domingo, 20 de maio de 2018

Discloppointing


Fiquei deveras decepcionado com o novo single do Disclosure. Conforme a própria dupla inglesa relatou, há alguns meses eles descobriram a cantora e atriz da Costa do Marfim Fatoumata Diawara e, fuçando em sua discografia, encontraram um trecho que chamou atenção e tiveram a ideia para "Ultimatum", a faixa em questão. Bom, é assim que a canção soa: um sample vocal encaixado numa house que - usando o próprio Disclosure como parâmetro - soa um tanto preguiçosa, com um riff circular de piano elétrico e umas TB303 espalhadas. Seria um bom lado B pra qualquer um dos singles de Settle, o fantástico debut do duo, de 2013. Mas pra um single padrão Disclosure, achei mais parado que saci de patinete.

"Ultimatum": devagar, devagarinho.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Michael Sembello


As cenas são, vá lá, clássicas: Jennifer Beals voando de um lado pro outro em piruetas improváveis, Jennifer Beals suarenta acelerando estática no chão da sala, Jennifer Beals dançando pra geral num inferninho. Ficou pra sempre na minha retina e é a única coisa que lembro com clareza do blockbuster Flashdance (1983), um filme que deve ter passado dezoito vezes na Sessão da Tarde. O som que movimenta a ofegante atriz durante a performance é "Maniac", single de estreia de Michael Sembello, um ex-músico de estúdio que emprestou seus dotes com as seis cordas pra gente como Michael Jackson, Diana Ross, Chaka Khan, George Benson e Donna Summer, até apostar na carreira solo e emplacar um número 1 no Hot 100 da Billboard, logo de cara. Estrutura de synthpop com pegada de Hi-NRG, "Maniac" é uma boa canção pop que acabou alavancada por um filme despretensioso mas que comercialmente, deu muito certo e levou Sembello pra galeria dos one hit wonders oitentistas.



Também vale o confere na atualizada que os italianos do Bloody Beetroots deram na faixa, em 2007:

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Tio Aldo


O nome Aldo, The Band já tinha aparecido em algum momento na tela do meu note, mas se eu ouvi o grupo paulistano de 2013 (quando lançaram o primeiro disco, Is Love) pra cá, devo ter escolhido a(s) faixa(s) errada(s), porque passou batido. Pensei que deveria ter, entretanto, um bom motivo pro Radiohead em pessoa (haha) escolher o Aldo pra abrir seus shows recentemente aqui no Brasil (junto com Junun e Flying Lotus) e isso acabou reativando meu interesse/curiosidade. Pesquisa aqui, baixa ali e o saldo é positivo. As faixas detestáveis ("Hold Me Back, Insane") estão em número menor, comparando com as adoráveis, como "Unbreakable", "Liquid Metal" e essa "Trembling Eyelids" - single lançado dia 20 de Abril que fará parte do terceiro álbum do grupo. Com slapadas de baixo, synths trôpegos, vocais sonolentos (no bom sentido) e batida hipnótica, "Trembling Eyelids" é uma ótima canção. E o Aldo, pode ficar tranquilamente na mesma prateleira de CDs (ou na mesma pasta de arquivos) de Holy Ghost!, The Rapture e Jagwar Ma, sem nenhum complexo de inferioridade. Muito pelo contrário.

"Trembling Eyelids": consolidação ou promessa? 

domingo, 29 de abril de 2018

As Flores de Plástico Não Morrem


Depois do álbum de estreia autointitulado de 2016 (que trouxe boas canções como "Charlemagne") ter chegado ao número um no paradão inglês (o que não quer dizer muita coisa, porque o disco teve uma das vendagens mais baixas da história para um primeiro lugar por lá), o Blossoms acaba de lançar Cool Like You, o segundo disco. Indie rock carregado de sintetizadores oitentistas e refrãos que parecem ter sido esculpidos na medida para grandes arenas, Cool Like You não arreda pé um milímetro da proposta inicial do grupo formado há pouco mais de cinco anos em Stockport, na Grande Manchester. Com um bom vocalista (Tom Ogden) na linha de frente, de novo com músicas bem feitinhas (nada no disco chega perto da maravilha "I Can't Stand It") e a despeito da total falta de ousadia e originalidade, o Blossoms lembra o Killers no ápice (que durou exatamente um álbum, Hot Fuss, de 2004) nos melhores momentos. Nos piores, lembra todo o resto da discografia do Killers.

"I Can't Stand It": os melhores três minutos da semana.

terça-feira, 24 de abril de 2018

04:20


Mais surpreendente do que saber que Shaggy e Sting gravaram um álbum juntos é ouvir o primeiro single, "Don't Make Me Wait" e acreditar que a supostamente inusitada parceria já valeu a pena, só por esse lindo pedaço de reggae pop, cujo vídeo saiu em Fevereiro. O reggae - junto com o punk e o jazz - foi uma das bases para o rock econômico e preciso do Police de Sting e o jamaicano Shaggy formou-se nos sound systems e estourou seu dancehall no mundo inteiro em 2000, com o multiplatinado álbum Hot Shot. O disco da dupla, 44/876 (título relativo aos códigos telefônicos do Reino Unido e da Jamaica) acabou de sair (a referência não poderia ser mais esperta: foi lançado dia 20/04, ou, na gringa, 04:20) e agora é descobrir se tem mais alguma coisa tão boa quanto "Don't Make Me Wait".

"Don't Make Me Wait": já é.