segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ascendendo


Sensacional esse gospel-house "Elevation", composto e produzido pelo francês Jean Baptiste de Laubier (Para One). Participa o incrível The South African Youth Choir. Lembrei instantaneamente do Sounds Of Blackness e sua clássica "The Pressure (Pt. 1)", remixada por Frankie Knuckles em 1991. Saiu pelo Ed Banger e dá pra baixar de graça no Soundcloud, se liga.

domingo, 28 de junho de 2015

Laranja Eletrônica


The Orange Collection é mais uma coletânea que dá uma geral no cast da Eskimo Recordings, o quarto volume da série cromática da gravadora belga (já saíram Pink, Blue e Green). É um bom panorama a respeito do que está se produzindo de electropop atualmente, trazendo fusões interessantes com house, disco e synthpop. O álbum tem, obviamente, altos e baixos. É o que normalmente se espera e é o que acontece aqui.

As cinco primeiras músicas (de um total de 12) são ótimas. A faixa de abertura "Odds Are Good", do projeto solo do produtor francês Frédéric Rivière, Anoraak, é technopop em slow motion, com uma bela sequência de arpejos e vocais entorpecidos.


"Higher" (Ary) e "Renegades" (Majestique) que vem em seguida, parecem canções de uma mesma banda: ambas tem vocais femininos delicados (com um pezinho no indie rock) e timbres de sintetizadores analógicos escolhidos a dedo. Dançável, mas não exatamente dance music. Ligeira vantagem pro Ary e o admirável trabalho vocal da norueguesa Ariadne Loinsworth Jenssen.




"Animals", do Du Tonc - dupla formada pelo vocalista e baixista do Van She, Matt Van Schie e o produtor Mighty Mouse - é um primor. Disco music sintética, com aquele baixo dugu-dugu-dugu infalível. Pra mim, a melhor do álbum.



"Riptide", de George Bakalakos e seu NTEIBINT, encerra a melhor parte desta Orange Collection. Mais influências disco filtradas pela sensibilidade e precisão eletrônica do produtor grego. 



A curva descendente começa com "On & On", do australiano This Soft Machine. A ideia de continuidade e movimentos ininterruptos sugeridos pelo título esbarram na falta de criatividade e repetição sonolenta do tema. A viagem space disco de Tarjei Nygard & Are Foss ("Flog") dura quase seis minutos e não vai a lugar nenhum. A inacreditável "Fernandez", do israelense Moscoman, também patina: um mix de gosto duvidoso entre Country & Western e eletrônica retrô, com uma linha de baixo monocórdica. Pode pular essa. Uma animadinha com o simpático dance pop (no sentido Olivia Newton-John do termo) da dupla Horixon e sua "Hold It Like I Own It".     



"Find My Love", do misterioso Trulz, tem um baixo de dar vertigem, a despeito dos vocais não serem lá grande coisa. A italo disco instrumental de Marvin & Guy ("Unfailing Fall") é totalmente dispensável. Pomposa e chata em seus longos oito minutos e meio de duração. The Orange Collection encerra com "Wear Out", do duo Hydrogen Sea. Linda trama de sintetizadores apoiada por strings emotivos e os vocais etéreos da cantora Birsen Uçar, tudo coberto com um verniz dark que deixa a faixa com aquela carga dramática contida e de beleza indiscutível. Vale dizer, no entanto, que o climão desta versão é culpa do remix do DJ e produtor holandês Mees Dierdorp (a original é muito diferente, mas igualmente boa).



O saldo de The Orange Collection, no final, é altamente positivo. Fica fácil constatar que a Eskimo continua lançando bom material (desde sua fundação, em 2000) e não precisa apelar para alguns nomes de peso em seu elenco (Prins Thomas, Lindstrøm, Kris Menace, Chromeo, Aeroplane) pra tornar uma compilação atraente.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Ice MC


Em 1989, o projeto de rapper britânico Ian Colin Campbell topou com o produtor italiano Roberto Zanetti (Savage, Pianonegro) e o resultado foi o debut de Ice MC, o single "Easy". Hip-house que usa o surrado sample de bateria de "Ashley's Roachclip" (The Soul Searchers, 1974), "Easy" foi bem nas paradas europeias - o que encorajou a dupla a gravar mais quatro singles e um álbum (Cinema, 1990). Passada a febre hip-house, Ian reinventou-se como toaster (com dreadlocks e tudo) e cruzou sua house ordinária com raggamuffin', o que rendeu mais alguns hits e exposição suficiente pra fazer com que sua "Think About The Way" (1994) fosse parar na trilha de Trainspotting, de Danny Boyle. Com algumas tentativas de comeback fracassadas, seu álbum mais recente é Cold Skool, de 2004.

"Easy": "If your system is wack then you should hear".

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Easy To Remember


A despeito do nome, Jacques Renault é americano. DJ, produtor e remixador (uma de suas melhores reinterpretações é "Beam Me Up", do Midnight Magic), grava singles esporádicos (ano passado foram dois) e acabou de soltar seu primeiro 12" em 2015, Talk System, duas originais e dois respectivos remixes. Nada assim, memorável, mas eficiente. É house instrumental com um pezinho no techno (especialmente no lado B, "Psyched Up") e os remixes trazem poucas variações para os dois temas. O que mais me chamou atenção na boa faixa título são os samples de alguns vocais de "Easy", do Ice MC. É uma referência totalmente inesperada. Por isso é legal.

"Talk System": the music is still a little rough.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

French Blues


St. Germain, lembra? Falei sobre o projeto do francês Ludovic Navarre um tempo atrás, aqui. Doze anos sem lançar material novo. Navarre promete álbum novo pra 2015, autointitulado. Tem um cheirinho do que vem aí, que o músico subiu semana passada no Youtube. Chama "Real Blues". Não conheço ainda os detalhes de produção, mas tem jeitão de vocal sampleado. O mix com percussão latina e graves atuando em segundo plano ficou interessante. Mas muito distante de coisas como "Rose Rouge" ou "So Flute".



"Real Blues": samples?



domingo, 21 de junho de 2015

Mágica No Absurdo


O grande mérito do produtor Kölsch está em equilibrar sua tech house numa balança que não pende nem pra EDM rasteira nem pra eletrônica cabeçuda. Seu ótimo debut 1977 (2013) já mostrou de cara como uma produção detalhista combinada com riffs certeiros e pequenas doses de ousadia transformou-se num dos álbuns de dance music mais sólidos daquele ano. Para o desespero dos puristas, o novo 1983 acaba de sair pela Kompakt e pega o bastão justamente onde 1977 largou: techno melódico, com progressões de acordes grandiosas e ganchos poderosos.



1983 é inspirado nas viagens de infância de Kölsch: todos os verões sua família costumava atravessar a Europa de carro rumo ao sul da França, ouvindo os discos preferidos de seu pai no tape deck. Kölsch começou a fazer sua própria trilha sonora (recheada com os então emergentes electro e hip-hop), assim que adquiriu um walkman. A representação sonora das mudanças de clima e cenários percebidas durante os longos períodos de observação enquanto estava sentado no banco traseiro do carro estão muito bem expressas por Kölsch nas 13 faixas de 1983, desde a introspecção com a faixa título de abertura até os vocais melancólicos de Nikolaj Vorsild no encerramento "Papageno".



No meio do caminho, o esplendor das construções melódicas de Kölsch, em sucessões de acordes empilhados de forma ordenada, sempre rumando para cima e expressas em ganchos que tanto podem ser uma linha de baixo ("Pacer") quanto um vocalize onírico ("Two Birds")



Outro acerto de 1983 é a colaboração com o multi-instrumentista e arranjador alemão Gregor Schwellenbach. A parceria rendeu três faixas, com os lindos enxertos orquestrais de Schwellenbach em perfeita sintonia com a eletrônica precisa de Kölsch.



1983 é uma continuação natural de 1977, sem que isso represente mesmice ou adequação. A mágica de Kölsch consiste em transformar temas aparentemente banais em faixas emotivas, numa montanha-russa de sensações que vão da euforia de uma pista de dança encharcada de suor à solidão-conforto de uma autoestrada percorrida com o deslumbramento típico de paisagens de tirar o fôlego. A tapeçaria sonora tecida por Kölsch cumpre a tarefa de descrever essa viagem com perfeição, algo digno de um artesão de mão cheia como o produtor dinamarquês.

"The Road": Kölsch impressiona com mais um discaço.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Sexta Feira Bagaceira S.L. Line


Não restou nenhuma informação sequer sobre o S.L. Line. No Discogs, só consta a curta discografia do projeto, com meia dúzia de singles. Tudo cover. No 12" de estreia, de 1990, o tema escolhido foi "Another Day In Paradise", que ainda estava bombando com o autor, Phil Collins (originalmente lançada no final de 1989). Transformar em jogação o panfletarismo duvidosamente convertido em compaixão pelos sem-teto do hitaço do baterista e vocalista do Genesis, foi digno de Midas. Seja quem for que estava por trás do S.L. Line (desconfio de algum italiano), o iluminado só teve o trabalho de usar a batida downtempo de "Keep On Movin'" do Soul II Soul e colocar alguém com a voz igualzinha à de Collins pra cantar. O groove de Jazzie B caiu como uma luva. Parece um remix, mas é um cover mesmo. E ficou sensacional.

"Another Day In Paradise": paraíso é a pista de dança.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

I Can't Dance


Toby Tobias e Ricardo Villalobos: dois produtores respeitados no universo dos beats que lançaram singles novos nas últimas semanas. Nenhum me entusiasmou.

O britânico Tobias soltou agora em Junho All Rising, house-disco padrão com uma linha de baixo desengonçada e vocais picotados pelo sampler. Médio.



Já o chileno Villalobos continua sua cruzada minimal techno com o bocejante Who Are We? EP. Percussão esparsa e experimentos vocais no segundo plano em "Buffalo Demon", longas divagações do conterrâneo Jorge González na pedante "Who Are You?". Depois de ouvir essa, lembrei da Betty Boo e sua "Hey DJ! (I Can't Dance To That Music You're Playing)".

sábado, 13 de junho de 2015

New Old Disco


Jimmy Somerville sempre esteve intimamente ligado à disco music. Das suas primeiras aventuras adolescentes pelas noites de Glasgow nos anos setenta, passando por seu falsete afinadíssimo - que lembra muito um dos astros da disco, o finado Sylvester James - até chegar às regravações de vários clássicos do gênero durante sua carreira. Em 1985, quando fazia parte do Bronski Beat, reconstruiu "I Feel Love" (num medley com "Love To Love You Baby", ambas de Donna Summer), junto a Marc Almond (Soft Cell). Os maiores hits dos Communards, sua banda seguinte, foram "Don't Leave Me This Way" (composta pelos geniais Gamble & Huff e sucesso com Thelma Houston em 1977) e "Never Can Say Goodbye" (originalmente gravada pelo Jackson 5 em 1971 e hit disco com Gloria Gaynor em 1974). Já em carreira solo, Jimmy paga tributo ao próprio Sylvester com "You Make Me Feel (Mighty Real)", de 1990:



Sendo assim, sua opção por gravar um álbum totalmente disco em 2015 é mais do que natural. Passa longe do simples pastiche ou de qualquer suspeita de tentativa de carona nos respingos causados pela repercussão de Random Access Memories, lançado em 2013 pelo Daft Punk. É, isso sim, uma opção baseada na própria trajetória do cantor e confesso que acho até estranho o fato desse álbum ter demorado tanto pra acontecer.


Primeira constatação que afasta qualquer sensação de oportunismo: Nile Rodgers não participa do projeto. Reparou em como o brilhante guitarrista do Chic (que deve lançar álbum novo em breve) tem sido requisitado depois de sua colaboração com Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo? Pois a produção de Homage (saiu em Março, pela Cherry Red Records) é do próprio Somerville e John Winfield. A dupla também compôs 12 canções originais para o álbum (embora boa parte delas já havia sido lançada em EPs anteriores) e aí está a segunda evidência: não há covers desta vez, nada de readaptar sucessos do passado pra galgar as paradas mais fácil. É um disco corajoso, já que não há um hit detectável assim de primeira - a despeito da homogeneidade das composições. É muito bem arranjado, sem excessos, sem suntuosidade. O glitter é espalhado em doses moderadas, com percussões sutis, metais contidos, guitarras sinuosas e teclados discretos. Homage traz dance music orgânica, com belas linhas de baixo e o vocal cristalino de Somerville, como em "Back To Me", uma das melhores faixas do disco:


"Overload" tem bom refrão e cara de hit de pista (já ganhou uma versão extended oficial, inclusive):


A introdução de violinos na faixa de abertura "Some Wonder" remete à "Love's Theme" (Love Unlimited Orchestra, de Barry White) e é um dos pontos altos de Homage:



O álbum disco de Somerville, ainda que tardio, pode não ter desempenho considerável nas paradas mas certamente não vai decepcionar os fãs deste artista que tem um catálogo pop invejável, nem novos consumidores de dance que perguntam por disco em sites especializados em venda de música e ganham um Holy Ghost! como resposta.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sexta Feira Bagaceira: Rod Stewart


David Bowie, o camaleão do pop? E o Rod Stewart, então? Rhythm and blues na sua primeira banda no começo dos 60 (The Dimensions), hard rock no Jeff Beck Group, pop psicodélico no Faces, baladeiro emocional grandiloquente no começo dos 70 e disco music no auge do gênero (é famosa a história do "plágio inconsciente" de Stewart - foi o que ele alegou nos tribunais - quando chupou a melodia de "Taj Mahal" de Jorge Ben pra compor o refrão de seu maior hit de pista, "Da Ya Think I'm Sexy?", de 1978).



Bom, não parou aí, claro. No começo dos 80, o inglês descobriu o então emergente synthpop e se jogou. O melhor resultado da experiência foi o single "Young Turks" (gíria que descreve o jovem que se rebela contra a autoridade ou as expectativas da sociedade), de 1981. Além do sucesso nas danceterias, a faixa foi bem nas paradas, chegando no Top 5 da Billboard e em 11º no Reino Unido. Era Rod Stewart mantendo o padrão pop sem perder o bonde da modernidade.

"Young Turks": sintetizadores, baterias eletrônicas e a inconfundível voz de lixa.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sweet Monarchy


Depois do razoável álbum Abnocto, lançado em Março, o duo Monarchy já tem disco novo saindo: trata-se de Re/Vision, um EP de covers que inclui versões para gente como Arcade Fire, Nine Inch Nails, Blur, Lana Del Rey e Beck. Tem também uma retrabalhada em "Sweet Harmony", uma das minhas músicas preferidas de uma das bandas mais subestimadas/injustiçadas que eu conheço: The Beloved. Confere aí abaixo a (insuperável) versão original e como ficou com o Monarchy.  


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Everything Starts With An 'E'


Finalmente Stefan Kozalla liberou o áudio de seu novo single, XTC. De instrumental simples (mas não ordinário) e temática um tanto arriscada (XTC = ecstasy), a faixa passeia durante seus oito minutos por um ambiente composto por techno nublado e house etérea, enquanto uma voz/sample divaga com um tédio abissal (ou entorpecida, mesmo) sobre a pílula do amor. Não é o melhor DJ Koze que já ouvi, mas está muito longe de decepcionar. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Skye e a Tempestade


Com o Morcheeba em repouso, a cantora Skye Edwards está prestes a lançar seu quarto álbum solo, In A Low Light. Hoje ela soltou "Storm", mais uma faixa pra mostrar qual é a do disco (em Maio foi "For The Day"). As (duas) pistas apontam para algo intimista e delicado, embora o nível de tensão em "Storm" seja alto (talvez por causa dos sintetizadores sombrios que planam sobre a música). A ausência de batida causa um certo estranhamento, em compensação, supervaloriza os vocais de Skye - emoção pura à flor da pele. Assustadoramente bonito.

"Storm": belíssima animação para uma música tão boa quanto.

domingo, 7 de junho de 2015

Caras Novas: Joywave


Entendi o que o termo indie dance significa em 2015 depois de ouvir o debut do Joywave, How Do You Feel Now?, lançado no final de Abril. Mas o que tem de indie um álbum que saiu pela mesma gravadora (Hollywood Records) de Selena Gomez e Demi Lovato? Bom, dá uma olhada no que o Beatport considera indie dance e você vai sacar que o Joywave tem muito mais a ver com aquela cena britânica do começo dos 90 (Madchester) do que o site de venda de música online imagina. A diferença é que em How Do You Feel Now? não há resquício de fusões de rock sessentista com house ou batidinhas funky drummer. O que o quinteto nova-iorquino faz é muito mais enérgico, cheio de riffs poderosos de guitarra ("Now", "Somebody New") e sintetizador ("Parade"). É um Phoenix adrenalizado, um Hot Chip com punch.

Entre as muitas coisas que chamam pra pista no som do Joywave, está sua doce (culpa dos vocais do bigodudo Daniel Armbruster) incursão pela house music, como em "In Clover", que emula aquele timbre de órgão que tornou Robin S famosa no começo dos 90:



"Carry Me" é outra faixa com bom potencial para as danceterias, uma mistura exata de rock e eletrônica com refrão pop e baixo totalmente New Order, que poderia ter saído tanto do catálogo da DFA quanto da Factory:

Algumas escorregadas não comprometem o disco como um todo, como quando a banda grava pop rock genérico ("Nice House") ou excede o uso de ingredientes, resultando em coisas indefiníveis como "Destruction" ou "Tongues":



How Do You Feel Now? encerra com um trip-hop apocalíptico ("Bad Dreams") e deixa a impressão que o Joywave é pop e diversificado o suficiente pra não ficar preso à um rótulo limitador como o indie dance. Dá pra sonhar em voar mais alto.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sexta Feira Bagaceira: AB Logic

Não ficaram muitos rastros do finado projeto eurodance AB Logic. Nem fotos com boa resolução. Fato é que seu único sucesso, o single "The Hitman" (1992) confundiu muita gente: muitos pensaram se tratar de algum lançamento do 2 Unlimited. E o AB Logic era um clone perfeito, mesmo. Um MC rapeando na velocidade da luz (K-Swing), refrão pop cantado por uma moça de voz doce (Marianne Festraets) e um riff de sintetizador pensado exclusivamente pra grudar na memória. Bom, o caso não é de xerox descarado nem de inspiração absurda. O motivo estava atrás da mesa de som durante as gravações do single do AB Logic e chama-se Phil Wilde, famoso produtor belga de dance que também era metade da dupla por trás do 2 Unlimited (o outro era Jean-Paul De Coster). Explicado.

"The Hitman": tão boa quanto "Get Ready For This".

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Too Much Love



Brandon Flowers é um cara do bem. Demais. Família. Polido, educado, certinho. Seu bom mocismo chega a ser irritante. Até aí, nada demais. Mas, cacete, se o cara é um junkie suicida e esquisitão, incomoda. Se é um indivíduo de boa, normal e tranquilão (nem sei definir isso de ser normal exatamente, mas digamos que é um cidadão que não rasga nota de 100 dólares), incomoda também? Ah, dá um tempo. Deixa o Flores. Certo, e o que isso tem a ver com a música? Eis o ponto: tudo. As chances de suas composições refletirem essa falta de atitude toda (ia escrever bundamolice, mas achei meio pesado) são altas. Não para minha surpresa, é exatamente isso que acontece em The Desired Effect, seu recém lançado segundo álbum. Insosso, piegas e, pra ficar numa expressão super na moda (não vai faltar gente pra dizer), é "muito amor" (argh).

Ah, OK. Ele é um artista pop. Não precisa expressar sua indignação com a crise migratória do Mediterrâneo e o consequente êxodo africano em direção à Europa em condições sub-humanas, que tem tomado os noticiários recentemente. Até porque, poderia soar falso e oportunista, hm? Quem precisa de outro Bono Vox? Então, a temática do Flores é mais leve, positiva, sonhadora e, verdade seja dita, utópica. Artisticamente, ele rivaliza hoje com o picolé de chuchu em que se transformou Chris Martin, do Coldplay. Assim como Martin, Flowers reveste sua música com pinceladas de rock alternativo, synthpop e new wave, o que deixa tudo com uma cara moderna e certa aura de credibilidade. Conversa. Brandon teve a manha de surrupiar o clássico technopop "Smalltown Boy" do Bronski Beat pra servir de base pra sua "I Can Change" (a alardeada participação de Neil Tennant nessa faixa restringiu-se a uma frase) e mesmo com gente como Bruce Hornsby e Carlos Alomar nos créditos, o máximo da ousadia limitou-se à levada electro-caribenha do single "Still Want You". De resto, auto tune emotivo tipo Owl City na cafona "Lonely Town", rockabilly eletrônico com cheiro de picaretagem à Jeff Lynne em "Diggin' Up The Heart", instrumentais inofensivos, coros fofinhos, metais suntuosos, arranjos melosos...  

A impressão que tenho é que Flowers gravou esse disco no meio de uma plantação de girassóis, sempre ao nascer do sol, olhando pro horizonte e estufando o peito enquanto despejava as palavras de ordem que formam este pequeno manual de autoajuda de 40 minutos: "follow your dreams", "it's gonna be alright", "dreams come true", etc... É só um disco pop, eu sei, mas tem aquele sorrisinho desconectado do mundo real que insiste em aparecer nas dez faixas. Não tem audácia, é musicalmente datado e as letras - entre banais e indiferentes - não ajudam em nada. Lair Ribeiro deve estar orgulhoso.

"I Can Change": roubar não é pecado.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Monstro Techno


Single novo do DJ e produtor londrino Underlord: It's F'in Rockin / The Beast saiu pela Kaleidosphere, exclusivamente no Beatport e vem com a marra de ter sido elogiado por Fatboy Slim, Laurent Garnier e Carl Cox. Nada mau. Apesar da pouca variação melódica, "It's F'in Rockin" é eficiente o bastante pra manter os clubs em movimento. Já "The Beast" é exatamente como o título supõe: entre momentos de calmaria e ataques furiosos, um monstro techno debatendo-se na pista de dança.

Laurent Garnier testa a eficácia de "It's F'in Rockin":