sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Frank Frank


Letras de sentido ambíguo ou teor satírico-pornográfico não eram propriamente uma novidade no pop brasileiro do começo dos 90. Do forró de Zenilton (cujo sucesso "O Pão da Minha Prima" foi regravado até pelo Raimundos) ao rock humorístico do Dr. Silvana & Cia. ("Serão Extra"), explorar essa verve cômica/libidinosa garantiu muitos hits (e boas risadas), até a chegada dos Mamonas Assassinas, que escancararam as portas da chinelagem alto-astral de vez.

José Francisco de Aquino (o rapper paulista Frank Frank) veio reforçar esse time, ao menos com uma música que foi hit dos bailes da época, "A Mulherada Tá Querendo Poder". A cacofonia gerada pela palavra "poder", não precisa nem explicar: "A mulherada tá querendo é poder e os homens tão querendo é..." Apesar do aparente machismo explícito no título/refrão, a letra é quase um manifesto ingênuo sobre as fêmeas oportunistas e safadinhas ("Existem minas que só querem tirar um barato / e com homens imbecis fazer gato e sapato / fazem o cara pagar tudo, deixam ele apaixonado / e ainda dizem que ele é o seu primeiro namorado / existem sete mil mulheres para cada um / mas dez mil homens para elas não valem nenhum").

O restante do álbum de estreia de Frank Frank, Raça, Axé e Poder (Zimbabwe Records, 1991) é bem abaixo da média do então embrionário rap brasileiro (Thaíde & DJ Hum e Racionais MCs já tinham discos bem consistentes nessa época), com letras pouquíssimo inspiradas e rimas fracas, mas contou com a produção do DJ Cuca, que montou bases irresistivelmente dançantes para Frank soltar seu flow esquisito. De qualquer forma, a letra de "A Mulherada Tá Querendo Poder" era berrada em uníssono quando tocava, por homens e mulheres. Com a exacerbada patrulha moral e de um politicamente correto que às vezes dá no saco, a faixa provavelmente seria condenada pelos tribunais das redes sociais hoje em dia. Por outro lado, Frank Frank parece um pregador da Pentecostal perto do que o funk carioca é capaz de produzir atualmente.

"A Mulherada Tá Querendo Poder": cacofonia.

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