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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Club Classics: Raze


Uma pausa para o amor em 45RPM: o projeto nova-iorquino Raze, formado pela dupla Keith Thompson e Vaughan Mason, lançou vários singles e dois álbuns no período 1986/1992, mas serão lembrados eternamente por "Break 4 Love", de 1987; uma faixa de puro soul com roupagem house, absolutamente brilhante em sua sedutora simplicidade. Classic garage house anthem.

Uma rapidinha com o Raze:

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Clássico De Primeira


Dia desses li um negócio que me deixou de boca aberta. "Bette Davis Eyes", hit interestelar da californiana Kim Carnes, foi gravado numa tacada só. Acredita? Eu custei a entender que a versão final não tem overdubs, não foi gravada em canais separados, nada disso. Foi "um, dois, três... valendo!", do começo ao fim. E prensa o single, e põe nas lojas em Março de 1981, e vai pro topo da Billboard (onde ficou por nove semanas), e termina o ano como compacto mais vendido nos Estados Unidos e coroa tudo isso com o prêmio de "Gravação do Ano" no Grammy Awards 1982. O autor da façanha é o produtor Val Garay, que disse ter feito "uns três takes e ter aproveitado um deles", simples assim. "Bette Davis Eyes" foi composta por Donna Weiss e pela cantora Jackie DeShannon - que chegou a gravar a canção em 1975, sem muita repercussão. A composição foi apresentada a Kim Carnes e Garay, que mudaram completamente o direcionamento da música - da letra ao arranjo - e o resultado foi um sucesso estrondoso, número um em 31 países - Brasil, inclusive. A voz rouca de Kim e o riff memorável do então novíssimo sintetizador Sequential Circuits Prophet 5 (sampleado pelo escocês Mylo no hit "In My Arms", de 2005) continuam entupindo pistas até hoje.

"Bette Davis Eyes": de primeira.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Gino Latino


Hoje em dia é difícil entender como é que o Gino Latino foi tão popular nas pistas no final dos 80. Projeto de estúdio pegando carona na forte onda Italo House que varreu o planeta na virada 80/90, o som do Gino Latino era um amontoado de samples (James Brown, Herbie Hancock, Rose Royce e até trechos de um discurso de Malcolm X eram algumas das amostras) enfileirados por cima de bases econômicas e repetitivas, sempre acabando num riff-gancho bem ordinário de sintetizador. Acabou estourando dois singles nos clubs e raves ("Yo" e "Welcome"), mas nunca teve bom rendimento nos paradões, ao contrário dos conterrâneos 49ers, Capella e em quase tudo que o trio de produtores Limoni/Davoli/Semplici (Black Box, Starlight) meteu a mão. Talvez a escassez e pouca variedade de ideias tenha feito com que o Gino Latino não durasse nem meia dúzia de singles. Mas tem gente que, hoje, chama "Yo" de clássico. Há controvérsias.

"Yo":



"Welcome":

domingo, 13 de setembro de 2015

Lições De Um Remix


Imagine a cena: você é um DJ que já tem boas horas de experiência na cabine, mas ainda está dando os primeiros passos no estúdio. Então a gravadora te convida pra fazer um remix de uma faixa estourada nacionalmente. O material que ela te disponibiliza consiste em Gillette, régua e fita adesiva.

Por mais estranho que isso possa parecer hoje em dia, era esse o cenário nos anos 80. A música em questão é "Ela Não Gosta de Mim", da boy band brasileira Dominó - uma versão em português do hit "Standing In The Twilight", da dupla holandesa Maywood. Softwares de edição em computadores ainda não eram nem sonhados e a dificuldade em editar um remix de forma praticamente artesanal era enorme. O DJ e produtor Sylvio Müller, que foi incumbido da tarefa (junto com os DJs Cabello e Grego) de levar o Dominó das rádios e TVs para as pistas de dança, explica - entre um e outro "Mansss!", seu inconfundível bordão - como foi o processo.

De quem partiu o convite pro remix?

O primeiro Dance Mix (série de coletâneas de remixes de faixas do pop nacional dos anos 80, iniciada em 1985) foi um projeto da CBS (atual Sony Music), no qual o DJ Grego foi o encarregado de convidar os DJs para participar do empreendimento. Na época da Pool FM, nós já fazíamos remixes pra tocar na programação diária da rádio, mas para profissionalizar mesmo a situação dos remixes no Brasil, a CBS colocou o Grego para dirigir esse projeto e eu fui convidado pra fazer o remix do Dominó, junto com o DJ Cabello, porque era realmente um remix muito complicado. Já havia acontecido o primeiro remix que foi um sucesso nacional, "Loiras Geladas" (RPM) e o segundo também teria que ir pro mesmo caminho. Então o Grego convidou a mim e o Cabello porque nós editávamos vários gêneros de música - do rock ao pop, soul, black e dance em geral. Topamos editar o Dominó, mas com a condição de que no próximo trabalho tivéssemos o poder de escolher o remix a editar. Nesse Dance Mix nós fizemos o Dominó e uma faixa do Ritchie, "Tele Notícias", também. A faixa que escolhemos pra trabalhar na próxima edição da série foi "Olhar 43", do RPM. A curiosidade sobre o Dominó é que foi uma produção vinda da Espanha, feita por Oscar Gomez, que era um grande produtor musical e nós fizemos as novas mixagens pra música com uma master de muita qualidade (a letra em português foi feita pelo cantor, compositor, maestro e pesquisador Edgar B. Poças, pai da cantora Céu e de Diogo Poças). Na edição, deixamos a música bem pop, pra pista mesmo. Assim, conseguimos dar continuidade a esse tipo de trabalho por aqui e esse remix foi muito importante pra história do remix no Brasil.



E os sintetizadores e baterias eletrônicas adicionais, foram vocês que fizeram, também?


O master
era muito bem feito. Oscar Gomez era um ótimo produtor e nessa época ele já usava sintetizadores, sequenciadores e beats eletrônicos. Na época usávamos a bateria eletrônica LinnDrum. Nosso trabalho com o remix era de deixar a música com um formato mais adequado pra tocar na pista. Então realçávamos as baterias, o groove, deixando os elementos da parte rítmica em evidência. A partir da edição, temos a montagem, que faz com que a música adquira consistência. Esse método de edição que usávamos era do mesmo nível de um Shep Pettibone, Arthur Baker e John Jellybean Benitez, grandes produtores e remixers que nos ensinaram como deixar a música com características próprias de pista. Na edição e montagem da nova versão tínhamos que ter uma sensibilidade muito grande para saber o que cada música precisa e o Dominó foi uma música muito complicada de fazer. O resultado está aí e depois de 30 anos, dá orgulho de ouvir.


E o método disponível na época eram as masters em tape de rolo, Gillette, régua e fita adesiva, mesmo, ou já pintava alguma coisa via computador?

Não tinha computador, não, mans. Nessa época a gente pegava a fita master de duas polegadas, onde havia os canais separados. Fazíamos uma nova mixagem da música e então tirávamos todos os elementos: bateria, baixo, teclados, guitarra, voz, etc... Depois, resolvíamos tudo na edição. Não tinha computador na época. Esse era o segundo estágio. A primeira parte da nova mixagem era abrir o master e só depois ia pra edição, onde fazíamos o chamado half mix, que era pra não ficar quebrando a cabeça no estúdio e ficar gastando muita grana (porque o estúdio era caro). Então fazíamos num gravador Akai o half mix, que era uma prévia do que iríamos editar no estúdio, pra daí então entrar nas máquinas de estúdio. Vale ressaltar que a CBS nos deu suporte pra fazer o trabalho nos melhores estúdios da América Latina, que eram os estúdios da Transamérica. A gravadora nos oferecia engenheiros de som e equipamentos de alta qualidade, depois, era tudo com a gente: cortar literalmente a fita com a Gillette e colar com todos os elementos (vocais acapella, instrumentos) sendo disparados diretamente do tape de rolo. Não tinha nada de software.


O remix chegou a sair numa versão 12" pro mercado ou foi incluída exclusivamente nessa compilação?

Todas as versões que foram incluídas na série Dance Mix, saíram também como promos, mas não foram colocadas à venda. Existe o 12" em vinil e a versão que saiu na compilação era o remix oficial mesmo, idêntica ao promo.

Tu tinhas a informação da lista de equipamentos usados na gravação original da música? Qual sintetizador, drum machine?

Sim. Quando abrimos a master onde estão os canais separados da faixa, a produção do estúdio coloca a lista de equipamentos utilizados, para que possa ser aberto em outros estúdios. Na época era o começo do Yamaha DX-7, dos sintetizadores polifônicos. Eram recursos analógicos que já tinham como ser colocados no sistema de sincronismo que chamamos de SMPTE, que sincronizam as máquinas onde você pode ajustar o tempo de uma bateria eletrônica com um gravador de rolo. Obviamente que nós, como DJs, já sabíamos a diferença entre os sons de um MiniMoog, Hammond, Fender Rhodes... os timbres, tanto de teclados como de outros instrumentos e principalmente de baterias eletrônicas, já estávamos bem informados. Sincronizar, colocar tudo funcionando foi uma etapa de engenharia de áudio, que nós passamos a aprender. Fomos as cobaias desse processo.

 Esse foi, de fato, um dos primeiros remixes feitos no Brasil. Qual foi a repercussão entre DJs, produtores, jornalistas? A faixa chegou a fazer o crossover das pistas pro rádio, chegou a popularizar essa versão nas FMs?
Olha, mans... esse remix foi realmente uma zica (risos). Essa música era muito complicada. Nenhum DJ queria pôr a mão e muito menos tocar. Esse remix fez com que ela entrasse nas pistas e fosse depois, naturalmente, pro rádio. Deixar ela com uma cara de pista de dança é que foi um trabalho de dedicação que tivemos, porque não havíamos feito algo assim anteriormente. Não tínhamos referência, esse foi o primeiro, mesmo. Pegar um grupo super pop e deixar ele adequado pras danceterias foi um laboratório e tanto, onde nós fomos as cobaias e o Dominó, nosso produto (risos).

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Easy To Remember


A despeito do nome, Jacques Renault é americano. DJ, produtor e remixador (uma de suas melhores reinterpretações é "Beam Me Up", do Midnight Magic), grava singles esporádicos (ano passado foram dois) e acabou de soltar seu primeiro 12" em 2015, Talk System, duas originais e dois respectivos remixes. Nada assim, memorável, mas eficiente. É house instrumental com um pezinho no techno (especialmente no lado B, "Psyched Up") e os remixes trazem poucas variações para os dois temas. O que mais me chamou atenção na boa faixa título são os samples de alguns vocais de "Easy", do Ice MC. É uma referência totalmente inesperada. Por isso é legal.

"Talk System": the music is still a little rough.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

It Began In Africa


Depois de um álbum (Happiness Is Happening) e um single em colaboração com o Simian Mobile Disco (Hachinoko) lançados ano passado, o camaleônico Roman Flügel volta com um 12" prestando reverência ao continente de Fela Kuti. Sliced Africa saiu pela gravadora alemã Dial Records (distribuído via Kompakt) e traz três faixas faixas onde, obviamente, a inspiração vem da matriz africana e sua imensurável influência sobre a música pop. Nesse sentido, a faixa título e todo aparato percussivo contido nela é a amostra mais clara da proposta. A longa "Black Towers" é algo como uma "Trans-Africa Express": uma locomotiva de ritmo incessante e teclados ambient que só potencializam o efeito paisagístico que ela causa. "Spiritual Enhancer" é um techno de rotação baixa, tão engrenado e hipnótico quanto as produções daquela banda de Düsseldorf que mudou a música de direção nos anos 70.

"Black Towers": Gute Fahrt!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Caninos Não Muito Afiados


A produção de Jake Williams sob seu pseudônimo Rex The Dog é parca. Um álbum e uma dezena de singles, desde 2004. O 12" mais recente, Sicko (saiu em Março, pela Kompakt), inverte a ordem do formato: a melhor dance track está no lado B. A faixa título é um sonolento exercício techno monossilábico de seis minutos - lá pela metade um break introduz teclados ambient que aparentam uma retomada diferente, mas a calmaria dura menos de um minuto e volta o tom monocórdico (e chato) da música. Polegar em riste, no entanto, para o B side "Korgasmatron": bons vocais e variações acid sem freio da linha de baixo.

 
  "Sicko":



"Korgasmatron":

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Celebrando Knuckles


Para celebrar seu legado e para lembrar que há um ano perdíamos o DJ e produtor Frankie Knuckles, a dupla de produtores britânicos Pete Heller e Terry Farley mais o Underworld uniram-se para remixar o clássico de 1987 "Baby Wants To Ride", de Knuckles e Jamie Principle. Todo o dinheiro arrecadado com a venda do single - que sai em edição limitada de 1.000 cópias em vinil pelo selo Junior Boy's Own - vai para a Frankie Knuckles Fund (parte da Elton John AIDS Foundation) e está disponível no 
site babywantstoride.com no esquema "pague quanto quiser", com valor mínimo estipulado em 12 libras para o 12 polegadas e 3 libras para o pacote digital. Louvável iniciativa.

A "Baby Wants To Ride" original:



E como ficou:

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Linear


O Linear entrou pro grupo dos inesquecíveis one-hit wonders com seu single "Sending All My Love", de 1990. Meio milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos. Nada mal pra um trio que tinha na formação um tocador de congas (Joey Restivo, o da bandana acima). Me pergunto que papel desempenhava num projeto freestyle, um conga player. Não consigo nem ouvir vestígio do instrumento em "Sending All My Love". Mas a música é ótima. Aqui no Brasil, entrou na trilha da novela Mico Preto - muito bem acompanhada por hits de Technotronic, Snap!, Erasure, Sybil, Sinead O'Connor e, vá lá, MC Hammer. Sucesso absurdo, do tipo que ficava um ano inteirinho tocando em rádios e pistas. Você sabe, essas coisas que não acontecem mais.

"Sending All My Love": passinhos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nos Trilhos


O norueguês Todd Terje acabou de soltar um 12" novinho: "Spiral", com a faixa-título e "Q" no lado B (ambas passam de dez minutos). É o terceiro single esse ano (contando um lançado em Março com o chapa Lindstrøm).
 

Terje é um dos melhores domadores de sintetizador que eu conheço atualmente. Ele usa todos que cabem no par de faixas e ainda adiciona uma sessão percussiva tipo "Little" Louie Vega pra temperar essas duas locomotivas de ritmo e melodia. Só fica a dúvida sobre qual tag usar: house ou disco? Fique com as duas.

"Spiral": sai da frente.


domingo, 17 de novembro de 2013

Talking Beats


Talking Heads e música de pista flertavam há tempos. Seja nas pioneiras experimentações cabeçudas da banda com loops e samplers (Remain In Light, 1980), abraçando a world music afro/latina ou pela cozinha espetacular do baixo funkeado de Tina Weymouth e o metrônomo Chris Frantz. A cereja que faltava foi o hit "Lazy", single de 2002 do X-Press 2, com David Byrne nos vocais. 


Até que demorou pra alguém aparecer com edits ou remixes decentes de uma banda que tem um groove poderoso nas veias. Se apareceu antes de 2013, me deixe ficar sabendo. Algum iluminado teve a ideia de pegar três faixas do grupo nova-iorquino e entregar pra três nomes do underground dance, somente pra dar um polimento. Reforçar bumbos, colocar umas palminhas, loops e teclados. O projeto foi batizado de Tugboat Edits, saiu com apenas 500 cópias em vinil (numeradas à mão) e não é oficial.

"Burning Down The (Acid) House (Late Nite Tuff Guy)", me perdoe a provável heresia, ficou melhor que o original. O baixo (que já era uma estupidez) foi reforçado pelos timbres derretidos de uma TB-303 e agora sim, dá pra botar qualquer casa abaixo. Os créditos desse estupendo trabalho vão pro DJ e produtor australiano Carmelo Bianchetti, pra mim, um ilustre desconhecido.

"Girlfriend Is Better" (originalmente do álbum Speaking in Tongues, de 1983), virou "GF" pelas mãos de Jason Kriveloff (JKriv), um nome de respeito entre edits e faixas autorais da recente Nu Disco. Sua "GF" é uma house que não limou as escovadas de guitarra e salpica um piano elétrico delicioso.

Tim Zawada transformou "Pull Up The Roots" na hilária "Pull Up The Bootz (TZ Hevdit)", preenchendo os espaços com um kit de percussão admirável e mantendo o espetacular baixo original.

David Byrne deve ter aprovado a ousadia.

"Burning Down The Acid House (Late Nite Tuff Guy)": Hold tight wait till the party's over!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

12 do 7


Depois de quatro anos sem gravar, o Zero 7 reaparece com um doze polegadas novinho: On My Own saiu no finalzinho de Agosto. 


Henry Binns e Sam Hardaker deixam um pouco de lado o trip-hop/downtempo - por vezes apático - que caracteriza o som da dupla, pra cometer duas das canções pop mais legais que ouvi nesse 2013 cheio de música boa.

Não arriscaria chamar "On My Own" de nu-disco, mesmo com esse groove sedutor e um baixo com o tecido adiposo deveras desenvolvido. "Don't Call It Love" traz outra trilha incrível percorrida habilmente pelas quatro cordas, mas aqui a coisa está mais pra um Fleetwood Mac com adereços eletrônicos. Nem sei qual é a melhor das duas faixas, ambas são encantadoras. Na dúvida, ouça as duas:

"On My Own":


"Don't Call It Love":

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Señor DJ


Austríaco radicado na Califórnia, o quase veterano DJ e produtor John Tejada - perto de 20 anos nas cabines - acaba de soltar single novo pela Kompakt. 


O 12" tem o techno tradicional "Anaphora" no lado A, para Tejada exibir uma paleta de timbres diversa o suficiente pra não deixar o 4X4 cair na monotonia. O B-side "Bode's Law" investe no bassline pesado, enquanto o TB-303 oscila sob o prato sibilante do tech house.

"Anaphora": lenha de qualidade pra queimar, Señor Tejada.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Club Classics, Vol. 1



Seria o paulista Guilherme Boratto o maior nome da atual música eletrônica made in Brazil? Provavelmente. Gui Boratto tem 35 anos e um currículo de respeito: arquiteto, produtor, músico, compositor e DJ (eleito ano passado o 98º do planeta, segunda a lista anual da revista inglesa DJ Mag). Já tem dois álbuns lançados, mais de 30 singles, produções e remixes para gente como Goldfrapp, Bomb The Bass, Moby e mais recentemente, Massive Attack. "Like You" (capa acima) é um single em vinil 12" que saiu em Maio de 2006 pela gravadora alemã Kompakt (Rex The Dog, GusGus e The Orb no cast), e é minha faixa preferida de Gui Boratto. Oito hipnóticos minutos de techno com inspiração house, vocais (da esposa de Boratto, Luciana Villanova) repetindo um mantra de duas estrofes e uma levada paquidérmica, que torna o ato "dançar" uma compulsão. Aí abaixo tem um vídeo de uma versão editada de "Like You":



O drum and bass que sampleia Jorge Ben e Toquinho de "LK (Carolina Carol Bela)" do também paulista DJ Marky (em parceria com o produtor XRS) foi o single de um artista brasileiro que chegou mais alto no paradão pop inglês (17º lugar em Julho de 2002), e é um trabalho igualmente sensacional. Mas "Like You", definitivamente, é a melhor dance track nacional que eu já ouvi na vida.



Aqui no player tem ela completa: