quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Fake Japanese


Quando ouvi "What’s A Girl To Do", da tal Fatima Yamaha, logo pensei numa tecladista nipônica fissurada por sintetizadores vintage e Paul Hardcastle. Ledo engano. Yamaha é um dos pseudônimos usados pelo produtos holandês Bas Bron (ele também usa Bastian, Seymour Bits e Comtron). Mas o som é esse mesmo: algo entre house paleolítica e electro. O single What's A Girl To Do?, lançado mês passado (a faixa título está em A Girl Between Two Worlds EP, de 2004), é o quarto da curta discografia do projeto (iniciada em 2004), vem com quatro faixas instrumentais, dispensa formalmente o uso de samplers e exibe a bela coleção de teclados de Bron, com resultados interessantes no funk sintético "Between Worlds", no climinha trilha-de-ficção-científica-barata de "Half Moon Rising" e nos timbres amadeirados de "What's A Girl To Do". Os arpejos bocejantes de "Plum Jelly" são dispensáveis. Para os amantes de eletrônica retrô, ótima pedida. Se procura por novidades, fuja.

"Between Worlds": Paul Hardcastle revisitado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Odisseia


Figura de proa na house europeia, as produções do croata Mladen Solomun são épicas, detalhistas, mini sinfonias eletrônicas com um enredo que prende a atenção e se desenvolve sempre por volta de dez minutos. É um espetáculo para os ouvidos e para os pés. Solomun acabou de lançar single novo - Zora - com três faixas que respeitam os critérios acima. "Zora", "Fantazija" e "Nada" podem não ter o efeito devastador do monstro house lançado pelo DJ e produtor ano passado, "Friends", mas sua música continua muito competente. Não sei definir bem se isso pode levar o carimbo de progressive ou tech house, mas, na verdade, é um pouco de cada. Ou seja, house sublime.

 "Zora": aperte o cinto.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Groovando


Canadense de ascendência etíope, Abel Tesfaye apavorou os fãs de R&B com sua visão nublada do gênero em nada menos do que três mixtapes lançados de forma totalmente independente sob o pseudônimo The Weeknd, em 2011. Sucesso de crítica, o mainstream se abriu para o produtor, cantor e compositor um ano depois, quando ele remasterizou e compilou suas faixas em Trilogy: meio milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos. Prolífico e criativo, Tesfaye lançou outro álbum de inéditas em 2013 (Kiss Land) e já tem mais de vinte singles na carreira, iniciada em 2010. Citando Michael Jackson e Prince como duas das suas principais influências, o single mais recente do The Weeknd, "Can't Feel My Face", foi lançado em Junho e já tem fantásticas 778,000 mil cópias contabilizadas no mercado americano. Produzida por Max Martin (ele de novo), a faixa tem um pouco de Jackson e Prince, mais um vernizão pop no melhor estilo Bruno Mars. Mas um groove como esse, Mars ainda não produziu.

"Can't Feel My Face": segura.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

De Olhos Bem Abertos


O single mais recente do Vintage Culture (projeto do jovem DJ e produtor Lukas Ruiz) deixa bem claro que a dance brasileira já saiu da incubadora há tempos. "Eyes" saiu em Maio e mostra uma house com baixo potente, vocais sussurrados que explodem num refrão pop e enxertos de sintetizadores synthpop de boa cepa. Elementos bem amarrados que resultaram numa das faixas de dance music mais legais que ouvi sair deste país nos últimos tempos. Surpreendente.

"Eyes": de Maringá para o mundo.

domingo, 2 de agosto de 2015

Mais e Melhores


Enquanto todo mundo fica superestimando o Chvrches - que está longe de ser isso tudo - a duplinha canadense West Nile continua, sem alarde, lançando um single mais legal que o outro. Soltaram agora em Julho o quarto e mais recente, "Lotta PPL". Com tudo redondinho, dos vocais doces ao instrumental descomplicado, o West Nile vai montando o que deve ser um dos álbuns de synthpop mais legais do ano.

"Lotta PPL": realmente promissor.