sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Gene Loves Jezebel


Eles pagavam de góticos, mas os gêmeos Michael e Jay Aston estavam mais pra uma versão britânica do Poison. Banda de hits bem modestos, o Gene Loves Jezebel tem em "Desire" - single lançado em Novembro de 1985 e relançado como "Desire (Come and Get It)" um ano depois -  uma canção que merecia melhor sorte. Aqui foi hitaço de FM e, mundo afora, invadiu pistas de dança com uma versão Club Mix fraquinha. Prefira o original.

"Desire": laquê, batom e algum rock'n'roll.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

French Touch Revival


Não é cedo demais pra revisitar a french house? Se levarmos em consideração um ciclo de 20 anos, não. Ou seja, Daft Punk e Cassius no meio dos 90 chupando disco e funk setentista e agora em 2015 esse selo francês novinho em folha chamado Cerise Records, revivendo a vibe de gravadoras essenciais do gênero como Crydamoure e Roulé.

O debut da Cerise é esse EP aí acima. Lazy Summer (creditado a um ainda misterioso Mélonade) tem quatro faixas que são praticamente vinhetas - a mais longa, "Beach Stroll", tem pouco mais de quatro minutos e sampleia os metais de "Street Player", do Chicago (que o Bucketheads, de Kenny "Dope" Gonzalez, usou e estourou em "The Bomb! [These Sounds Fall Into My Mind]", de 1994).


Já "The Perfect Drink" é uma ideia tão simples que parece um edit de "Ring My Bell", clássico de Anita Ward: usa um loop da base, apenas reforçado por algumas baterias eletrônicas e diálogos enigmáticos.


"Nothing On TV" tem um sax incisivo (se é um sample, não reconheci), sirenes e compressão, enquanto "Lazy Summer (Promo Mix)" é um mashup das três músicas do EP.

Não sei se isso vai pegar, mas bem que poderia ao menos tirar uma fatia do mercado de música pra dançar da modorrenta EDM (sonhar não custa). Que esse negócio é muito mais divertido que todo catálogo da Ultra Music, é.

domingo, 23 de agosto de 2015

Diversidade Ainda Que Tardia


No começo do ano, o DJ e produtor Felix Da Housecat virou notícia no mundo todo. Não por causa de alguma track brilhante ou um disco fenomenal e sim porque foi barrado na porta do famoso clube Berghain, em Berlim. Um injuriado Felix Stallings, Jr. foi então pro Twitter expor toda sua mágoa com a casa, entre acusações de racismo e oportunismo (em relação a cena de Chicago e Detroit).


Baixada a poeira, Felix lançou em Julho seu sétimo álbum, Narrative Of Thee Blast Illusion (pela gravadora nova-iorquina NoShame), quatro anos depois do bom Son Of Analogue, que saiu encartado numa edição da revista inglesa Mixmag. Com pouquíssima exposição (se comparado com o episódio do clube alemão) e nadando contra a maré, Housecat continua desafiando o mercado. Não há um hit single detectável no novo álbum - algo que até é comum à sua discografia. Em compensação, há um Narrative apostando numa variedade eletrônica que inclui os habituais house e electro, mas com enxertos de synthpop, italo disco e até reggae. O blend, no entanto, não soa alienígena, nem exageradamente eclético. A coesão acontece justamente porque sua produção é contida, polida e sem excessos. A regra só não se aplica a "Turn Off The Television", um mergulho no lado camp dos anos 80 e seus sintetizadores na linha sobra-de-estúdio-do-Devo.



Fora essa escorregada, o que temos é uma ponte imaginária que mostra o produtor transitando com desenvoltura por Chicago, Londres, Milão e Kingston. Maquiando seus vocais tímidos com efeitos ou convidando gente como o desconhecido Amadeus (em "Why Games"), Lee Scratch Perry ("The Natural") ou a DJ argentina Romina Cohn (no diálogo erótico de "Queer"), Felix segue com a cabeça na dance analógica, que tanto pode ser encontrada em faixas como a house paleolítica de "Freakz On Time" (com seu baixo engrenado e arpejos em segundo plano), quanto na italo recriada com perfeição em "Is Everything OK?".






Cascatas de sintetizadores jorram em ambiências etéreas no ótimo R&B de FM "Codeine Cowboy", enquanto um technopop ligeiramente houseificado surge na voluptosa "Why Games", em mais duas composições que dispensam formalmente o compromisso com a música de pista.




No convincente dub "The Natural", Felix da Housecat convida o lendário produtor Lee "Scratch" Perry para dividir os vocais e mandar pro espaço uma profusão de ecos e efeitos, num justo reconhecimento a uma das figuras mais inovadoras e criativas já surgidas na música jamaicana.



Narrative Of Thee Blast Illusion condensa em pouco mais de 40 minutos gêneros um tanto distantes entre si, mas prova que eles podem comunicar-se sem cair no pastiche, soando com naturalidade e sem forçar a barra da homogeneidade pra parecer moderno e esperto. Acho que Felix espera que você perceba que não é nada desonesto gravar dub ou synthpop, mesmo não tendo essas origens. O que vale aqui é a ousadia e o talento de um produtor que vem a mais de vinte anos tentando nos convencer que nem só de singles vive a dance music.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ao Mestre, Com Carinho


Ele estava certo, sobre tudo. Previu que suas maquininhas iriam acontecer com tudo, ignorou com tenacidade todos os críticos que riam da sua visão robótica do pop e, uma de suas predições mais assombrosas, disse (lá nos 70) que no futuro, todo mundo iria produzir sua própria música eletrônica, em casa. Bingo. Ralf Hütter é uma das figuras mais influentes da música em todos os tempos e seu legado com o Kraftwerk, hoje, é impossível de ser mensurado. Basta dar uma clicada em qualquer página que contenha alguma menção à música eletrônica e seus autores techno-anônimos e lá está um pedacinho de Ralf. Parabéns, Mestre. 69 anos de serviços inestimáveis prestados a Música.

domingo, 16 de agosto de 2015

5 Motivos Pra Gostar do West Nile


Há pouca informação disponível sobre os canadenses do West Nile. Sua estreia "SSUFFIK8TRR" (“suffocator") saiu digitalmente dia 27 de Janeiro via Bandcamp, com a opção do pagamento voluntário de qualquer quantia ou download grátis - esquema que a suposta dupla manteve nos três singles seguintes. Vale a pena ficar de olho, porque enquanto todo mundo fica superestimando o Chvrches - que está longe de ser isso tudo - o West Nile continua, sem alarde, lançando um single mais legal que o outro. Soltaram agora em Julho o quarto e mais recente, "Lotta PPL". Com tudo redondinho, dos vocais doces ao instrumental descomplicado, o West Nile vai montando o que deve ser um dos álbuns de synthpop mais legais do ano. Anota aí: eles vão ser grandes.

Abaixo, uma minirretrospectiva dos quatro singles que a banda lançou, até agora.

"SSUFFIK8TRR": synthpop lânguido com um belo riff de sintetizador mais a voz macia da vocalista que, provavelmente, é a gracinha da foto abaixo.


"Turnt 2 Cult" / "Whaaat I Can Gett": um tiquinho mais pop e dançável, "Turnt 2 Cult" traz vocais deliciosamente sussurrados e sintetizadores tipicamente 80, enquanto que a funkeada "Whaaat I Can Gett" é um mix de italo disco e Prince.


"#1FNDR": meio indie meio épica, com pitadas de disco sintética à la Erasure circa 1987.


"LOTTA PPL": não me pergunte o que significam esses nomes todos. Concentre-se na admirável capacidade que o West Nile tem em fundir um pop aparentemente rasteiro - que não faria feio num disco da Debbie Gibson - com aqueles sintetizadores sorridentes que a gente ouvia nas trilhas dos filmes do John Hughes.