quinta-feira, 31 de outubro de 2013

No Surprises


Ao que parece, White Women (o próximo álbum do Chromeo) não deve mudar muito as coisas pra dupla canadense.

É isso que indicam os novos singles "Over Your Shoulder" e "Sexy Socialite".


"Over Your Shoulder" tem lá seu apelo. É elegante, agradável e tem uma guitarrinha pegajosa. Um ouvinte desavisado periga até confundir com um lado B do Odyssey de 1982. Agora, "Sexy Socialite" é de lascar o cano. Por cima de uma batida confusa, rolam versos lamentáveis como "Sexy socialite /
Always so polite / Wanna spend the night". E o salário, ó.



Segue a sina do Chromeo: alguns singles decentes e álbuns que (até agora) não disseram a que vieram.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Just Good Enough


"It's just not good enough for a Kompakt release..."

Quando li esse comentário de um leitor do Resident Advisor sobre o debut do produtor dinamarquês Rune Reilly Kölsch (1977, saiu no meio do ano), fiquei pensando que tipo de música poderia se encaixar no perfil artístico da prestigiada gravadora alemã, segundo o conceito ortodoxo do inconformado rapaz. 

O certo é que a habilidade de Kölsch em transformar sua produção minuciosa em temas de fácil assimilação, é admirável. Algumas coisas já nasceram prontinhas. A trinca inicial de faixas, por exemplo, é de tirar o fôlego. Cada detalhe da abertura "Goldfisch" vale a análise: é a locomotiva de sintetizadores que vai puxando consigo loops esquisitos entre uma melodia fofinha, é a sacada do contratempo da caixa, é o efeito tranceiro de jato em decolagem. E "Opa", então? Timbres deformados e nem tão amistosos viram um riff que sofre mutação constante durante toda sua extensão. "Bappedekkel" talvez seja a melhor do álbum. A sucessão de sons que parecem estar fora de tempo vai gravitando em torno da percussão, até que as batidas cessam e os sintetizadores aceleram num espiral de causar vertigem. O truque é repetido em "Loreley", com resultado igualmente acachapante. Kölsch vai atirando em vários alvos e seus disparos passam raspando em alguns momentos: na um tanto monótona house-com-piano-saltitante em "Der Alte", na mais pop do que synth "All That Matters" (a única faixa com vocais, do também dinamarquês Troels Abrahamsen), na óbvia "Basshund", e nas faixas "Oma" e "Zig", em que ele fica à um passo da EDM (Eletrônica Descartável Medíocre). Mas Kölsch se recupera rápido e manda mais três tijoladas pra fechar 1977 com saldo positivo: os lindos arpejos à Kraftwerk de "Wasserschutz", o redemoinho de sintetizadores de "Loreley" e o techno engrenado de "Felix".

 1977 é um disco com uma produção detalhista, pra ficar atento em sua hora e pouco de duração. É bem verdade que metade de suas faixas já haviam saído como single desde 2010 (pela própria Kompakt), e agrupar um trabalho tão consistente como esse em forma de disco é quase covardia. Mas é a oportunidade dos fãs - não só de tech-house ou p
rogressive, mas de eletrônica em geral - ouvirem numa tacada só, um dos álbuns de dance music mais sólidos do ano. 

"Bappedekkel": efeitos e timbres de cair o queixo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Segunda Class: Enigma


Do inacreditável álbum de estréia do Enigma, projeto criado pelo romeno Michael Cretu, (MCMXC a.D., lançado em Dezembro de 1990), saíram faixas climáticas de um new age high tech que não faz bocejar e mantém no ar o suspense, mistério e encantamento durante seus quarenta minutos de duração. Se você lembra só da tensão provocada pelo embate sexo versus religião de "Sadeness", ouça o piano perdido no meio da floresta de "Callas Went Away" e comece a entender um pouco melhor esse disco. Citando a maior soprano de todos os tempos - a cantora lírica Maria Callas - tem sample da própria (emprestado de "Ces Lettres", de 1963), percussão relaxante e sintetizadores (especialidade de Cretu) que evaporam a cada mudança de acorde. Espetacular.

"Callas Went Away": "...but her voice forever stay."

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Pop Will Eat Itself


Sabe aquele chavão que diz "tal coisa estava à frente do seu tempo"?  Pois é. Acho que serve pros ingleses do Pop Will Eat Itself - premonitório até no nome. Seu mix de hip hop, dance e rock começou a ser elaborado no final dos 80, rendeu álbuns interessantes e bons singles.


"Def. Con. One." saiu em 1988 e apesar de não ter sido o maior sucesso comercial do grupo (modesto número #63 no paradão britânico), a versão foi uma de suas faixas mais conhecidas. Pelo menos aqui no Brasil. Bem diferente da guitarreira original, esta "Def. Con. One." joga no liquidificador samples tão díspares quanto Lipps Inc, The Stooges, Beastie Boys, Bruce Springsteen e o tema da série Twilight Zone. O resultado gerou um hit de pista instantâneo.

"Def. Con. One. (": quando o remix supera o original.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Quarta Do Sofá: Debbie Gibson


Ahhh... as desilusões do primeiro amor. Debbie Gibson tinha só 16 anos quando compôs, produziu e cantou em "Foolish Beat", single lançado em Fevereiro de 1988. Chegou ao topo do Hot 100 da Billboard em Junho. Até hoje, é a pessoa mais jovem a fazê-lo. Uau. O único problema aqui é esse sax de cerimônia de casamento. O resto é sublime.

"Foolish Beat": "basta uma batida tola do meu coração..." 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Shade Amor


É um joguinho de palavras bobo, eu sei, mas não consegui pensar em nada melhor pro título desse post. Aliás, pra próxima postagem relativa ao Booka Shade, já tenho outro trocadilho na manga: "Shade Ginga". Hm? Hm? 


Atenhamo-nos à música: Love Inc é o single novo dos alemães. Precede Eve, álbum programado pra 04 de Novembro. Walter Merziger e Arno Kammermeier vêm com uma house que tem uma bonita base orquestrada - tipo 15 oboés sintetizados - samples vocais espalhados e não cola o pé no fundo (130 BPMs). O vídeo mostra uma bela sequência de pegações calorosas e malhos concentrados, pra todos os gostos. Vale o clichê: gostei mas não me apaixonei.

"Love Inc": não tem muita cara de single, não.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Vanilla Ice


 Quando "Ice Ice Baby" começou a fazer sucesso (no meio de 1990), Vanilla Ice teva a cara de pau de dizer que não chupou o baixo do Queen ("Under Pressure"). Um tempo depois, admitiu o sample. Seu rap de rimas fracas não vai além de bobagens tipo "Com meu conversível aberto pro cabelo poder esvoaçar / As garotas na espera, só acenando pra dizer olá" ou ainda "Preste atenção porque eu sou um poeta lírico" (essa foi demais).


"Ice Ice Baby" inicialmente era o lado B de "Play That Funky Music", mas assim que ganhou execução por rádios e DJs, tornou-se imensamente popular - tanto que foi o primeiro rap a chegar no topo do Hot 100 da Billboard, e por conta desse hit, Vanilla Ice colecionou mais discos de ouro do que jamais sonhou.

Em 1990, eu - então com 15 anos - estava me lixando pra letra e nunca tinha ouvido "Under Pressure". Hoje, reconheço que o sample do baixo encaixou direitinho. Foi uma idéia que provavelmente não veio de Robert Matthew Van Winkle, um cara comprovadamente sem talento.

"Ice Ice Baby": Johnny Bravo do rap.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Quarta Do Sofá: Rick James & Smokey Robinson


A improvável parceria entre o porra-louca Rick James e o bico-doce Smokey Robinson rendeu um dos mela-cuecas mais legais dos 80. Produzida e arranjada por James, "Ebony Eyes" foi lançada como single em 1983 e fez parte de Cold Blooded, sétimo disco do cantor (falecido em 2004). Robinson, atualmente com 73 anos, continua na ativa.

"Ebony Eyes": clássico do R&B.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O Caminho De Mary Jane


Head Up High é o novo disco do Morcheeba - saiu ontem, oficialmente - e é o segundo depois do retorno da vocalista original do grupo, Skye Edwards.


É colocar pra tocar e gostar instantaneamente da faixa de abertura (e primeiro single) "Gimme Your Love". Com seu beat de rap, graves vigorosos, scratches, guitarrinha curvilínea e os vocais sem par de Skye, coloca o trip-hop de boa cepa da banda de volta à melhor forma. E o instrumental dos irmãos Paul e Ross Godfrey continua oferecendo opções tão diversas quanto o blues rural da linda "I'll Fall Apart", o reggae de "Make Believer" (a relação do Morcheeba com a ilha vai mais além do que o nome do grupo significa), o funk habitual ("Hypnotized") e ainda namora o pop sem precisar se prostituir ("Do You Good" e "Face Of Danger"). Sem muitas eletronices, a trip do Morcheeba sempre foi muito menos sombria e sintética do que bandas jogadas no mesmo balaio, mas que tem obras de uma aridez quase impenetrável (Portishead, Sneaker Pimps). Head Up High é exatamente o que sugere o título: sua temática e melodias sugerem calor, afeição e boas vibrações, o que confere um status de soul moderno e alto-astral ao oitavo disco da banda londrina.

"Gimme Your Love": já é seu, Skye.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Segunda Class: Tony Bennett


É sério. Tony Bennett é legal. Tem aquela pegada cafajeste hollywoodiana de Sinatra e Sammy Davis Jr., mas sua voz limpa, potente e aveludada (quando necessário) compensa. Assusta um pouco na suntuosidade dos arranjos de "Reflections" e nos exageros vocais de "Maybe September", mas os dois minutos e meio deliciosos de "I Wish I Were In Love Again" e a delicadeza acústica de "Blue Moon" superam qualquer escorregada. E o "Cole Porter Medley"? Maravilha.

Está tudo em As Time Goes By, Great American Songbook Classics, lançado em Fevereiro deste ano. Aos 87 anos, um dos últimos moicanos na ativa. Essencial.

"Blue Moon": original de 1958.

sábado, 12 de outubro de 2013

As Próximas Horas Serão Muito Boas

Pearce e Knuckles: ótimo bate-papo.
Sério: reserve duas horas do seu escasso tempo pra isso, por que vale muito a pena. Trata-se do especial que a rádio BBC 6 fez com o mítico DJ e produtor Frankie Knuckles, em Maio de 2011. É um bate-papo que flui animado, onde Knuckles fala ao DJ e apresentador britânico Dave Pearce sobre seus primórdios na discotecagem e na produção de faixas históricas, como "Your Love" e "The Whistle Song". Se você tem um inglês apenas aceitável (como o meu, nível básico de cinco semestres do Wizard), dá pra sacar de boa o que rola nessa conversa. E tudo isso regado com uma trilha que não merece nenhum outro adjetivo que não seja espetacular. As faixas escolhidas apresentam cronologicamente bases importantes da house music e vão até o comecinho dos 90, com produções memoráveis de Knuckles. Além de descobrir várias fontes de samples - não sabia que "It's a Shame (My Sister)", da rapper Monie Love tinha a guitarra e o refrão chupados da "It's a Shame" do Spinners, por exemplo - a seleção traz coisas como MFSB ("Love Is The Message") e uma sensacional do Peech Boys que eu não conhecia ("Don’t Make Me Wait").

Larry Levan e Ron Hardy já se foram, então aproveite que Frankie Knuckles - um dos caras que estava na gênese dessa história toda - ainda está por aí, na ativa.

Tracklist aqui. O programa, no player abaixo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Roberto Carlos


Clichezão: "_ Ah, só curto o Roberto Carlos dos 60 e da primeira metade dos 70. Depois disso, ele virou galã da menopausa. Fez música pro caminhoneiro, pras gordinhas, baixinhas, encheu os arranjos com sintetizadores de churrascaria..." Já ouvi isso dezenas de vezes, e OK, é um argumento aceitável. Mas o Rei tem um repertório de hits tão incrível que dá pra deixar um pouco de lado sua carreira recente.

O namoro de Roberto com a música de pista moderna começou em 1994, com o lançamento do single promo Se Você Pensa Remix'94, que trazia versões house do sucesso feitas pelo habilidoso Marcello Mansur, o DJ Memê. Fora um ou outro aventureiro que meteu a mão na obra do cantor, a coisa mais consistente lançada foi o remix de "O Calhambeque", de 2005, construído pelas mãos talentosas do XRS Land, do nosso Xerxes de Oliveira. Originalmente, é uma canção de É Proibido Fumar, álbum de 1964 e que, por sua vez, é uma versão de "Road Hog", do cantor americano John D. Loudermilk (1962). É bobinha, vai, mas era começo dos sessenta, lembre-se. Acontece que a melodia e a levada de violão parecem ter nascido pro beat nervoso do drum'n'bass de Xerxes. Uma tijolada que foi parar na coletânea Dub Club - Picked From The Floor, lançada pelo selo G-Stone Recordings, de propriedade da dupla austríaca Kruder & Dorfmeister. Pode ter virado iguaria exótica na gringa, mas aqui - com o perdão do trocadilho fraco - "O Calhambeque" derrubou tudo pela frente. Anotou a placa?

"O Calhambeque" (XRS Remix): combustível para as pistas.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Nova Do Miami


Tenho que admitir: tem que ter fôlego de maratonista queniano pra acompanhar a lista telefônica de lançamentos de dance/eletrônica que aparecem diariamente. E onde encontrar tempo pra filtrar isso tudo e jogar coisas dignas de nota no blog? Ou, mais desesperador ainda: onde encontrar tempo pra postar alguma coisa no blog? Ultimamente, tem sido bem complicado.  


Bom, depois eu penso nisso. Por enquanto, dá uma escutada nesse single novo do Miami Horror, "Real Slow". Saiu no começo de Setembro, mas só fui descobrir semana passada. A faixa precede o novo álbum do projeto do australiano Benjamin Plant, sucessor do excelente Illumination, de 2010, e que só deve ser lançado ano que vem. É uma prévia animadora: "Real Slow" é um electropop com um pianinho house e bleeps de techno antigo, mais os vocais sossegados de Sarah Chernoff.

"Real Slow": pra que ter pressa?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Your House Makes All The Difference


Eles vinham devendo faz tempo, mas dessa vez acertaram em cheio.


What a Difference Your Love Makes é o novo single do Basement Jaxx. Quem sabe, sabe: é house que tem tudo pra ser imensamente popular, com seu refrão ganchudo (vocais do cantor britânico Sam Brookes) e nada de apelação pros clichês drop the bass correntes. Sensacional também é o lado B "Mermaid of Salinas", uma excentricidade meio Barry Manilow que parece um samba-enredo gravado na Andaluzia. No pacote ainda tem dois remixes bem honestos, um mais funky e orgânico por Miguel Campbell e outro repleto de graves rechonchudos por Huxley.

"What a Difference Your Love Makes": hit em potencial.