quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ritmo da Chuva



Tinha tudo pra ser só mais um remix bagaceira, mas a versão reggae de Junior Blender pro hit "It Will Rain", de Bruno Mars, ficou demais. Metais reluzentes e uma melodia que parece ter nascido pra casar com o ritmo caribenho. Blender, aliás, tem uma batelada de boas versões enfumaçadas pra hits fáceis de gente como Adele ("Rolling In The Deep"), Cee Lo Green ("Fuck You") e até Commodores ("Sail On"). Vale o confere na página do cara.

"It Will Rain": ritmo da chuva.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sexta Feira Bagaceira: 2 Brothers On The 4th Floor


Mal comparando, a eurodance foi o que a perigosamente rotulada EDM representa pros dias de hoje. Vejamos: populista, fórmulas repetidas e com o olhar sempre desconfiado dos puristas. Hm. A receita da maioria dos projetos do gênero vindos - em sua maioria - da Alemanha, Holanda e Bélgica, continha ganchos fortes de sintetizador, refrão repetido ad nauseum, rappers disparando estrofes na velocidade da luz e bumbo quicando nunca abaixo dos 110 BPM. O 2 Brothers On The 4th Floor foi mais uma dessas armações, mas ao contrário de gente como 2 Unlimited e Culture Beat, não teve lá um desempenho realmente digno de nota nas paradas. Apesar dos poucos hits, chegou a ser bem popular em pistas e rádios. O maior sucesso do grupo é "Dreams (Will Come Alive)" (de 1994), que copia algumas ideias do single anterior "Never Alone" (minha preferida). "Never Alone" não é nenhuma obra de arte, mas é bem feitinha, reconheço. Funde (ou dilui, depende do ponto de vista) house, hip hop, Hi-NRG e pitadas de techno numa dance track, acima de tudo, eficiente. Bonitinha, vai.

"Dreams":



"Never Alone":

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Disco Vegana


"My Mind's Made Up", nova do trio holandês Kraak & Smaak, é puro boogie pós-disco, algo 1982. Guitarra funky escovada convive em harmonia com bassline sintético e slaps reais; timbres de teclados com console de madeira emolduram os bons vocais de Berenice (quem?). Quanta gente tem a manha de produzir um negócio assim, tão bom e atemporal, que passa à léguas do pastiche? Bem pouca.

"My Mind's Made Up": disco orgânica.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Lo-Fi Dub


Chiptune é um negócio meio limitado musicalmente e enche a paciência rapidinho. A minha, ao menos. Dei uma segunda chance pro gênero (?) depois de ouvir No Broken Hearts On This Factory Floor, debut do DJ britânico Jackson James Bailey. O fato de Bailey discotecar com fitas cassete já é esquisito por si só, imagina gravar um álbum inteiro de dub reggae em versão 8 bit. É algo como se Lee "Scratch" Perry tivesse comprado um Nintendo do começo dos 80 e resolvesse tirar um som com o bichinho. A faixa de abertura "Helix Dub", com ruídos e ecos tipicamente Perry, deixa isso bem claro:



Basicamente instrumental, No Broken Hearts traz 16 faixas - seis inéditas e dez lançadas anteriormente em singles (Bailey está nessa desde 2009), remasterizadas especialmente para o disco. Única com vocais (de Vernon Maytone), "Old Pan Sound" não fica nada a dever à matriz jamaicana:


A ideia me parece muito original (nunca ouvi falar em chiptune dub, pelo menos) e o melhor, funciona muito bem. Tem melodias lindas e baixos rechonchudos providenciados por tecnologia fora de linha ou, vá lá, por softwares que recriam com precisão esses timbres datados. No Broken Hearts On This Factory Floor é divertido e altamente apreciável, um disco com faixas que raramente chegam aos três minutos - tempo mais do que suficiente pra Bailey abusar da criatividade com os parcos recursos que dispõe. Por enquanto, é meu disco preferido de reggae de 2015.