sexta-feira, 5 de abril de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Peter Kent


O cantor e produtor Peter Kent (nascido Peter Hedrich, na Alemanha) apareceu no meio dos 70 tentando a sorte no Eurovision - um concurso anual com canções de gosto pra lá de duvidoso - até conseguir um honroso terceiro lugar em 1975. Seu primeiro sucesso de fato foi "It's A Real Good Feeling", lançado em 1979. Chegou ao número um na parada alemã em Abril de 1980 e vendeu cerca de 750 mil cópias, hit massivo no Velho Continente. A faixa perambula entre a então moribunda disco (baixo e bateria) e o nascente technopop europeu (sintetizadores), com o insólito e excelente vocal efeminado de Kent. Obrigatória em qualquer festinha retrô imbuída de animação.

"It's A Real Good Feeling": disco germânica.



quinta-feira, 4 de abril de 2013

Revelação

 
 Disclosure são os irmãos Guy e Howard Lawrence, dois moleques ingleses (21 e 18 anos, respectivamente) que finalmente conseguem o hit que seu talento merecia: "White Noise" chegou a número 2 no paradão britânico em Fevereiro. Eles já haviam beliscado ano passado com a ótima "Latch" (# 11) - garage house com os vocais emotivos de Sam Smith - mas desta vez chamaram outro duo promissor (AlunaGeorge) e a parceria rendeu um pop house com um bassline insano, simplesmente irresistível. Álbum prestes a ser lançado. Vai estar entre as melhores coisas de 2013, tenha certeza.

"White Noise": vocais pop, bleeps hipnóticos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Chvrches


Escoceses de Glasgow, o Chvrches (pronuncia-se Churches) foi criado em 2011 e não precisou mais do que dois singles lançados em 2012 pra ter seu nome incluído no BBC Sound Of 2013.


O trio soltou semana passada o EP Recover e mais uma vez a BBC parece estar certa em suas previsões. O som é um competente electropop que ganha contornos dramáticos com os vocais da gracinha Lauren Mayberry. A boa faixa-título e a razoável "ZWL" não chegam nem perto de "Now Is Not The Time", a melhor das três canções do disquinho: aqui a batida inspira passinhos dançados em câmera lenta, arpejos de sintetizador impulsionam o refrão e paradas estratégicas preparam o terreno para Mayberry desfilar sua voz frágil e segura ao mesmo tempo. Música forte, com todas as letras.

"Now Is Not The Time": time for Chvrches. 


terça-feira, 2 de abril de 2013

The Dark Knight

Mamãe passou açúcar ni mim.
"Eu estava tentando provar algo para as pessoas, tentando fazer algo para agradar os outros e também a mim mesmo, ao mesmo tempo, algo que nunca vai funcionar. Pensei que meus dois últimos álbuns eram bons, mas agora percebo que não eram. Este álbum é sobre encontrar-me novamente. "


Tio Tricky vai lançar em Maio seu False Idols, e o trecho acima foi extraído de seu site. É preciso lembrar que qualquer disco a ser lançado (quase) sempre vai ser vendido antecipadamente pelo autor como "um dos melhores que já fiz" e coisas do tipo, então não dá pra levar isso muito em conta. E olha que achei bacaninha sua coleção de canções mais recente (Mixed Race, 2010). Fato é que False Idols tem uma pista animadora com o lançamento do EP Matter Of Time. Quatro faixas, quatro vocalistas diferentes (incluindo um rap em francês com Pavement Grammar em "Frenglish"). "Matter of Time" (Liz Densmore), "I Could" (Francesca Belmonte) e "Forget" (FiFi Rong), além de boas faixas pontuadas por Tricky e seus sussurros do mal, trazem três vocalistas mais bonitas do que a realidade. Malandrão.

"Matter Of Time": revival trip-hop à vista? 



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ex Machina


Para Karl Bartos, o mundo parou em 1980.


É assim que soa seu recente Off The Record, assumidamente retrô até na capa que retrata um Bartos ciborgue, com visual de 30 anos atrás. Primeiro álbum do ex-percussionista do Kraftwerk em dez anos, o que temos aqui é um technopop desprovido de experimentalismos: vocoders quase onipresentes, beats geométricos e sintetizadores que parecem emprestados do Kling Klang de 1981. Impossível desvencilhar Off The Record da obra de sua ex-banda. Ouça "Rhythmus" com batida à "Numbers" e melodia quase igual à de "Computer World" ou perceba que os temas escolhidos vão, obviamente, pelo mesmo caminho: "Atomium" lembra que Ralf Hütter já explorou o assunto em "Radio-Activity", "Vox Humana" tentando pegar o bastão onde a onomatopéica "Boing Boom Tschak" largou e referências que dizem respeito à cinemática pura - uma das obsessões do Kraftwerk  - como "Nachtfahrt" ("Passeio Noturno"). Pena que os bons momentos (coisas como os ritmos engrenados e quase dançantes de "Without a Trace of Emotion" e "Hausmusik") quase sejam soterrados por ingenuidades dignas de um Owl City, como na pavorosa "The Tuning of the World".

"Without a Trace of Emotion": KraftBartos