sábado, 29 de junho de 2013

Noites Tropicais


JBAG é um duo electropop fixado em Londres, formado por Andrea Gorgerino (italiano) e Jerry Bouthier (francês). Alguns remixes na pasta (incluindo S'Express, Adamski e Ladyhawke) e a dupla começa a aparecer com trabalho autoral, como essa "Mogadisco", que está na coletânea Soleil Mix 2 do selo francês Kitsuné (sai dia 1º de Julho). O disco traz remixes para artistas já estabelecidos como Two Door Cinema Club e Hot Chip e novidades bacanas, como o próprio JBAG (dá pra entender a ansiedade desse povo pelo verão vindouro no Hemisfério Norte neste minimix no Soundcloud). 


"Mogadisco" é aquele período entre a demo e o produto final em que tudo deu certo. Com cada som no seu lugar, o JBAG tasca uma house chiclete e safada de venenosa em sua estrutura simples de pianinho saltitante e ambiente nitidamente tropical, da música ao vídeo. A simpática animação do clipe, aliás, foi feita pelo DJ e blogueiro curitibano Caio Zini. Sinto cheiro de hit.

"Mogadisco": piano house grudenta.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Sister Sledge


Agora que o Daft Punk já te fez olhar com mais carinho pra disco, que tal começar a vasculhar coisas menos óbvias que "Stayin' Alive" e "I Will Survive"?

O quarteto da Philadelphia Sister Sledge foi formado em 1971, gravaram o primeiro disco em 1975, o segundo em 1977, mas não deslancharam. O sucesso veio mesmo em 1979 com o clássico We Are Family, produzido e executado pelos Midas de então, Nile Rodgers e Bernard Edwards. Aí foi barbada: juntar essas quatro irmãs talentosas com a dupla abençoada do Chic rendeu hits como "He's The Greatest Dancer" e "We Are Family".

De novo com produção da dupla Rodgers / Edwards, o álbum seguinte, Love Somebody Today, de 1980, não repetiu o mesmo êxito do anterior, mas gerou o que pra mim, é a melhor faixa das Sisters. "Pretty Baby" nem chegou a ser single - o que pode ter sido um equívoco - mas é uma canção espetacular. As harmonias vocais são sensacionais, e o instrumental, é perfeição.

É o Chic gravando com as Sisters Sledge: Rodgers na guitarra, Edwards no baixo e Tony Thompson na bateria. "Pretty Baby" tem um padrão de excelência irretocável, tudo muito bem pensado, das palmas no refrão ao piano pontuando a melodia. Agora, o mais impressionante dessa música, é o baixo. Além de preencher toda a base nas estrofes, o que é essa levada no refrão? Bernard Edwards era um gênio das quatro cordas. Foi muito cedo (faleceu de pneumonia em 1996, aos 44 anos), mas me impressiona cada vez que ouço.

"Pretty Baby": um lado B com cara de lado A.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Passou Perto


O filho de Dave Davies (The Kinks) continua tentando. Russ Davies grava desde 2009 como Cinnamon Chasers, já lançou três álbuns e acaba de soltar mais um EP. 


Time.Body.Tears continua a saga nu-disco/synthpop de Davies, privilegiando basslines sintéticos, bumbo pesado e timbres de sintetizadores movidos à carvão. É tudo muito bem feitinho, admiravelmente bem gravado; mas pra cinco faixas instrumentais, faltou um gancho forte, um riff matador pra grudar na mente. Passou raspando o alvo com a house "Body", com seu lindo piano flutuante e baixo com cordas de látex, ou quando ele chama a rapeize pra roda de break com o electro "Time", mas a animação vai por água abaixo com os synths cafonas de "Tears" - que daria uma boa trilha de abertura de programa esportivo da Rede Vida.

Time.Body.Tears: quase lá.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Quarta do Sofá: Phil Collins


Os donos de motel serão eternamente gratos à Philip David Charles Collins. Músico, produtor, compositor e, hmmm... ator, Phil Collins é um dos maiores fornecedores de trilhas pro ritual de acasalamento de todos os tempos - solo, ou com o Genesis pós-Peter Gabriel.


 Faixas como o single "I Wish It Would Rain Down", de 1990, tem presença garantida no playlist adulto-contemporâneo por gerações. Melosa, exagerada, grandiosa - com coro gospel e tudo - a canção chegou à sétimo lugar no paradão inglês, cimentando uma carreira que cravou 25 hits no Top 40, só na Inglaterra. Hitmaker nato. A guitarra é de um tal Eric Clapton.

Collins anda sofrendo com problemas de saúde ultimamente, que o impedem de cantar e tocar bateria - tanto que anunciou seu afastamento da música em 2011, provavelmente pra não voltar mais. Tem nada não, Phil. Teu legado é enorme.

"I Wish It Would Rain Down": hitaço.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Amanteigando


O conterrâneo Breakbot passou um cremezinho na melhor (leia-se única) faixa do último álbum do Phoenix, o fraquíssimo Bankrupt!. "Trying To Be Cool" passou do indie dance original ao french touch elegante de Breakbot e, com o perdão do trocadilho lamentável, ficou muito legal. Corre lá no Soundcloud que dá pra baixar sem culpa.

"Trying To Be Cool": conseguiu.

Freak Show


Não sei o que é mais estranho: o novo corte de cabelo do Trentemøller, sua nova música ou o vídeo pra ela. 


"Never Stop Running" é o primeiro single do novo álbum do dinamarquês, chamado Lost, que deve sair ainda este ano. A faixa tem os vocais dramáticos do cantor do The Drums, Jonathan Pierce, uma programação frenética de percussão e sintetizadores tristonhos. Tomara que não seja uma pista de como deve soar Lost.
"Never Stop Running": gente esquisita.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Segunda Class: Paul Hardcastle



Os puristas detestam. Azar deles. Paul Hardcastle continua firme, mandando seu smooth jazz eletrônico de ambiências sutis e agradáveis. Seu álbum mais recente é Hardcastle VII, saiu agora em Fevereiro. Minha preferida do britânico ainda é o electro "Rain Forest" (1985), mas esse disco novo tem uma sonoridade tão rica em seu paisagismo sonoro que evoca céus de brigadeiro, brisas suaves, pores do Sol e praias paradisíacas, que ele nem precisa de outro hit como esse. 


 Hardcastle saca tudo de sintetizadores, programações e tem um bom gosto enorme na escolha de cada detalhe (saxofones, violões, xilofones, percussão e trompetes). Fez mais um álbum que cumpre com louvor o que se espera dele: jazz relaxado e executado com perfeição. Discão.

"The Truth (Shall Set You Free)": jazz sem improviso.

domingo, 23 de junho de 2013

Deformando o Óbvio


Não sou lá muito fã do Modeselektor. Nem do Apparat. Reconheço que a produção é esmerada e a criatividade é manifesta em batidas e timbres não convencionais, mas ambos os grupos tem um certo apreço por levar esse modo de distorcer a eletrônica até que ela beire a bizarrice, com as levadas tortas e o clima árido do Modeselektor e as composições e texturas amargas do Apparat. Decididamente, não é muito fácil digerir.


Acontece que Gernot Bronsert e Sebastian Szary (do Modeselektor) e Sascha Ring (Apparat) uniram-se em 2003 no projeto paralelo Moderat, que acabou resultando em alguns EPs e, em 2009, num álbum autointitulado. E deu caldo. Tanto que depois de seis meses trancados no estúdio, o trio retoma as atividades em 2013 com mais um disco de inéditas, chamado II.

Imediatamente mais acessível do que os trabalhos titulares, os alemães mantém uma distância segura do pop, embora algumas canções utilizem elementos próprios ao gênero, como a estrutura de estrofe, refrão e melodia. O exemplo mais claro está no primeiro single do disco, "Bad Kingdom": uma oscilação de baixa frequência do sintetizador impõe a pulsação que serve de base para os vocais e a batida que vai sendo construída aos poucos. Aliás, o modo como o Moderat dedica-se à voz em II é um capítulo à parte. Em "Let In The Light", as notas delicadas de teclado aliviam o tom doloroso que o pitch baixo a que os vocais foram submetidos oferece. Já em "Therapy" e "Versions", é o contrário: a velocidade das vozes é alterada para a posição "higher", o que causa um efeito angelical. Em "Gita", o canto é recortado por loops, e só na delicada "Damage Done" as coisas voltam ao normal. Menção honrosa para os beats engenhosos de "Ilona" e "Versions" e o techno engrenado e áspero da instrumental "Milk".

II é um disco que explora com inteligência e aplicação o que a tecnologia oferece, com filtros, reverbs, distorção e efeitos varrendo as 11 faixas. Só que o Moderat administra e equilibra tão bem os recursos, que afasta a música da trivialidade ao mesmo tempo que não a torna inaudível.

"Bad Kingdom": techno e pop. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Fax Yourself


 Mas como é que eu vou saber quem foi o Fax Yourself? Ah sim, o Google. Descobri que Jack Mauer e Marc Neuttiens estavam por trás desse projeto belga, mas são nomes que não dizem muito pra mim. Não dizem nada, na verdade. Nunca ouvi mais gordos. E que diferença faz? Deixaram meia dúzia de singles sob essa alcunha e sua versão para "Walking On Sunshine" (original de Eddy Grant) merece um lugar especial no case de qualquer DJ.

A "Sunshine 89" do Fax Yourself foi montada com base em três samples: uma frase de "The Magnificent Seven" do Clash, todos os vocais de "Acapella Sunshine" do Rockers Revenge (projeto de estúdio de Arthur Baker) e o piano sintético de "Big Fun", do imaculado Inner City, de Kevin Saunderson. Mauer e Neuttiens tiveram a manha pra montar o quebra-cabeças e o resultado foi esse balaço de pista.

A frase extraída de "Beat The Rhythm", do Tek Noir, é o melhor conselho: "Move and house your body right".

"Sunshine 89": entre o new beat e a acid house.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ode Ao Barulho


 Acabei de ouvir o novo do incensado Fuck Buttons, Slow Focus (o lançamento oficial é 22 de Julho). A capa do terceiro álbum dos britânicos Andrew Hung e Benjamin John Power é essa biju aí abaixo.


 Eu já imaginava como seria, mas resolvi arriscar. Preconceito não é comigo. Seria burrice não tirar um tempinho pra escutar o que potencialmente poderia ser um dos discos do ano, já que muita gente jogou Tarot Sport - o álbum anterior da dupla - em várias listas de melhores de 2009. Não rolou. Falta de paciência minha? Pode ser. Mas não vou ouvir de novo pra eliminar essa dúvida. O duo de Bristol dividiu 52 minutos em sete ataques carregados de dissonâncias, arpejos, minimalismo, distorção, desordem, caos, ou, se você preferir, em algo que chamam de drone - que pode ser definido atualmente como o fim da linha que divide eletrônica experimental e post-rock (esse rótulo é o máximo). É o equivalente sonoro da sua máquina de lavar centrifugando com o pé quebrado. La Monte Young deve estar às gargalhadas.

Slow Focus, inteiro no Youtube. Te propõe?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quarta Do Sofá: Culture Beat


O Culture Beat é um projeto germânico de eurodance. Teve alguns hits no começo dos 90 ("Mr. Vain", o mais emblemático). 


O primeiro single do terceiro álbum da banda, Inside Out, foi lançado em Novembro de 1995. Imagine que o maxi-single em CD veio com sete versões diferentes. O CD de remixes, lançado pouco depois, veio com 11 (!) variações do mesmo tema. Bom, uma das interpretações pra "Inside Out" que aparece no single é a "Not Normal Mix", despida da jamanta de sintetizadores da original, sem bateria e sem o rap de Jay Supreme. Só o vocal arrepiante da ótima vocalista Tania Evans, um violãozinho pra acompanhar e uma caminha bem fofa de teclados.

É uma prova simples de que por trás daquela tranqueira cibernética, há uma música emocionante respirando.

"Inside Out (Not Normal Mix)": melhor que a original.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Dance Music For The Masses


Não é propriamente uma revolução. Acontece que, de tempos em tempos, aparece alguém com um balão de oxigênio pra entubar na fuça de um gênero que anda apanhando mais que mulher de malandro: a dance music. Maltratada de todas as formas ultimamente e elevada à palhaçada EDM, a pior música de pista que se houve hoje em dia é a que está mais perto de você. No rádio, na TV, nos números acima de seis dígitos do Youtube, no festival patrocinado pela cerveja, na boate com ingressos à preço de derrubar todo o primeiro escalão do Ministério da Fazenda.


Calhou desse Messias vir como uma dupla: dois moleques ingleses que tem a palavra TALENTO estampada em caixa alta nas camisetas... e eles tem a manha. Tão novos e já sabem como o jogo é jogado: um single número dois e um álbum de estreia no topo da parada britânica não vão ser suficientes pra estragar esses guris. Porque eles tem a exata noção de que não há revolução (ou qualquer coisa que o valha) dando zero no Ibope. O que faz a diferença é que com Settle, o Disclosure entra pro seleto clube de artistas que sabem a hora certa de arriscar, de não deixar o impulso tentador de procurar as soluções mais corriqueiras pra tentar fazer sua música subir mais alto tomar conta dos dedos na hora de girar os botões da mesa de som, como no single "White Noise": os vocais infantilóides de Aluna Francis (do duo AlunaGeorge) aparecem mantidos à rédea curta pela base de ruído melódico criada pelos irmãos Lawrence. 

Settle tem dois lados bem distintos. Um, é ótimo. O outro, espetacular. São muitas ideias boas fluindo em 14 faixas (e a edição de luxo tem mais quatro extras), como a que transforma uma palestra motivacional do ex-jogador de futebol americano Eric Thomas em vocais para a house matadora "When A Fire Starts To Burn" ou a que chama a cantora pop Eliza Doolittle pra quebradeira do future garage na sensacional "You & Me". O Disclosure experimenta e se dá bem com a deep house em "Boiling", sustentando os vocais carregados de reverb de Sinead Harnett com uma linha de baixo emborrachada e sintetizadores ambient, explora com dedicação cada batida no espetáculo percussivo de "Tenderly", atualiza o soul para as pistas 2013 com a voz incrível de Sam Smith em "Latch" e transforma o hi-hat no elemento mais importante da bateria em "Defeated No More", "Voices" e "Help Me Lose My Mind" (essa com os vocais sentimentais de Hannah Reid, do London Grammar - outra banda que vale ficar de olho).  

Foi por pouco, mas felizmente - pra quem acha que um debut irretocável pode fazer a soberba ou a preguiça aparecer - esse não é um álbum perfeito. O que elimina a possibilidade do dez são apenas duas escorregadas: a fraca "Stimulation", com samples da cantora folk Lianne La Havas sendo jogados por cima de um instrumental abaixo do padrão do resto do álbum e a repetitiva e ligeiramente irritante "Grab Her!". No final das contas, o saldo é altamente positivo. Tanto que eu acho muito, muito difícil alguém aparecer este ano com algo tão divertido, esperto e dançante quanto a música que o Disclosure oferece em Settle. E espero que São James Brown não deixe esses garotos caírem na tentação que o mainstream (que se abriu como uma flor para a dupla) oferece.

"You & Me": quebradeira em favor do ritmo.


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Segunda Class: Pet Shop Boys


 Quando um lado B é uma coisa tão absolutamente sensacional como "Decadence", já dá pra medir o quão incrível é o repertório de uma banda. A bem da verdade, sou mais essa canção do que o própria faixa principal do single Liberation (1994). Aqui temos um arranjo de cordas magistral feito por Richard Niles - produtor e arranjador de ícones dos 80 como Swing Out Sister, Living In A Box, Was Not Was, Frankie Goes To Hollywood e Grace Jones. O violão e uma guitarra plugada num wah-wah são de um tal Johnny Marr, conhece? Bom, é só meu guitarrista preferido em todos os tempos. Aí entra o falsete inconfundível de Neil Tennant desfilando elegante por esse easy listening e o sorriso se abre involuntariamente. Maravilha.

Enquanto estamos na espectativa pelo novo álbum da dupla (Electric, sai mês que vem), é legal dar uma chafurdada no arquivo dos Pets. Sempre tem coisas que merecem ser ouvidas e/ou reavaliadas.

"Decadence": "...You don't care about real life..."

domingo, 16 de junho de 2013

Robôs Com Alma


Não que eu esteja atrasado. Fato é que não dá pra digerir rápido o novo disco do Daft Punk. E a esta altura, você já leu tudo sobre ele.


  Você leu que Random Access Memories é a aproximação do Daft Punk com um som mais orgânico, vivo, que eles são alunos estudiosos, aplicados e amantes dos grooves setentistas desde sempre.

Que ficou muito mais difícil pra Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter criar música do nada. Mas o resultado compensou, porquê desta vez a dupla vem apoiada em inspiração e influência e músicos do naipe do gigante Nile Rodgers, não em samplers. Não que o sampler significasse menos qualidade para o Daft Punk. Nada disso. Chupar grooves semi-desconhecidos com a maestria que o duo pratica e transformar isso em hit mundial sem enquadrar a música numa fórmula de sucesso já comprovado é para pouquíssimos.

Que esse disco pode (e vai) derrubar vários (pré) conceitos, como o que joga Barry Manilow, Alan Parsons, Eagles ou 10cc na vala comum da cafonália, por exemplo. E o que tem da musicalidade pulsante e efervescente do som desse pessoal em Random Access Memories, só caras com uma reputação praticamente inatacável musicalmente como a do Daft Punk pra abalizar e fazer com que uma legião de detratores dê o braço a torcer.

Que no soft rock "Instant Crush", até Julian Casablancas (não estranhe ele num álbum do Daft Punk: Julian já se afastou da fórmula vencedora de Is This It? há tempos) aparece vocoderizado, num refrão emocionante; que "Touch" é uma espécie de Barry Manilow progressivo, com arranjos de cordas adocicados e backing vocals tipo musical da Broadway; que "Get Lucky" dificilmente não vai ser a música do ano; que o groove lento, o ótimo falsete de Pharrel Williams e a guitarra sinuosa de Nile Rodgers fazem do funk "Lose Yourself To Dance" uma das melhores dance tracks dos últimos meses e que, finalmente, Giorgio Moroder recebe uma homenagem à altura de sua genialidade.

Mas tudo isso você já sabia.

PS.: é um dos discos mais legais do ano, sim.

"Lose Yourself To Dance": nu-disco é isso aí.

sábado, 15 de junho de 2013

Hear The Drummer Get Wicked

 

Engraçada a música eletrônica. Como é que algo pode soar ultrapassado, se é o som do futuro? Bom, o Mixhell é assim. A dupla formada por Iggor Cavalera (ex-batera do Sepultura) e sua esposa Laima Leyton (mais o produtor Max Blum), acabou de lançar seu primeiro álbum, Spaces. O problema é que o autoproclamado mix "parte animal, parte máquina" não funcionou em estúdio. Na maior parte do tempo, aproxima-se do big beat mais visceral dos 90, algo que em 2013 está nitidamente fora de lugar. Funde instrumentos convencionais (especialmente baixo e bateria) com efeitos datados, no mau sentido da palavra.

"The Way", por exemplo, é claramente influenciada pela surrada "I Feel Love", de Donna Summer e Giorgio Moroder, dos arpejos de sintetizador à idêntica melodia vocal. "White Ropes" é um som que o Propellerheads fazia em 1998, e a aridez de faixas como "The Shape" e "Antigalactic" não deixa muitas opções pro ouvinte.

Até entendo, porque já vi o live do duo (abriram pro Moby em Abril de 2010, em Porto Alegre) e a energia da performance ao vivo somada à uma boa escolha de set (quando assisti, até "Rhythm Is A Dancer" do Snap! rolou), é realmente difícil de levar pro disco. 

Spaces tem pelo menos duas faixas que podem apontar um caminho pra esse Mixhell que quer lançar discos. Quando o uso da bateria é contido e o foco é mantido no ritmo e no groove, saem coisas como a simpática "Daria" ou o tech house "Come With Me", discreto, mas eficiente. Ou seja, talento, há. Faltou lapidar.

"White Ropes": quinze anos de atraso.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sexta Feira Bagaceira: The Twins

 
 
Eu ouvia aqueles sintetizadores dramáticos e aquele tom de voz apocalíptico de Ronny Schreinzer e parecia que a letra tratava de uma hecatombe nuclear, que o fim estava próximo, que o telefone vermelho iria tocar na mesa do Reagan e ele ia se dirigir à salinha secreta da Casa Branca e levar sua mão trêmula ao botão que mandaria uma chuva de ogivas à União Soviética, terminando de vez com aquela troca de ofensas e piadas de mau gosto com Leonid Brejnev. 


 Mas não era bem assim. Bastava ver uma foto do Twins e entender o que dizia a letra de "Face To Face - Heart To Heart" pra sacar que por trás daqueles ternos com ombreira à lá Didi Mocó, batia um coração despedaçado por um ex-amor.

Lançado pela dupla alemã em 1982, o single foi sucesso internacional. Synthpop clássico flertando com a ítalo disco, "Face To Face" foi o melhor single do Twins. Quase repetiram a dose com "Ballet Dancer" (lançada um ano depois), que não fez feio, mas sua execução e vendagens expressivas ficaram restritas à Europa.


A partir daí, os gêmeos não conseguiram engatar mais nenhum sucesso, e apesar de sua curta discografia (apenas seis discos lançados, desde 1980), a banda ainda está na ativa.  

"Face To Face - Heart To Heart": gancho de sintetizador inesquecível.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

RPM X New Order


Dia desses estava ouvindo o Revoluções Por Minuto, ótimo debut do RPM, e durante a faixa "Liberdade / Guerra Fria", me bateu um déjà vu sonoro. Ouvi de novo. Mais uma vez. Hm. Aquela linha de sintetizador que entra aos exatos 00:25 segundos da música não era estranha. Repeti mais umas cinco vezes.




Caiu a ficha. Era "Touched By The Hand Of God", do New Order. Ouça os synths aos 00:10 segundos:




A progressão de acordes, os timbres... olha, sei não. O disco do RPM é de 1985, esse single do New Order é de Dezembro de 1987. Alguma chance de Barney Sumner ter ouvido o Revoluções? Pouco provável. Acredito em coincidência e só.



Se bem que o New Order já foi acusado de plágio pelo finado John Denver, logo após o lançamento do álbum Technique, de 1989. Segundo Denver, a faixa "Run" continha violões idênticos à sua "Leaving on a Jet Plane". O caso não foi para os tribunais, mas o New Order concordou em creditar a coautoria de "Run" à John Denver, admitindo a culpa.

Paulo Ricardo, tenho um amigo advogado especialista em causas de plágio. Depois te passo o número.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Quarta do Sofá: Roxette



 Herdeiro direto da perfeição técnica direcionada ao single do ABBA, os também suecos do Roxette empilharam hits no final dos 80 e começo dos 90. A dupla vendeu mais de 60 milhões de discos em uma carreira que dura até hoje. Autores de alguns dos rocks mais canalhas dos 90 ("Joyride", "How Do You Do!", "Sleeping In My Car"), Marie Fredriksson (vocais) e Per Gessle (guitarra e vocais) se davam bem mesmo com as baladas açucaradas e, justiça seja feita, de refrões inesquecíveis.


"Queen Of Rain" é um single de 1992 e, para o padrão Roxette, nem teve um desempenho brilhante nas paradas. Mas como tudo que o duo lançava na época virava sucesso, as rádios martelaram por meses essa faixa extraída de Tourism, um álbum composto por lados B ao vivo e inéditas de estúdio. Uma tonelada de sintetizadores, violões dedilhados e um simpático oboé fazem de "Queen Of Rain" uma canção especialmente bonita.

"Queen Of Rain": Fredriksson afinada.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Califórnia Australiana


Não sei se o Midnight Juggernauts ficou pilhado com a recente popularidade da neo-psychedelia dos seus conterrâneos do Tame Impala, mas a banda mergulhou de cabeça na efervescência colorida da California sessentista em Uncanny Valley, seu terceiro álbum a ser lançado oficialmente esta semana.


OK, eles sabem dosar a mistura. O trio vai equilibrando lisergia e eletrônica em porções homeopáticas, o que garante uma certa homogeneidade ao disco. "Melodiya" e "Streets of Babylon" celebram o passado recente da banda, com batidas dançantes e linhas de baixo enérgicas e grooveadas. "Sugar and Bullets" mantém o sacolejo eletrônico, mas os vocais são embebidos em éter e vão sumindo no ar junto com os teclados. "Systematic" é a mais orgânica e distorcida das dez faixas, com uma boa levada de baixo e bateria. Já a balada "Master of Gold" é o sinal de alerta da combinação chegando no limite: violões, percussão e efeitos de vento na planície quase colocam tudo a perder. Claro que nem tudo são flores (no cabelo). Quando os Juggernauts erram, saem coisas como a esquisitíssima "Another Land" (um synthpop de tons apocalípticos) ou a sinfonia de bolso "Memorium", com vocais sonolentos e instrumental indeciso.

O grande trunfo de Uncanny Valley é o single "Ballad of the War Machine", um momento de suprema inspiração dos australianos. Sob uma produção minuciosa, o grupo conseguiu juntar vocais flutuando entre bolhas coloridas, guitarras derretendo no ácido, uma batida lenta, sexy e funky, sintetizadores com timbragens de ARP e Moog e um enigmático jogo de palavras no refrão que diz “Godspeed, travel well / Lightning in a bottle cracks a spell / Godspeed, travel well / Fever through your body raising hell”, e que mesmo assim, gruda com espantosa facilidade no cérebro. Uma das músicas do ano. Espetacular.

"Ballad of the War Machine": Top 10 2013.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Segunda Class: Ed Motta


AOR é a sigla para album-oriented rock, um termo que define um formato de rádio FM popular nos Estados Unidos dos anos 70, com foco na execução aleatória das faixas dos álbuns, e não somente dos singles. Caracterizou-se musicalmente pela produção impecável e qualidade técnica inquestionável dos artistas incluídos no playlist.
 


É esse também o título do novo disco de Ed Motta. Ouça e note conexões aparentemente impossíveis com Random Access Memories do Daft Punk. Sim, está tudo ali: Chicago, Steely Dan, Supertramp, Doobie Brothers... Embora Ed cante em português, confesso que não entendo boa parte das letras. Mas, sinceramente, isso não faz a menor diferença. É um disco que desce redondo numa segunda feira com olheiras como essa (como todas, na verdade).

"Flores Da Vida Real": numa relax, numa boa.

domingo, 9 de junho de 2013

Compare e Comprove


Comparações são mesmo necessárias na hora de falar sobre um disco? Depende. O que soava parecido com Kraftwerk, Joy Division, Roxy Music, Pink Floyd, Velvet Underground, Jesus & Mary Chain, Aphex Twin, The Doors? Nada. Artistas absolutamente inovadores como esses cravaram suas bandeiras no Everest musical (essa foi horrível) e mudaram os rumos do pop, influenciando de maneira imensurável o que veio depois deles. Então, o que restou para as gerações subsequentes? Absorver essas influências, fundir, misturar, tentar criar algo novo a partir das sementes lançadas anos atrás.

OK, mas isso você sabe. Então porque essa filosofia de almanaque enquanto divagação de boteco?


Bom, o Editors está com álbum novo prontinho pra ir pras prateleiras. The Weight Of Your Love sai oficialmente dia 1º de Julho e é o quarto da discografia - o primeiro sem o guitarrista e tecladista Chris Urbanowicz, que saiu alegando estar descontente com os rumos musicais que o grupo estava tomando (a desculpa mais habitual pra esse tipo de situação). Sintomaticamente, The Weight Of Your Love tem muito menos sintetizadores que seus antecessores. Segundo o vocalista e letrista Tom Smith, o Editors tem se aproximado cada vez mais da sonoridade de bandas como R.E.M. e Arcade Fire, mais simples e menos experimental. Na verdade, eles tiram o Joy Division da alça de mira e apontam agora na direção de Ian McCulloch e seus homens-coelho.

The Weight Of Your Love é o Ocean Rain do Editors, levando em consideração a orientação musical: escalas menores, orquestrações de sonoridade oriental, sutil, deprê. O Echo & The Bunnymen começou a usar cordas em suas canções com o single "The Back Of Love" de 1982, mas foi em Ocean Rain que a coisa tomou a proporção de orquestra. E não para por aí. Além da voz de Tom Smith lembrar muito o McCulloch do começo dos 80, ecos dos arabescos sedutores das guitarras de Will Sergeant são fáceis de encontrar dispersos pelas 12 faixas do álbum, especialmente bem colocados entre a ótima linha de baixo e o loop de bateria de "Sugar" e no single "A Ton Of Love". A temática romântica de tons monocromáticos que caracteriza as letras de Tom Smith encaixa-se perfeitamente à doçura dos arranjos ("Honesty"), embora soe exageradamente suntuoso às vezes ("Nothing") e a decisão de gravar ao vivo boa parte do material do disco mostrou-se acertada nos momentos em que o andamento do metrônomo dispara (provavelmente na ótima "Formaldehyde" e nos violões blueseiros de "The Weight").

Agora, esse confronto faz alguma diferença no produto final? Nesse caso não. O Editors tem todo direito de reivindicar para si vestígios de Echo & The Bunnymen, sem que isso signifique um simples pastiche. A banda fez de The Weight Of Your Love um álbum inspirado num darkismo que enxerga o amor de uma forma sinuosa e amargurada, mas com lindas melodias e repleto de boas músicas. Isso é suficiente para livrá-los da pecha de meros copiadores.

"A Ton Of Love": nuvens escuras à vista.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Ultraje A Rigor


O Ultraje a Rigor foi ímpar. Cínicos, debochados, bem humorados - e extremamente espertos. Tudo obra da cabeça privilegiada de Roger Rocha Moreira, um paulistano de olhar aguçado e pena afiada. Suas letras deixaram uma marca indelével no pop nacional, desde o primeiro compacto Inútil / Mim Quer Tocar - censurado durante alguns meses de 1983, até ser finalmente liberado para as rádios e disponibilizado nas lojas.



Eu Me Amo / Rebelde Sem Causa saiu no ano seguinte. O lado A "Eu Me Amo" é uma impagável ode à autoestima com a já habitual gaiatice de Roger tecendo versos como "Eu que queria tanto ter alguém / Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém / Longe de mim nada mais faz sentido / Pra toda vida eu quero estar comigo". Genial. Do outro lado, a não menos brilhante "Rebelde Sem Causa". A letra narra de forma hilária a situação de um adolescente classe média alta, que simplesmente não tem do que reclamar: é paparicado pelos pais a ponto de ganhar uma guitarra por que a mãe acha bom que ele caia na farra ou ser presenteado com um carro pelo pai, porque "filho homem tem que ter um carro seu". Então, de que forma amadurecer como um cara normal sem questionar nada do que te rodeia? Não sei se a história é autobiográfica, mas Roger colocou tudo com uma precisão absurda, equilibrando perfeitamente o bom humor com as incertezas que vão aparecendo na vida de quem começa a ver os pelos crescendo pelo corpo - mesmo que Roger já estivesse beirando os 30 anos em 1984.

"Rebelde Sem Causa" foi impecavelmente produzida por Pena Schmidt e Liminha - os principais artesãos do pop brasileiro dos anos 80. A dupla explorou todos os recursos que dispunha na época para gerar uma faixa pop bem ao gosto da new wave de então: efeitos (a moto arrancando na abertura), baterias eletrônicas, a mixagem precisa do baixo e o timbre limpo de guitarra em um riff palhetado memorável. Apesar do contratempo da caixa na batida sincopada quebrando o andamento, foi hit nas danceterias. E nada me tira da cabeça que a bateria dos 15 primeiros segundos da introdução foi inspirada nos 30 segundos finais de "Jumping Someone Elses Train" do The Cure.

As quatro faixas dos dois primeiros compactos do Ultraje foram incluídas no álbum de estreia da banda, Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985), colocando o LP numa posição confortável e fadado ao sucesso. Assim foi: nove das onze faixas foram tocadas à exaustão e o debut passou de 250 mil cópias vendidas.

O Ultraje hoje só tem Roger como membro original e está empregado como banda de apoio do melhor talk show da TV brasileira atualmente, o Agora é Tarde de Danilo Gentili, exibido na TV Bandeirantes.

"Rebelde Sem Causa": rock com QI acima de 170.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Pop Song Da Semana: "Neon (Lonely People)"


Putz. Linda essa Lena Meyer-Landrut. Alemã, só 22 aninhos. Venceu o festival Eurovision de 2010. Dois - dos três álbuns que ela já lançou - chegaram no topo da parada germânica. Não é pouca coisa. "Neon (Lonely People)" é um single lançado em Fevereiro e mostra que Lena tem um bom senso pop: ela foi uma das autoras da música. E canta direitinho. Nem precisava. Com essa carinha aí...

"Neon (Lonely People)": solidão que nada. Ó eu aqui, Lena.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quarta Do Sofá: Benjamin Orr


Benjamin Orr inaugura uma nova seção do blog, de nome tão cafona quanto suas intenções musicais. Afinal, a Quarta Feira não é o Dia Internacional do Sofá (argh)?

Orr foi baixista e vocalista do Cars, boa banda pop / new wave americana. Saiu em carreira solo em 1986, e é desse ano seu maior hit, o single "Stay The Night". Não teve desempenho lá muito brilhante nas paradas (apenas número 24 no Hot 100 da Billboard), mas garantiu airplay incessante desde então pelas rádios do segmento Adulto Contemporâneo do mundo todo. No Brasil - com os singles já praticamente extintos do mercado - saiu na trilha da novela O Outro, de 1987. Acabou sendo seu réquiem: Orr faleceu em 2000 e "Stay The Night" permaneceu como seu maior sucesso.

"Stay The Night": pop envernizado.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Sombra da Luxúria



Primeiro, a apresentação: em 2009, o sueco Hannes Norrvide juntou-se à alguns amigos que estavam formando uma banda punk, mas logo decidiu fazer música sozinho com seu sintetizador. Os primeiros experimentos do Lust For Youth eram extremamente barulhentos e direcionados para o gótico / darkwave. Depois de alguns compactos de sete polegadas e cassetes lançados, Norrvide chegou ao álbum de estreia em 2011, Solar Flare. Após o lançamento do disco e com uma série de shows previstos, Loke Rahbek foi chamado para os vocais. A dupla então muda-se da Suécia para a Dinamarca e chega ao segundo disco ano passado (Growing Seeds). Em 2013, mais um álbum: Perfect View sai em Julho.


É - até agora - um dos lançamentos mais instigantes e curiosos do ano, no campo da eletrônica. 
Pós-punk de tons enegrecidos que dispensa formalmente o uso da guitarra em favor de sintetizadores minimalistas, baterias eletrônicas toscas e vocais quase soterrados na mixagem, despejados como se fossem palavras de ordem. Isso quando há vocais. Das dez faixas de Perfect View (contando a bônus track da edição em CD), três são instrumentais - e esse é o primeiro ponto: essas canções são preenchidas com samples ininteligíveis de vozes enigmáticas falando sabe-se lá sobre o quê. Em "Barcelona", lembra um diálogo extraído de algum filme e em "Perfect View", são exclamações orgasmáticas mixadas com um discurso obscuro nos seus quase oito minutos de sintetizadores em círculos. "End" é quase uma vinheta, intermináveis noventa e oito segundos de aflição que acabam misteriosamente. "Image" também é curta na duração, com teclados exagerados e bumbo que faria Stephen Morris do New Order ficar coçando o queixo. A voz atormentada de Loke Rahbek surge nas canções como uma pregação às avessas, esbanjando melancolia. É o que se ouve no single "Breaking Silence", um synthpop de timbres limpos e flutuantes - bem diferente da opaca "Another Day". Uma virtude no som do Lust For Youth (ou defeito, depende do ponto de vista), que pode gerar encantamento e antipatia em doses iguais, é a estranha inclinação do duo em afundar boas melodias sob irritantes zumbidos e distorção ("Vibrant Brother", "I Found Love"), o que pode ser indício de uma provocação aos moldes do precursor Jesus & Mary Chain. Entre otimista e despedaçado, o disco encerra com o onipresente Ian Curtis acenando na curta letra declamada à força de "I Found Love In A Different Place".

Olha,
Perfect View soa estranhamente sedutor, econômico nos arranjos e honesto na intenção. É um tanto doloroso, mas tem momentos de beleza inquestionável. Vale a experiência.

"Breaking Silence": para não apreciar o silêncio.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Segunda Class: Ulrich Schnauss


O prolífico produtor alemão Ulrich Schnauss voltou a se concentrar em um álbum solo, depois de seis anos colaborando com outros artistas.


A Long Way To Fall foi lançado em Janeiro, e a despeito de acusações como "falta de inovação" ou "zona de conforto" descritas por seus detratores, é um belíssimo álbum de eletrônica. Escolha sua tag preferida (ambient techno, chill out, downtempo) e mergulhe no oceano de sons que Schnauss espalha pelo disco: beats macios emoldurados por timbres encantadores ("Like a Ghost In Your Own Life"), cristais sintetizados pontuados por violoncelos ("A Forgotten Birthday"), ruído eletrônico vertido em melodia ("Borrowed Time"), programações enigmáticas ("Broken Homes") e uma clara influência do dream pop do Cocteau Twins de Robin Guthrie e Liz Fraser nas várias camadas de som da etérea "A Long Way To Fall".

É um clube cada vez mais restrito esse que inclui artistas relevantes de música eletrônica contemporânea. Schnauss tem a carteirinha. 

"A Long Way To Fall": melodias que evaporam.

domingo, 2 de junho de 2013

Eles Continuam Odiando Jazz

 
Quando vi que o Johnny Hates Jazz lançou disco novo - 22 anos de silêncio depois - não resisti. Baixei na hora e... peraí! Não fecha a página! Sério. Isso pode ser legal (acho).

Que banda é essa?
Primeiro: "Shattered Dreams" é legal, vai. É, de fato, o single de estréia do grupo, de 1987, hitaço. Pop sofisticado e cafona ao mesmo tempo, daquelas faixas que todo mundo odeia dizer que gosta. OK, acho que ninguém lembra de mais alguma coisa relevante deles, mas one hit wonders tem meu respeito. 

Segundo: quer dois bons argumentos pra não mandar o Johnny pro inferno (sem ao menos ouvir antes)? Lá vai: o grupo já contou com Phil Thornalley na formação (multi-instrumentista de uma das inúmeras formações do inatacável The Cure). Rá. Boa, hein? Outra: Anne Dudley (produtora e compositora pra lá de talentosa, cofundadora do Art Of Noise) já trabalhou com a banda. São dela os arranjos de Turn Back The Clock, debut de 10 faixas dos ingleses.


 E o que tem de bom em Magnetized, terceiro álbum do Johnny Hates Jazz?
Olha, não é muita coisa, mas o que tem de espetacular em álbuns pop hoje em dia? O Johnny tá na média, com a vantagem de direcionar seu som pra quem não tem paciência com ídolos teen. A dica é: esqueça as baladas melosas (não vai sobrar quase nada, eu sei) e marque as faixas, hãããã, mais animadas. Elas são garantia de ótima trilha pra cozinhar um macarrão pros amigos. O single "Magnetized" é uma belezinha, por exemplo. Tudo no lugar certo: estrofe, refrão, teclados, batida dançante. Menos de quatro minutos de pop na medida pro airplay adulto-contemporâneo (alô, Antena 1!). "You Belong To You" tem aquelas guitarrinhas inofensivas de metal farofa, "Release You" e "Nevermore" não fariam feio no catálogo do Toto e "Lighthouse" vem direto dos 80 com os infalíveis "ôôô-ôôô" apoiando o refrão. Menção honrosa para o bom soft rock jazzístico (mas o Johnny não odeia jazz?) "Goodbye Sweet Yesterday". 

Clark Datchler (vocais, teclados) e Mike Nocito (baixo, guitarra) fizeram de Magnetized um álbum pop que não tem nenhuma outra intenção que não seja distrair o ouvinte. E, pelo menos na metade dos 46 minutos de duração, consegue.

"Magnetized": pop inofensivo.


sábado, 1 de junho de 2013

Previsões


Aconteceu exatamente como eu previ.


Em Agosto do ano passado, escrevi aqui no blog sobre Elysium, talvez o disco mais sem graça da carreira dos Pet Shop Boys. Encerrei a resenha com a seguinte frase: "Espero que daqui uns seis meses (ou antes, se possível), Tennant e Lowe percebam que esse disco foi equivocado. Prefiro vê-los como o Los Del Rio do technopop do que com essa apatia atual". Tá lá no post, pode conferir. E o que aconteceu? Já em Novembro, a dupla estava gravando um novo álbum. Correção de rota após o fraco Elysium? Pode ser. O que dá pra dizer é que Tennant e Lowe começaram acertando com o piloto da mesa de som: foram as mãos abençoadas de Stuart Price que giraram os botões na produção de Electric (capa acima), com lançamento previsto para 15 de Julho. Outra mudança é a gravadora: sai a parceira de 28 anos, Parlophone, e entra o próprio selo do grupo, o x2. Os Pets estão em turnê pra divulgação do novo disco (datas pelo mundo inteiro até Dezembro - passaram por São Paulo mês passado). Algumas faixas já estão rolando nos shows, incluindo "Axis", lançada digitalmente dia 1º de Maio.

"Axis": vocoder nas pistas de dança.