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quinta-feira, 30 de março de 2017

Novidades do Futuro


Se você perdeu o álbum mais recente do Future Islands (Singles, 2014), é uma boa hora de conhecê-lo, já que o trio de Baltimore está prestes a lançar seu quinto de inéditas The Far Field dia 07 de Abril e é uma excelente introdução ao som da banda. Antecedendo o novo disco, dois singles já deram uma amostra do que está por vir, "Ran" e "Cave". A boa notícia é que o grupo não mudou nada na sonoridade mezzo tecladeira synthpop mezzo baixões post-punk, com bateria orgânica e refrãos vigorosos entoados apaixonada e visceralmente pelo vocalista Samuel Herring. Mais oito faixas nesse nível e já tenho um sério candidato a disco do ano.

"Ran":



"Cave":

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Melhores de 2016 - Discos (#01: Trentemøller)


"Eu simplesmente amo a ideia de que você pode construir este mundo imaginário com música. Para mim, a música é ficção. Não é apenas algo que existe separadamente da realidade. A ficção é a realidade irreal. Ambos se pertencem e são um só. Eu acho que a ficção e a música podem ser usadas para confrontar e criticar a realidade, mas também para escapar dessa mesma realidade. E essa é a beleza disso."

Assim o produtor dinamarquês Anders Trentemøller definiu Fixion, quarto álbum de sua carreira iniciada há pouco mais de dez anos com o impressionante debut The Last Resort, de 2006. Se na sua estreia Trentemøller já exibia uma paleta de cores granulado-escurecidas espalhadas pelo seu downtempo minimal, em Fixion a monocromia toma conta das telas. O darkismo à que o autor submete suas composições revela um elo perdido entre Faith, do The Cure (1981) e o último álbum do Röyksopp, The Inevitable End, de 2014 (que a cantora Robyn sentenciou como "triste, mas não frio"). Fixion, porém, é tudo isso. Triste, frio, nublado, denso. Ondas geladas de sintetizadores castigam canções como a abertura "One Eye Open" (emoldurando os ótimos vocais da também dinamarquesa Marie Fisker); andando lado a lado com os tons menores da guitarra em "Never Fade" e finalmente surgindo ameaçadores na angustiante "Sinus". No ótimo single "River In Me" (com vocais de Jehnny Beth, do Savages), baixo e bateriam duelam entre si enquanto os teclados aparecem mais discretos com um riff de sopro encaixando-se na melodia, mas o estado de ansiedade criado pelos synths volta com força na faixa seguinte, a lúgubre "Phoenicia". O clima de isolamento, intenso e pessoal, ronda a maioria do disco e atinge níveis de beleza e encantamento sublimes, em faixas como a instrumental e hipnótica "November" e a etérea "Where The Shadows Fall". A sufocante "Spinning" (mais uma vez com vocais de Marie Fisker - que sugerem uma Elizabeth Fraser nórdica) aumenta a sensação de afastamento; resultado duplicado pela percussão eletrônica lenta e ritualesca e a profusão de timbres de tonalidade cinzenta dos sintetizadores - os mesmos que acompanham Jehnny Beth no pós-punk "Complicated", sua última aparição no álbum.

Fixion é um disco de eletrônica visceral aparentemente menos complexo musicalmente que seus lançamentos anteriores, mas que, por outro lado, facilitam a vida de Trentemøller no palco - e isso tem se mostrado extremamente positivo em sua turnê recente, com shows lotados pela Europa - em que reproduzir o rock gótico imaginado e concebido pelo produtor no álbum torna-se uma tarefa menos árdua e mais natural. Fixion, o disco e a tour, são vencedores. E evidenciam que Trentemøller, entregue sem medo à experimentação e simultaneamente ao tino pop, é um dos grandes músicos/produtores da atualidade. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#16: SOHN)


Músico, compositor e produtor, SOHN (o britânico Christopher Taylor) debutou em 2014 com um bom álbum (Tremors) e um single fantástico ("Artifice"). Tremors deixou a sensação que SOHN pode chegar mais longe (leia-se tocar nos players de mais pessoas sem diluir o som) e a julgar pelas três pistas que ele deixou em 2016 (uma delas, "Signal", tem participação de Milla Jovovich no vídeo), é bem provável que isso aconteça no próximo disco, que sai ano que vem. A ótima "Conrad" - que também foi lançada como single - mantém o cuidado com os vocais, emoldurados pelo beat sexy do R&B sintético e um tiquinho experimental de SOHN. Sempre é bom ouvir canções pop desse nível, melhor ainda ver um artista novo arriscando direcionar o gênero para lugares menos iluminados sem soar excessivamente abstrato ou árido.

sábado, 22 de março de 2014

Futuro no Presente


Não ouvi os álbuns anteriores do Future Islands. Aliás, até esse Singles cair no meu HD, nunca tinha sequer ouvido falar na banda da Carolina do Norte. O álbum - que está sendo lançado oficialmente na próxima terça-feira, dia 25 - já é o quarto da discografia do trio, que no começo deste ano, assinou com a 4AD. Não dá pra dizer que são estranhos no ninho da gravadora inglesa, já que o pop eletrônico urdido pelo grupo encontra pares como Twin Shadow e Grimes sob as asas do selo.


 Pra você ver como o divisão A&R da 4AD não está de bobeira, como eu. Porque esse pessoal certamente ouviu os trabalhos anteriores do Future Islands e percebeu ali duas coisas fundamentais pra alguém que almeja sair do anonimato musical: talento e viabilidade comercial.

Singles - juro que não é exagero - vai ser provavelmente o melhor disco synthpop de 2014. Tem muitas qualidades pra isso. São dez faixas e menos de uma hora de duração que não enjoam de jeito nenhum, nem que você clique no repeat sem se importar - como eu estou fazendo há dois dias. Já ouvi perto de dez vezes e não consigo encontrar uma faixa pra falar mal. Não é uma coletânea, como o nome sugere, mas a assombrosa homogeneidade é tamanha, que está tudo nivelado por cima, sem arestas a aparar.

 Com características, trejeitos e um timbre singular, Samuel Herring é um vocalista absolutamente original. Com o ritmo e o tom emotivo (que passa longe da pieguice) que imprime em todas as canções, Herring fica lado a lado dos inimitáveis Martin Fry e Mark Hollis, o que, num gênero em que soar como o barítono Dave Gahan parece ser o objetivo de quem tem o microfone nas mãos, não é pouca coisa.

Tente não ficar inebriado com o impressionante trabalho do cantor em "Like The Moon":

O primeiro single e faixa de abertura do álbum, "Seasons (Waiting On You)", traz consigo outro padrão estabelecido pelo Future Islands: as linhas de baixo com vida própria, livres do estigma New Order, perseguido à exaustão pela geração atual. No vídeo abaixo, a recente apresentação da banda no Late Show de David Letterman, na arrepiante performance de "Seasons":


Com a riqueza instrumental e os arranjos sempre dispostos a arriscar metais (mesmo que seja o trompete sintetizado de "Sun In The Morning" e "Doves") e cordas (na belíssima levada de violões casada com o baixo propulsor de "Light House"), o trio abusa da elegância e bom gosto nas composições, algo como um encontro imaginário entre Anne Dudley e Roxy Music.

Singles é a fusão do synthpop oitentista sem cheiro de naftalina com indie rock sem afetação, nunca dispensando formalmente o uso da guitarra ("Back In The Tall Grass", "A Dream Of You And Me"), nunca deixando a máquina assumir o controle (vide os sintetizadores habilmente contidos em "Spirit" e "A Song For Our Grandfathers").

Vão ser grandes, anota aí.

"Light House": cellos e sintetizadores entrelaçando-se. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Sombra da Luxúria



Primeiro, a apresentação: em 2009, o sueco Hannes Norrvide juntou-se à alguns amigos que estavam formando uma banda punk, mas logo decidiu fazer música sozinho com seu sintetizador. Os primeiros experimentos do Lust For Youth eram extremamente barulhentos e direcionados para o gótico / darkwave. Depois de alguns compactos de sete polegadas e cassetes lançados, Norrvide chegou ao álbum de estreia em 2011, Solar Flare. Após o lançamento do disco e com uma série de shows previstos, Loke Rahbek foi chamado para os vocais. A dupla então muda-se da Suécia para a Dinamarca e chega ao segundo disco ano passado (Growing Seeds). Em 2013, mais um álbum: Perfect View sai em Julho.


É - até agora - um dos lançamentos mais instigantes e curiosos do ano, no campo da eletrônica. 
Pós-punk de tons enegrecidos que dispensa formalmente o uso da guitarra em favor de sintetizadores minimalistas, baterias eletrônicas toscas e vocais quase soterrados na mixagem, despejados como se fossem palavras de ordem. Isso quando há vocais. Das dez faixas de Perfect View (contando a bônus track da edição em CD), três são instrumentais - e esse é o primeiro ponto: essas canções são preenchidas com samples ininteligíveis de vozes enigmáticas falando sabe-se lá sobre o quê. Em "Barcelona", lembra um diálogo extraído de algum filme e em "Perfect View", são exclamações orgasmáticas mixadas com um discurso obscuro nos seus quase oito minutos de sintetizadores em círculos. "End" é quase uma vinheta, intermináveis noventa e oito segundos de aflição que acabam misteriosamente. "Image" também é curta na duração, com teclados exagerados e bumbo que faria Stephen Morris do New Order ficar coçando o queixo. A voz atormentada de Loke Rahbek surge nas canções como uma pregação às avessas, esbanjando melancolia. É o que se ouve no single "Breaking Silence", um synthpop de timbres limpos e flutuantes - bem diferente da opaca "Another Day". Uma virtude no som do Lust For Youth (ou defeito, depende do ponto de vista), que pode gerar encantamento e antipatia em doses iguais, é a estranha inclinação do duo em afundar boas melodias sob irritantes zumbidos e distorção ("Vibrant Brother", "I Found Love"), o que pode ser indício de uma provocação aos moldes do precursor Jesus & Mary Chain. Entre otimista e despedaçado, o disco encerra com o onipresente Ian Curtis acenando na curta letra declamada à força de "I Found Love In A Different Place".

Olha,
Perfect View soa estranhamente sedutor, econômico nos arranjos e honesto na intenção. É um tanto doloroso, mas tem momentos de beleza inquestionável. Vale a experiência.

"Breaking Silence": para não apreciar o silêncio.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

No Pescoço


Deixa ver se eu entendi: esse Bastille é uma espécie de simbiose entre o Coldplay e Florence and The Machine, com cara de indie moderninho? Mas que mistura mais indigesta. A estréia da banda, Bad Blood, debutou em primeiro lugar na Inglaterra, mês passado. Letras rasas, instrumental grandiloquente. É o disco com mais côros "ôôôô-ôôôô" do ano, ninguém tasca. E haja paciência.

"... I don’t want to hear about the bad blood anymore...". Nem eu.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Harakiri Indie


Rapái, quequié o Four, disco novo do Bloc Party? Suicídio comercial? Nem o primeiro single ("Octopus") tem cheiro de hit. Tem lá seu riff masturbatório de guitarra e uns "uh-uh" nos backing vocais, mas passa longe do apelo de faixas tipo "Banquet" ou "Two More Years". Aceitação popular refletida nas paradas: "Octopus" bateu apenas no número 121 da UK chart no começo de Julho. E isso prova alguma coisa? Absolutamente nada. Já li que Four apenas repete fórmulas passadas, que soa como autoplágio, etc... Buenas, nunca fui um baita fã do Bloc Party, então só lembro de um ou outro hit da banda. Consequentemente, não tenho como ficar comparando esse disco com seus trabalhos anteriores, por que nem lembro se já ouvi algum álbum antigo na íntegra. O resultado? Four soou maravilhosamente pra mim.


Tem peso, caos, tensão, alívio, velocidade, agressividade e guitarras. Muitas guitarras. Ouça "3X3" e me diga se isso não é a cara do Faith No More fase Angel Dust? E aquele solo de "Kettling"? Caberia no repertório do Eddie Van Halen? E mesmo pra quem tem saudade daquele Bloc Party indiezinho e feito pra dançar no seu inferninho preferido, vai encontrar em "V.A.L.I.S" e "Truth" uma ótima trilha pra balançar a franja. A adocicada "Day Four" deve ser o próximo single, mas não sei se isso vai fazer diferença. Pra mim valeu mesmo a ousadia das faixas mais nervosas, as palhetadas bem executadas nas seis cordas e um Kele Okereke cantando bem pra cacete. Foda-se o Pitchfork.

"Octopus": rock à oito braços.

sábado, 2 de outubro de 2010

Era Uma Vez No Oeste


Alguém pode me dizer que tipo de cogumelo os ingleses do The Coral estão usando nas suas infusões das cinco da tarde? Tudo bem que a banda existe desde 1996 e Butterfly House (lançado em Julho) já é o sexto disco dos caras, mas o que explica o fato deles soarem como o America em 1976? O que temos aqui é um country rock com pinceladas de psicodelia de harmonias vocais impecáveis e violões empoeirados sendo cuidadosamente dedilhados por todas as faixas. O disco é lindo, e se comerciais de cigarro ainda fossem permitidos na TV, o The Coral seria candidato a fornecer a trilha pro Marlboro. Com cowboy e tudo.

"1000 Years", o primeiro single de 'Butterfly House'. Não, eu também não entendi o vídeo.



 

domingo, 27 de junho de 2010

A Piada Mortal

Essa é ótima: o Killing Joke, seminal grupo do pós-punk inglês volta ao estúdio com a formação original, algo que não acontecia desde 1982. De pouco sucesso comercial mas de influência enorme no cenário do rock industrial/alternativo/eletrônico (de Nine Inch Nails e Ministry à Faith No More e Korn) e do metal (o Metallica coverizou "The Wait" no seu EP Garage Days Re-Revisited de 1987). O Killing Joke fez a cabeça até do Nirvana, que usou a faixa "Eighties" como fonte de inspiração para compor "Come As You Are" (fato admitido no tribunal por Kurt Cobain, algum tempo depois do Killing Joke reclamar judicialmente): 

Compare a introdução de "Eighties" e "Come As You Are":



Enquanto um álbum de inéditas está sendo preparado (Feast Of Fools, marcado para Setembro), o quarteto formado por Jaz Coleman (vocais e teclados), Geordie Walker (guitarras), Martin "Youth" Glover (baixo) e Paul Ferguson (bateria), antecipa o que deve vir no novo álbum com o EP In Excelsis, lançado agora em Junho. Com canções extraídas das recentes sessões de gravação de Feast of Fools, o EP traz cinco faixas, que vão do rock vigoroso e a bateria dançável de Ferguson em "Kali Yuga" e na faixa-título (com a garganta no limite e o inconfundível timbre de lixa de Jaz Coleman), passando pelo tradicional clima apocalíptico da banda e os riffs nervosos da guitarra de Walker em "Endgame" e o ótimo reggae "Ghost Of Ladbroke Grove", que ganha uma versão dub no EP para o prolífico Youth provar por que é um baixista de mão cheia (com o perdão do trocadilho fraco).

Nota: 9
Pra quem gosta de: PIL, RammsteinCabaret Voltaire, Echo & The Bunnymen
Links: site oficial, MySpace

"Kali Yuga" ("Era de Ferro") é um tema que aparece nas escrituras Hindus, e simboliza a era em que vivemos, identificável por quatro características: a intoxicação, a prostituição, a matança de animais e destruição da natureza e a jogatina. Não estranhe o tema vindo da cabeça obcecada pelo ocultismo de Jaz Coleman. Ouça: