sábado, 28 de fevereiro de 2015

Caras Novas: Roisto


O finlandês Roisto acaba de lançar o EP Apart In Love, pelo selo escandinavo Youth Control. A onda dele é disco (numa abordagem french touch do gênero) e eletrônica (na praia meio nublada de Trentemøller). O vídeo da faixa título é uma simpatia, confere:


Em "Call The Sky", comparações pejorativas com Röyksopp já começaram a aparecer. Até lembra o som da dupla norueguesa, mas a faixa tem brilho próprio. Roisto pode muito bem ter bebido na fonte de synths turvos do The Knife (especialmente de Deep Cuts) e do próprio Trentemøller, no processo - o que possivelmente invalida o argumento dos detratores. "I'm Who You Need" e "Apart In Love" são pura french house, com baixos galopantes, guitarrinhas funkeadas e os típicos refrões-gancho. Dá pra ouvir o bom Apart In Love EP inteiro no Soundcloud, ao alcance do seu clique:

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Dead Or Alive


O sucesso de lá nem sempre é o sucesso daqui. Conheci o Dead Or Alive na virada dos 80 pros 90, porque "Come Home With Me Baby" martelava direto nas FMs. Um tempo depois fui descobrir que o grande hit do grupo britânico era "You Spin Me Round (Like a Record)" (1984), primeiro (de vários) número um na parada inglesa produzido pelo trio Stock, Aitken & Waterman. Não que o som do Dead Or Alive tivesse algo a ver com o pop pasteurizado do pessoal que estava sob as asas dos produtores: com a postura extravagante do bom vocalista Pete Burns na linha de frente, o grupo livrou-se das origens pós-punk/góticas (Wayne Hussey, do The Mission, fez parte da formação inicial da banda) e juntou Hi-NRG com synthpop mais a androginia provocante de Burns - algo entre Alice Cooper e Boy George - pra produzir hits de pista explosivos como essa "Come Home With Me Baby", confortavelmente inserida em sets de freestyle e house.

"Come Home With Me Baby": exuberância.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Let Me Sing


Como costumo errar com frequência o que - potencialmente - tem cara de que vai arrebentar, nem vou escrever nada do tipo. Ouça "Don't Sing" (o truque da autossabotagem do título também pode funcionar) e tire suas próprias conclusões. Me agrada muito o piano e a levadinha funky. Escrita pelo holandês Benny Sings (os vocais duplicados também são dele) e produzida pelo francês David Guillon (Data), a faixa saiu tem uns 20 dias (está no EP de mesmo nome, com mais três inéditas e três remixes extras), com esse refrão ganchudo e jeitão de que pode pegar fácil. Sei não, hein.

"Don't Sing": possivelmente, um sucesso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Red Flag


Minha preferida da dupla. Gosto mais de "Broken Heart" - 1988, o single de estreia do Red Flag - que "Russian Radio", o semi hit posterior. Acho a batida um tanto engessada, anula a boa trama de sintetizadores criada pelo tecladista Chris Reynolds. No 12" original, as três versões não variam em relação a isso, ou seja, no ano em que a acid house explodiu, o Red Flag perdeu uma boa oportunidade de fazer essa faixa, potencialmente, voar mais alto que o modesto vigésimo quarto lugar que alcançou na parada Hot Dance/Club Play da Billboard. Ainda assim, é uma boa amostra do pop sintético naïve e melódico urdido no fim dos 80.

O finado vocalista Mark Reynolds: Martin Gore feelings. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Eletrônica Visceral


Disco novo do Squarepusher à vista: Tom Jenkinson anunciou essa semana o lançamento de Damogen Furies, programado para Abril pela Warp. Em seu site oficial, Jenkinson disponibilizou gratuitamente uma amostra do que deve ser seu próximo álbum, através do download de "Rayc Fire 2". Baseado em pelo menos metade das canções de Ufabulum - disco mais recente do artista, de 2012 - dá pra dizer que "Rayc Fire 2" é uma faixa que mantém uma das principais qualidades do Squarepusher: a capacidade de surpreender. Estruturalmente complexa e de movimentos inesperados, "Rayc Fire 2" é um experimento eletrônico agressivo de nada fácil audição. Uau.

37 segundos de "Rayc Fire 2": o resto, no site.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sunshine On My Shoulders


Os australianos do Miami Horror estão prestes a lançar disco novo: All Possible Futures, sucessor do ótimo debut Illumination (2010), deve sair no final de Abril. Agora influenciado pela "esquisitice ensolarada" da Califórnia (segundo o dono do campinho, Ben Plant), o Miami vem soltando faixas do novo álbum em doses homeopáticas. "Wild Motion", "Real Slow" e "Colours in the Sky" apareceram de um ano pra cá. O novo single, "Love Like Mine", essa semana. Dessas quatro, "Real Slow" é bacana. O resto - incluindo o funk oitentista sem graça de "Love Like Mine" - me faz duvidar que o sol da Califórnia esteja realmente fazendo bem pros rapazes.

"Love Like Mine": sol demais na moleira.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Cher


Não foi só uma canção dance pop que vendeu mais de dez milhões de cópias no mundo inteiro. "Believe" foi um divisor de águas: aqui o Auto-Tune aparece pela primeira vez numa gravação comercial - um experimento trazido pelo produtor da faixa, Mark Taylor. Cher curtiu, já o pessoal da WEA pediu pra remover o efeito. Cher bateu pé, o single foi lançado e boom. Número um em 23 países. O software atua em "Believe" muito mais como um vocoder - fazendo a voz de Cher soar como um teclado - do que para correção de tom e é justamente essa aplicação que acho interessante com o recurso (assim como o Daft Punk fez em "One More Time", dois anos depois). Chamado pelo jornalista da Time Josh Tyrangiel de "Photoshop da voz humana", o uso do Auto-Tune tornou-se tão habitual na música pop a partir de então, que artistas como Madonna, Snoop Dogg, Kanye West e Shania Twain aderiram. Para o bem e para o mal.

"Believe": tia Cher moderninha.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Caras Novas: West Nile


Há pouca informação disponível sobre os canadenses do West Nile. Seu single "SSUFFIK8TRR" (“suffocator") saiu digitalmente dia 27 de Janeiro via Bandcamp, com a opção do pagamento voluntário de qualquer quantia ou download grátis. A curiosidade é uma versão Laserdisc do single programada para Março (detalhe: Laserdiscs foram produzidos comercialmente até o começo do anos 2000). A música, em si, é excelente. Synthpop lânguido com um belo riff de sintetizador mais a voz doce da vocalista que, provavelmente, é a gracinha da foto acima.

"SSUFFIK8TRR": encantadora.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

One More Time


Herói do French House, Etienne de Crécy volta com a série Super Discount, iniciada em 1997. Este terceiro volume saiu agora no final de Janeiro, onze anos após o segundo. Nesse meio tempo, vários singles editados e a incrível experiência audiovisual do live Beats N’Cubes.

Nas outras duas edições, Crécy dividiu produção e composição com artistas como Alex Gopher, AIR e Cassius. Já em Super Discount 3, o produtor mostra que anda inteirado com o indie rock, com as faixas trazendo participações de Madeline Follin (Cults), Tom Burke (Citizens!) e Baxter Dury (filho de Ian Dury). O disco tem ainda a colaboração da dupla Kelvin Mercer e Dave Jolicoeur (De La Soul) e do habitual parceiro Alex Gopher.

Não é uma tentativa de retorno à disco houseificada produzida na França no fértil período da segunda metade dos 90. Super Discount 3 traz uma belíssima coleção de dance music que oferece diferentes aspectos de house e electro, com a produção irretocável de Etienne de Crécy. Abolindo o uso de samplers e concentrando-se em basslines notáveis, vocoders e sintetizadores, o álbum abre com o single "Night (Cut The Crap)", com seu loop hipnótico de teclado e linha de baixo robótica:



Do indie pop de sua banda à house de Crécy, a cantora Madeline Follin exibe versatilidade e está totalmente à vontade na ótima "You":



Com rap de Posdnuos e Trugoy, do De La Soul, "WTF" usa extensivamente o vocoder. Crécy ensina como se faz:



O electro "Hashtag My Ass" é uma das melhores de Super Discount 3 e repete um dos pontos altos do disco: as linhas de baixo descomunais. Aqui, as quatro cordas sintéticas aparecem permeadas pelas infalíveis hand claps:



Em "Smile" (com Alex Gopher), Crécy suaviza o bassline (extraído de um TB-303) e mostra o truque:



O álbum encerra com o funk "Family", algo como Barry White encontrando o Chromeo:



Super Discount 3 é uma sequência irrepreensível de uma série onde é difícil apontar uma edição que seja superior. Idealizada por um produtor talentosíssimo, bem humorado e apaixonado pelo que faz, só podia dar em música boa.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Jimmy Solo


Colaborador do Disclosure (foi um dos compositores de quatro singles do álbum Settle, de 2013), do recentemente grammyado Sam Smith (coautor e coprodutor do hit "Stay With Me"), além de Mary J. Blige e Jessie Ware, o londrino Jimmy Napes (nome verdadeiro: James Napier) debuta com o single "Give It Up", que deve estar no EP The Making of Me, programado pra Março. Com o bom falsete de Napes, "Give It Up" é um pop eletrônico e ganchudo, muito acima da média dos primeiros lugares das charts.

"Give It Up": hit em potencial.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Sonia


Li em algum lugar certa vez que "You'll Never Stop Me Loving You" não levou mais do que um dia pra ser composta, gravada e mixada por Stock, Aitken & Waterman - um time de produtores ingleses que na segunda metade da década de 80 colocou vários artistas vindos do nada no topo da parada inglesa (Rick Astley, Jason Donovan, Dead Or Alive e Kylie Minogue, entre eles). Sonia Evans sentiu o toque de Midas poderoso do trio quando sua "You'll Never Stop Me Loving You" bombou no planeta em 1989. Eu achava a maioria das produções de SAW irritantes nessa época - geralmente um dance pop meloso e plastificado, com arranjos pouco inventivos e temática pueril. Com a cena dance/eletrônica fervilhando novidades, era frustrante ter que aguentar a mesmice pop desses tiozinhos martelando direto no rádio. Mas havia pop brilhante, também ("Never Gonna Give You Up", de Rick Astley, por exemplo). A maioria dos discos de Stock, Aitken & Waterman não sobreviveram ao teste do tempo. Pudera, com tudo sendo cuidadosamente manufaturado pra voar alto nos paradões e não durar mais do que uma temporada, a inevitável pecha "datado" aplica-se sem remorso ao trabalho do trio. Confesso que com poucas exceções, nem em festas retrô descompromissadas me aventuro a tocar coisas assim.


"You'll Never Stop Me Loving You": constrangedor.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Antídoto Contra a Obviedade


Em 2012, o DJ e produtor inglês Sam Watts recauchutou uma esquecida "Just Let Me Dance" (Scandal, 1980) e seu impressionante Maxxi Soundsystem Remix transformou a música numa das febres de pista daquele ano. Sam acaba de soltar um EP novinho, com colaboração do vocalista Name One: Medicine saiu no comecinho do mês pela californiana Culprit e traz três faixas com o trabalho primoroso de Watts: timbres desafiadores de sintetizador (o bassline que derrete e vira do avesso na faixa título é espetacular), percussão eletrônica sempre muito bem pensada (repare nos detalhes que pipocam em "Fading Thought") e alta dançabilidade com descarte imediato de qualquer fórmula ordinária encontrada na dance mainstream atual. Maxxi Soundsystem deveria ser rotulado como Intelligent Dance Music.

"Fading Thought":



"Medicine":

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Holy Moog


A Moog recentemente anunciou a recriação de três sintetizadores clássicos de sua prolífica linha: os modulares System 35 e System 55 e o portátil Model 15. O duo synthpop americano Holy Ghost teve algumas horas pra testar as novas versões dos synths 35 e 55, gravou alguns takes da brincadeira individualmente e depois mixou em seu próprio estúdio em Nova Iorque, segundo informa sua página no Soundcloud. O resultado não é algo que me faça levantar do sofá, mas não deixa de ser uma experiência interessante.

"System 90": 55 + 35, sacou?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Você e Eu, Eu e Você


Em 2015, o hino "Body Language" completa 10 anos. Hitaço de pista, a música foi uma colaboração entre o Booka Shade e M.A.N.D.Y. (Me AND You?), dois projetos alemães que, junto com Thomas Koch (DJ T), também fundaram a Get Physical Music, em 2002 - uma das gravadoras de música eletrônica mais importantes dos últimos tempos. Pra comemorar, o que o M.A.N.D.Y. fez? Uma "Body Language 2015"? Claro que não. Deixa a faixa sossegada que ela é perfeita do jeito que está. O EP novo da dupla Philipp Jung e Patrick Bodmer saiu há poucos dias pela Get Physical e chama-se Gizmo, com a faixa título mais "Montagsmaschine". Tech House paquidérmico e intricado (mas a léguas do pedantismo), ambas mostram o duo direcionando sua música tanto para a cabeça quanto para os membros, o que (quase sempre) é bom sinal.

"Gizmo": Tech House cerebral.   

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Italians Do It Better


Italianos: eles não perdem a mão. De vez em sempre aparecem com um blend irresistível de house e disco e provam continuamente que o pop pode entrar na fórmula sem desandar a receita. A cereja aqui são os vocais doces combinados com o ótimo gancho do baixo. Rude Boy - o EP de estreia dos DJs italianos Matteo Gatti e Diego Escobar, gravando como Los Gatos Escobar - resume-se à faixa título, em sua versão original. Os remixes são frouxos, pode acreditar e "Belong To Me Again" é apenas OK. "Rude Boy", no entanto, soa mezzo 80 mezzo 90 e a despeito de sua sedutora simplicidade, tem bala pra durar mais de um verão nos pendrives de quem a incluir em seu set.

"Rude Boy": fácil de gostar.