segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Segunda Class: St. Germain


St. Germain é o músico francês Ludovic Navarre. Acid Jazz, Nu Jazz... é essa onda aí, jazz houseificado, cordas e metais costurados com loops, samples e beats digitais. Seu álbum Tourist, de 2000, entupiu os cofres do tradicional selo Blue Note: vendeu inacreditáveis 4 milhões de cópias.


É de Tourist o monumental single "Rose Rouge", sete minutos de improvisos de sax e trompete com baixo, elementos de bateria e piano emprestados da fenomenal "Take Five" do pianista Dave Brubeck, mais o vocal sampleado e de tom ligeiramente alterado de "Woman Of The Ghetto", de Marlena Shaw.

É a melhor faixa de jazz house já feita, ponto.

"Rose Rouge": saxofones e samplers.

domingo, 24 de novembro de 2013

Hot House


Como alguns times que eu conheço, o Hot Natured - no papel - tem uma baita escalação. Trata-se dos DJs e produtores Lee Foss e Jamie Jones (donos do ótimo selo Hot Creations) mais o vocalista Ali Love e Luca C, do Infinity Ink.


O Hot Natured vinha lançando singles e EPs desde 2009, até debutar com o álbum Different Sides Of The Sun, em Setembro. A house de baixo impacto presente nas 15 faixas não desmerece o disco.

Pode pular a abertura "Operate", que não é lá muito empolgante com seus teclados ambient e um fator decisivo pra esse lançamento não manter a altitude de cruzeiro: os vocais enjoativos de Ali Love. Já "Isis" (com o figuraça Egyptian Lover) engrena a primeira das muitas linhas de baixo sedutoras de Different Sides Of The Sun. "Reverse Skydiving" tem os vocais relaxantes de Anabel Englund. A voz da cantora americana casou tão bem com a house de timbres macios da faixa, que felizmente ela canta em outras duas: na linda disco espacial "Mercury Rising" e em "Emerald City" (com um loop que me lembrou "Buffalo Stance", da Neneh Cherry).

Dá até pra descontar o tom quase esganiçado de Ali Love com bases tão eficientes quanto "Forward Motion" e na vibe Frankie Knuckles de "Tightrope" (hit-hats cristalinos, percussão discreta e teclados cirurgicamente encaixados). O melhor momento do cantor britânico é na voluptosa "Planet Us", uma das melhores canções do disco. Aqui ouvimos um Love desplugado, que baixa o tom e arrisca (e se dá muito bem) no refrão em falsete.

Foss e Jones diversificam as ações com os tons cinza dos sintetizadores de "People Change" (com vocais de Cedric Gasaida, do Azari & III) e nos timbres de piano elétrico da deep charmosa "Alternate State" (vocais reconhecíveis à distância de Róisín Murphy).

Different Sides Of The Sun não foi feito exclusivamente para os membros inferiores. O Hot Natured conseguiu deixar a mistura no ponto exato entre curtir no sofá ou levantar pra dançar. Em ambas as formas de apreciação, o disco cumpre o que a escalação do projeto prometia.  

"Planet Us": chill house.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Industry


Nem sei se dá pra chamar o Industry de one hit wonder. "State Of The Nation" - supostamente, o grande sucesso da banda nova-iorquina - chegou apenas no número 81 do Hot 100 da Billboard. A Europa absorveu melhor a música do quarteto new wave, especialmente a Itália. Tanto que chegaram a abrir shows de gente como Talk Talk e INXS por lá. A banda acabou logo depois do álbum Stranger to Stranger ter sido lançado, em 1984.


O single "State Of The Nation" saiu em 1983, e fala sobre a imbecilidade das guerras, aquela história. É um synthpop de refrão bobinho, mas com bons ganchos de sintetizador. Para fãs ardorosos de technopop (como eu), é o ouro.

"State Of The Nation": "There´s no place like home..."

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Unhappy Christmas


"Tudo sobre o Natal já foi escrito. Nós pensamos que seria mais interessante olhar para o lado mais sombrio do período. Para muita gente, o Natal não é um momento feliz".


É assim que o geniozinho dos teclados Vince Clarke definiu Snow Globe, o tal disco de Natal do Erasure. De fato, não é um álbum alegre, cheirando a tender com farofa. Prova do clima melancólico do projeto está no single "Gaudete" - um tema sacro medieval, cantado no latim original por Andy Bell. A faixa é o máximo da ousadia que Snow Globe oferece. O resto divide canções compostas pela dupla e clássicos do tempo em que Papai Noel velho batuta descia pelas chaminés (não, a lamentável versão da Simone para "Happy Xmas [War Is Over]", de John Lennon, não está aqui, não se preocupe). Do material original, apenas "Make It Wonderful" faz a gente lembrar aquele Clarke que tirava vários coelhos da cartola nos melhores discos do Erasure. Já nas releituras, os arranjos são preguiçosos. Ouça a base Super Nintendo de "The Christmas Song" e comprove. Menção honrosa para a boa adaptação de "Silent Night" (a nossa "Noite Feliz"), com vocais especialmente bem gravados.

Nem pensei muito sobre as intenções do Erasure com esse álbum.
Honestamente, não acho que classificar como caça-níqueis seja o caso. A banda está bem longe da popularidade que alcançou no século passado e não consigo imaginar que alguém - fora os fãs mais xiitas - coloque isto como trilha pra sua ceia como se tirasse uma onda com o vinil de Merry Christmas do Bing Crosby. O problema de Snow Globe é que, perdoem a obviedade, é um disco que já vem com data de validade vencida antes mesmo de chegar às prateleiras (ou aos arquivos do iTunes). E isso tem sido frequente nos últimos trabalhos do grupo: discos insossos, indiferença, preguiça criativa. Já rolou álbum de covers, um acústico e agora um de Natal. O Erasure anda em círculos.

"Gaudete": seriedade. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Quarta Do Sofá: Brainstorm


Não conheço nada sobre a música pop da Letônia, mas o Brainstorm vem de lá. E cravou, em 2001, essa jóia pop - presente até hoje nas FMs adulto-contemporâneas. Tem meu apreço.