quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Caras Novas: Mattis


O dinamarquês Mattis Jakobsen, cantor e multi-instrumentista, emprestou seus vocais para projetos pop e bandas de rock antes de debutar solo ano passado com o sofisticado single mezzo eletrônico mezzo pop "Loverboy". No começo deste ano, saiu "The Chain", uma espécie de boogie sintético em que Mattis explora com mais desenvoltura o que tem de melhor: sua voz. Seu timbre lembra a elegância de um Chris Isaak, de tons aveludados e macios, em todas as suas variações. Bom nome pra prestar atenção.

"Loverboy":



"The Chain":

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Quarta do Sofá: Phil Collins


Os donos de motel serão eternamente gratos à Philip David Charles Collins. Músico, produtor, compositor e, hmmm... ator, Phil Collins é um dos maiores fornecedores de trilhas pro ritual de acasalamento de todos os tempos - solo, ou com o Genesis pós-Peter Gabriel.


 Faixas como o single "I Wish It Would Rain Down", de 1990, tem presença garantida no playlist adulto-contemporâneo das FMs mela-cueca por gerações. Melosa, exagerada, grandiosa - com coro gospel e tudo - a canção chegou ao sétimo lugar no paradão inglês, cimentando uma carreira que cravou 25 hits no Top 40, só na Inglaterra. Hitmaker nato. A guitarra é de um tal Eric Clapton.

Collins andou sofrendo com problemas de saúde por volta de 2010, o que o impedia de cantar e tocar bateria - tanto que anunciou seu afastamento da música no ano seguinte. Esperava-se que não voltasse mais, mas... em Outubro de 2016, ele anunciou a Not Dead Yet Tour, de título hilário e que chega ao Brasil esta semana para três shows (Rio, São Paulo e Porto Alegre), com a luxuosa abertura do Pretenders. Eu iria fácil, se minha vida não fosse um desastre financeiro.

"I Wish It Would Rain Down": hitaço.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Retrovisor


Vira e mexe, leio sobre o Meat Beat Manifesto, ouço alguma coisa ou um vídeo vai parar aleatoriamente em algum playlist do Youtube. Ativo desde 1987 e apesar da banda ser considerada uma relevante influência para a cena eletrônica britânica (especialmente o drum'n'bass) do começo dos 90, o som nunca me chamou atenção - ao contrário de pares como Squarepusher, Aphex Twin e μ-Ziq. Com todo respeito, provavelmente porque não mereceu.

Aparentemente, Jack Dangers (cofundador e único membro original remanescente) é quem está tocando sozinho o projeto e em Janeiro, teve disco novo. Impossible Star (capa acima) é o primeiro álbum do MBM em oito anos (saiu pela Flexidisc, uma subdivisão do selo Tino Corp., do próprio Jack) e, estranhamente, parece um passo atrás para uma banda eletrônica que, teoricamente, deveria estar olhando pra frente. São treze faixas que passeiam pelo jungle torto ("Bass Playa"), big beat caótico ("Unique Boutique"), techno sombrio ("The Darkness", "Lurkers", "Synthesizer Teste") e experimentalismo árido ("Liquidators", "Rejector"). Tinha tudo pra ser um trabalho interessantíssimo - se tivesse sido lançado em 1992.

Impossible Star: nenhuma novidade no front.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Jah É


Eis que reapareceu em Janeiro o álbum Mek It Bun, do rasta jamaicano Horace Andy, lançado originalmente em 2002 pela BMG francesa. O relançamento inclui 14 faixas a mais, todas versões dub do original, com 13 canções. Andy - colaborador frequente do Massive Attack - traz em Mek It Bun alguns covers de praxe: uma fraca revisão de "Horse With No Name" (original do America, 1971), uma versão um tanto sem fôlego do clássico "Night Nurse" (Gregory Isaacs, 1982) e outra que perde feio pra matriz ("Satta Massagana", roots reggae de belíssimas harmonias vocais do Abyssinians, 1976). Horace, no entanto, mantém o disco aceso com seu timbre particularíssimo e colaborações que incluem os onipresentes (e geniais) Sly & Robbie e o guitarrista Earl "Chinna" Smith. Com baixos de tirar pica-pau do oco, lindas melodias ("Johnny Awful", "Empress Lady"), metaleira soprando firme ("Babylon You Lose", "We Nah Run") e total equilíbrio entre o roots tradicional e o dancehall bom de pista, Mek It Bun é daqueles discos atemporais em que a data da gravação não faz diferença nenhuma. E ficou ainda melhor com os extra dubs. Não perca.


"Mek It Bun": Jah é.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Double You


Em 1992, o projeto dos italianos Franco Amato e Andrea de Antoni mais o vocalista britânico William Naraine finalmente sentiu o gosto do sucesso. Formado em 1985, o Double You conheceu em 1991 o produtor Roberto Zanetti (hitmaker experiente, com hits do Savage nos anos 80 e Pianonegro nos 90). Gravaram então, no final desse ano, uma versão dance de "Please Don't Go" - clássico mela-cueca de 1979 do KC and The Sunshine Band. O resultado: hit mundial, uma enxurrada de covers dançáveis para coisas não-dançáveis que começaram a pipocar a partir de então e mais de três milhões de cópias vendidas até o final do ano seguinte. 



Já "Run To Me" é um single de 1994, inclusa no segundo disco, Blue Album. O sample de "Don't Go" do Yazoo, o rap na velocidade da luz de ICE MC, o refrão extremamente ganchudo e a performance vocal convincente de Naraine fizeram o Double You estender as tours às Americas do Norte e do Sul, com a força desse hit. "Run To Me" foi mais uma dance track do trio à fazer o crossover rádios/pistas, num tempo em que não havia essa segmentação absurda da dance music de hoje e as rádios ainda apresentavam as novidades em primeira mão aos ouvintes.

"Run To Me": Yazoo revisitado.