quinta-feira, 29 de maio de 2014

Larrú


  "Let Me Down Gently" é o primeiro single promocional que brota do próximo álbum de La Roux, Trouble in Paradise (sai em Julho). A canção foi upada dia 12 de Maio no Soundcloud, mas o vídeo só estreou semana passada. Tem algo mais, hmmm, (detesto essa palavra) "maduro" no som da Elly Jackson 2014. A faixa é uma baladona emocional com uma boa performance vocal da ruiva e um climão Eurythmics épico - no sentido sintetizador da definição - especialmente a partir dos dois minutos e meio. Ainda bem que não foi só o corte de cabelo que ela mudou.

"Let Me Down Gently": "I hope it doesn't seem / Like I'm young, foolish and green".

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sexta Feira Bagaceira: The Afros


Se o mundo pop fosse um lugar justo, em 1990 o single "Feel It" dos maluquetes The Afros tinha vendido um milhão de cópias nos Estados Unidos, e não "Ice Ice Baby", de Vanilla Ice. Divertida e altamente dançante, a faixa era George Clinton com vocais de rap na medida para as pistas.

Apesar do primeiro e único álbum, Kickin' Afrolistics, ter vendido relativamente bem (numa época em que a onipresença do Public Enemy reduzia as chances de qualquer outro grupo de rap se dar bem num nível semelhante) e o trio ter ganhado certa popularidade com o vídeo da festa sem noção em "Feel It", o debut não chegou nem a disco de ouro e os Afros não tiveram fôlego pra continuar a contar suas histórias por vezes impublicáveis (Kickin' Afrolistics ganhou o carimbo moralista Parental Advisory na capa). Talvez por culpa do próprio grupo, que adotou uma postura de "palhaços que às vezes falam sério", o que pode ter deixado o público confuso. Ou fui eu que não entendi a piada.

"Feel It": Flavor Flav faz uma pontinha.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Caras Novas: Pawws


Pawws é a cantora e compositora britânica Lucy Taylor. De formação clássica (piano e flauta) e citando Fleetwood Mac, Paul Simon e Traveling Wilburys como influência, Taylor já tocou com Kele Okereke (Bloc Party) e MGMT, tem uma voz pequenininha mas agradável e, na manga, um punhado de boas canções synthpop. Seu debut Sugar EP sai dia 16 de Junho, com quatro faixas, e a julgar pelo material disponibilizado no Soundcloud, ela se sai melhor que o último da Lily Allen.

"Give You Love": uma amostra do bom pop da moça.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Dez Perguntas Para: Tonho Crocco


Tonho Crocco não para. Cantor, compositor e músico, estreou em disco como vocalista do De Falla (no álbum Top Hits, de 1996), participou de álbuns e DVDs de Nando Reis, Papas da Língua e Marcelinho da Lua (o cover de "Ela Partiu", de Tim Maia, já é um clássico do drum'n'bass nacional). Junto com seu principal projeto, a banda Ultramen, foram cinco discos lançados, vários hits e inúmeros shows Brasil afora. Durante a parada de cinco anos com o grupo, lançou um disco solo em 2010, retornou com uma série de shows ano passado com a Ultramen e já tem álbum novo previsto para o ano que vem. Seguindo à risca a estrofe da faixa "Esse é o Meu Compromisso", Crocco "bebe, fuma, cheira e injeta poesia". Rimar é um vício. A caravana não para. 
1) Tu achas que o pop nacional ainda tem chance de voltar a cair no gosto popular ou a tendência daqui pra frente é uma cena alternativa pulverizada em artistas underground, vendendo uma quantia insignificante de discos e tocando para cada vez menos público?
Uau! Que visão apocalíptica! Bom, acho que o alternativo sempre vai vender menos que o mainstream. É justamente isso que ele representa, como cultura e alternativa à musica de grandes massas. A quantidade de publico é geralmente proporcional a boçalidade de quem paga pra ouvir lixo. E não só no Brasil. Um show de jazz nos EUA ou aqui vai ter menos ouvintes/pagantes que o show da cantora da Disney. Sempre foi assim. Acho que o público alternativo está melhorando sim. E isso é mais nobre que aumentar. 
2) A facilidade em gravar e distribuir música na Internet gera terabytes de lançamentos diários. Essa superexposição do público à artistas de qualidade duvidosa pode estar criando uma geração para a qual a música não tem mais importância?
Bobagem. Agora qualquer um pode gravar e lançar. A peneira da qualidade é o ouvinte que faz. E além do download, o streaming também é remunerado. Nem comercialmente nem culturalmente a musica vai acabar. Repito: a quantidade não tem nada a ver com qualidade. 
3) Quem faz boa música, comercialmente viável, hoje no Brasil?
Nação Zumbi, B Negão, Racionais; pra citar os grandes. Emicida e Criolo, dos novos.




4) Em relação a quando tu começaste, montar uma banda e viver de música em 2014 é mais fácil ou mais difícil?


Mais fácil. A informação e as ferramentas pra materializar a criação nunca antes estiveram tão acessíveis como agora.
5) O teu trabalho com a Ultramen foi fortemente marcado pela fusão de rap e rock com a música regional gaúcha. Esse ainda é um filão a ser explorado?
Talvez. O leque de referências da Ultramen sempre foi grande. O samba, reggae e ragga por exemplo. Estamos compondo novamente e até agora não saiu nenhum rap gaudério. Vamos surpreender as pessoas com esse novo trabalho, tenho certeza. (Nota: previsão de lançamento para 2015).

6) Qual é o status atual da Ultramen? A reunião que aconteceu ano passado foi parcial (a banda fez dois shows no Opinião, em Porto Alegre) ou há planos para um novo álbum?
Temos feito show desde a volta em março de 2013. Compondo um novo disco de inéditas e finalizando o DVD gravado em 2008.
7) Como lidar com as diferenças dentro de uma banda com tantas influências e gostos diferentes na hora de compor e gravar? Como acontece o processo de escolha do que vai pro disco?
Usamos a democracia pra decidir tudo. 
8) O teu álbum solo (O Lado Brilhante da Lua, lançado em 2010) tem predominância de funk e samba-rock, gêneros sempre presentes no trabalho da Ultramen. O que tu sentiste que deveria ser diferente musicalmente nesse projeto?
Pow, tem afrobeat também. Coisa que a Ultramen nunca fez. Ao mesmo tempo o rap, reggae e rock não fizeram parte do meu primeiro registro. Quem sabe no próximo... Acho que fiz um disco bacana e verdadeiro. Não me arrependo de nada. 

9) Certa vez num programa de uma rádio local (Atlântida FM, de Porto Alegre), tu disseste que costumava chamar a faixa "A Estrada Perdida" de "reggaezinho trouxa". Porquê? Tu te arrependes de alguma música que tenhas escrito ou gravado?

A banda toda falava isso.
É uma brincadeira; beirando uma piada interna. Sempre tiramos onda da nossa própria cara. Talvez a parte "o coração do planeta ainda chora" motivou isso. Hehehe. No mais, não mudaria uma vírgula.


10) Quais os discos/artistas que mais te influenciaram?

Tim Maia, Stevie Wonder, Luis Vagner, Beastie Boys, Pau Brasil, Cartola, Defalla... vixi, a lista é grande.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Segunda Class: Parov Stelar


O austríaco Marcus Füreder pode reivindicar para si o título de "um dos criadores do electro swing", mas ultimamente anda se repetindo.


Seu recém lançado EP Clap Your Hands não arrisca mais do que ele tem gravado recentemente sob seu alter ego Parov Stelar. Para a faixa-título, Füreder não mexeu no time que vem ganhando pistas há mais de uma década: a flamejante mistura de house com samples de swing jazz circa anos 30 (nesta faixa, Stelar emprestou de Glenn Miller). Mas a coisa melhora quando ele larga o sampler e investe no formato canção, propriamente. "The Sun", com vocais inacreditáveis do neozelandês Graham Candy é a melhor faixa aqui, com lindo arranjo de cordas e piano. Mais dois números completam o EP, "The Duke" e "The Speed Demon", boas faixas, mas que variam minimamente em cima das ideias lançadas por Marcus Füreder desde seus primeiros singles.

"The Sun": acredite, o vocal é masculino.