sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Stevie B


O Rei do Freestyle chegou ao topo do paradão da Billboard em 1990 com a baba "Because I Love You (The Postman Song)", mas sua música mais conhecida é "Spring Love", lançada dois anos antes - ao menos no Brasil, onde foi megahit de pistas e rádios. Pode colocar boa parcela da culpa em Stevie B pelo fenômeno do funk melody ter se propagado por aqui (ele tem um single que batizou esse subgênero do funk carioca, inclusive), de onde saiu gente um tanto duvidosa, como Latino e Copacabana Beat e também um povo comprovadamente talentoso (Claudinho & Buchecha). "Spring Love" é a canção freestyle por excelência: percussão latina, gancho forte de sintetizador, vocais dramáticos e linha de baixo adiposa correndo juntinho com o bumbo. Acha melosa? Bobagem. Stevie B é um ótimo cantor de R&B e os arranjos de voz dessa faixa (especialmente quando entram os backing vocals), são irrepreensíveis. Pra saudar a chegada da Primavera, uma óbvia (e ótima) pedida.

"Spring Love (Come Back to Me)": o cabelo está bem melhor agora.

domingo, 17 de setembro de 2017

It's The Remix About Me


Era de se esperar que o recém-lançado "You're the Best Thing About Me" (primeiro single do próximo álbum do U2, Songs of Experience), viesse acompanhado de uma batelada de remixes, oficiais ou não. Primeiro que faz bastante tempo que a relação do U2 com as pistas de dança é bem íntima, segundo que a banda irlandesa parece não querer perder o trem da história. Pra isso, convocou o galã norueguês (produtor e DJ nas horas vagas) Kygo para adequar a canção ao gosto dos frequentadores das Tomorrowland da vida. Kygo, fora suas duvidosas produções de dance, acumula as façanhas de ter ultrapassado a marca de um bilhão de views de sua * cof cof * música no Youtube e Soundcloud somados e ter sido o primeiro produtor de house music a se apresentar numa cerimônia de encerramento de uma Olimpíada (no Rio, ano passado). Uh.

A versão de Kygo para a faixa do U2 é uma EDM de paletó e gravata, sem os tradicionais e enfadonhos drops nem os irritantes sintetizadores à beira de um ataque de nervos, comuns ao gênero. Ao invés disso, Kygo optou por recriar o riff original com um nível de distorção aceitável, picotou os vocais aqui, espalhou uns pianinhos ali... nada original, mas, vá lá, eficiente para ouvidos com nível de atenção bem baixo e pés não muito exigentes do público a que foi destinada.

Original:



Como ficou:

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Secret Service


Tem tudo pra ganhar sua antipatia: uma canção que se chama "Oh Susie" e uma banda chamada Secret Service.


"Oh Susie" é o primeiro single do grupo sueco, lançado em 1979. Ficou 14 semanas em primeiro lugar na parada local, depois virou hit mundo afora. Aqui no Brasil saiu nessa versão sete polegadas acima. A faixa pega carona em alguns bondes da época: o emergente technopop, uma levadinha disco, soft rock, new wave. Gosto muito dos sintetizadores e o refrão dá pra decorar na primeira audição. Estranhamente constrangedora, datada. Na pista, a reação quase sempre é um misto de incredulidade e contentamento. O ex-vocalista da banda, Ola Håkansson, fundou a Stockholm Records em 1992, lançando nomes como The Cardigans. O que o redime, um pouco, dos pecados cometidos durante o período de atividades de sua banda.

"Oh Susie": "... we were much too young..."

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Disco Do Mês: Tender


Dois caras que se conhecem, descobrem afinidades musicais, gravam uma série de músicas, até que uma delas ganha execução considerável para atrair uma grande gravadora, que assina um contrato com a recém-criada banda e joga a dupla rumo ao estrelato. É parecida, mas essa não é exatamente a história do Tender e sim a do Lighthouse Family. E as semelhanças entre os dois não vão muito além do fato de ambos virem da Inglaterra e terem o R&B como leitmotiv. Só que enquanto as melodias ensolaradas do Lighthouse Family emolduram canções que versam sobre amor, esperança e boas vibrações, o terreno explorado pela dupla do Tender, James Cullen (vocais) e Dan Cobb (teclados), é o oposto muito mais sombrio; um mergulho nas águas turvas do desamor, desapontamento e perda.   

Com nove (de um total de doze) músicas inéditas, o debut do Tender, Modern Addiction (Partisan Records), traduz sentimentos tão comuns aos ouvintes que tornam as canções familiares instantaneamente, apesar (ou por causa) das letras aguçadas e diretas, de um romantismo em estado febril, mas não piegas. O instrumental de Cobb é simples mas incrivelmente eficiente, converte as letras num certo tipo de paisagismo sonoro, com uma paleta de sons distribuídos precisamente em cada faixa - ora lúgubre e ritualístico ("Hypnotised", "Vow", "Trouble"), ora desenvolvido em células suaves, quase dançantes ("Machine", "Powder"). A diversidade dos arranjos, predominantemente sintéticos e percussivos (nunca grandiloquentes), são o contraponto perfeito para os vocais murmurantes de Cullen desfilarem suas letras quase como confidências de seus amores perdidos em climas enfumaçados pelos teclados. A música do Tender atualiza o R&B britânico com o uso contido da tecnologia, há vários hits em potencial em Modern Addiction (o desempenho desse álbum pode - e deve - dar uma segunda chance para os singles "Erode" e "Machine" irem ao encontro do mainstream), para que, finalmente, as comparações com o Lighthouse Family encontrem mais uma similaridade: a dos números acima dos seis dígitos. Faz por merecer.

"Nadir": será o Tender 'The Next Big Thing'?

domingo, 10 de setembro de 2017

Ambiente-se


No final de Setembro do ano passado, a "bíblia indie" Pitchfork ranqueou os 50 melhores álbuns de ambient music já gravados. Esse aí da foto, Ambient 1: Music for Airports (1978), de Brian Eno, está no topo da lista.

Comprei esse disco totalmente às cegas, há uns 10 anos. Conhecia o Eno do Roxy Music, mais algumas produções e colaborações, mas de seus lançamentos solo, praticamente nada - situação não muito diferente da de hoje em dia, confesso. Ouvi pouco esse vinil durante esse tempo. São experimentos minimalistas; camadas sobre camadas de sintetizadores, vozes, pianos, manipulação de tapes... tudo para "produzir peças originais ostensivamente (mas não exclusivamente) para momentos e situações particulares com vistas a construir um pequeno, mas versátil, catálogo de música ambiental adaptado a uma ampla variedade de ambientes e atmosferas" (segundo o próprio Eno escreveu no encarte do LP, na foto acima).

Não é meu preferido do gênero (Chill Out, do KLF, está em primeiro na minha lista), mas esse Music for Airports passa longe de definições pejorativas como "música enquanto papel de parede". Este não é um álbum pra ser ouvido enquanto se lava a louça - embora o próprio Eno tenha considerado que a música aqui pode soar "tão ignorável quanto interessante".

Ambient 1: Music for Airports: se você dormir no meio da execução, tio Eno te perdoa.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Noel


Pedra fundamental do freestyle: "Let the Music Play", faixa de 1983 da cantora Shannon. Um marco da dance music. Claro, inspirado pelos alemães duros de cintura do Kraftwerk ("Numbers"), Afrika Bambaataa já havia experimentado com esses beats de funk sintético em 1982 ("Planet Rock"), mas o single de Shannon injetou aquele tempero latino característico do gênero e um apelo pop que fez a canção chegar aos primeiros lugares das paradas americanas.
O nova-iorquino Noel Pagan seguiu direitinho a cartilha do freestyle no seu debut autointitulado - que tinha no time de produtores gente como Paul Robb (Information Society), John "Jellybean" Benitez e "Little" Louie Vega - e conseguiu emplacar alguns hits. "Silent Morning" é sua canção mais conhecida. Incluída na trilha da novela Vale Tudo, em 1988, estourou Noel por aqui e trouxe consigo uma avalanche de artistas de freestyle que ganharam projeção e popularidade em rádios e pistas brasileiras: TKA, Stevie B, The Cover Girls, Will to Power, Tony Garcia... a lista é grande.

Noel bem que tentou se desvencilhar do freestyle em sua tentativa pop rock Hearts on Fire, álbum de 1993, mas o resultado foi decepcionante e, mesmo sem gravar discos há um bom tempo, o cantor permanece na ativa fazendo shows.

"Silent Morning": expressão facial notável.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A Esquisitice Compensa?


Art Rock é um guarda-chuva multifacetado, que tanto pode abrigar gente que faz o rótulo ser visto com bons olhos (leia-se ouvidos), como o Roxy Music, ou pode trazer para perto de si abacaxis do tamanho de um Kansas, por exemplo. Fato é que discos que já nascem com o carimbo de Grande Arte estampado em suas capas geram uma expectativa que pode transformar-se em decepção assim que a agulha pousa no vinil (ou quando você clica no play); por presunção, vaidade ou falta de talento, mesmo. O australiano Angus Andrew, que agora conduz sozinho o Liars, segue pelo tortuoso caminho escolhido para o seu pop oblíquo por natureza, que, no final das contas, junta art rock e eletrônica, com resultados ambíguos. Com um novo álbum recém lançado (TFCF, Mute Records) e uma temática centrada quase que exclusivamente sobre a degeneração da relação entre Andrew e seu ex-companheiro de banda, Aaron Hemphill, o Liars soa desafiador ao disparar uma metralhadora de batidas abrasivas ("Staring At Zero"), toneladas de amostras de sons/timbres esquisitos, violões que surgem redentores e vocais ora cantados com a doçura de um Wayne Coyne ("No Help Pamphlet"), ora declamados com o tédio abissal de um rap desengonçado em slow motion à Beck Hansen ("The Grand Delusional"). No final de Agosto, o Liars jogou no Youtube o primeiro vídeo extraído de uma canção de TFCF, "Cred Woes" e ela deixa muito claro que o trabalho da banda-de-um-homem-só vai trilhando propositalmente essa rota perigosa, que pode ser o equivalente sonoro de um quadro de Jackson Pollock ou, na pior das hipóteses, de Romero Britto. Para decodificar a arte de Angus Andrew, escolho os dois.

"Cred Woes": esquisitice que compensa?

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Captain Hollywood Project


O nome de guerra não era à toa: Tony Dawson Harrison, o Captain Hollywood, era realmente capitão do exército americano. Tio Sam perdeu um militar mas o mundo pop ganhou um, hããã... bom dançarino. Certamente Harrison não vai ser lembrado por sua voz rouca e sombria, rapeando no meio de divas flamejantes com pulmões e gargantas muito mais privilegiados.
Seu single de estreia, "More And More" (1992), é uma típica obra eurodance: techno diluído, pop enérgico, riffs ganchudos de sintetizador, refrãos repetidos à exaustão. Fez tanto sucesso que gerou uma "Parte 2", disfarçada sob o nome "Only With You" - que, descontando o rap sem graça de Hollywood - acho superior à "More And More". Simpatizo com ambas, no entanto.



O álbum, intitulado com a pérola de sabedoria Love Is Not Sex, vendeu bem, manteve o projeto em evidência durante 1993 e gerou mais dois singles (a boa "All I Want" e "Impossible"). Captain Hollywood mantém-se na ativa até hoje, provavelmente esperando um revival eurodance acontecer.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Hip-Hop No Disquete


Udeze Ukwuoma (a.k.a. Dday One) é um DJ e produtor americano, na ativa desde meados da década de 90. A onda dele é hip-hop instrumental, um subgênero que já deu ao mundo nomes muito interessantes, como DJ Krush, RJD2, J Dilla e DJ Shadow, (cujo álbum Endtroducing….., de 1996, é um marco da música eletrônica).



Dday One acabou de lançar seu novo EP, Artifact, pelo próprio selo, Content (L)abel, com seis faixas carregadas de beats engenhosos e samples variados convivendo em harmonia com instrumentos acústicos. Além da (boa) música contida no EP, um detalhe que chama atenção em Artifact é o formato em que ele foi lançado: um edição limitadíssima de apenas cem cópias... em disquete. A inusitada plataforma vem devidamente autografada e inclui um download code para o EP em versão MP3 e ainda um arquivo de texto que contém um link para uma faixa extra. Mais estranho ainda é saber que a prática pouco usual não é exclusiva de Dday. Tem um povo que também emprega essa forma de divulgação atualmente, num movimento muito bem descrito pelo jornalista Ricardo Schott em uma matéria para o seu site Pop Fantasma. Quem, porém, não quiser se aventurar pelos problemáticos floppy disks, pode ouvir Artifact e outros trabalhos de Dday no Bandcamp do artista.

Artifact EP: beats no disquete.

domingo, 27 de agosto de 2017

Expectativa e Realidade


Os australianos do Cut Copy acabaram de divulgar o segundo single do novo álbum Haiku From Zero, "Standing in the Middle of the Field". Pra você (como eu) que ficou mal acostumado com o alto nível do (synth)pop urdido pelo quarteto na boa estreia Bright Like Neon Love (2004) e, especialmente, no ótimo In Ghost Colours (2008) e viu a coisa desandar nos três álbuns seguintes, tenho que dizer que a nova música não lembra - nem de longe - aquele Cut Copy do começo da década passada. Percussiva e preguiçosa, "Standing in the Middle of the Field" arrasta-se por cinco minutos e meio de vocais sonolentos e instrumental sem inspiração. Decepcionante.

O single anterior, "Airborne", deu alguma esperança de que Haiku From Zero pudesse tirar o Cut Copy do estado de letargia em que a banda se encontra nos últimos anos: com sua guitarrinha funkeada, uma linha de baixo toda trabalhada no talento e vocais indie-verãozinho bem apreciáveis, ao menos é melhor que qualquer coisa que eles lançaram de 2011 pra cá.



O vocalista, tecladista e guitarrista Dan Whitford explicou em comunicado a imprensa que "...é a primeira vez que criamos um álbum com cada membro da banda em diferentes cidades em todo o mundo e durante seis semanas nos reunimos novamente no estúdio em Atlanta para fazer essas gravações. Para mim, provavelmente é a melhor destilação do que nossa banda representa, combinando nossa sensibilidade de produção de estúdio com a energia de nossas performances ao vivo. Eu não poderia estar mais feliz com a forma como acabou e estou realmente animado para os fãs ouvirem o próximo capítulo do Cut Copy." Quando li isso, lembrei na hora do que Martin Gore, do Depeche Mode, falou simultaneamente ao lançamento do clássico álbum Violator, de 1990: "Você tem de se lembrar de que nenhuma banda tem qualquer perspectiva sobre o disco que ela acabou de finalizar. Então podem muito bem sair dizendo que é o melhor que eles já fizeram." Sábias palavras.

Haiku From Zero tem nove faixas e o lançamento está programado para 22 de Setembro, pela gravadora nova-iorquina Astralwerks.

sábado, 26 de agosto de 2017

O Quarto Trabalho De Hercules


Disco novo do Hercules and Love Affair à vista: Omnion é o quarto do grupo, criado e liderado pelo DJ e produtor americano Andy Butler. Com uma discografia irregular até agora, o projeto talvez tenha sofrido um pouco com o fato de ter feito uma estreia empolgante - o debut homônimo, de 2008. Contando com vocalistas convidados (Antony Hegarty entre eles), o álbum foi produzido pelo próprio Butler e pelo DJ e produtor inglês Tim Goldsworthy (U.N.K.L.E., LCD Soundsystem, Cut Copy e Rapture no currículo) e traz Antony Hegarty cantando em cinco das dez faixas, entre elas o soul sintético "Time Will", a percussiva e sussurrada "Easy", "Raise Me Up" (em que os vocais foram soterrados na mixagem em favor do baixo galopante e da bateria disco) e o hit "Blind", cheia de gemidos, trompetes e euforia. Outras canções de destaque são "You Belong" (uma house de refrão grudento em que a levada de piano lembra uma "Understand This Groove" dos suecos do Sound Factory em slow motion), "Iris" (algo Andrea True Connection) e ainda o baixo formidável de "Athene", os metais de "This Is My Love" e as totalmente setentistas "Hercules Theme" (instrumental) e "True False/Fake Real". Num dos melhores discos de 2008, pouca gente veio com uma coisa tão divertida naquele ano.

"Blind":
Apesar de dançante, o melancólico álbum seguinte (como evidencia o título) Blue Songs, de 2010, continua a saga de Butler através dos beats e synths oitentistas ligados diretamente ao technopop e a house music, mas sem o brilho pop do disco anterior e sem a participação de Antony Hegarty. Ainda assim, é um trabalho apreciável, com bons singles como "My House", "Painted Eyes" e a participação de Kele Okereke, do Bloc Party, em "Step Up".

"Painted Eyes":



The Feast Of The Broken Heart, o terceiro álbum (2014), traz de novo vários vocalistas convidados, que, segundo Butler disse à época, formaram "...o melhor conjunto de cantores que já tive". Com produção impecável e grandes canções como "I Try To Talk To You" (com a voz reconhecível à quilômetros de John Grant), "Do You Feel The Same?" (vocais do belga Gustaph e um bassline agressivo com timbres de TB-303) e a Chicago house clássica de "My Offence". Ao contrário dos dois discos anteriores, The Feast Of The Broken Hear não usou instrumentos "orgânicos", como metais e cordas, deixando um pouco de lado a porção disco de seu som.

"I Try To Talk To You":



O próximo trabalho do Hercules, Omnion, traz onze canções e trata de tolerância e fé, conforme comunicado. Algumas amostras já saíram: o ótimo dance pop de "Controller", a contemplativa faixa título, "Rejoice" (um tiquinho mais techno) e "Fools Wear Crowns" (com lindos strings).  O que parece certo é que, mais ou menos dançante e baseado no material que já foi divulgado, é pouco provável que Andy Butler decepcione.

"Controller":

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Vanilla Ice


 Quando "Ice Ice Baby" começou a fazer sucesso (no meio de 1990), Vanilla Ice teva a cara de pau de dizer que não chupou o baixo do Queen ("Under Pressure"). Um tempo depois, admitiu o sample. Seu rap de rimas fracas não foi além de bobagens tipo "Com meu conversível aberto pro cabelo poder esvoaçar / As garotas na espera, só acenando pra dizer olá" ou ainda "Preste atenção porque eu sou um poeta lírico" (essa foi demais).


"Ice Ice Baby" inicialmente era o lado B do single "Play That Funky Music", mas assim que ganhou execução por rádios e DJs, tornou-se imensamente popular - tanto que foi o primeiro rap a chegar no topo do Hot 100 da Billboard, e por conta desse hit, Vanilla Ice colecionou mais discos de ouro do que jamais sonhou.

Em 1990, eu - então com 15 anos - estava me lixando pra letra e nunca tinha ouvido "Under Pressure". Hoje, reconheço que o sample do baixo encaixou direitinho. Foi uma ideia que provavelmente não veio de Robert Matthew Van Winkle, um cara comprovadamente sem talento.

Não tive coragem de comprar o álbum To The Extreme (o segundo de Ice, incríveis 16 semanas no topo da Billboard e mais de 15 milhões de cópias vendidas), mas "Ice Ice Baby" foi licenciada para várias compilações, como essa aí abaixo.


"Ice Ice Baby": Johnny Bravo do rap.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

House Praieira


Não leve o título ao pé da letra porque de batucada essa house não tem nada. "Batuque" é o primeiro single do escocês Stephen Housego pelo selo brasileiro 294 Records e traz uma vibe "full brazilian", conforme indica o release. Isso inclui um loop de piano elétrico, trompetes que pontuam a melodia e um monólogo (em inglês) que meus dois anos e meio de Wizard não me habilitaram entender do que se trata. De qualquer forma, é uma house praieira deliciosa, em que a única dúvida que fica é levantar da espreguiçadeira pra dançar ou não.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Caras Novas: Tender


O Tender segue pavimentando solidamente seu caminho até o primeiro álbum. O misterioso duo londrino, formado em 2015 pelo vocalista e multi-instrumentista James Cullen e pelo tecladista Dan Cobb prepara-se para lançar o debut Modern Addiction dia 1º de Setembro, pela gravadora britânica Partisan Records. A expectativa gerada até agora pelos três EPs e mais algumas faixas disponibilizadas de forma independente pela dupla aponta para um trabalho quase totalmente inédito, levando-se em conta o tracklist do álbum, já liberado. O som do Tender é um cruzamento entre R&B contemporâneo e eletrônica visceral; soa orgânico, sem truques banais como o autotune e cozinha em fogo brando, com uso farto de sintetizadores de timbres vintage amadeirados - climas aquecidos por Cobb que fazem a cama perfeita para Cullen desfilar sua voz sexy e semi-sussurrada. Talvez Terence Trent D'Arby soasse assim na atualidade, se estivesse vivo musicalmente. A canção mais recente do Tender, "Machine", deixa isso muito claro e perceptível: beats programados e teclados precisos, numa faixa que cresce devagar e explode num refrão memorável e que funciona igualmente bem tanto na celebração da pista de dança quanto na solidão-conforto do sofá da sala. O vídeo, que sugere o vazio existencial e a futilidade dos prazeres transitórios da vida moderna que tomam conta de boa parte da geração atual, retrata bem a letra, cujo refrão sentencia: "You cut me open, and pull me apart / A hollow chest instead of a heart". Sério candidato a revelação do ano.

Ouça o Tender no Spotify.

"Machine": "You do what you want with me baby."

sábado, 19 de agosto de 2017

Editando Smiths


Um tempo atrás o peruano Luis Leon meteu a mão em "This Charming Man", clássico single-debut dos Smiths, de 1983, e saiu-se com um edit muito bem feitinho, com timbres de sintetizador cuidadosos e sem exageros estilísticos. 


Desta vez é o DJ e produtor americano Eric Estornel (a.k.a. Maceo Plex) que resolveu desafiar a ira dos fãs mais xiitas. Ele apareceu hoje com um edit de "How Soon Is Now?", emblemática canção da banda inglesa, lançada em 1984. Na nova versão, o tremolo original da guitarra de Johnny Marr - possivelmente, a referência mais identificável da música - foi mantido em toda a base por Maceo, assim como alguns trechos dos vocais de Morrissey. A isso, foram adicionados alguns efeitos e uma batida 4x4 bem simples. Não é um edit inesquecível, mas é uma boa atualizada numa faixa com mais de 30 anos. E se a ala fundamentalista dos fãs dos Smiths ficar putinha de raiva, melhor ainda.


Dá pra baixar 0800 com boa qualidade no perfil do Maceo no Soundcloud, liga lá.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: When In Rome


Imagino que o maior mérito do When In Rome foi um dia ter sido confundido com o Depeche Mode por conta de seu single "The Promise", de 1988. Mas, convenhamos, um ouvido minimamente treinado não cometeria tal heresia. Martin Gore, principal compositor do Depeche, não redigiria uma rima constrangedora como "If you need a friend / Don't look to a stranger / You know in the end / I'll always be there", nem nos tempos de ginásio. E os esforços dramáticos de Clive Farrington ao microfone nem de longe lembram a extensão vocal de barítono de Dave Gahan. Porque a confusão, então? Mania do ouvinte médio de colocar tudo que soa relativamente parecido no mesmo balaio de gatos. E olha, o When In Rome é fraquíssimo, pra ser generoso. Seu autointitulado debut (e até hoje, único álbum) é horroroso, um sub-Alphaville de composições com o dobro da cafonice da banda alemã e instrumental uns cinco anos defasado em relação ao reluzente technopop praticado pela concorrência do primeiro escalão na época (o próprio Depeche, Erasure e Pet Shop Boys). Salva-se a melodia ensolarada de "Heaven Knows" e "The Promise", que tem, vá lá, um baixo interessante.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Depeche Nobre


Não é nada fácil arriscar um cover de uma banda como o Depeche Mode. Há sempre boas chances da tentativa soar enfadonha ou oportunista, especialmente quando o alvo escolhido é um clássico do tamanho de "Enjoy The Silence", por exemplo. De qualquer maneira, há algumas boas variantes das canções da banda inglesa disponíveis: Johnny Cash ("Personal Jesus"), GusGus ("Monument") e Rammstein ("Stripped") são excelentes para mostrar que com versões radicalmente diferentes das matrizes e um toque claramente pessoal de cada um, o resultado causa a estranha sensação de que estas músicas sempre pertenceram aos artistas que as escolheram (o que é sempre bom sinal). A cantora, compositora e produtora americana Julia Holter não se intimidou e acaba de gravar sua interpretação para "Condemnation", cantada a plenos pulmões originalmente por Dave Gahan no álbum Songs Of Faith and Devotion, de 1993. São duas versões do hit escrito por Martin Gore, já disponíveis para streaming e que também serão lançadas em formato físico num single de sete polegadas de edição limitada, programado para 15 de Setembro, pela Domino Records. O single é um tributo ao músico e diretor americano Travis Peterson, que tinha o Depeche como uma de suas bandas preferidas e que faleceu em Dezembro do ano passado. Peterson, que dirigiu vídeos de Ariel Pink e Glass Candy, entre outros, era amigo pessoal de Julia Holter e dos outros três artistas que colaboram na gravação: Ramona Gonzalez, Cole M.G.N e Nedelle Torrisi. "Condemnation (Live)" é, como o nome indica, uma delicada e emotiva versão ao vivo, quase um acapella acompanhado somente por acordeão, enquanto "Condemnation (Synth)" traz arpejos de sintetizador emoldurando os vocais. São duas belas reconstruções, uma justa homenagem e que tem um destino nobre para a arrecadação alcançada com suas vendas: a renda será destinada para o Didi Hirsch Mental Health Services, uma organização sem fins lucrativos que presta serviços relativos a saúde mental e dependência química a comunidades carentes de Los Angeles.

"Condemnation (Live)": tributo.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Chicagoland


Quando a simplicidade da combinação de elementos que incluem um loop de teclado, um baixo minimalista e os vocais soul do cantor Shaun J. Wright, rende uma house que é Chicago em essência, enxuta e suingada. James Curd, em seu recém lançado single "Now I Believe", mostra - mais uma vez - talento e inventividade, montando uma dance track eficiente, viciante e excessivamente bonita. Tudo que as pistas precisam.


"Now I Believe": James Curd na melhor forma.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Groove Armado


"Keep Rock In" - novo single do Groove Armada - não tem muito jeito de que vai ultrapassar as janelas das danceterias (como "My Friend" ou "I See You Baby"), mas tem um sample de chamada pra pista certeiro (parece empréstimo de alguma faixa de hip-hop) e um baixo monocórdico cavalar pronto pra transformar essa house num hitaço de pista. Aliás, é isso que promete o novíssimo selo Weapons, que lançou o single: "Voltando aos dias em que as melhores dance tracks foram feitas para o clube, não o rádio, a Weapons promete fornecer faixas de pista de dança pura, para DJs e clubbers". Assim espero.

"Keep Rock In": cheiro de hit de pista.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Cortante Como O Vidro


Alice Glass (ex-Crystal Castles) ressurge agridoce com o single "Without Love", lançado semana passada. Produzida por Jupiter Keyes (da banda americana de rock alternativo Health, que já trabalhou com o Crystal Castles), a faixa explora os agudos afiados de Glass envoltos por synths ora delicados ora intimidadores. "Without Love" é de uma beleza bizarra e hipnótica (como a própria Alice), congelada pela lente da diretora ítalo-canadense Floria Sigismondi, no belo vídeo abaixo. Direto pra lista de Melhores do Ano.
"Without Love": pra deixar Ethan Kath choramingando baixinho.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: MC Hammer


Curioso como o tempo passa e o approach muda em relação ao trabalho de um artista. A acusação que pesava sobre Stanley Kirk Burrell (a.k.a. MC Hammer) em seu hit "U Can't Touch This", de 1990, era de que o sample usado em toda base era muito óbvio, uma mera chupação que não envolvia talento, pesquisa ou criatividade. Penso nisso toda vez que ouço "Harder Better Faster Stronger", do Daft Punk, montada com um sample indecente de Edwin Birdsong e sua "Cola Bottle Baby", de 1979. O veredicto para a dupla francesa foi um só: "gênios!"

De fato, à época de "U Can't Touch This", as leis sobre direito autoral ainda não estavam bem claras (honestamente, nem sei se hoje estão), mas Hammer decidiu usar "Super Freak", de Rick James (1981), pra tagarelar seu rap chinfrim e nada modesto ("Oh meu Deus, obrigado por me abençoar com uma mente para rimar e dois pés tão rápidos / Sou conhecido como um cara muito legal de Oaktown / Você não pode fazer igual / Eu te disse cara / Você não pode ser tão bom quanto eu"). E dá-lhe repetir "you can't touch this" 23 vezes canção afora. James não quis nem saber: enquanto o single de Hammer voava alto nos paradões de todo o mundo, processou o rapper por violação de direito autoral. Hammer então apressou-se em ceder a co-autoria da faixa à James e molhou a mão do cantor (falecido em 2004).

O álbum Please Hammer, Don't Hurt 'Em foi lançado logo em seguida e já tinha Hammer na zona de conforto. Vendeu algo em torno de 18 milhões de cópias, o que deve ter garantido a aposentadoria do MC. Para o bem ou para o mal, "U Can't Touch This" é um clássico.

"U Can't Touch This": "... Stop! Hammer time!"

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Techno Comportado


Prolífico e inquieto, o produtor londrino Kieran Hebden (a.k.a. Four Tet) fez sua discografia virar uma deliciosa confusão. Em 2017 já rolou o álbum There Is Love In You (originalmente lançado em 2010) e simultaneamente, sua versão de remixes, retrabalhada por artistas como Jon Hopkins, Floating Points e Joy Orbison. Teve também o EP Ringer (em Janeiro) e duas faixas que saíram recentemente, "Two Thousand And Seventeen" (em Julho) e "Planet" (Agosto).

"Two Thousand And Seventeen" é uma canção ambient relaxante que parece ter sido gravada no alto do Monte Fuji, no Japão. Com batida de hip-hop em slow motion, teclados atmosféricos e um instrumento de cordas que lembra o tradicional shamizen japonês, é perfeita para aquele momento do dia em que se pensa em coisas como a política nacional e o preço do quilo da costela de primeira.



Já "Planet" é um techno comportado, com uma base de pouca variação melódica. Não acho lá muito excitante pra pista de dança, a despeito dos gemidos bem sexy dos samples vocais. O electro-shamizen aparece de novo e acaba deixando a faixa mais para se apreciar do que se movimentar. De qualquer forma, mantém o nível das produções de Four Tet bem acima da Troposfera. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Sandra


Olha, em 1985 eu tinha 10 anos. Não escutava Kraftwerk e George Clinton. Eu curtia o que o rádio oferecia. O que tava na trilha da novela. O que aparecia no Cassino do Chacrinha. Isso incluía a alemã Sandra Ann Lauer, tenros 22 aninhos na época do lançamento de "(I'll Never Be) Maria Magdalena". Foi o terceiro single da carreira da moça, mas o primeiro hit de fato. Hitaço, aliás. Li em algum lugar que passou de cinco milhões de cópias vendidas. Aqui no Brasil, foi trilha do remake da novela Selva de Pedra, em 1986 - o que causou o airplay exaustivo por um bom tempo.

Produzida pelo romeno Michael Cretu (que casou-se com Sandra três anos depois e emplacou o Enigma no começo dos 90), "Maria Magdalena" é um synthpop épico. Riff poderoso de orquestra sintetizada, refrão memorável, beat lento mas altamente dançável.

Fora o que ela era bonita.

"(I'll Never Be) Maria Magdalena": nunca será!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lazy House


Não achei lá muito empolgante essa colaboração entre o leviatã da house music, Todd Terry e Doug Lazy, herói do hip-house da virada 80/90. "We Love That Acid" saiu no meio do mês passado e não é a primeira vez que eles trabalham em conjunto, em 2009 a dupla lançou "Rock That Groove" pelo selo de Terry, Inhouse Records. A faixa de 2009, aliás, é um pouco melhor que essa recém lançada: apesar de ambas terem um poder de fogo (brando) parecido, em "Rock That Groove" o vocal de Lazy é reconhecível à distância, enquanto que em "We Love That Acid", em que Doug Lazy cita alguns de seus hits (as excelentes "Let It Roll" e "Let The Rhythm Pump"), sua voz está soterrada sob um vocoder safado de ruim. Ouça as duas aí abaixo e comprove.

"Rock That Groove":



"We Love That Acid":

segunda-feira, 31 de julho de 2017

I'm Like a Bird


Com uma abordagem muito particular sobre a música eletrônica - o que inclui o uso de alguns instrumentos nem tão convencionais ao gênero (como o sagrado trio baixo-guitarra-bateria) e outros que fogem a qualquer tipo de categorização (brinquedos e até um sincronizador de filmes 35mm) - o quarteto mezzo americano mezzo canadense baseado em Toronto, Holy Fuck, segue entortando o óbvio com seus experimentos que fundem ousadamente o orgânico e o sintético - a despeito do grupo dispensar formalmente o uso de computadores em suas composições.

Somando quatro álbuns na discografia (o mais recente, o elogiado Congrats, é do ano passado) e vários singles no currículo, a banda acabou de lançar o novo EP, Bird Brains, pelo selo californiano Innovative Leisure, gravado no esquema ao vivo do "1-2-3-4, valendo!". A faixa título foi disponibilizada no Youtube há alguns dias num curioso vídeo que traz a banda animando uma festa que "...explora a ideia da histeria em massa", segundo a diretora Allison Johnston. Investindo no lado mais cerebral da dance music numa canção que poderia ser definida como um mix improvável dos pioneiros Silver Apples com o injustiçado Add N To (X), "Bird Brains" pode não soar familiar ao ouvinte médio numa primeira audição, mas leva pouco tempo para a estranheza viajar do cérebro para os pés.

"Bird Brains": entortando a dance music.

domingo, 30 de julho de 2017

A Volta Do Que Não Foi


O duo synthpop Monarchy deu azar de ter começado a chamar atenção por volta de 2010, justo numa época em que todo mundo estava maravilhado com o Hurts. Com uma bem cuidada e misteriosa imagem e uma sequência empolgante de singles ("Gold in the Fire", "The Phoenix Alive") e até um lado B que causou frisson na blogosfera ("Black, The Colour Of My Heart"), o duo formado por Andrew Armstrong e Ra Black viu seu álbum de estreia (autointitulado) ser abortado pela gravadora Mercury Records, que rompeu o contrato com a dupla meses depois de tê-lo assinado. O bom debut só sairia no ano seguinte, com novo nome (Around the Sun) pelo selo 100% Records, quando o interesse pela sua música parecia ter diminuído. A dupla chegou a encerrar atividades um mês após o lançamento do segundo disco (o razoável Abnocto, de 2015), mas reconciliou-se pouco tempo depois, continuando a gravar (lançaram o fraco EP de covers Re|Vision, ainda em 2015) e fazendo shows. Armstrong e Black retornam em 2017 com um novo single, "Hula Hoop 8000", agora lançado pela Warner Music espanhola. A canção é um technopop límpido e de fácil audição, que assimila elementos de flamenco e que tem nos vocais em falsete de Ra Black um diferencial decisivo - fugir do modelo barítono/atormentado de Dave Gahan (Depeche Mode) é altamente positivo num campo minado de imitadores - além de, musicalmente, o Monarchy ganhar em sofisticação em relação à seus coirmãos do segundo escalão (especialmente o futurepop urdido por boa parte das bandas germano-escandinavas). Eles continuam bons compositores de pop sintético, num sentido Vince Clarke da afirmação e embora "Hula Hoop 8000" ainda esteja longe das encantadoras canções da primeira leva do Monarchy, não é de se descartar que seu apelo pop faça-os voltar à ordem do dia.

 "Hula Hoop 8000": o Monarchy emerge mais uma vez.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Anything Box


Um mix ralinho de New Order (fase Factory) e indie pop tristonho, com letras especialmente mal feitas e um visual constrangedor. Esse é o californiano Anything Box. Comprei o álbum Peace (1990) por causa do semi hit "Living In Oblivion", mas hoje não tenho paciência de ouvir. É ruim demais. A xerocada na banda de Barney Sumner é óbvia (ouça "When We Lie" e "Kiss Of Love" e comprove), mas o Anything Box chegou nesse som com pelo menos cinco anos de atraso em relação ao outro lado do Atlântico. Soa defasado pacas. E piegas. Estranhamente cultuado em alguns países da América do Sul (vez ou outra rola um live modesto por aqui), o Anything Box ainda está na ativa - provavelmente vivendo de um passado onde disputava um lugar no segundo escalão com gente como When In RomeCause & Effect.

"Living In Oblivion": o título diz tudo.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Novas Manobras Eletrônicas


Em 2018 o Orchestral Manoeuvres in the Dark completa 40 anos e por enquanto o grupo prepara o terreno para o lançamento de seu décimo terceiro álbum, The Punishment of Luxury, programado para Setembro. Reduzido ao duo - que sempre foi a espinha dorsal da banda - Paul Humphreys e Andy McCluskey, eles acabaram de lançar o segundo single que precede o álbum (o homônimo "The Punishment of Luxury"). O primeiro, "Isotype", saiu em Maio:

"Isotype":



Tanto a faixa título quanto "Isotype" equilibram-se entre o eletrônico e o pop; nem tão ousadas quanto as faixas do absurdamente criativo Dazzle Ships (1983), nem tão escorregadias quanto as canções do fraco Universal, de 1996.

"The Punishment of Luxury":



Em comunicado a imprensa, McCluskey disse que "... neste álbum, conseguimos fazer coisas lindas com ruídos e padrões repetitivos..." e é mais ou menos isso que se ouve nos dois singles e especialmente em "La Mitrailleuse" (bem mais experimental), outra faixa que o OMD liberou para audição há dois meses.

"La Mitrailleuse":



A banda começa amanhã (28/07) a turnê de divulgação de The Punishment of Luxury, primeiro pelas Américas do Norte e Central, depois Europa, estendendo-se, a princípio, com datas até Dezembro.  



terça-feira, 25 de julho de 2017

Bolo De Carne


Confesso que passei batido pela faixa "Bon Appétit" - talvez por estar no meio de um disco fraquinho como esse Witness, último da Katy Perry. Isso até assistir o vídeo, tardiamente (foi pro Youtube em Maio). São quatro pantagruélicos minutos em que Katy é sovada, temperada e levada ao fogo pra cozinhar em alta temperatura, num festival de metáforas que dão margem a uma série de piadas óbvias, inevitavelmente. A música, agora vista por mim de outra perspectiva (a que associa o som a imagem, claro) é - justiça seja feita - bom pop, vai. E Katy Perry está mais gostosa do que nunca, prontinha pra ser comida (não resisti).

"Bon Appétit": delícia.

domingo, 23 de julho de 2017

Andiamo Alla Spiaggia


Termoli, uma antiga vila de pescadores, fica na Costa Adriática na pequena região de Molise, Itália. De um lugar ainda não muito explorado pelo turismo desenfreado e que tem suas praias muito bem preservadas - assim como seu centro histórico - e que praticamente multiplica por três o número de habitantes durante o verão, é que o DJ e produtor Marcello Mansur foi buscar inspiração para seu novo single, "Termoli (The Cala Sveva Song)". A música é um pouco do que a pequena Termoli representa: a fusão do moderno com o tradicional, praticamente uma jam com os violinos incisivos do excelente músico Amon Lima (da Família Lima) e os teclados e programações de Meme, numa house baleárica e sonhadora. Encaixa-se confortavelmente ao lado de canções como a clássica flautinha disco de Van McCoy em "The Hustle" (1975) e os doces assovios de Frankie Knuckles na espetacular "The Whistle Song" (1991). À venda com exclusividade pelo Traxsource, "Termoli" saiu pelo selo de Meme - o Memix Recordings - e vem com quatro remixes adicionais, por David Penn, Danny Dee, Bruce Leroys e Sonic Future.

"Termoli": pra dançar sonhando.

domingo, 16 de julho de 2017

Good Good Mix


Ótima pedida o recém lançado quadragésimo sexto volume da Late Night Tales, série de coletâneas realizadas desde 2001 pelo selo independente britânico Night Time Stories Ltd. e que traz sempre alguém bacana na curadoria (artistas como Groove Armada, Nightmares on Wax, Sly & Robbie, Jamiroquai, Belle & Sebastian, Air e Fatboy Slim, já mixaram suas preferidas do fim de noite para a série). 


Desta vez a seleção ficou aos cuidados dos canadenses do BadBadNotGood e traz uma mistura bem eclética, mas que conversa muito bem entre si, como deve ser um bom set. Tem soul divino ("Don't Let Your Love Fade Away" de Gene Williams [1970], "Home Is Where the Hatred Is" de Esther Philips [1972] e "Oh Honey" do Delegation [1978]); reggae paleolítico ("People Make The World Go Round" de Errol Brown And The Chosen Few [1972]); o jazz-funk cabeçudo de Thundercat ("For Love I Come", de 2011); rock lisérgico ("Baby", dos ilustres desconhecidos - pra mim - Donnie & Joe Emerson [1979]); representantes de Gana, Etiópia e Camarões (Kiki Gyan, Admas e Francis Bebey, respectivamente); eletrônica experimental e retrô (Boards of Canada e Stereolab) e, para minha total surpresa, o groove sensacional de Erasmo Carlos em "Vida Antiga".

Conforme indica o próprio pessoal do BadBadNotGood, "...este mix vai te deixar em boa companhia numa noite tranquila, sozinho ou com amigos. Você pode ouvi-lo no avião, no ônibus, em uma longa caminhada ou em qualquer situação em que você queira uma trilha sonora para reflexão e meditação." Altamente recomendável.


Uma amostra do Late Night Tales do BadBadNotGood: numa nice, numa relax.