: 20 Fingers


20 Fingers é uma dupla de produtores de Chicago, formada pelos picaretas Charlie Babie e Manfred Mohr. Encaixaram uma sequência de hits de pista no meio dos 90 que migrou com facilidade para rádio e TV, provavelmente por causa da temática explicitamente sexual das letras e pela dance contagiosa que praticavam. Enjoou com a mesma rapidez que pegou, mas foi divertido. "Short Dick Man", seu primeiro single (1994), provocou reações adversas por parte da carolagem (tanto que uma versão limada e sem sacanagem foi vendida como "Short Short Man"), mas ora bolas (ops!), a bagaceiríssima vocalista Sandra Gillette só estava dizendo que não se contentava com nada menos que uma anaconda padrão Kid Bengala, que que tem?

Outras faixas do mesmo naipe vieram: "Lick It" (com a vocalista Roula) e "Mr. Personality" - de novo com Gillette - foram as mais conhecidas.

"Mr. Personality" é uma tiração em cima das pessoas, hããã, desprovidas de beleza, mas metidas a besta. A versão original é uma fusão explosiva de guitarras e batidão numa onda 2 Live Crew:



Minha preferida do 20 Fingers é a versão Ugly Mix de "Mr. Personality". É uma música praticamente nova: na real, nem sei que elementos ela usa da matriz. Mas ficou muito melhor. Tem um trompetinho sintético do inferno durante os quatro minutos da faixa, e a percussão é espalhada com maestria pela dupla. Essa batucada casou tão bem com os graves do baixo e as socadas do bumbo, que tornaram esse Ugly Mix compulsivamente dançante. House music simples e muito eficiente. E desbocada. 

"Mr. Personality (Ugly Mix)": "you wanna touch me, but you're so ugly..."

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

New New Wave


 Mas olha que simpatia esse single da dupla texana Night Drive.

Drones é o debut de Rodney Connell e Brandon Duhon, um synthpop uptempo pegajoso em sua forma original e enérgico o bastante pra afastar o cheiro de coisa requentada. O single traz ainda três remixes: a boa versão house de Bit Funk, pegadinha nu-disco por Glasnost e o drop the bass totalmente dispensável do Crystal Vision. Vale o confere: download grátis na página da banda no Soundcloud.

"Drones": vai pro "Melhores do Ano", fácil.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quarta Do Sofá: Bliss


Do tempo em que não era politicamente incorreto veicular propaganda de cigarro na TV, os ingleses da Bliss estouraram no Brasil com sua faixa "I Hear You Call" no comercial do Hollywood. O single "How Does It Feel The Morning After" veio na colada - outra baladona sintetizando pop e soul de olhos azuis - e grudou nas FMs naquela virada 1989/1990. Rachel Morrison canta demais. O baixista Paul Ralphes veio pro Brasil e não voltou: tornou-se produtor requisitado por bandas pop locais, como Biquíni Cavadão e Kid Abelha. Já a Bliss acabou em 1991, pra retornar em 2007 e ainda manter-se na ativa.

"How Does It Feel The Morning After": baita linha de baixo.