sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sexta Feira Bagaceira: The Maxx


The Maxx foi só mais um dos muitos projetos dos belgas Serge Ramaekers e Dominic Sas. Com o estouro da cena new beat no fim dos anos 80, o duo criou o Confetti's - hit de pista na Europa com "The Sound Of C". O mesmo aconteceu com "Cocaine", do Maxx. Embasada em sintetizadores e na repetição do sample "Colombia's Amazon Basin has become a production center for the country's biggest illegal export: Cocaine", o single foi lançado em 1988 e rapidamente virou febre nas danceterias. Num tempo em que a segmentação não chegava nem perto do nível absurdo de hoje (um DJ pra cada subgênero de dance music), "Cocaine" foi comodamente inserida num outro movimento que tomava conta do planeta: a acid house.

Serge Ramaekers conseguiu reconhecimento maior ainda em 1993, com seu remix para "Living On My Own", de Freddie Mercury (quase dois anos depois da morte do cantor), número um em vários países. Também nesse ano e ainda em parceria com Dominic Sas, embarcou no eurodance com o grupo T-Spoon, do lamentável hit "Sex On The Beach".

O que ficou de melhor mesmo da carreira da dupla de produtores foi a batida lenta e os synths pesados de "Cocaine", uma faixa que veio do underground sem rosto da Bélgica pra animar clubes do mundo inteiro.

"Cocaine": the biggest illegal export.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Australiahouse


Mais uma ótima novidade vinda da Austrália: o Adapt or Die é formado por Tony Mitolo (baterista de palco do Empire Of The Sun) e Alex Gooden (engenheiro de som do Pnau). Seu Dream Control EP sai oficialmente neste final de semana, mas o som já se espalha pela rede. "Dream Control" é uma house típica da virada dos 80 pros 90: bassline forte, percussão eletrônica altamente criativa, riff ganchudo de sintetizador e vocais picotados. "Diavola" concentra os efeitos na incrível maquininha Roland TB-303 e tem um sample bem discreto dos teclados de "Pacific State" do 808 State. É como estar numa rave na Inglaterra em 1989. Promete.

Back to the 90's:

quarta-feira, 29 de maio de 2013

OMD no Jools


O OMD tocou ao vivo no Later... with Jools Holland hoje. É a primeira vez da banda no programa (que é apresentado desde 1992, na BBC). Foram três faixas - com a formação original - e uma entrevista. Abaixo, o clássico "Enola Gay", impecável.

Promised You A Miracle


Quem liga pra esse par de vasos aí atrás quando tem essa guria linda cantando no Chvrches?

Buenas, enquanto o álbum não rola, os escoceses soltam mais um single. "Gun" não é tão legal quanto "Now Is Not The Time" do EP Recover, que o trio lançou em Março, mas ainda assim é uma boa canção. Aqui a coisa está mais pra Sandra e Olivia Newton-John do que pra aparente seriedade de Recover.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Old Romantics


Será que ainda falta alguém? O Visage não gravava há 29 anos e, do nada, reaparece em 2013 com disco novo. Primeira reação: desconfiança.


E olha que as coisas não estavam fáceis para o andrógino Steve Strange (voz, maquiagem) nos últimos anos, incluindo aí sua luta contra a dependência de heroína, um colapso nervoso e - fundo do poço - uma condenação à três meses de prisão por furto. Em 2012, Strange apareceu num chat da TV britânica ITV afirmando estar trabalhando com Midge Ure (Ultravox) num novo álbum do Visage. E aí está Hearts And Knives.

A pergunta óbvia é "e presta?". Bom, o Visage sempre foi uma banda de singles. No currículo, os ingleses tem a monumental "Fade To Grey" (1980), um clássico à prova do tempo que tem que estar em qualquer Top 10 Synthpop Songs Of All Times. Depois tem a bonitinha "Mind Of A Toy", e assim, com muita boa vontade, "In The Year 2525" e "The Damned Don't Cry". Seus álbuns anteriores vão ser eternamente ofuscados por "Fade To Grey" - e isso não vai mudar com Hearts And Knives. Mas é um disco decente, menos espalhafatoso e mais sólido do que os outros três que o grupo lançou nos 80.

O fantasma de "Fade To Grey" ainda ronda as composições - é só dar uma ouvida na programação de bateria e nas rajadas de synths de "She's Electric (Coming Around)", mas com faixas como o bom single "Shameless Fashion", o Visage vai se desvencilhando do seu estigma cinza. Com uma vocalista na nova formação (Lauren Duvall), algumas canções lembram os memoráveis duelos de Philip Oakey com Susan Ann Sulley e Joanne Catherall, do Human League ("Hidden Sign", "Dreamer I Know"). Além de Midge Ure, chapas de Steve Strange como o ex-tecladista do Simple Minds Mick MacNeil e o baixista Youth (Killing Joke) participam de Hearts And Knives, preenchendo com sintetizadores épicos faixas como "On We Go", ou fornecendo uma base robusta de quatro cordas, como no baixo disco de "I Am Watching" e no timbre fantástico desse instrumento em "Lost in Static". O comeback do Visage aprovou: Hearts And Knives é sim um bom disco.

Agora só falta o Kajagoogoo voltar. O quê? Eles voltaram? Em 2003? Nãããããooooo!

"Shameless Fashion": bem-vindo de volta, Steve.