terça-feira, 29 de abril de 2014

10 Perguntas Para... Paradizzle

Di-Gestivo (de barba) e Feijão (de óculos): Magnum feelings.
Buenas. Comecei a prestar atenção no Paradizzle em Setembro do ano passado, quando ouvi sua faixa "Out Run", um funk eletrônico baseado em samples de fino trato e de alto poder rebolativo. De lá pra cá, DJ Feijão e Di-Gestivo lançaram "Out Run" no Beatport, alcançando o segundo lugar na parada Funk/R&B do site, além de permanecer mais de um mês no Top 100. Mais: a música "Class" entrou na coletânea Roller Disco do selo Royal Soul e a dupla ainda estreou seu live no meio de Janeiro, em Porto Alegre. Entre ensaios, festas e várias idas à Arena do Grêmio, sobrou tempo pra responder às 10 Perguntas aqui do blog.

1) Porque o Brasil ainda não emplacou um artista de dance/eletrônica em um nível Chemical Brothers da cena?

Acreditamos que o Brasil tem um delay histórico em relação a cena gringa. Mesmo com a informação altamente globalizada dos tempos atuais, as pessoas ficam meio dependentes do próximo passo que os gringos vão dar. Temos muitos DJs e produtores bons, mas que na nossa visão não estão tão empenhados em produzir algo inovador, estão mais interessados em simplesmente discotecar e seguir as tendências do mercado.

2) Lançamentos de dance enchem uma lista telefônica diariamente. Como esses artistas podem tornar a atividade rentável sem fazer shows e com o download ilegal irrefreável?

Sem fazer shows, sem estar em contato direto com o público fica difícil. A principal renda dos artistas sempre foi vender shows. A venda de artigos como camisetas, adesivos e outros também pode ajudar, bem como a venda do CD físico (que já estamos fazendo uma tiragem inicial). Assinamos com a Label francesa Springbok Records e a brasileira Royal Soul Records, e nesse sentido temos tido bons resultados, pois DJs mundo afora compram musicas via sites como Beatport, Juno, iTunes ou Bandcamp, além da visibilidade que essas labels tem nos proporcionado para divulgar nossa música.

"Class":


3) Isaac Hayes falou certa vez que estava preocupado com o uso do sampler pela geração de músicos da virada dos 90 pros 2000, questionando algo como “se continuar assim, quem eles vão samplear daqui vinte anos? Os samples dos samples?" Como fazer do sampler um instrumento criativo hoje em dia?
Somos muito fãs de "Mr. Ike" e o consideremos uma figura referencial na música, mas neste ponto discordamos dele. Na nossa opinião, os samples são tão intermináveis quanto o seu uso, pois cada um dá a sua interpretação, incluindo timbres, velocidade, levada, etc... às vezes a ponto de deixar o sample praticamente irreconhecível. Nós, na verdade, não temos a mínima noção da quantidade de música produzida ao longo das últimas décadas no mundo e pra quem gosta, a pesquisa é prazerosa e se torna parte do processo. No Paradizzle, procuramos aliar o sample à outros elementos para alcançar um resultado original.
4) Com sua música baseada em samples, qual a dificuldade em liberar os trechos? Encontrar a quem pagar ou buscar a liberação de samples de artistas semi-obscuros? 


Como citado anteriormente, o sample pode se tornar irreconhecível, o que já ajuda bastante. Muitas vezes a maior dificuldade é justamente encontrar esses artistas obscuros para liberar, levando em conta que muitos nem sequer estão vivos. A legislação sobre o uso de samples é confusa e deixa brechas, muitas pessoas não entendem ou até criticam o seu uso, mesmo sem se dar conta que tiveram conhecimento do original através do sampleado. Acreditamos que na maior parte das vezes os tais artistas querem mais é serem sampleados e lembrados, eles veem isto como uma forma de homenagem, já que não fizeram sucesso algum em sua época de atividade. Encaramos dessa forma também, como uma forma de reverenciar e resgatar a música destes artistas. Mas, às vezes, músicas produzidas com samples viram hit e a coisa pode tomar contornos mundiais. Nesse sentido, acho justo que o artista apareça e queira tomar sua parte.    

5) O funk carioca ajuda ou atrapalha a cena eletrônica no Brasil? 


O funk carioca está forte atualmente, e é algo legítimo dos guetos, é natural que as pessoas tenham curiosidade, a batida é envolvente mesmo, pessoalmente gostar ou não já é outra historia. Os gringos piram no pancadão e nos atabaques, pois é a imagem que tem de nós e se formos pensar bem, é a cara do brasileiro. Ao mesmo tempo que ajuda DJs que gostam de funk carioca, e influencia uma parte da cena mundial, como o Diplo, ele rouba o espaço não só da música eletrônica como também do rap e outros estilos. 

6) Quem faz boa música de pista no Brasil hoje?

Difícil responder isso. Há boas produções espalhadas pela web, que muitas vezes aguardam um olhar mais atento como o do seu blog, que é especializado nessa área. Pessoalmente, salvo raras exceções, entendemos que não só no Brasil, como mundialmente, a música pop atravessa uma fase que não nos agrada, vide os estilos que surgiram nos últimos anos como dubstep e trap. O próprio rap caminhou por um lado onde o groove foi deixado de lado em detrimento de um estilo mais duro, pesado e, digamos, "cinza". O funk carioca, e também o sertanejo universitário, são músicas de pista no Brasil hoje, mas se é bom ou não é uma questão pessoal. O Paradizzle foi criado como uma alternativa a esse cenário, uma volta aos funks e aos grooves.

"Bounce":


7) Independente do gênero, qual é o disco mais bem produzido da história?

Thriller, do Michael Jackson. A união de esforços de Quincy Jones com o Michael Jackson mais amadurecido tornou esse disco imbatível em termos de musica pop, não é a toa que é o disco mais vendido da história. Tudo é tecnicamente perfeito e foi composto, executado e arranjado de maneira brilhante, além de contar com compositores talentosos como Rod Temperton (Heatwave), Paul McCartney, e ainda possuir um apelo visual irretocável.

8) Há planos para um álbum ou o projeto vai se concentrar em singles?

Por enquanto estamos trabalhando na divulgação do EP Summer Funk, mas já temos bastante material produzido, e há planos para o lançamento de um próximo EP de músicas próprias, como também um EP de remixes, sendo também bastante provável que haja o lançamento de singles no meio deste processo. Queremos também produzir um videoclipe, mas isto depende basicamente da verba que podemos conseguir para tanto. 

9) Como funciona o live do Paradizzle? Já existe uma tour programada pra sair Brasil afora, ou algo assim?

Em nosso live procuramos adicionar elementos que possam enriquecer e interagir com as músicas, sejam partes de contra-baixo ou guitarra, que são tocados pelo Di-Gestivo, enquanto DJ Feijão toca as bases com os toca-discos, fazendo scratches, intervenções e adicionando colagens. Nas últimas apresentações houveram participações de Big MC Tchê, conhecido rapper gaúcho que estará presente em uma nova faixa que estamos trabalhando, e também o B-Boy Ted da Companhia Hackers Crew, que é uma das pioneiras em Breakdance no Rio Grande do Sul. Já houveram contatos de países da Europa e dos Estados Unidos e estamos em tratativas para em breve tocar no exterior.

10) Pra onde vai a música eletrônica?

Pensamos que ela vai para onde as pessoas levarem, com toda a liberdade e criatividade que possa ter, sem barreira nenhuma. Se depender do Paradizzle, ela vai se misturar cada vez mais ao funk e à black music, que é a nossa praia.

Muito obrigado pela oportunidade, Carlinhos! Um salve a quem leu essa entrevista!

"Out Run":

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Segunda Class: Bent


"Swollen", a original de 2000, gravada pela dupla de Nottingham Bent, já era uma delícia - eletrônica relax com um climinha onírico proporcionado pela sessão de cordas e pelos vocais da convidada Zoë Johnston:



Jon Marsh (The Beloved) deu um tapa na faixa pra coletânea The Chillout Session (2001, Ministry Of Sound) e o resultado foi essa fartura percussiva orbitando em torno do baixo, agora com vida própria. Fora o nome do remix, brilhante: "Beloved Café Del Marsh Mix". Um primor.

  "Swollen", versão remix por Jon Marsh:

sábado, 26 de abril de 2014

Your Horror

Jamie Principle
Tenho que olhar com mais carinho pro The Horrors. Esta semana a banda inglesa esteve na Radio 1 pra uma entrevista e, convidada a apresentar duas canções de seu novo álbum (Luminous, sai em Maio), mandou também um surpreendente cover do clássico house "Your Love", de Jamie Principle.

O grupo escolheu a faixa em homenagem ao recentemente falecido Frankie Knuckles, que foi citado pelo vocalista Faris Badwan - acertadamente - como "parcialmente responsável pela música". Vale lembrar que Knuckles produziu a segunda versão comercial de "Your Love", em 1987.

The Horrors: bom gosto na escolha.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Humildade Com H Maiúsculo e Dourado

 

O Coldplay está tentando voltar a ser humilde, mas Giorgio Moroder não deixa. Seu remix para "Midnight", uma das faixas do novo álbum da banda inglesa (Ghost Stories, sai 19 de Maio), vai discreto e eficaz durante os três primeiros minutos, depois o bicho pega. Vocoders, arpejos, coros e camadas de cordas deixam a tímida "Midnight" a um passo da suntuosidade.

Mas não se assuste. O leviatã dos sintetizadores chamado Moroder sabe dosar como ninguém.

terça-feira, 22 de abril de 2014

10 Perguntas Para... Fabrício Peçanha


O clichê "dispensa apresentações" bem que poderia ser aplicado à Fabrício Peçanha. DJ e produtor, Fabrício toca profissionalmente desde o começo dos 90, já discotecou em vários países, apresentou-se em todas as edições do maior festival de música eletrônica que o Brasil já viu (Skol Beats), foi eleito melhor DJ do Brasil por publicações como Cool Magazine e House Mag e também já figurou na lista dos melhores DJs do mundo da revista inglesa DJ Mag.

Com uma faixa recém lançada ("I Want You"), Fabrício inaugura a mais nova seção do And Now Blog: "10 Perguntas Para...". Sem periodicidade regular, "10 Perguntas" deve repetir questões direcionadas à artistas diferentes, esperando, claro, que as respostas não venham em uníssono. Eis:

1) Porque o Brasil ainda não emplacou um artista de dance/eletrônica em um nível Chemical Brothers da cena?

Embora alguns artistas brasileiros tenham flertado no exterior e apesar da cena brasileira estar em ascensão, ainda não se compara com a realidade européia ou até americana. A música eletrônica por lá ainda é muito mais forte, por vários fatores: os gringos tem uma cena muito mais antiga e bem mais madura que aqui e além disso, os DJs e produtores ainda pagam o pato por estarem em um país de terceiro mundo, equipamentos são caríssimos por aqui e quando encontramos, há impostos, falta de apoio e patrocínios, falta de cursos especializados e por aí vai. Apesar de termos alguns desses itens, ainda falta muito para nos compararmos com os países de primeiro mundo.

2) Lançamentos de dance enchem uma lista telefônica diariamente. Como esses artistas podem tornar a atividade rentável sem fazer shows e com o download ilegal irrefreável?

Estamos passando por uma fase de transição, onde um CD custava R$ 40,00 e agora custa metade do preço. O mercado mudou e hoje, muitas vezes, é mais fácil comprar uma música que piratear. As gravadores e lojas entenderam que precisamos baixar os preços dos produtos para que o povo compre. Mesmo assim, viver da venda de músicas é para poucos, a maioria dos artistas acabam ganhando com as apresentações ao vivo em festas e shows.

3) Fora da pista, o que tu ouves em casa?

Ouço de tudo, depende do ambiente que estou. Em casa escuto lounge, chill out, etc... No carro, escuto bastante rock e por aí, é claro, existem estilos que não passam perto de mim. Sertanejo, pagode, axé, funk, babas comerciais e estilos bizarros desse tipo não fazem parte da minha vida.

4) Tua faixa mais recente, "I Want You", tem um sample vocal de Pharrell Williams. Qual a dificuldade em liberar o trecho? 

Existe uma burocracia para que sejam liberados samples, mas vejo que cada vez mais os direitos autorais vem perdendo espaço. A partir do momento que algo cai na net, provavelmente ela vai ser usada por alguém. Vejo todos os dias milhares de remixes de clássicos e sons antigos usados nas tracks de hoje.

5) O funk carioca ajuda ou atrapalha a cena eletrônica no Brasil?

O movimento social do funk é interessante, afinal, são pessoas com poucas chances na sociedade despontando como artistas e criando seu espaço, talvez sem a música eles não teriam a chance. Mas o funk está tão distante do eletrônico que não tenho muito entendimento do assunto. O pouco que ouvi me pareceu de uma musicalidade horrível, com letras piores ainda.

6) Quem faz boa música de pista no Brasil hoje?

Existem tantos artistas bons no Brasil, que tenho medo de esquecer alguém. O Brasil nunca produziu tanta música eletrônica boa como hoje em dia.

7) Independente do gênero, qual é o disco mais bem produzido da história?

Existem vários excelentes, mas o último disco do Daft Punk está perto da perfeição.

8) Há planos para um novo álbum (o debut, Silver Lining, é do ano passado) ou tu vais te concentrar em singles e EPs?

Por enquanto estou me dedicando mais a EPs e singles, mas quem sabe venha mais um álbum pela frente.

9) Há um tempo atrás, vi uma entrevista tua em que tu dizias que não curtia tocar com notebook porque a impressão que passava era de que o DJ estava lendo e-mail no meio da festa. Hoje é inevitável tocar sem notebooks? Em que momento da tua carreira aconteceu essa mudança?

Eu comecei com vinil, depois CD, flertei no laptop, com o Traktor... porque muitos clubs que eu ia, não tinham o equipamento 100% como eu precisava, mas não curtia muito ficar olhando pra tela, realmente parece que o DJ tá vendo e-mails. Agora tenho tocado com pendrive, pela facilidade. Sempre fui muito amigo da tecnologia e não tenho medo de mudanças, o que vale mesmo é o som que o DJ toca.

10) Top 5: um eterno e um atual.

Eterno:

1. Depeche Mode - "Enjoy The Silence"

2. Kraftwerk - "The Robots"

3. Alter Ego - "Rocker"

4. Jay Dee - "Plastic Dreams"

5. Donna Summer - "I Feel Love"


Atual:
1. Tim Paris feat. Forrest - "Backseat Reflexion" (Original Mix)


2. Tom Flynn - "Hoochie" (Original Mix)


3. Croatia Squad - "Pop Your Pu**y" (Original Mix)


4. StarRockers - "Back To Cali" (Original Mix)


5. Fabricio Peçanha - "Jack is Back"

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Segunda Class: Simian Mobile Disco


 Hachinoko / Ikizukuri é mais um single do Simian Mobile Disco de temática culinária que sai esse ano - não sei de onde eles tiraram essa obsessão recente. Hachinoko é uma sobremesa japonesa feita com larvas de abelha ou vespa e Ikizukuri, um sashimi preparado com peixe vivo.

Ainda bem que a extravagância reserva-se aos títulos. Com uma mãozinha do produtor alemão Roman Flügel, "Ikizukuri" tem uma base robusta e marcial, enquanto "Hachinoko" é uma exuberante coleção de bleeps techno com uma paisagem desenhada por sintetizadores futuristas ao fundo. Ambas as faixas tem potencial de pista, mas "Hachinoko", em especial, causa um estranho efeito entorpecente e pode ser aproveitada no conforto do seu sofá, com resultados igualmente satisfatórios. Curioso foi que lembrei de cara de "Rhythm Of Life", do A Guy Called Gerald, assim que ouvi esse single do Simian.

"Hachinoko": bips de Atari ritmados também são OK.

sábado, 19 de abril de 2014

He Wants


Há mais de vinte anos atrás das pick-ups, o DJ e produtor gaúcho Fabrício Peçanha divide-se entre as discotecagens e a criação de faixas, como "I Want You", que acabou de lançar. A música foi incluída em WMC Survival Kit 2014, compilação do selo alemão de house music Moodmusic Records. À venda no Beatport (onde entrou no Top 40 das mais vendidas do site), "I Want You" é um tech house eficiente com sample dos vocais de Pharrell Williams no R&B "Frontin'" (de 2003). 

"I Want You": o onipresente Pharrell.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Moskwa TV


Custei a acreditar no locutor quando ele disse que isso não era Information Society. Como não? A mesma batidinha Miami, os samples, os vocais... no mínimo, era o Kurt Harland metido em algum projeto paralelo. O nome Moskwa TV não era familiar pra mim. Nunca tinha ouvido falar. Muito tempo depois é que fui descobrir a origem do grupo, formado no meio dos 80 na Alemanha por um quarteto capitaneado pelo DJ e produtor Talla 2XLC.


Na época que o single "Tell Me, Tell Me" estourou (entre 1991 e 1992), nem Talla 2XLC estava mais no projeto - que reduziu-se a uma dupla, mas manteve o mesmo Ion Javelin no microfone.

Freestyle alemão, foi hitaço no Brasil e encaixava-se perfeitamente numa discotecagem que incluísse o próprio Information Society e T42. Eu já não sabia quem era quem. 

"Tell Me, Tell Me": InSoc chucrute.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Restoring The Monarchy


O Monarchy deu azar de ter começado a chamar atenção por volta de 2010, justo numa época em que todo mundo estava maravilhado com o Hurts. Seu ótimo álbum de estreia, autointitulado, acabou ofuscado por Happiness, debut igualmente digno de nota do Hurts. O synthpop parecia estar em boas mãos, mas... não foi bem isso que aconteceu.  A sequência do Hurts foi decepcionante, com o fraquíssimo Exile, do ano passado. E o Monarchy, depois de um single lançado em 2013 com Dita Von Teese ‎("Disintegration"), ensaia uma volta mais consistente. 

Saiu ontem no Soundcloud uma amostra de "Living Without You", nova faixa de trabalho do Monarchy. Um minuto e meio é muito pouco pra qualquer avaliação, mas a impressão é bem positiva. Popismo sintético, com ótima sensibilidade melódica, características encontráveis facilmente no primeiro disco do duo australiano.

01:30 de "Living Without You":

terça-feira, 15 de abril de 2014

Robyn + Röyksopp


Ao que parece, a parceria entre Röyksopp e a cantora sueca Robyn vai funcionar tão bem quanto o encontro da dupla norueguesa com Karin Dreijer Andersson, do The Knife.

Um trechinho de "Monument" foi liberado ontem no Youtube e é a primeira faixa do próximo EP do Röyksopp, Do It Again, que sai oficialmente dia 26 de Maio. Cheiro de coisa boa no ar.

"Monument": desta vez, não é cover do Depeche Mode.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Segunda Class: Kanka


A culpa é do Fabio Bridges. Ele que me apresentou esse artista francês chamado Kanka. Agora já era: viciei.


E é assim mesmo. Basta dar uma rapidinha em Watch Your Step, seu sexto e recém lançado álbum e pronto. E eu que pensava que o único reggae capaz de rivalizar com a matriz jamaicana era o da Inglaterra. Quem imaginaria um dub tão potente vindo da França? Eu, jamais. Azar dos meus alto-falantes, com essas frequências de subgrave abaixo de 60 Hertz. É pra tremer a porta da estante. Legal e quase uma constante no som de Kanka, são seus timbres de sintetizador ameaçadores, tipo trombetas anunciando a abertura da Porta de Ishtar, na Babilônia. O restante da cartilha dub é cumprida à risca por Kanka, como se fosse um escravo Wardum fiel ao Código de Hamurabi: ecos em profusão, fluxo de efeitos entrando e saindo da música, toasters dando o recado, baixos de outro planeta. Sensacional.

Um aperitivo de Watch Your Step:

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Linear


O Linear entrou pro grupo dos inesquecíveis one-hit wonders com seu single "Sending All My Love", de 1990. Meio milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos. Nada mal pra um trio que tinha na formação um tocador de congas (Joey Restivo, o da bandana acima). Me pergunto que papel desempenhava num projeto freestyle, um conga player. Não consigo nem ouvir vestígio do instrumento em "Sending All My Love". Mas a música é ótima. Aqui no Brasil, entrou na trilha da novela Mico Preto - muito bem acompanhada por hits de Technotronic, Snap!, Erasure, Sybil, Sinead O'Connor e, vá lá, MC Hammer. Sucesso absurdo, do tipo que ficava um ano inteirinho tocando em rádios e pistas. Você sabe, essas coisas que não acontecem mais.

"Sending All My Love": passinhos.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Jagwar Ma no Liquidificador

Cabou de sair um EP de remixes de "Uncertainty", uma das faixas do bom debut dos australianos Jagwar Ma, Howlin', lançado ano passado.


O grupo (que esteve no Brasil recentemente) joga Andrew Weatherall, Aphex Twin, dub, indie dance britânica da virada 80/90, psicodelia e eletrônica no mix e consegue se sair bem tanto na pista de dança quanto no fone de ouvido. Das quatro faixas, atenção especial à desconstrução dubstep do MssingNo e ao eficiente trabalho do Cut Copy.

Inteiro, pra ouvir, no Soundcloud:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Segunda Class: Squarepusher


A ideia é fascinante: ano passado um grupo de especialistas em robótica japonês criou uma máquina chamada Z-Machines, para que ela executasse música em instrumentos convencionais em níveis sobre-humanos. Um dos convidados pela equipe a desenvolver música para o projeto, Tom Jenkinson compôs cinco faixas que saem agora pela Warp no EP Music For Robots, inaugurando a colaboração entre Squarepusher e o robô Z-Machines.  

Imagina a treta: o tal autômato é um guitarrista com 78 dedos e um baterista de 22 braços. Squarepusher levou quatro semanas pra compor o material e mais dois meses pra transpor as composições em algo executável pela máquina.

O resultado é curioso. A superposição de notas de "Sad Robot Goes Funny" causa perplexidade e soa como free jazz de estrutura absurdamente complexa e realização realmente impossível por mãos humanas. Imagine um Yngwie Malmsteen solando sua guitarra com o triplo da velocidade, ou Art Blakey num fast forward com áudio. A onda é essa. 

Há momentos em que tenho a impressão que a coisa vai sair dos trilhos (a metade final de "Dissolver" dá um nó no cérebro), mas elas são compensadas por faixas mais pé no chão, como a frieza da abertura "Remote Amber", a enigmática "World Three" e o encerramento com a bela melodia de "You Endless".

O mais interessante nisso tudo foi Squarepusher conseguir imprimir sua marca no trabalho, diante da dificuldade do desafio, já que Music For Robots não ficou tão distante assim das intrincadas programações do artista em sua própria discografia.

"Sad Robot Goes Funny": jazz abstrato.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sexta Feira Bagaceira: Noel


Pedra fundamental do freestyle: "Let the Music Play", faixa de 1983 da cantora Shannon. Um marco da dance music. Claro, inspirado pelos alemães duros de cintura do Kraftwerk ("Numbers"), Afrika Bambaataa já havia experimentado com esses beats de funk sintético em 1982 ("Planet Rock"), mas o single de Shannon injetou aquele tempero latino característico do gênero e um apelo pop que fez a canção chegar aos primeiros lugares das paradas americanas.
O nova-iorquino Noel Pagan seguiu direitinho a cartilha do freestyle no seu debut autointitulado - que tinha no time de produtores gente como Paul Robb (Information Society), John "Jellybean" Benitez e "Little" Louie Vega - e conseguiu emplacar alguns hits. "Silent Morning" é sua canção mais conhecida. Incluída na trilha da novela Vale Tudo, em 1988, estourou Noel por aqui e trouxe consigo uma avalanche de artistas de freestyle que ganharam projeção e popularidade em rádios e pistas brasileiras: TKA, Stevie B, The Cover Girls, Will to Power, Tony Garcia... a lista é grande.

Noel bem que tentou se desvencilhar do freestyle em sua tentativa pop rock Hearts on Fire, álbum de 1993, mas o resultado foi decepcionante. Uma das últimas notícias que tive do cara foi seu show ano passado no Clube Bancrévea, em Sobradinho, Distrito Federal. Ééééé...

"Silent Morning": expressão facial notável.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

As Preferidas de Larry Levan


Não sei qual a veracidade disso, mas alguém resolveu compilar 135 faixas num mix no Youtube e chamar de Larry Levan Favourites 1976-1982. Como não frequentei o Paradise Garage (famosíssima discoteca em que o mítico Levan era residente) no período (e nem em período algum), não posso endossar o título. Mas que isso é uma aula de groove, bom gosto e musicalidade, não há dúvida. É disparar o play e tá pronto o baile.
PS.: Falecido em 1992, o nova-iorquino Larry Levan (nascido Lawrence Philpot) tem lugar garantido entre os DJs mais importantes da história.

Larry Levan Favourites: só coisa boa.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Me Gus Ta


Saiu ontem pela alemã Kompakt o single novo da minha banda islandesa preferida, o GusGus. "Crossfade" é a primeira pista do novo álbum do grupo, sucessor do ótimo Arabian Horse, de 2011.

Mantendo uma regularidade admirável, "Crossfade" é techno, sexy e suingada, provando que o GusGus continua com um jeito todo particular de produzir eletrônica dançante, esquisitinha e acessível.

"Crossfade": balanço nórdico.