sábado, 31 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#16: SOHN)


Músico, compositor e produtor, SOHN (o britânico Christopher Taylor) debutou em 2014 com um bom álbum (Tremors) e um single fantástico ("Artifice"). Tremors deixou a sensação que SOHN pode chegar mais longe (leia-se tocar nos players de mais pessoas sem diluir o som) e a julgar pelas três pistas que ele deixou em 2016 (uma delas, "Signal", tem participação de Milla Jovovich no vídeo), é bem provável que isso aconteça no próximo disco, que sai ano que vem. A ótima "Conrad" - que também foi lançada como single - mantém o cuidado com os vocais, emoldurados pelo beat sexy do R&B sintético e um tiquinho experimental de SOHN. Sempre é bom ouvir canções pop desse nível, melhor ainda ver um artista novo arriscando direcionar o gênero para lugares menos iluminados sem soar excessivamente abstrato ou árido.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: 2 Unlimited


O 2 Unlimited foi ideia dos produtores belgas Phil Wilde e Jean-Paul De Coster, com os holandeses Anita Doth (vocalista) e Ray Slijngaard (rapper) na linha de frente. Um dos projetos de eurodance que mais acertou singles e álbuns no alvo (foram mais de 18 milhões de cópias vendidas), o 2 Unlimited sempre teve recepção fria por parte da crítica especializada, que via a banda como uma boa trilha para academia, e só.  

Mas essa armação dançável teve lá seus momentos. Repare no single "The Magic Friend", lançado em Agosto de 1992. Dizem que sua linha principal de sintetizadores foi sampleada de "Are Friends Electric?" de Gary Numan. Os timbres até lembram, mas... não tenho essa convicção. Bom, é esse riff poderoso que acaba sendo o gancho mais forte de "The Magic Friend", bem mais do que o refrão. O rap de rimas fracas de Slijngaard faz o meio de campo, Anita Doth quase passa despercebida e o bumbo na casa dos 140 BPM passa por cima do baixo como um trator. Então o que torna a faixa um clássico pra passar vergonha na pista são essas teclas apertadas na hora certa (o boom do 2 Unlimited no mundo inteiro) e no lugar certo (a Europa dominada pelo então onipresente eurodance).
"The Magic Friend": seria esse amigo, elétrico?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#17: AlunaGeorge)


Começo a desconfiar que a arte do duo britânico AlunaGeorge é destinada pro single. Álbuns já foram dois, o segundo saiu agora em Setembro e ainda dá um certo cansaço ouvir inteiro. Já singles como esse "I'm In Control" destoam do conjunto. Aqui a dupla arrisca uma doce fusão pop/dancehall, com vocais adicionais do jamaicano Popcaan e acerta em cheio na dosagem da mistura.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#18: Leon Vynehall)


O DJ e produtor britânico Leon Vynehall foi um dos nomes mais hypados do mundinho dance em 2016. Seu segundo álbum Rojus (Designed To Dance) fervilha boas ideias, numa house orgânica e percussivamente brilhante. Faixas como essa ótima "Blush" (com um lindo riff de violinos disco) são fáceis de encontrar em meio as oito desse disco, que, se não tem nenhum single memorável assim, de cara, mostra uma coesão do tipo que não te faz querer pular nenhuma música.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#19: Crystal Castles)


Quatro anos sem gravar até o Crystal Castles aparecer em 2016 com material inédito e vocalista nova. Amnesty (I) não fica nada a dever pra quem achava que o projeto de Ethan Kath ruiria com a debandada da performática Alice Glass. Em "Concrete", especialmente, dá pra sacar que Edith Frances pegou o bastão onde Glass largou, disparando seus trinados quase ininteligíveis sobre a base furiosa de Kath. Um redemoinho de sintetizadores numa das melhores faixas do disco.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Melhores do Ano - Músicas (#20: Christina Aguilera Feat. Nile Rodgers)



Não parece haver muito o que comemorar num 2016 que levou tanta gente boa da música (David Bowie, Prince, Maurice White e George Michael, pra citar alguns). Com lacunas impreenchíveis, vida que segue.

Seleção deste ano fica com 20 faixas, apenas. Reflexo do pouco tempo que tive pro blog, provavelmente - porque música eu escutei como nunca. Ou como sempre.

#20: "Telepathy" > Christina Aguilera Feat. Nile Rodgers



Inclusa na trilha da série The Get Down (exibida no Netflix), "Telepathy" é uma sessão potente de pop e funk, com o competente e controlado vocal de Aguilera, metais à moda antiga e a mão direita abençoada de Nile Rodgers. Uma grande canção pop que periga ter passado batida em 2016, infelizmente.   

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Modern Talking


Thomas Anders (Bernd Weidung, na certidão) e Dieter Bohlen sempre carregaram a inevitável pecha de cafona. E, na real, o som era isso mesmo. Letras pueris, hits extremamente parecidos entre si, refrãos preguiçosos e vídeos risíveis de tão ingênuos. A música da primeira fase do Modern Talking (1984-1987) era um mix de disco (baixo com progressão de acordes do tipo "du-gu-du-gu-du-gu", backing vocais exagerados) e a vedete da época, o technopop. Mas deu muito certo, pelo menos comercialmente. Entre singles e álbuns, foram mais de 120 milhões de cópias espalhadas mundo afora. São os artistas germânicos que mais venderam na história.


Quando comecei a me interessar por música pop (entre 1988 e 1989), o som da dupla era figurinha carimbada nas FMs e nas danceterias. Era quase obrigatório tocar "Brother Louie" ou "Atlantis" pra levantar as pistas que eu frequentava. Acho que foi por isso que eles tem um cantinho especial na minha memória afetiva. E, sem pudor, admito que ouço (e gosto, fazer o quê?) de vez em quando o Modern Talking. Você também deve gostar de umas tranqueiras que pelamor... quem não?

"Atlantis (S.O.S. For Love)": inesquecível, para o bem ou para o mal.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Taco



Taco Ockerse nasceu na Indonésia, mas sua carreira engrenou na Alemanha. Ator, produtor, compositor, escritor e cantor, Taco montou sua primeira banda em 1979 (Taco's Bizz), mas assinou solo com a Polydor alemã em 1981.


Seu primeiro single saiu em 1982. "Puttin' On The Ritz" é um cover da canção gravada originalmente por Fred Astaire, em 1930. A idéia era ousada: transformar o swing orquestrado de Astaire num technopop dominado por teclados e baterias eletrônicas. E deu muito certo. Foram mais de um milhão de cópias vendidas somente nos Estados Unidos e a canção ainda entrou no Top 5 de diversos países.


O vocal de Taco - entre elegante e canastrão - casou magistralmente bem com a base sintética, lenta e venenosa. E como referência à Astaire, uma seqüência de sapateado ainda aparece no meio da faixa, entre guitarras funkeadas, percussão e várias amostras absolutamente criativas de timbres de sintetizador. Um single memorável, de um artista que se tornou um dos one hit wonders mais populares dos 80.

No Brasil, "Puttin' On The Ritz" saiu na trilha da novela Eu Prometo, exibida na Rede Globo entre 1983 e 1984.

"Taco": pioneiro do electro swing?

domingo, 11 de dezembro de 2016

Escolha Certa



Mayer Hawthorne tinha tudo pra se transformar no Calvin Harris versão ianque. Os primeiros passos foram semelhantes: estreia promissora, revisionismo, respeito da crítica, atenção do público e a consequente e inevitável aproximação do mainstream. Harris converteu-se num artista dance ordinário, grava com figurões do establishment da música, ganha milhões e coleciona McLarens. Hawthorne continuou destilando seu soul de boa cepa em pequenos selos (à exceção de seu segundo álbum, How Do You Do, que saiu pela Universal) e quase caiu em tentação quando aproximou-se perigosamente do rapper de ladainha fraca Pitbull em 2013 ("Do It").



Felizmente, ao que parece, Andrew Mayer Cohen optou pelo que realmente importa nessa história toda: fazer boa música. Ele possivelmente perdeu público com a escolha, mas acertou pela preferência, porque esse hipotético consumidor de pop rasteiro que coleciona hits no celular tem uma volatilidade totalmente dispensável pra um artista que pensa em seguir carreira fazendo algo relevante. Seu álbum mais recente, Man About Town (2016, Vagrant Records) é mais uma coleção irrepreensível de soul pop sem bolor, sem o ranço "neo-alguma-coisa", excepcionalmente bem produzido (o produtor e DJ belga Vito de Luca - do projeto Aeroplane - e o ótimo Benny Sings estão entre os nomes por trás da mesa de som do estúdio) e, mais importante, delicioso de ouvir. São 10 faixas em pouco mais de meia hora; nada descartável, nada fora do lugar. Longe de ser um disco saudosista, Man About Town aponta para várias direções, entre R'n'Bs sedutores com instrumental cuidadoso e backings maravilhosos ("Cosmic Love", "Book of Broken Hearts"), sacolejos estilosos ("Lingerie & Candlewax", "Love Like That"), blue eyed soul à Hall & Oates ("The Valley"), disco/boogie ("Out of Pocket"), baladas soul viscerais ("Breakfast in Bed", "Get You Back") e até um reggae respeitável ("Fancy Clothes").

Com esse álbum, Mayer Hawthorne merecia bem mais que o modesto nonagésimo lugar que alcançou no paradão da Billboard. Questão é que imagino que ele esteja feliz, mesmo assim. Senão pelos resultados comerciais, pela satisfação pessoal de não se dobrar pra indústria em troca de uns tostões e por continuar fazendo música que coloca um sorriso no rosto de quem se interessa pelo seu incrível trabalho (e não é pouca gente). São trinta minutos de prazer garantido. Não perca.

"Lingerie & Candlewax": uma das faixas de mais um discaço de Mayer Hawthorne.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Sexta Feira Bagaceira: Jive Bunny and The Mastermixers


A ideia do grupo de produtores ingleses que se autointitulou The Mastermixers não era nova. Mixar hits numa mesma batida em medleys caça-níqueis foi a sacada do Ritchie Family em 1976 e mais especificamente dos holandeses do Stars On 45, no começo dos 80. A diferença é que os 45 usavam cantores pra recriar em estúdio canções do principal alvo do projeto: os Beatles. Já o Jive Bunny sampleava na cara dura, mesmo. De Glenn Miller à Bill Haley, do tema de Hawaii 5-O aos Everly Brothers. Como eles fizeram pra licenciar os samples? Ótima pergunta. Mas os autores estão nos créditos da contra-capa do disco e é um bocado de gente (e sei que em alguns lugares, os samples não foram autorizados). O álbum foi, obviamente, execrado pelos puristas (esses chatos) e pela crítica. A saudosa revista Bizz chegou a chamar de "a mais repugnante armação dançável dos últimos tempos". Exagero. Claro que o objetivo era entupir os cofres do pequeno selo Telstar Records - e eles conseguiram: foram três singles em primeiro lugar e o álbum em segundo, na Inglaterra - mas o lance é que era divertidíssimo. Quem imaginaria na virada dos 80 pros 90, com todo aquele papo de verão do amor, nova década e boas vibrações, esse proto-Gorillaz conceitual virar febre de pista com pot-pourris de sucessos de décadas passadas?

"Swing the Mood", o single de estreia de 1989, já foi um estouro de cara: oito samples engavetados num beat contínuo ("In the Mood", de Glenn Miller e "Rock Around the Clock", de Bill Haley, entre eles) fazendo o coelho doidão pular pro primeiro lugar nas charts de onze países e contabilizar vendas com número de cópias acima dos seis dígitos.



Minha preferida é "Rock and Roll Party Mix", uma alucinante colagem de Little Richard, Chuck Berry, Chubby Checker e Ernie Maresca ("Shout! Shout! [Knock Yourself Out])". É um coringa ordinário: não tem festa retrô que eu não toque isso aí. E sempre funciona.