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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Tentativa e Erro


Chris Glover, a.k.a. Penguin Prison, DJ e produtor americano, vai pra dez anos de carreira e nesse (pouco) tempo enfileirou dois álbuns, vários singles e EPs e uma batelada de remixes (já levou pra mesa de cirurgia gente como Jamiroquai, Ellie Goulding, Goldfrapp, Faithless e Lana Del Rey). Inegavelmente, tem talento. Porque ainda não "aconteceu"? Não sei, coisas do pop. Seu debut autointitulado de 2011 é muito bom (duvido que alguém lembre de alguma coisa desse disco). Bom, ele continua tentando, como mostra seu novo EP Turn It Up. Altos e baixos no mini-disco (que saiu exclusivamente em formato digital). A faixa título é o electropop habitual do artista: bem feitinho, dançável, refrão ganchudo. Tudo parece estar no lugar certo... mas tem uma coisa que não me deixou ouvir mais do que duas ou três vezes a faixa: enjoa fácil. O mesmo vale pra "Keep Coming Alive", a segunda do EP. Já "Do Me Like That" exagera na vibe Grease enquanto bobinha e açucarada. A única música que realmente chama atenção aqui é a Nu-Disco "On Your Side", com uma mão nos vocais da musa-cult-indie-pop Soren Bryce. Espacial e dançável, pop onírico e com o nível de sacarose na medida certa. Aí sim.

"Turn It Up":



"Keep Coming Alive":



"Do Me Like That":



"On Your Side":

domingo, 1 de abril de 2018

Não Há Vida Em Marte


Com o novo single "My Name Is Mars", os synthpoppers californianos do Capital Cities vão se candidatando fortemente a um lugar no Hall da Fama dos One Hit Wonders (só que a música em questão não é essa e sim a boa "Safe and Sound", de 2011). "My Name Is Mars" vem sem os onipresentes trompetinhos já ouvidos em outras faixas da dupla. Também vem sem um bom refrão, sem um instrumental que faça a diferença, sem inspiração, sem sal e sem graça. Ano passado saiu o promissor EP Swimming Pool Summer, mas isso aqui é decepcionante. Pra uma banda mais pop do que synth, é grave.


"My Name Is Mars": insossa.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Fazendo Por Merecer


Mais uma faixa especialmente bem feita dos australianos do Flight Facilities, o novo single "Need You" (com vocais da neozelandesa NÏKA), não deve ir muito além dos pendrives de DJs de clubes alternativos minúsculos. Entenda: deveria ir longe. É um pop dançável tão bem acabado que merecia chegar num público realmente grande. Não me pergunte como. Mas que a música é muito, muito legal, é.


O hilário vídeo de "Need You": Schwarzenegger em algum lugar dos 70, procurando sua cara-metade.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

The Phoenix Alive


Delícia pop do dia é o duo francês Ninety's Story e sua "Kikuyu", extraída do EP homônimo lançado no final do ano passado (o segundo da banda). O electropop urdido pelo Ninety's assemelha-se ao indie francês brisado e dançante de gente como Phoenix e Tahiti 80, mas tem brilho próprio, como prova a própria "Kikuyu" e as outras três faixas do EP ("Don't Mind Me", "I Want Your Love" e "Two Steps From the Sun"). Olho neles.

"Kikuyu": pra deixar no repeat.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

More Trumpet!


Começa a tomar forma o novo álbum dos californianos do Capital Cities. Em Setembro do ano passado rolou o bom single "Vowels" e há poucos dias os barbudos soltaram o EP Swimming Pool Summer, com quatro faixas zeradinhas e um remix. A faixa título tem tudo pra emparelhar com a excelente "Safe And Sound", de 2012 - até agora, o maior hit de Ryan Merchant e Sebu Simonian. "Swimming Pool Summer" repete o trompetinho característico do som do duo que pontua a bela melodia e a gostosa levada de violões e guitarras da canção. "Drop Everything" tem mais cara de EDM rasteira, mas os bons vocais da dupla e o trompete (ele de novo) provam que bate um coração electropop atrás da pilha de sintetizadores. Em "Drifting", a guitarrinha funky e as intrincadas harmonias vocais garantem um ponto a mais para o EP, enquanto que nem o vacilão Rick Ross consegue estragar a boa "Girl Friday". Por fim, um remix totalmente dispensável de "Swimming Pool Summer" (THCSRS Remix), que lima o trompete e o som de caixa da bateria e deixa a coisa toda meio cambaleante. Saldo final: meio synthpop e meio indie, o Capital Cities se destaca da manada pelo pop eletrônico bem feitinho, dançável e delicioso de ouvir. Eu aposto que voa alto, de novo.



"Swimming Pool Summer": esmero pop.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#01: Mahmundi)


"Desaguar" foi originalmente incluída no debut de Mahmundi, o EP Efeito das Cores, lançado de forma independente em 2012. Em 2016 ela reapareceu no primeiro álbum de fato da artista, o fantástico Mahmundi. A canção foi envernizada através de um processo de masterização para que houvesse uniformidade com as faixas inéditas gravadas para o disco. O procedimento fez com que "Desaguar" ganhasse uma notável polida no instrumental e os resultados são facilmente perceptíveis no timbre de guitarra do riff principal (que soa com o dobro da potência original) e nos vocais, que ecoam com todo tesão que essa faixa merece: é disparado o melhor refrão que ouvi no pop nacional nos últimos anos. E é, também, a música do ano, pra mim.

domingo, 20 de novembro de 2016

Caras Novas: Pr0files


Pra você, fã de technopop, que anda procurando uma novidade realmente interessante do gênero - que não venha com a clichezada oitentista inclusa no pacote, nem pastiches de Depeche Mode - atenção porque aqui pode estar uma das coisas mais bacanas que apareceram nos últimos anos. Os responsáveis pela façanha são Lauren Pardini (vocais) e Danny Sternbaum (sintetizadores), do Pr0files (grafado assim mesmo, com esse zero no lugar da letra o), de Los Angeles. Seu Jurassic Technologie saiu no final de Fevereiro com onze faixas e tageado pela própria dupla como darkdisco/electropop/synthpop. É um pouco de cada, bem equilibrado, com ótimas composições, potencial pra estourar algum single e uma cantora gata à frente (música pros olhos também é bacana). É um álbum homogêneo, coeso, pop e delicioso de ouvir. Dá pra sacar na faixa no Bandcamp, vai lá e me diz.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Caras Novas: Torul


Torul é uma banda eslovena de electropop liderada pelo compositor, produtor e fundador do projeto, Torul Torulsson (o da esquerda, na foto acima). Na ativa desde 2010, o grupo vem lançando singles e álbuns por micro selos alemães (Low Spirit Recordings, Infacted Recordings), ganhou alguma rotação na MTV alemã com o vídeo stop-motion para a faixa "Try" (2011) e já está no quarto álbum (The Measure, lançado em Março deste ano). Não difere muito do synthpop germânico atual, mas explora bem as influências de tons cinza escuro de Torulsson (The Cure, Siouxie and the Banshees, Dead Can Dance) sem resvalar na caricatura, além de ter uma mão boa pra compor boas canções pop de plástico. Conheci a banda através de uma das faixas de The Measure, a ótima "Difficult To Kill" (também lançada como single). Os vocais de Jan Jenko são meio canastrões, mas a música é bem feitinha, algo entre The Twins e Clan Of Xymox - o que sempre tem boas chances de acertar em cheio os ouvidos de novos e velhos fãs de bandas dark/góticas que não dispensam o uso do sintetizador. Vale o confere.

"Try":



"Difficult To Kill":

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Caras Novas: Vök


Terra pródiga em bandas legais a Islândia. Vök é mais uma pra lista. Tem só dois anos e acaba de lançar Circles, o segundo EP (o primeiro, Tension, é de 2013), pela pequenina gravadora independente Record Records, sediada na capital Reykjavík. O som do trio formado por Margrét Rán (vocais, guitarra, teclados), Andri Már (saxofone, Akai APC) e Ólafur Alexander (guitarra, baixo) é um electropop em câmera lenta, com paisagens construídas por sintetizadores tão congelantes quanto um dia de noite absoluta no inverno do Círculo Polar Ártico. Um tempo atrás dava pra chamar de trip-hop que ninguém iria brigar.

Um dos trunfos do grupo da terra de Björk é a vocalista Margrét Rán. Canta muito. Mostra um controle invejável ao sussurrar e subir de tom muito rápido no curto espaço de uma tomada de fôlego ("If I Was"), fragilidade e potência ("Waterfall") e com a voz encharcada de reverb, bota um pé num dream pop que não dá sono ("Circles").

Com saxofones afiados atravessando o downtempo "Adrift", o Vök fecha com quatro faixas um EP que merece os 17 minutos da sua atenção. É mais ou menos o que o The Knife já fez bem - antes da dupla sueca lacrar sua trajetória com o pedante Shaking the Habitual (2013), ou seja, é um nicho que tá caindo de maduro pro Vök aproveitar. Potencial tem de sobra.

"Waterfall": a próxima grande banda islandesa?

segunda-feira, 4 de maio de 2015

New Islands


Dono de um dos melhores álbuns do ano passado (Singles), o Future Islands volta com um single de lado A duplo (no formato digital), The Chase/Haunted By You. Já existe a pré-venda de uma versão em vinil 7" (pela gravadora inglesa 4AD), com número limitado de 2,400 cópias e uma faixa de cada lado.

"The Chase" é mais próxima do electropop de Singles, com a habitual competência de William Cashion no baixo e os vocais apaixonados de Samuel Herring, enquanto "Haunted By You" flerta com o rock alternativo sem muitas firulas dos teclados. A banda tem agenda cheia até Setembro, com mais de 30 shows marcados até o momento.

A boa performance de "The Chase", no Letterman:

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Savage Garden


1997 foi um ano incrível pro pop. Pra facção que explorou a eletrônica experimental e/ou dançável (Depeche Mode, Chemical Brothers, Björk, The Prodigy e Daft Punk), a sofisticação do R&B (Tony Braxton) ou o dance-pop (Spice Girls), parecia improvável que, na contra mão disso tudo e buscando referências oitentistas numa época em que o revival dos 80 ainda nem estava pegando forte, o Savage Garden fosse vingar. Claro que o som tramado pelo vocalista Darren Hayes e o multi instrumentista Daniel Jones tinha quase nada a ver com as bandas acima, mas a dupla australiana debutou com um álbum que vendeu absurdamente (mais de 12 milhões de cópias, segundo a Billboard) e provou estar certa com sua proposta de nadar contra a maré pra retornar ao pop sem o menor pudor de reverenciar a década que o bom gosto esqueceu (como adoram citar os detratores). A ousadia valeu a pena. O disco de estreia, autointitulado, rendeu nada menos que oito singles. OK, cinco deles saíram apenas na Australia, Japão e em alguns países da Europa, mas é um bom termômetro pra sacar o potencial das canções. E Savage Garden, como produto pop, é sensacional. Entre esses singles, está minha faixa preferida da dupla, "To The Moon and Back". Tem um pouco de tudo aí - A-ha, INXS, Tears For Fears - e gruda fácil. Isso, somado ao apelo visual de Hayes, catapultou a banda aos primeiros lugares do difícil mercado americano, onde o single seguinte "Truly Madly Deeply", bateu no topo do Hot 100 da Billboard. Som cafoninha, mas delicioso.

"To The Moon and Back": pop irretocável.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Shainirô


Cria do produtor alemão Tim B., o Satin Jackets vem numa onda indie dance/electropop com sua nova "Shine On You" - que até parece coisa vinda da Austrália, tipo Cut Copy de boa cepa. Verão chega daqui a pouco no Hemisfério Norte, taí uma boa candidata a hit.

"Shine On You": o verão dos sonhos na gelada Alemanha.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Kate Cat


Não tem definição melhor pro som do trio sueco Kate Boy que electropop. É pop, é eletrônico e é bem interessante. Seu EP autointitulado acabou de sair pelo selo britânico Fiction Records (lar do The Cure por mais de 20 anos) e traz canções já editadas em single: das cinco faixas, só "Higher" é inédita. "Northern Lights" e "The Way We Are" (ambas muito boas) são de 2013 e a melhor do pacote, "Self Control", é do ano passado. O EP precede o álbum Human Equal Evolve One, que deve sair ainda neste semestre. Kate Boy, o EP, me entusiasmou mais do que tudo que o hypado CHVRCHES já gravou até hoje. A ótima "Self Control" está no vídeo abaixo, com os vocais da australiana Kate Akhurst - que além de cantar bem, é gata demais da conta.

"Self Control": pop promissor.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Jimmy Solo


Colaborador do Disclosure (foi um dos compositores de quatro singles do álbum Settle, de 2013), do recentemente grammyado Sam Smith (coautor e coprodutor do hit "Stay With Me"), além de Mary J. Blige e Jessie Ware, o londrino Jimmy Napes (nome verdadeiro: James Napier) debuta com o single "Give It Up", que deve estar no EP The Making of Me, programado pra Março. Com o bom falsete de Napes, "Give It Up" é um pop eletrônico e ganchudo, muito acima da média dos primeiros lugares das charts.

"Give It Up": hit em potencial.

sábado, 3 de maio de 2014

Danse Avec Élégance


O duo inglês Alpines prepara-se pro lançamento do primeiro álbum (Oasis, 26 de Maio), depois de dois EPs (Night Drive, 2011 e Early Hours, 2012). A despeito de suas primeiras produções, com tons de cinza mais evidentes (trip-hop era uma tag comum ao som da dupla), o novo single "No Other Love" vem um tanto mais caloroso e dançável, mas com uma elegância que lembra a Sophie Ellis-Bextor dos bons tempos. O guitarrista e produtor Bob Matthew usou aquele timbre infalível de órgão do sintetizador Korg M1 (presente nos hits de Robin S) e a vocalista Catherine Pockson faz seu trabalho direitinho. Fora que ela tem um shape de crescer o olho. Sempre ajuda.

"No Other Love": Alpines pronto pra virar hit.

terça-feira, 11 de março de 2014

Quem Bate?


Não tem ruim pro The Knocks: Ben Ruttner e James Patterson já remixaram tranqueiras como Two Door Cinema Club (“Sleep Alone”), já meteram a mão em coisa boa (Santigold e sua “The Keepers”), e já dividiram o palco com gente tão diferente e estranha quanto Deadmau5, Skrillex, M.I.A., Tiësto e Weezer.


O mais novo EP da dupla nova-iorquina acabou de sair, e traz quatro faixas de bom pop eletrônico, dançável e assobiável. A razoável "Dreaming" é compensada pela viajandona "Savior", cheia de bleeps de techno antigo e vocais sonolentos de Wes Miles (do indie Ra Ra Riot). "The One" (participação dos australianos do Sneaky Sound System) é uma ótima sugestão para a pista, mas a melhor do pacote é a faixa título "Comfortable", com sua linha de baixo engrenada, refrão certeiro e um esperto vídeo de perversão blasé. Um dos bombons pop do primeiro trimestre.

"Comfortable": "all my shameful intentions."

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Aussie Hit

Sparro e Bloxsom: hit em potencial.
Não costumo acertar previsões. Ano passado, apostei minhas fichas numa track do JBAG ("Mogadisco"), porque aquilo me cheirava a hit fácil, uma house chicletosa que pegaria tão rápido quanto enjoaria. Bom, ziquei o negócio, por que não aconteceu nem uma coisa, nem outra: a música apareceu discreta em alguns sets mixados, numa coletânea da Kitsuné, e só.


Dessa vez vai ser diferente. Acontece que o produtor australiano Felix Bloxsom (Plastic Plates) chamou o figuraça (e conterrâneo) Sam Sparro pra cantar maravilhosamente num electropop que tem tudo pra estourar. Trata-se de "Stay In Love", um momento pop ímpar nesse começo de ano, vindo de um país que empilha bons nomes na cena dance/eletrônica atual: a Austrália.

Devo estar exageradamente empolgado, mas achei a música ótima. E se isso aqui não for hit massivo, não entendo mais nada.

"Stay In Love": vai pro trono?

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Caras Novas: Juan Soto

A produção ainda é parca, mas já dá pra sacar que o mexicano Juan Soto (na ativa desde 2010) tem uma mão boa pra sintetizadores e noção rítmica suficiente pra tornar suas faixas hits de pista em potencial.


Seu lançamento mais recente é o synthpop "Cosmológica", algo nostálgica com seus vocais robóticos, mas com cheirinho de coisa nova vindo da combinação acertada da linha de baixo mecânica com a batida forte da caixa em primeiro plano.

Disponível pra download legal na página do Soundcloud de Juan. De olho.

"Cosmológica": enigmática, problemática y frenética.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Extorquindo Pixies


Pra deixar os fãs do Pixies de cabelo em pé: ouve a versão que a dupla belga Shindu fez de um dos clássicos da banda norte-americana de rock alternativo, "Gouge Away". A recriação sintética da fantástica linha de baixo original e a muralha de distorção convertida em timbres tensos de sintetizador já valeram a ousadia. Fora o que ficou dançável isso aí...

"Gouge Away": nem vem com essa de "do vinho pra água".

sábado, 9 de novembro de 2013

Coito Interrompido


 Ouvi metade de "Aura", primeira faixa de Artpop - pretensioso título do novo disco da Lady Gaga - e parei. Não consegui ouvir o resto do álbum. Estou perdendo alguma coisa?

"Aura": só conheço metade.



Update: acabei de ouvir e é insuportavelmente chato mesmo.