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terça-feira, 4 de abril de 2017

Calibre Doze Polegadas


O prolífico Dominick Martin (a.k.a. Calibre) começou a produzir em 1995 e grava desde 2001. De lá pra cá, Martin mantém a média de quase um álbum por ano e os singles e EPs eu já desisti de tentar contar. Diluição do seu drum'n'bass sombrio com tantos lançamentos? Nem perto disso. Cada disco novo desse produtor irlandês vem recheado de ótimo material, a despeito dele não economizar no número de faixas: em The Deep, recém lançado, são doze músicas e mais de uma hora de (boa) música.


O liquid funk (meu subgênero preferido do drum'n'bass) de Calibre é primoroso: na abertura "No One Gets You" e em "Complain" ele encharca os vocais de éter e joga os subgraves para o térreo, em "Enter" teclados ameaçadores medem forças com as baixas frequências e em "Up In Smoke", um naipe de metais jazzísticos casa formidavelmente com o beat acelerado. Pausas estratégicas para o ouvinte tomar fôlego e Martin tira o pé do acelerador nas atmosféricas "Footloose", "Blind For Bang" e "Round Box" ou mesmo na placidez da arritmia semi abstrata de "Better Than Me". A quase deep house "Lit" não soa deslocada num álbum com boas doses de soul e jazz injetadas nas canções e em "Give It Up", Calibre parece suprimir propositalmente justo a caixa da bateria para fazer com que a faixa soe como uma das mais hipnóticas de The Deep. Seja para os apreciadores de eletrônica sem distinção de gêneros ("Mr Natural"), seja para os clubbers ávidos por movimentos de Tai Chi Chuan em fast forward ("Echoes"), The Deep cumpre com louvor as expectativas. Se depender de gente do primeiro escalão como Calibre, o drum'n'bass vai bem, obrigado.



"No One Gets You":

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

As 69 Músicas de 2015 (Parte 3: 23 - 01)


Parte três: topo da lista.

23) "Echoes In Rain" > Enya



22) "There Is Pop" > Ricardo Tobar



21) "Lights" > Hurts



20) "Hourglass" > Disclosure feat. Lion Babe



19) "Frail" > Crystal Castles



18) "Surf I" > Zomby


17) "Heart Hides" > ASCIO feat. San Mei



16) "4 Floors Of Whores" > Tzusing



15) "Somos Dos" > Bomba Estéreo



14) "Oino" : LA Priest



13) "Jack Be Nimble" > James Curd



12) "Castle In The Snow" > The Avener & Kadebostany



11) "Hotline Bling" > Drake



10) "Forgotten Truths" > Artificial Intelligence FT. Steo



09) "Animals" > Du Tonc



08) "Cryptoporticus" (Cloudy Mix) > I:Cube



07) "Academic" > New Order



06) "XTC" > DJ Koze



05) "Volta Cobby" > Robag Wruhme



04) "In Your Heaven" > Sam Sparro



03) "Lady's In Trouble With The Law" > LA Priest



02) "All My Love" > Schwarz Dont Crack



01) "SSUFFIK8TRR" > West Nile

sábado, 31 de outubro de 2015

Drumba News


Não se assuste. Ringo e Paul não gravaram um disco de jungle. A figura é meramente ilustrativa. Negócio é que o drum'n'bass nunca estourou em escala planetária e ainda mantém-se muito popular no Reino Unido, mas com focos espalhados em doses homeopáticas no mundo todo. O que, de certa forma, é saudável para o gênero, já que superexposição mata, sem dó. Abaixo, alguns bons lançamentos que me chamaram atenção recentemente.

"Revolve-Her" > Alix Perez



Na ativa desde 2005, o belga Alix Perez já lançou uma batelada de singles e dois álbuns. Sua faixa mais recente, "Revolve-Her", não foge do liquid funk a que seu nome está constantemente associado. Teclados atmosféricos e enxertos vocais filtrados são adicionados de forma moderada, numa track boa pro sofá e pra pista.

 Dreamz Dub EP >  Calibre


Calibre (o irlandês Dominick Martin) mantém o alto nível de suas produções com mais um EP excelente. Dos vocalizes oníricos da abertura "Another" e do encerramento "Believe It" ao clima opressivo que os sintetizadores da faixa título sugerem, Calibre não se apega à mesmice das batidas, explorando o potencial das baterias na mesma medida em que forra tudo com graves que desafiam o capacidade dos alto-falantes.

Savage Circle EP >  Klute



Não é de se estranhar que o DJ e produtor britânico Tom Withers também seja compositor, baterista e vocalista da banda de punk/hardcore The Stupids (onde ele assume o alter ego Tommy Stupid). Seu recente EP Savage Circle saiu pelo histórico selo Metalheadz (fundado no meio dos anos 90 por Goldie e pela dupla Kemistry & Storm) e alterna momentos de fúria ("Westernized", "Mirror") com passagens totalmente ambient ("Arboretum"). A linda "Just What You're Feeling", funde os ataques brilhantes de percussão com a calmaria das cordas sintéticas.

Velocity EP > Nexus & Tight



Outro artista vindo da Bélgica, Tim Cox não se prende somente ao drum'n'bass: já tem no currículo lançamentos que incluem deep house, progressive, techno e até lounge. Seu alias Nexus & Tight (que é somente o nome do projeto, não uma dupla) assume a faceta drum'n'bass com muita competência. Velocity EP saiu em Setembro - a despeito de constar como Radar EP no Soundcloud, vai entender. O que temos são três faixas com nítidas influências de Netsky e Alix Perez, claramente direcionadas para o liquid funk. "Velocity" tem um riff/gancho de sintetizador repetido ad infinitum, enquanto "Prism" e "Spectrum" vem com baixíssimas frequências sustentando as variações da melodia.

 Flashbulb EP > Technimatic



Formado pela dupla inglesa Pete Rogers and Andy Powell, o Technimatic trabalha com as batidas velozes do drum'n'bass envolto em paisagens sonoras cinematográficas e detalhistas. Seu EP mais recente é Flashbulb (saiu em Julho) e traz a participação da misteriosa Lucy Kitchen na ótima "Secret Smile". A faixa título namora o dubstep, mas em "Dirty Hands" e "Remember You", a lenha queima com vontade.

domingo, 3 de maio de 2015

French Soul Brother


E o drum'n'bass, como vai? Bem, obrigado. Exposição moderada no mainstream (o Rudimental é o caso mais recente) é saudável para o gênero e bons singles são lançados constantemente, basta estar atento.

DJ e produtor, o francês Julien Salvi é um bom exemplo. Atrás dos toca-discos desde 1999 e no estúdio desde 2003, Salvi assumiu o pseudônimo Redeyes e já gravou dois álbuns e vários singles. O Redeyes acaba de soltar um novo EP, Memory Lane Part 1. São quatro faixas inéditas mais um remix para "Psychonaut" (a faixa de abertura, com vocais do MC holandês Dan Stezo). Neste primeiro volume da série, ele pega leve num liquid funk atmosférico, com enxertos de rap ("Psychonaut"), soul ("She Said") e a doçura de um piano com notas marteladas sem muita intensidade ("Memory Lane"). Vale o confere.

Memory Lane Part 1: velocidade controlada.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Grooves Artificiais


Alguma novidade no som do duo britânico Artificial Intelligence? Nada. No recente EP Forgotten Truths, o que ouvimos é o mesmíssimo liquid funk de subgraves que despencam absurdamente e sintetizadores que sobrevoam ameaçadores as amostras vocais relaxadas dos colaboradores. Glenn Herweijer e Zula Warner tiram o pé do acelerador em "My Soul" e caem no lugar comum das produções mais furrecas do gênero em "Deadly Melody", mas recuperam-se brilhantemente na quase ambient "What You Had", na sombria "Thundercloud" e especialmente nas baixas frequências oscilantes da faixa título. Referência do subgênero.

"Forgotten Truths": Ramones do drum'n'bass.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Funk Líquido

Champion
Ah sim, o liquid funk. Minha subdivisão preferida do drum'n'bass. Metrônomo disparando, hi-hats de brilho intenso, sub graves...

Dois singles novinhos: o primeiro, Save Me / Phoenix, do produtor alemão Champion. Sexy e veloz.



O segundo, Cold Spring / Addicted, do sueco Seba. Sintetizadores ambient e vocais plácidos, contrastando com as baterias em disparada.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Muito Além Da Selva


Chroma Chords - o segundo álbum de Alix Perez - expande o horizonte drum'n'bass do DJ e produtor belga, flertando naturalmente (e nem sempre acertando) com dubstep, e ainda experimentando com electro, hip-hop e UK garage.



De longe, os melhores momentos rolam quando Perez investe no som que o consagrou: liquid funk plácido, com vocais exalando soul por todos os poros: "The End Of Us", "We Could Have Been" e "Feelings Of Regret". De quebra, uma faixa obrigatória no case de qualquer set drum'n'bass recente: "Playing Games" (com sample dos synths de "Swimming Pool", de Kendrick Lamar).

terça-feira, 9 de julho de 2013

Drumba Cazaque


Não conheço nada da cena musical do Cazaquistão - aliás, não sei nada sobre o Cazaquistão. Só sabia que o hoje país independente já foi uma república soviética, antes do figuraça Boris Iéltsin começar a implodir o estado socialista no comecinho dos 90. 


Deste desconhecido local, temos o músico, produtor e DJ Alexey Fuifanov: 22 anos, grava drum'n'bass como Command Strange desde 2008, já tem dois álbuns lançados e uma pancada de singles e EPs (mais de 30 em vinil). O cazaquistanês tem moral e frequenta o case de gente como LTJ Bukem, Goldie, Marky, Fabio, Grooverider e EZ Rollers, a nata. Dirty Music EP é seu lançamento mais recente, saiu mês passado nesse doze polegadas da capa acima.

As quatro faixas de Dirty Music nem impressionam pela inovação ou originalidade, mas sim pela eficiência. É liquid funk melódico com ótimo potencial de pista e um fator decisivo para minha aprovação: os graves fazem tremer a porta da minha estante aqui na sala.

"Dirty Music": velocidade ritmada.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Drum'n'Brasil


Junho batendo na porta e ou eu estou totalmente por fora da cena drum'n'bass atual ou esta é realmente a primeira grande faixa do gênero que ouço em 2012. 
 

O single Feeling Translated do projeto americano Random Movement saiu mês passado, corre veloz na raia do liquid funk e foge um pouco das baixas frequências costumeiras do estilo. Recortes de synths loopados vão se entrelaçando aos vocais oníricos em português quase ininteligível (não sei se a voz é sampleada ou original: se você souber a fonte, me deixe ficar sabendo). Chill'n'bass pra ver o sol caindo devagarinho.

"Feeling Translated": "... e todos os meus medos estão..." o quê?