Mostrando postagens com marcador Suécia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Suécia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Ace Of Base


Imagina o tamanho do pepino pros suecos do Ace Of Base: como gravar um disco depois do sucesso absurdo do debut Happy Nation (1993, mais de 20 milhões de cópias vendidas)? O caminho mais fácil seria manter a pegada reggatta de blanc que tornou singles como "All That She Wants" e "The Sign" imensamente populares mundo afora. Mas não foi isso que aconteceu. O segundo álbum, The Bridge (lançado em 1995), veio - em boa parte das faixas - introspectivo, emocional e por vezes, melancólico. Com a produção um passo a frente - mais sofisticada e experimental - The Bridge ainda assim vendeu um terço de seu antecessor, o que não é exatamente um fracasso.

Desse álbum, saiu o single "Beautiful Life": pop altamente dançante, com backing gospel, riff de piano eufórico e harmonia vocal na melhor tradição escandinava de ABBA e Roxette. Artistas como Lady Gaga, Katy Perry e Robyn citam o Ace Of Base como influência e se o grupo não deixou (até agora) nenhum álbum realmente memorável, basta lembrar da penca de singles incríveis que o quarteto enfileirou. Sai de baixo.

"Beautiful Life": Michael Jackson, em pessoa, aplaude o playback.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Secret Service


Tem tudo pra ganhar sua antipatia: uma canção que se chama "Oh Susie" e uma banda chamada Secret Service.


"Oh Susie" é o primeiro single do grupo sueco, lançado em 1979. Ficou 14 semanas em primeiro lugar na parada local, depois virou hit mundo afora. Aqui no Brasil saiu nessa versão sete polegadas acima. A faixa pega carona em alguns bondes da época: o emergente technopop, uma levadinha disco, soft rock, new wave. Gosto muito dos sintetizadores e o refrão dá pra decorar na primeira audição. Estranhamente constrangedora, datada. Na pista, a reação quase sempre é um misto de incredulidade e contentamento. O ex-vocalista da banda, Ola Håkansson, fundou a Stockholm Records em 1992, lançando nomes como The Cardigans. O que o redime, um pouco, dos pecados cometidos durante o período de atividades de sua banda.

"Oh Susie": "... we were much too young..."

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Roxette


Vestidos para o sucesso, mas por puro acaso. O Roxette já era bem popular em sua terra natal, a Suécia, na segunda metade da década de 80, mas ainda não havia atingido as paradas internacionais. Calhou de um estudante americano levar uma cópia do recém lançado segundo álbum da banda, Look Sharp! (1988) para os Estados Unidos e entregar para uma rádio de Minneapolis, que passou a tocar o single "The Look". A faixa se espalhou rapidamente para outras estações, popularizando o Roxette na América e forçando a EMI a lançar o álbum por lá no ano seguinte, o que fez a dupla formada por Marie Fredriksson (vocais) e Per Gessle (vocais e guitarras) emplacar quatro singles pelo resto do mundo ("The Look", "Dressed for Success", "Listen to Your Heart" e "Dangerous") - dois deles no lugar mais alto do paradão da Billboard.

Com um apuro técnico invejável e um compositor pop brilhante (Per Gessle), o Roxette cravou várias canções em paradas e segmentos diferentes (pop, adulto-contemporâneo, dance). O crossover "Dressed for Success", por exemplo, invadiu rádios e pistas na virada 80/90 - tanto que ganhou um 12 polegadas com remixes em 1990. É pop perfeito feito por um duo que é herdeiro direto do ABBA, de refrãos eternos, hits inesquecíveis e um talento impressionante para direcionar sua música para o single - apesar de Look Sharp! ser bem apreciável (uma das minhas preferidas do disco, "Paint", nem foi single). O grupo continua excursionando e lançou seu álbum mais recente (Good Karma) ano passado.

"Dressed for Success": pop perfeito.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Kate Cat


Não tem definição melhor pro som do trio sueco Kate Boy que electropop. É pop, é eletrônico e é bem interessante. Seu EP autointitulado acabou de sair pelo selo britânico Fiction Records (lar do The Cure por mais de 20 anos) e traz canções já editadas em single: das cinco faixas, só "Higher" é inédita. "Northern Lights" e "The Way We Are" (ambas muito boas) são de 2013 e a melhor do pacote, "Self Control", é do ano passado. O EP precede o álbum Human Equal Evolve One, que deve sair ainda neste semestre. Kate Boy, o EP, me entusiasmou mais do que tudo que o hypado CHVRCHES já gravou até hoje. A ótima "Self Control" está no vídeo abaixo, com os vocais da australiana Kate Akhurst - que além de cantar bem, é gata demais da conta.

"Self Control": pop promissor.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Sete Bilhões De Almas Solitárias


Saiu em Fevereiro, descobri essa semana. Pop song sueca quase irretocável, "People Are Lonely" reúne o Gravitonas e os veteranos do Army Of Lovers (as bandas tem membros em comum). No duelo de vozes, parte dos vocais em falsete quase estraga a faixa pelo excesso de teatralidade. Mas no final, o saldo é positivo. Meu pé batendo involuntariamente no chão atestou isso.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Avicii e o Pé De Feijão


A ideia era boa. Não propriamente nova, mas boa.


A sacada do novo queridinho das pistas, o sueco Avicii, no seu debut True, era fundir uma sonoridade country/folk com beats e texturas eletrônicas. Vejo duas boas razões pra isso: ou é uma tentativa de fugir da vala comum que se tornou a dance super exposta de hoje em dia, ou é uma maneira de aumentar sensivelmente o nível de popularidade baseado numa fusão populista de dois gêneros desgastados, fazendo-os soar como uma coisa nova, fresquinha. E olha, teria funcionado melhor, se Avicii não usasse sua habilidade na produção pra criar bases manjadas, distorções sintéticas típicas do trance mais rasteiro, progressões de acorde primárias, fogos de artifício sonoros. São pilhas e mais pilhas de clichês amontoados, desperdiçando o que poderia, talvez, ter soado digno musicalmente (difícil), se a busca frenética pelo próximo hit (fácil) que vai deixar o povo suarento da Tomorrowland de mãos pra cima, não tivesse posto tudo a perder.

Não precisa ouvir mais do que a faixa de abertura, "Wake Me Up", pra entender. Uma espécie de Billy Ray Cyrus da EDM canta sobre a levadinha simpática de violão tocada por Mike Einziger, do Incubus (sério!), e a coisa parece que vai dar liga... mas Avicii não se contém. Atropela a canção com um riff de sintetizador que parece tema de festa junina eletrônica. A mesmíssima coisa em "You Make Me": marcação forte de piano destruída por um riff de teclado de uma nota só, repetida até passar do limite do suportável. "Hope There's Someone", "Dear Boy", "Edom"... todas tem mais desses synths sem imaginação, essa euforia ensaiada, essa produção que emparelha tudo num nível David Guetta: sem personalidade, sem um pingo de criatividade, uma papagaiada que só repete fórmulas que chegaram alto nas charts (taí o Swedish House Mafia que não me deixa mentir).

Tem que comer muito feijão, Avicii.

"Wake Me Up": "_ Agora, mãos pra cima, pessoal!"

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pryda (In The Name Of House)

Prydz, pagando um pau pro Depeche Mode.
Eric Prydz equilibra-se na corda bamba que é o seu som. Já chupou na cara dura o hit "Valerie", de Steve Winwood, pra montar sua fraquinha "Call On Me" (2004, número #1 numa pá de lugares), já teve peito pra jogar "Another Brick In The Wall" no liquidificador e chamar o remix de "Proper Education" (2007), como se fosse uma faixa nova, (número #2 no paradão inglês e David Gilmour feliz ouvindo o tilintar das moedas). Ultimamente Prydz tem trabalhado com um pessoal de respeito (Depeche Mode, Digitalism, Felix Da Housecat, M83), o que alivia um pouco a barra do sueco.

E tem esse alter ego do Prydz, o tal Pryda. Com esse projeto, ele lançou pelo menos uma bela faixa ("Pjanoo", 2008). "Lycka" é o novo single do Pryda. Progressive house com breaks clichê, teclados galopantes, bleeps estratégicos e aqueles sons de jato partindo rumo ao horizonte festeiro de alguma Tomorrowland da vida. O lado B, "F.A.T.", poderia ser a faixa principal que daria no mesmo. Nada de novo no reino da Suécia.

"Lycka": linha tênue.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Em Círculos


O The Field já teve - pra mim, bem claro - momentos de magia concentrada e hipnose pura. A saber, em dois de seus quatro álbuns: From Here We Go Sublime (o debut, de 2007) e a consolidação com o terceiro disco Looping State of Mind, de 2011. Mas acho que agora deu. Disposto a levar minimalismo, drone, compressão, samples e loops às últimas consequências, o sueco Axel Willner fez do seu novo disco Cupid's Head, uma ode à chatice. E haja boa vontade pra atravessar seis looooongas faixas em que o techno do The Field anda cambaleante e em círculos o tempo todo. É de ficar tonto.


Estranhamente, são faixas de bumbo inalteradamente reto (com exceção ao exercício vocal fim da linha de "No. No..."), mas o impacto que elas causam é algo que não supera a vontade de levantar do sofá. Stephen Hawking definiria como "o triunfo da inércia sobre a cinemática".

Tô realmente curioso pra ler uma resenha de alguém que manje do riscado - porque minha opinião é superficial e talvez imediatista - e que se disponha a defender Cupid's Head com argumentos convincentes. Eu não consegui ouvir inteiro duas vezes.

Como não deu pra embedar, dá pra ouvir a faixa título e também primeiro single "Cupid's Head", lá na página da Kompakt no Soundcloud.

Update: a Kompakt liberou o áudio de "Cupid's Head" no Youtube:

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Army Of Lovers


Se você não acompanhou a trajetória do Army Of Lovers de 1987 até agora, saiba que não perdeu muita coisa. O erotismo burlesco e o pop dançante de altíssimo teor camp está bem representado na recém lançada coletânea Big Battle of Egos, que compila 16 faixas dos 26 anos de carreira do grupo sueco. Mas o que realmente vale a pena, caberia num EP. A saber: a boa italo-disco "Signed On My Tattoo" (uma das quatro inéditas presentes no álbum), a refrescante "My Army Of Lovers" (digna de figurar em alguma edição da série Café Del Mar), a house "Ride The Bullet" e a melhor da leva, a ótima "Obsession".


O single "Obsession" foi lançado em 1991, foi bem nas paradas europeias, mas não chegou nem perto de ser popular na Inglaterra ou Estados Unidos, ficando praticamente restrito à execução nos clubs. Aqui o Army Of Lovers acerta um belo refrão (sussurrado pelo vocalista Alexander Bard), usa uma base vocal em staccato inspirada em "O Superman" de Laurie Anderson e garante que os pés se movimentem na pista com um corpulento groove Soul II Soul. Não foi o maior hit da banda ("Crucified" mantém o posto), mas com certeza é sua melhor música.

"Obsession": sexy e cafona.
 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Segunda Class: Agnetha Fältskog



Nunca aprendi a pronunciar o nome de Agnetha Fältskog. Uma das vocalistas desta instituição chamada ABBA (a outra era Anni-Frid Lyngstad), Agnetha não lançava um álbum de material original desde 1987. A é o quinto disco gravado em inglês pela cantora (os outros são em sueco), dos dez que ela totaliza solo.

Pule algumas faixas com excesso de sacarose ("The One Who Loves You Now", "Past Forever", "I Keep Them On the Floor Beside My Bed"), e sobram boas canções pop: baladas meia-luz evocando a candura de um Carpenters munido de baterias eletrônicas e produção apurada ("I Was a Flower", "Bubble"), ou um soft rock próximo da perfeição técnica do Fleetwood Mac ("I Should´ve Followed You Home", "Perfume In the Breeze"). Pra quebrar o gelo nórdico, ela ainda arrisca uma disco que não faria feio no catálogo de sua ex-banda ("Dance Your Pain Away").

O melhor de tudo, no entanto, é constatar que aos 63 anos, a voz de Agnetha Fältskog está inacreditavelmente intacta. Limpa e cristalina, como se fosse 1978. E pra começar a semana, A cai bem.

"Dance Your Pain Away": disco elegante.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Quarta do Sofá: Roxette



 Herdeiro direto da perfeição técnica direcionada ao single do ABBA, os também suecos do Roxette empilharam hits no final dos 80 e começo dos 90. A dupla vendeu mais de 60 milhões de discos em uma carreira que dura até hoje. Autores de alguns dos rocks mais canalhas dos 90 ("Joyride", "How Do You Do!", "Sleeping In My Car"), Marie Fredriksson (vocais) e Per Gessle (guitarra e vocais) se davam bem mesmo com as baladas açucaradas e, justiça seja feita, de refrões inesquecíveis.


"Queen Of Rain" é um single de 1992 e, para o padrão Roxette, nem teve um desempenho brilhante nas paradas. Mas como tudo que o duo lançava na época virava sucesso, as rádios martelaram por meses essa faixa extraída de Tourism, um álbum composto por lados B ao vivo e inéditas de estúdio. Uma tonelada de sintetizadores, violões dedilhados e um simpático oboé fazem de "Queen Of Rain" uma canção especialmente bonita.

"Queen Of Rain": Fredriksson afinada.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Sombra da Luxúria



Primeiro, a apresentação: em 2009, o sueco Hannes Norrvide juntou-se à alguns amigos que estavam formando uma banda punk, mas logo decidiu fazer música sozinho com seu sintetizador. Os primeiros experimentos do Lust For Youth eram extremamente barulhentos e direcionados para o gótico / darkwave. Depois de alguns compactos de sete polegadas e cassetes lançados, Norrvide chegou ao álbum de estreia em 2011, Solar Flare. Após o lançamento do disco e com uma série de shows previstos, Loke Rahbek foi chamado para os vocais. A dupla então muda-se da Suécia para a Dinamarca e chega ao segundo disco ano passado (Growing Seeds). Em 2013, mais um álbum: Perfect View sai em Julho.


É - até agora - um dos lançamentos mais instigantes e curiosos do ano, no campo da eletrônica. 
Pós-punk de tons enegrecidos que dispensa formalmente o uso da guitarra em favor de sintetizadores minimalistas, baterias eletrônicas toscas e vocais quase soterrados na mixagem, despejados como se fossem palavras de ordem. Isso quando há vocais. Das dez faixas de Perfect View (contando a bônus track da edição em CD), três são instrumentais - e esse é o primeiro ponto: essas canções são preenchidas com samples ininteligíveis de vozes enigmáticas falando sabe-se lá sobre o quê. Em "Barcelona", lembra um diálogo extraído de algum filme e em "Perfect View", são exclamações orgasmáticas mixadas com um discurso obscuro nos seus quase oito minutos de sintetizadores em círculos. "End" é quase uma vinheta, intermináveis noventa e oito segundos de aflição que acabam misteriosamente. "Image" também é curta na duração, com teclados exagerados e bumbo que faria Stephen Morris do New Order ficar coçando o queixo. A voz atormentada de Loke Rahbek surge nas canções como uma pregação às avessas, esbanjando melancolia. É o que se ouve no single "Breaking Silence", um synthpop de timbres limpos e flutuantes - bem diferente da opaca "Another Day". Uma virtude no som do Lust For Youth (ou defeito, depende do ponto de vista), que pode gerar encantamento e antipatia em doses iguais, é a estranha inclinação do duo em afundar boas melodias sob irritantes zumbidos e distorção ("Vibrant Brother", "I Found Love"), o que pode ser indício de uma provocação aos moldes do precursor Jesus & Mary Chain. Entre otimista e despedaçado, o disco encerra com o onipresente Ian Curtis acenando na curta letra declamada à força de "I Found Love In A Different Place".

Olha,
Perfect View soa estranhamente sedutor, econômico nos arranjos e honesto na intenção. É um tanto doloroso, mas tem momentos de beleza inquestionável. Vale a experiência.

"Breaking Silence": para não apreciar o silêncio.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

As Dores Do Mundo


Se você nunca ouviu falar, vale a pena conhecer: o sueco Jäje Johanson apareceu no meio dos 90 com um punhado de canções dolorosamente românticas envoltas num adverso clima em preto e branco; nublado, desesperançado. Não é à toa que Jay-Jay aparece na capa de seu terceiro disco (Poison, 2000) com um corvo ao seu lado. Seu vocal límpido inclina-se para o jazz no fundo do poço de Bing Crosby, elegante, mas à centímetros da suntuosidade ("So Tell The Girls That I Am Back In Town"). Felizmente, ele nunca ultrapassou essa linha. Não que eu tenha ouvido. Best of 1996-2013 cobre os singles do cantor, do início da carreira até agora. Na coletânea, percebe-se que Johanson fica à vontade em meio à rocks sujinhos e distorcidos ("Keep It A Secret"), house ("Because Of You"), jazz ("Dilemma") e pop ("Paris"), mas é a tag trip-hop que mais carimbou seu trabalho (a melhor da leva é a sensacional corta-pulsos "Believe In Us"). O saldo positivo é que suas canções tem a mesma intensidade e carga emocional, esteja ele acompanhado apenas de um piano (como na linda "On The Other Side") ou da complexidade das batidas do drum'n'bass ("She's Mine But I'm Not Hers"). Não perca.

"Believe In Us": fossa nova.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Navalhadas


Perturbador esse vídeo novo do The Knife. E a música não fica por menos. Quase dez minutos de pulsos elétricos de alta intensidade (sexual, especialmente). "Full Of Fire" é o primeiro single do próximo álbum da dupla sueca, Shaking the Habitual, programado para 08 de Abril.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mic Twins


Não sei se chega a ser um problema, mas a sueca Karin Park tem um timbre vocal idêntico ao da metade do The Knife, Karin Dreijer Andersson.


O bom electropop de seu recente Highwire Poetry também não se afasta muito dessa praia aí: o produtor do disco é o compatriota Christoffer Berg, que já trabalhou com o próprio Knife, Fever Ray (projeto paralelo de Karin Dreijer) e Yukimi Nagano, do Little Dragon. Ela canta bem, o disco tem boas canções, com grandes momentos de tensão sintética ("New Era"), Björk feelings ("Fryngies") e pelo menos uma candidata a hit em potencial ("Thousand Loaded Guns"). Se você não está nem aí com essas comparações, ou - melhor ainda - não faz idéia de quem seja Karin Dreijer Andersson, recomendo. Pra outra metade, aviso: a falta de personalidade (talvez involuntária) de Karin Park em frente ao microfone, pode atrapalhar a audição de Highwire Poetry.

"Thousand Loaded Guns": boa amostra do pop eletrônico escandinavo em 2012.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dubpop


Duas boas notícias: o duo sueco Modual acabou de lançar seu terceiro EP, e ele está disponível para audição e download gratuitamente no Soundcloud.

Em Choose Your Confusion, Mikael Sjöberg e Olle Thulin suavizam ainda mais seu drum'n'step elegante com basslines mais macios e vocais pop que combinados à placidez dos sintetizadores casam direitinho com a batida cadenciada do dubstep em "Fade Away" e com o emaranhado percussivo drum'n'bass de "As We're Falling". A diferença é que agora o Modual arrisca com andamentos mais pop ("Dying Breed" e "No Way Out"), e quando acerta em cheio o resultado é uma faixa como "Had You", equilibrada entre um riff liquefeito de sintetizador e os vocais dilacerados de Sjöberg. Eletrônica invernal, mas não soporífera.

"Had You": dubstep fofinho.
    
Had You by modual

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ultrasonoplastia


Tech house ou progressive trance? Sei lá. O que importa é que o novíssimo single "Costa Rica" do duo sueco Ticon é tão empolgante que parece ser daqueles hits de pista que já nascem prontos pra manter um alto número de pés em movimento sob luzes frenéticas numa pista de dança. Dance track da semana.

"Costa Rica": a procura do riff perfeito.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Em Círculos


Axel Willner, o produtor sueco por trás do bigode e do pseudônimo The Field é minimalista até nas capas de seus álbuns: a arte de seu terceiro disco (Looping State Of Mind, sai oficialmente em Outubro pela alemã Kompakt), é igualzinha a de seus antecessores Yesterday And Today (2009) e From Here We Go Sublime (2007).


A despeito de sua escassa variedade temática na escolha das embalagens, Willner sabe apertar os botões certos no conteúdo. Com sete longas faixas, seu modus operandi - que o título já entrega de cara - consiste em construir um tema principal e repeti-lo ao infinito; adicionando elementos aos poucos e crescendo devagar com BPMs contidos até chegar num estado de quase transgressão física, como na faixa de abertura "Is This Power", por exemplo: levam quase cinco minutos para a nuvem de sintetizadores se dissipar e a música ganhar uma amostra de guitarra desolada que percorre dois minutos de calmaria, até um rufo de caixa recolocar tudo no caminho de novo. "It's Up There" segue na mesma direção com beats engrenados e teclados hipnóticos, enquanto "Burned Out" tira o pé do acelerador transformando-se numa faixa ambient emoldurada por sons de guitarra evervescentes e vozes etéreas. O álbum tem bumbos macios, linhas de baixo fluidas e a maioria dos registros aqui evocam uma espécie de paisagismo sonoro a partir de edificações lineares - exceto pelas duas últimas faixas, onde o ritmo é quebrado em favor de duas canções que abusam dos loops, mas abrem mão da batida 4x4. Looping State Of Mind pode até tocar em pistas muito específicas, mas nem sei se a tag dance music é capaz de ser um dos rótulos desse disco. Talvez "Arpeggiated Love" com seus quase 11 minutos de techno espacial seja a que mais se aproxime em intensidade de ter suas notas iluminadas por estroboscópicas, mas no geral a intenção é prender pela mente, não pelos pés. E o The Field consegue.

"Is This Power": life is a loop.



 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Jacko Na Pista


Não acho que os suecos maluquetes do Teddybears vão chamar muita atenção com as músicas de seu novo EP - nem com a temática um tanto tardia da faixa-título, nem com a sonoridade propriamente dita. "No More Michael Jackson" mistura um vocoder kraftwerkiano com um suingue robótico e é até animadinha, mas o hip-hop digital "Why You Wanna Look At Me Like That" e os rocks cibernéticos "Weed In A Rizla" e "Cole" (esta algo Justice) não devem passar de meras coadjuvantes esquecíveis no meio da tentativa electro da banda de reverenciar o Rei do Pop. Agora, a capa do EP (acima) é genial. Capa do ano e ninguém tasca.

"No More Michael Jackson": moonwalk à 150 por hora.