O MGMT sempre foi meio esquisitinho, psicodélico e chapado em sua eletrônica revisionista de, até agora, três álbuns: a boa estréia Oracular Spectacular (de 2007, que gerou os ótimos singles "Kids", "Electric Feel" e "Time To Pretend"), o fraquíssimo Congratulations (2010) e o autointitulado MGMT (2013), que passou totalmente batido (ao menos pra mim). Eis que a dupla americana formada pelos cantores e multi-instrumentistas Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser retorna agora com um single ("Little Dark Age") e um álbum de mesmo nome, programado pro início do ano que vem. Vídeo e música mantém o padrão imposto especialmente no primeiro álbum - dosando pop e experimentação -, mas nesse single o MGMT aponta seus sintetizadores mais em direção à 1982 do que 1968. É um synthpop de sobretons neogóticos e belos arpejos em progressão no refrão. Gostei bastante.
Torul é uma banda eslovena de electropop liderada pelo compositor, produtor e fundador do projeto, Torul Torulsson (o da esquerda, na foto acima). Na ativa desde 2010, o grupo vem lançando singles e álbuns por micro selos alemães (Low Spirit Recordings, Infacted Recordings), ganhou alguma rotação na MTV alemã com o vídeo stop-motion para a faixa "Try" (2011) e já está no quarto álbum (The Measure, lançado em Março deste ano). Não difere muito do synthpop germânico atual, mas explora bem as influências de tons cinza escuro de Torulsson (The Cure, Siouxie and the Banshees, Dead Can Dance) sem resvalar na caricatura, além de ter uma mão boa pra compor boas canções pop de plástico. Conheci a banda através de uma das faixas de The Measure, a ótima "Difficult To Kill" (também lançada como single). Os vocais de Jan Jenko são meio canastrões, mas a música é bem feitinha, algo entre The Twins e Clan Of Xymox - o que sempre tem boas chances de acertar em cheio os ouvidos de novos e velhos fãs de bandas dark/góticas que não dispensam o uso do sintetizador. Vale o confere.
Eles pagavam de góticos, mas os gêmeos Michael e Jay Aston estavam mais
pra uma versão britânica do Poison. Banda de hits bem modestos, o Gene
Loves Jezebel tem em "Desire" - single lançado em Novembro de 1985 e relançado como "Desire (Come and Get It)" um ano depois - uma canção que merecia melhor sorte. Aqui foi hitaço de FM e, mundo afora, invadiu pistas de dança com uma versão Club Mix fraquinha. Prefira o original.
Tenho que olhar com mais carinho pro The Horrors. Esta semana a banda inglesa esteve na Radio 1 pra uma entrevista e, convidada a apresentar duas canções de seu novo álbum (Luminous, sai em Maio), mandou também um surpreendente cover do clássico house "Your Love", de Jamie Principle.
O grupo escolheu a faixa em homenagem ao recentemente falecido Frankie Knuckles, que foi citado pelo vocalista Faris Badwan - acertadamente - como "parcialmente responsável pela música". Vale lembrar que Knuckles produziu a segunda versão comercial de "Your Love", em 1987.
Alguma dúvida que o francês Boris Peter Bransby Williams foi o melhor baterista que passou pelo The Cure? Presente na banda de 1984 até 1993, Williams imprimiu um padrão rítmico no som do grupo inglês facilmente identificável, aproveitando-se da tecnologia para extrair efeitos certeiros de baterias eletrônicas e samplers, tanto no estúdio quanto ao vivo.
Esta versão de "Play For Today" foi extraída do vídeo The Cure in Orange gravado na França em 1986 e lançado um ano depois. Capta a banda no auge da forma e talvez com seu melhor line-up: Robert Smith, Simon Gallup, Porl Thompson, Boris Williams e Lol Tolhurst. Aqui, a performance de Williams impressiona. Com a precisão de um metrônomo ele conduz caixa, bumbo, chimbau e ainda encontra espaço para golpear o pad da bateria eletrônica e os pratos de ataque - praticamente um polvo do pós-punk. Perfeição.
Essa é ótima: o Killing Joke, seminal grupo do pós-punk inglês volta ao estúdio com a formação original, algo que não acontecia desde 1982. De pouco sucesso comercial mas de influência enorme no cenário do rock industrial/alternativo/eletrônico (de Nine Inch Nails e Ministry à Faith No More e Korn) e do metal (o Metallica coverizou "The Wait" no seu EP Garage Days Re-Revisited de 1987). O Killing Joke fez a cabeça até do Nirvana, que usou a faixa "Eighties" como fonte de inspiração para compor "Come As You Are" (fato admitido no tribunal por Kurt Cobain, algum tempo depois do Killing Joke reclamar judicialmente):
Compare a introdução de "Eighties" e "Come As You Are":
Enquanto um álbum de inéditas está sendo preparado (Feast Of Fools, marcado para Setembro), o quarteto formado por Jaz Coleman (vocais e teclados), Geordie Walker (guitarras), Martin "Youth" Glover (baixo) e Paul Ferguson (bateria), antecipa o que deve vir no novo álbum com o EP In Excelsis, lançado agora em Junho. Com canções extraídas das recentes sessões de gravação de Feast of Fools, o EP traz cinco faixas, que vão do rock vigoroso e a bateria dançável de Ferguson em "Kali Yuga" e na faixa-título (com a garganta no limite e o inconfundível timbre de lixa de Jaz Coleman), passando pelo tradicional clima apocalíptico da banda e os riffs nervosos da guitarra de Walker em "Endgame" e o ótimo reggae "Ghost Of Ladbroke Grove", que ganha uma versão dubno EP para o prolífico Youth provar por que é um baixista de mão cheia (com o perdão do trocadilho fraco).
"Kali Yuga" ("Era de Ferro") é um tema que aparece nas escrituras Hindus, e simboliza a era em que vivemos, identificável por quatro características: a intoxicação, a prostituição, a matança de animais e destruição da natureza e a jogatina. Não estranhe o tema vindo da cabeça obcecada pelo ocultismo de Jaz Coleman. Ouça: