quinta-feira, 31 de julho de 2014

Caras Novas: Kyogi


Cara nova, mesmo. Kyogi tem só 16 anos, mas com oito já tinha banda e com 12, começou a produzir, experimentando com uma versão demo do FL Studio. Seu aprimoramento nesse (curto) espaço de tempo o levou a produzir coisas como essa "Not Good Enough". Com sample dos vocais do clássico soul-funk "Trapped", de Colonel Abrams ‎(1985), "Not Good Enough" é um monstro house com uma linha de baixo especialmente bem feita, que deve carregar os pendrives de muitos DJs mundo afora. Tem futuro. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Back To The Jungle


Depois do inacreditável Timeless, álbum de Goldie de 1995, o ótimo debut de Roni Size & Reprazent, New Forms (1997), poderia finalmente ter levado o drum'n'bass para as massas, mas não foi bem isso que aconteceu. Singles inventivos e com cheiro de novidade apareceram esporadicamente. O que acabou ganhando o mainstream foi o mix duvidoso de rock e industrial dos australianos do Pendulum (Hold Your Colour, 2005) e a salada indigesta do Chase & Status. Rudimental e seu belíssimo Home, do ano passado, foi uma exceção que chegou ao topo da parada britânica apoiada num trabalho consistente. Influência óbvia para o grime e o dubstep, o drum'n'bass nunca parou de produzir e revelar artistas interessantes em sua constante mutação - embora com bem menos popularidade do que na segunda metade da década de 90.

Sem disco novo desde 2004, Size bota as manguinhas de fora e promete pra Agosto Take Kontrol, sem os MCs e cantoras do Reprazent. Deve ser por isso que "Final Day" - faixa que estreou dias atrás no programa de Annie Mac, da Radio 1 - soe tão diferente da quebradeira cirúrgica dos clássicos New Forms e In the Møde. "Final Day" aproxima-se do pop (refrão, levadinha de violão), mas mantém a pegada da batida num nível frenético. Flautinhas decoram o ambiente, mas essa distorção clichê e excessiva dos sintetizadores, arranha a melodia. Estou curioso pra ouvir o disco inteiro. Fiquei com um pé atrás depois de "Final Day".

"Final Day": desconfiômetro ativado.

domingo, 27 de julho de 2014

A Caminho


Disco novo do SBTRKT vai tomando forma (Wonder Where We Land) e Aaron Jerome liberou mais uma faixa pra audição. "New Dorp, New York" tem participação de Ezra Koenig, vocalista do Vampire Weekend - uma banda que eu, com todo respeito, detesto.

A música não me impressionou muito. Já os moleques do Disclosure, pagaram pau pra Jerome, como visto no post abaixo.


Achei o groove de "New Dorp, New York" meio seco e a percussão um tanto esparsa. Mas, tudo bem, fugindo do óbvio, SBTRKT acertou várias vezes no seu disco de estreia. Acho que a mira ainda está OK.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Cavaleiros da House


O Le Knight Club foi um projeto que surgiu da parceria entre Eric Chedeville e Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk). Entre 1997 e 2002, foram 12 singles, alguns divididos com outros nomes como Paul Johnson, DJ Sneak, Doggystyle e The Eternals (não, não conheço nenhum desses).

O legal é que se bateu saudade do Daft Punk "clássico", taí a recém lançada coletânea Crydamoure (também nome do selo de Chedeville e Homem-Christo), que faz uma apanhado das faixas mais legais dos cinco anos de atividades da dupla. Em alguns momentos, lembra muito o trabalho dos autores de "One More Time", especialmente no gancho de sintetizador hipnótico de "Holiday On Ice", nos vocais com o pitch lá em cima de "Soul Bells" (com empréstimo de "Streetwave", do Brothers Johnson) e nos metais nervosos de "Hysteria" (com sample da guitarra de "Miracles", do Change). De resto, a fórmula das nove faixas é basicamente a mesma: samples adulterados de disco e funk, loops intermináveis e linhas de baixo absurdas. Não é difícil sacar porque o projeto não teve fôlego: o duo provavelmente entendeu que começou a soar repetitivo demais e abandonou o Le Knight Club. Mas não que isso tire o mérito dessa compilação. Pelo contrário. Crydamoure é um item valioso na coleção de qualquer fã de french house e mais ainda na de quem deixou escapar essas faixas na época de lançamento (eu, inclusive). O detalhe curioso é a qualidade das gravações. Uma audição atenta revela vários trechos em que é possível perceber a fritação do vinil e em outros o áudio falha, mesmo (hi-hats achatados que me parecem de forma não intencional, e sim culpa de uma agulha meia-boca, por exemplo), o que reforça minha suspeita de uma coletânea não oficial. Não que eu me importe.

"Holiday On Ice": preciosidade.

domingo, 20 de julho de 2014

Igapó de Almas


Prepare-se para um mergulho profundo contra a correnteza da parca cena eletrônica brasileira atual. O Igapó de Almas vem do Rio Grande do Norte e conforme o nome do projeto indica (igapó é uma área de floresta que se mantém alagada, mesmo após as chuvas ou as cheias dos rios), reúne múltiplos elementos em suas águas e funde com rara precisão eletrônica e regionalismos em A, seu disco de estreia. Uma "mestiçagem musical", como a banda mesmo define.

Samples intrigantes flutuam na faixa de introdução "Afechadura"; lindas harmonias vocais (de Clareana Graebner) embelezam a riqueza instrumental de "A Bruxa no Trecho", emoldurada por sintetizadores, cellos, efeitos e guitarras limpas.


No enigmático texto recitado na breve "Ao Vomitório", a base funde-se às vozes num entra-e-sai de estática e ruídos sintéticos, até acabar de forma misteriosa. Em "A Maçã", a cantora Laya Lopes define: "meu samba é psicótico, meu baião é enfeitiçado", entre zabumbas e triângulos digitais. "Abruxa" traz guitarras serenas apoiadas por violão e teclados que voam mansamente de um canal pro outro do fone de ouvido. Talvez seja o momento mais desolador e bonito do disco.  

A, o disco, pode ser ouvido inteiro na página do Bandcamp da banda. Confesso que é de difícil categorização, mas isso realmente não importa. O grupo conseguiu realizar um trabalho em que experimenta com ritmos eletrônicos e regionais, psicodelia e música étnica, com letras especialmente bem feitas. E consegue resultados impressionantes, na maior parte do álbum. Conversei por email com integrantes do Igapó de Almas, que explicam melhor o processo:


Desse mix étnico-psicodélico-eletrônico de "A", quais as principais referências musicais da banda?

Sobre essa mistura que você citou e sobre nossas referências, a intenção primeira é construir novas variações musicais, a partir de conexões entre os ritmos étnicos oriundos da cultura brasileira: indígenas, caboclos & afro-brasileiros, juntamente com a psicodelia, o progressivo setentista, e alguns sub-genêros da música eletrônica como o trip-hop, downtempo, etc... Todos os envolvidos no Igapó de Almas são curiosos por sons, timbres, células rítimicas, então estamos sempre buscando.

Quais as fontes dos samples usados no álbum? São extraídos de sons ambientais in loco ou são trechos pré-gravados?

Hmm... sim, alguns samples ouvidos no álbum são sons que captamos in loco, na Floresta Amazônica.

Cinco das doze faixas do álbum tem participações de vocalistas convidados. Qual a solução para os shows?

No show nós contamos com a presença do cantor Tiago Landeira, que interpreta todas as canções. Enquanto que no disco, o processo de gravação das faixas cantadas se deu a partir de encontros em viagens, amizade e parceria.

Vocês sentem proximidade com alguém, musicalmente, na cena independente brasileira?

Nós sentimos uma afinidade com algumas criações da cena independente brasileira, no sentido de desejar realizar conexões. Mas por enquanto estamos à margem dessa mesma cena, uma vez que o material lançado ainda é muito recente. Seria um prazer construir interações musicais com alguém como Tom Zé ou Uakti, por exemplo.

Há planos para lançar "A" numa mídia física, ou o ambiente virtual é suficiente pra divulgar a banda?

O ambiente virtual não é suficiente, devido à efemeridade das relações virtuais. Na internet tudo é muito veloz, isso é positivo, mas também negativo, diríamos paradoxal. No entanto, tudo que tem acontecido até então é fruto do mundo virtual. Existem planos para lançar o álbum "A" num material físico (de preferência vinil). Mas para isso é preciso captar recursos ou estabelecer novas parcerias. Estamos nessa busca...





sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Red Flag


A dupla de Liverpool, Red Flag (radicada em San Diego, EUA), conseguiu alguma repercussão tardiamente: seu single "Russian Radio" foi lançado em 1988, beliscou a parada dance da Billboard e ganhou o coração (e as pernas) dos adoradores do technopop, naquele final de década em que o gênero estava em franco declínio. Na produção, uma mãozinha de Paul Robb, do Information Society. O Red Flag frequentou o segundo escalão do synthpop (junto com gente como When In Rome e Cause & Effect), pra sumir musicalmente logo em seguida - apesar de ainda estar na ativa, mantido pelo tecladista Chris Reynolds. O vocalista e irmão de Chris, Mark Reynolds, faleceu em 2003. Curiosamente, o single continha um remix de "Russian Radio" numa versão electro, chamado "Glasnost Club Mix" (de Paul Robb), que foi hit nos bailes funk cariocas da virada 80/90 e consumida como freestyle sem a menor cerimônia.

"Russian Radio (Fresh Club Mix)" :



"Russian Radio (Glasnost Club Mix)":

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Cachorro Comeu Meu Dever De Casa


Dog Ate My Homework. A esquisitice do significado do nome desse misterioso projeto que grava pela Kompakt reflete-se também no som. O single "Black Night" (saiu no final de Abril) é um cover do cantor folk Bob Lind (1966), brilhantemente vertido para ambientes com pouca luz pelo DAMH. O original, sensacional, abaixo:



A versão do DAMH não tem exatamente as pistas de dança como finalidade. Vocais embebidos em litros de Maracujina, piano elétrico e um entra e sai de efeitos contribuem pra vibe sofá de palito/Bloody Mary da canção. O vídeo oficial é um caso à parte. Como meus conhecimentos sobre cinema fariam Roger Ebert morrer de novo, acho que as espetaculares cenas abaixo são obra de algum diretor/aventureiro contemporâneo, inspirado no expressionismo alemão dos anos 20. Você que manja, diz aí. Eu achei genial.



Para garantir a felicidade dos quadris, o DAMH chamou o figuraça DJ Koze e o britânico Matt Karmil pros remixes. O 4x4 de Karmil não empolga muito: ele esticou as cordas, limou os vocais e valorizou um timbre de sintetizador um tanto extravagante. Já DJ Koze... chamou pro baile. Batidão com chamada de locutor e tudo. Pecado é ela durar tão pouco: só três minutos. Todo bootleg com uma extended disso será bem vindo.



Bom, até aí, "Black Night" já seria um dos singles de eletrônica do ano. Mas ainda tem "Hansi", uma perturbadora obra com vocais perversamente sussurrados em alemão que, dizem, foram sampleados da falecida atriz Romy Schneider. A bateria é um tique-taque mal-assombrado, os violinos vem e vão, o clima é onírico e a fritação constante de vinil, assegura o ar nostálgico do som - só que bem longe de qualquer ranço retrô. Incrível.

sábado, 12 de julho de 2014

Dez Perguntas Para: DJ Memê



Os números impressionam. O carioca Marcelo Mansur tem uma carreira superlativa, construída desde que começou a discotecar, aos 11 anos de idade. São cerca de 150 remixes, 25 produções de singles, 23 produções de álbuns, 23 discos de ouro, 15 discos de platina e 3 discos de diamante. Vale a visita ao site de Memê, o djmeme.com.br, onde você pode ver a lista completa. Memê é um dos DJs mais conhecidos e respeitados do mundo, já trabalhou com nomes do quilate de Mariah Carey, Dido, Justin Timberlake, Lulu Santos, David Morales e Shakira. Gentilmente aceitou responder às 10 Perguntas do blog e o resultado é uma lição de produção, remixagem, discotecagem, bom humor e, principalmente, amor à música. Eis!  

1) O que tu consideras como tua assinatura pessoal, aquilo que as pessoas ouvem e dizem:
"é o Memê na produção!"?

Hmmmm... temo errar na resposta, porque isso não é algo que o artista percebe em si mesmo, mas normalmente parte dos outros que dizem "QUANDO OUÇO ISTO OU AQUILO, JÁ SEI QUE É VOCÊ". Eu apenas coleciono opiniões, e aqui vão algumas repetidas: além de alguns acordes específicos que gosto de usar com 7a Menor, o som dos mixes que eu mesmo tiro em estúdio já anda reconhecido pela parte mais antenada e sensível dos fãs. Como sou eu mesmo que mixo tudo desde 1993, é natural que haja uma assinatura em tal mixagem. Tem gente que só de ouvir os primeiros beats, já me descobre ali.

Em um segundo estágio, percebo que o meu uso específico de pianos numa região específica que escolho para tocar dentro do arranjo, também já não passa mais despercebido. E para terminar, a estrutura dos meus tracks (intro, verso, drops, etc...) também pode ser identificada pelos bons ouvidos. O engraçado é que outro dia fiz um track completamente diferente do meu usual e mudei o nome, mas... muita gente ficou confusa, porque JURAVAM que era eu, e olhavam para o disco vendo um nome diferente. Não sei se assinatura forte é bom ou não, mas tem funcionado há um tempo.

2) Tu já tiveste interesse em produzir um álbum em que o foco não fosse a pista de dança ou a música pop e sim, experimental? 

Sim, e penso em fazê-lo agora, mas a ideia é tão real que não posso contá-la ainda ;-)

3) Até que ponto o gosto pessoal pode interferir na discotecagem? O feeling de pista basta pra saber se uma música nova vai funcionar ou não?

Essa é bem complexa. Vamos lá:

Eu acredito que existam diversos tipos de DJs e cada um tem uma missão. Não há "verdadeiros" ou "falsos" DJs. Nem melhores e nem piores, mas tais como um pintor, há pintores de parede e pintores de quadros. Ambos são chamados PINTORES, mas com acentuadas diferenças: 

1 - O pintor de parede ouve do cliente: "_ Olha, eu gostaria de pintar essa parede de vermelho e o teto de verde." E assim será feito. Pinta, recebe e vai embora.

2 - O pintor de quadros chega e diz: "_ Senta aí. Quando eu acabar de pintar, você vê". E é exatamente para isso que ele está sendo contratado, para dar a sua visão das coisas.

Eu sou um pintor de quadros, pois parto SEMPRE da minha escolha pessoal, selecionando músicas o ano inteiro para carregar meus pendrives com o que pretendo mostrar ao público... como uma aquarela. Monto minha seleção de cores/músicas e procuro dentro da vibe daquela noite, excitar a pista com a mistura certa entre elas para atingir o sentimento que quero passar. 

O DJ precisa ter feeling, claro. Nenhuma noite é prevista, por mais comercial que seja o club. Sempre haverá uma mistura nova ou um elemento novo a cada noite, então se você não tem tal feeling, não saberá como usar uma música nova que acaba de chegar, e provavelmente tocará um playlist de 2 horas, passando a bola para o próximo depois.

Música transmite sensações, e é essa a minha onda: surpreender o público, causando sensações inesperadas, e não parecidas com a da noite passada. Claro que ás vezes o club não está exatamente como você espera, mas em cada caso é preciso saber reequilibrar os "temperos' de forma diferente, como se você estivesse misturando cores para resultar em algo propício para aquele quadro.

Em minha visão pessoal, acho que se você não surpreender o público... qual é a graça? Botar um hit atrás do outro, não faz você ser lembrado no futuro, e nem fará de você um DJ diferenciado, mas... tem seu lugar.

A escolha de qual DJ você quer ser, é 100% sua.

4) Para o DJ, hoje, ecletismo é a palavra-chave, ou com a ramificação absurda de gêneros, é melhor se especializar num determinado gênero?

Sou reconhecidamente um DJ de House, mas meu gênero preferido é, e sempre foi, um só: MÚSICA BOA! Aqui no nosso país, 90% diz que toca DEEP HOUSE ou EDM. Tirando os 10% de exceções, não existe mais nada na boca desse povo, mas... pombas, quem disse que o público só quer escutar isso? No meu caso, posso ir da House ao Tech, do Unreleased ao Clássico, do mais cabeçudo ao mais comercial, mas o importante ao final das contas é gerar a tal surpresa numa viagem musical que soe completa, com começo meio e fim, mas jamais um Frankenstein, em que os pedaços não fundem-se muito bem.

5) Tu compartilhas de um certo tipo de "romantismo saudosista" em lembrar que discotecar há duas décadas era mais difícil do ponto de vista técnico, mas com menos DJs aventureiros pra dividir o mixer na noite, ou vale o conceito "todo mundo é DJ" e tem espaço pra todos?

Pra começar, não sou saudosista. Nunca fui. Se fosse, minha carreira já estaria moribunda. Gosto do meu passado e orgulho-me de ter estado lá, mas sempre andei olhando para o que há de novo no outro lado do muro. Isso é o que me mantém vivo. 

Na resposta nº 3 acima eu deixei claro que todos os gêneros de DJ são válidos, e se tem respaldo do público, não há sequer como contestar tal argumento. Gostar ou não de um ou outro, já é íntimo e pessoal a cada um, mas... CLARO que é preciso talento. 

Pense assim: nem todo mundo saberá cozinhar. Nem todo mundo saberá jogar bola. Nem todo motorista é piloto. Com DJ é a mesma coisa. Há um mito subliminar de que com a chegada dessa tecnologia que facilita tudo, todo mundo pode ser DJ. Poder pode, mas mesmo que você tenha dinheiro para comprar uma Ferrari, lembre-se que tê-la como seu primeiro carro e com sua pouca experiência, essa "tiração de onda" poderá resultar num belo desastre físico e financeiro. Não acho que ninguém deveria querer e nem procurar algo parecido com um desastre. 

A verdade é uma só: ninguém pode fazer tudo ou qualquer coisa. 

6) Qual foi o último disco de dance/eletrônica que realmente te deixou de queixo caído?

Eu ando gostando muito de um "cabra" sueco chamado CLAES ROSEN. Descobri há um tempo no Soundcloud e fui atrás de outras coisas dele. Ele tem uma pegada Techno, mas seu coração bate em harmonias e melodias da House. É um sueco do bem... rs. OOoops !

7) Dá pra escolher um filho preferido? Qual é o teu melhor remix?

Hahaha... um só, não dá, mas ando preparando essa resposta há algum tempo. Aqui vai a minha seleção, mas não necessariamente na ordem abaixo:

Depeche Mode – “Behind The Wheel 2014”

Shakira – “Estoy Aqui”

Davidson Ospina – “I Want It”

Fish Go Deep – “The Cure and The Cause”

Frankie Knuckles & Shapeshifters – “The Ones You Love”

Kid Abelha – “Fixação”
8) Com quem e porque tu gostarias de trabalhar e por algum motivo, ainda não o fez?

Cara, tive a sorte de ir para estúdio com uma gama tão diferente de artistas como Mariah Carey e Shakira; Lulu Santos e Roberto Carlos; Frankie Knuckles e Vincent Montana Jr.; Volkoder e Gabe. Entre todos que trabalhei, faltaram dois que eu gostaria MUITO por razões ÓBVIAS, mas que não vai rolar mais: TIM MAIA e MICHAEL JACKSON. Imagina a aula que eu teria????  

Aprendi que o melhor que se tira desses encontros é mesmo a honesta e saudável troca de expêriencia. Isso... nem Mastercard compra, e acho que esse é o meu diferencial no mercado.

9) É preciso produzir, ou um DJ pode chamar atenção hoje em dia apenas tocando?

Olha, até pouco tempo atrás eu espalhava para quem quisesse ouvir que "DJ é o cara que faz dançar. Quem produz chama-se PRODUTOR", mas... o mercado mudou mesmo, e se você não tiver um trabalho autoral, não será reconhecido dentro da categoria 'ARTISTA/DJ'. 

Contra fatos não há argumentos. DJ que não produz terá seu lugar sempre, mas numa escala menor. Se você não se importa com isso, porque sabe que produzir não é pra você, seja feliz e faça o povo dançar. Esta também é uma causa nobre.

10) Duas músicas: uma eterna (que não sai do case) e uma produção atual:

Vou pedir "licença poética" para aumentar para duas de cada gênero:

Eternas:

Soul Central – “The Strings of Life”



Junior Jack – “Thrill Me”

Atuais:

Bazzo Ruthel – “Milagro”


Volkoder – “Alternavel”
Twitter: twitter.com/DJ_Meme 
Facebook: facebook.com/DJ.Meme
Soundcloud: soundcloud.com/dj-meme

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Depeche Mode

Dando mau exemplo e, segundo Dave Gahan, usando "roupas ridículas".
Para os fãs fervorosos do Depeche Mode sombrio que começou a aparecer por volta de 1984, a culpa por "Just Can't Get Enough" (1981) é de Vince Clarke. Bobagem. Vince mostraria ser um compositor pop talentoso depois que caiu fora do Depeche (um mês depois da banda lançar o álbum de estreia, Speak & Spell). Clarke compôs nove das onze faixas do disco - "Just Can't Get Enough" entre elas.

Não tinha como errar. Um riff de teclado viciante, uma letra bobinha sobre paixão adolescente ("Toda vez que penso em você / Sei que temos de nos encontrar / Está ficando mais quente, é um amor que queima") e o terceiro compacto do Depeche era o primeiro a beliscar significativamente a parada inglesa (chegou ao oitavo lugar). No Brasil, curiosamente, a faixa só foi chamar atenção dois anos depois, após ser incluída na trilha da novela Louco Amor, da Rede Globo.


A versão Schizo Mix do hit (lançada num doze polegadas) no entanto, mostrou-se profética ao projetar o Depeche para o seu próprio futuro. Estendida para quase sete minutos, é exatamente no meio da canção que o portal se abre para o grupo. Nele, Martin Gore, Dave Gahan e Andy Fletcher afastam-se da pista de dança e vão para um ambiente escuro entre sintetizadores que exprimem profunda tristeza e uma voz lúgubre que repete sinistramente o título da música. Os próximos passos do Depeche Mode apontariam exatamente pra esse caminho.

"Just Can't Get Enough (Schizo Mix)": presságio.
   



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Os Ostentadores Passam e o Bonde Não Para


Buchecha é o coisa mais próxima do verbo curtir na minha relação com o funk carioca. No caso de Claucirlei Jovêncio de Sousa, o funk melody (o nosso freestyle). O seu mais recente álbum, Adesivo (segundo de sua carreira solo), é um tanto genérico, mas tem pelo menos uma faixa capaz de emparelhar com a monumental "Conquista" (de 1996) ou com outros hits dos tempos de sua parceria com Claudinho, como "Quero Te Encontrar" e "Só Love": "Princesa Funkeira". Lasciva sem baixaria e com o talento pop de Buchecha, gruda fácil pra quem adota a postura do título do segundo álbum de George Michael: Listen Without Prejudice.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Fonte Esgotável


Ou há pouca oferta de vocalistas no mercado, ou os samples estão ficando realmente escassos. O próximo single dos holandeses do Kraak & Smaak, "Mountain Top", empresta os vocais de um projeto de estúdio do começo dos 80 chamado Rockers Revenge, bolado pelo mestre Arthur Baker. A faixa original, "Acappella Sunshine", já foi usada por uma das picaretagens de Norman Cook, o Pizzaman (em "Trippin' On Sunshine"), pelo The Orb (numa faixa também chamada "Tripping on Sunshine [Live Mix]") e no hit "Sunshine '89", do Fax Yourself. A "Mountain Top" do Kraak & Smaak é uma house potente, deve pegar.

A fonte... 



...e como o Kraak & Smaak usou:

terça-feira, 8 de julho de 2014

Sete Bilhões De Almas Solitárias


Saiu em Fevereiro, descobri essa semana. Pop song sueca quase irretocável, "People Are Lonely" reúne o Gravitonas e os veteranos do Army Of Lovers (as bandas tem membros em comum). No duelo de vozes, parte dos vocais em falsete quase estraga a faixa pelo excesso de teatralidade. Mas no final, o saldo é positivo. Meu pé batendo involuntariamente no chão atestou isso.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Funk Líquido

Champion
Ah sim, o liquid funk. Minha subdivisão preferida do drum'n'bass. Metrônomo disparando, hi-hats de brilho intenso, sub graves...

Dois singles novinhos: o primeiro, Save Me / Phoenix, do produtor alemão Champion. Sexy e veloz.



O segundo, Cold Spring / Addicted, do sueco Seba. Sintetizadores ambient e vocais plácidos, contrastando com as baterias em disparada.

domingo, 6 de julho de 2014

Fácil, Extremamente Fácil


Acaba de sair Easy To Love, o novo álbum de Maxi Priest. Nenhuma revolução, mas é bem bom. Aliás, a força da carreira do britânico Max Alfred Elliott é impulsionada por seus singles, então, tudo em ordem. Além do mais, falar sobre as mazelas de Trenchtown ou coisas tipo "Babilônia em chamas" e essa clichezada toda nunca foi a onda de Maxi, graças à Jah. O disco tem participação da melhor cozinha da história do reggae, Sly Dunbar e Robbie Shakespeare (na faixa título e em "Every Little Thing"), além do guitarrista Earl ‘Chinna’ Smith e o cantor Beres Hammond (em "Without A Woman"). O romantismo das boas "Loving You Is Easy", "If I Gave My Heart To You" e "Holiday" confirmam a fama de bico doce de Maxi Priest e fazem de Easy To Love um disco altamente apreciável.

Primeiro single do disco, o lovers rock "Easy To Love" é a melhor faixa aqui, boa o suficiente pra figurar daqui a cinco anos num próximo Greatest Hits do cantor inglês.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Wang Chung


O Wang Chung não foi lá uma fábrica de hits, mas deixou pelo menos uma boa canção: "Dance Hall Days", de 1984. O grupo inglês nem mesmo chamou atenção em sua própria terra natal, onde seu desempenho comercial foi pífio. Os americanos acolheram melhor a new wave descartável da banda, e o fraquíssimo single "Everybody Have Fun Tonight", de 1986, chegou no número 2 no paradão da Billboard. Melhor ficar só com "Dance Hall Days", um número pop com um sax desnecessário mas de levada simpática e refrão agradável.

"Dance Hall Days": melhor momento do Wang Chung na carreira.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Post-Whatever


Nadus é um promissor DJ e produtor de Nova Jersey, que acaba de lançar o EP Broke City. No meio de tanta criatividade pra programar batidas desconjuntadas nas cinco faixas, salta aos ouvidos a homenagem à sua cidade, "Nxwxrk", com o auto-tune repetindo a palavra "Jersey" em todas as variações de tom possíveis. Já nem sei se isso é juke, grime ou dubstep. Será que chamar de bass é suficiente?

terça-feira, 1 de julho de 2014

Wall Of Sound


Whorl, o próximo álbum do Simian Mobile Disco, sai oficialmente em Setembro, mas a dupla acaba de liberar um aperitivo. "Tangents" é o primeiro single do disco, disponibilizada para audição numa Radio Edit. Sai o minimalismo das últimas investidas e entra um paredão de sintetizadores erguido sobre um BPM mais baixo, com uma melodia que progride em camadas até se dissipar em blips techno. É mais uma faixa excelente de uma dupla muito, mas muito acima da média.