sexta-feira, 8 de março de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Elizângela


Em 1978, a atriz carioca Elizângela do Amaral Vergueiro resolveu testar seu desempenho na frente do microfone com o single Ele ou Você / Pertinho de Você e o resultado beirou o absurdo: 52 semanas no Top 10 das rádios brasileiras e mais de um milhão de cópias vendidas.


"Pertinho de Você" ganhou vídeo no Fantástico, gravado no Playcenter, o que ajudou a catapultar o sete polegadas pro topo. A faixa é uma disco funkeada, com flautas colaborando pro clima sem malícia, guitarra escovada e uma linha de baixo potente. Crossover rádios/pistas, encaixou-se confortável na onda disco e cravou o nome de Elizângela nos primórdios da dance music nacional. E aposto que kitsch, cafona ou brega nem eram termos em uso na época.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Stephouse

 

Mas como é que eu vou saber quem é esse tal de Dusky? O máximo de informação que consegui foi os nomes por trás do projeto: Alfie Granger-Howell e Nick Harriman.


Nem precisa saber mais nada. Basta dizer que seu EP Nobody Else sai dia 18 de Março e é muito, muito bom. Mix na medida do 4x4 da house, darkismo deep e oscilações de baixo vindas do dubstep. Da extravagância percussiva de "Atone", passando pelos tons cinza dos sintetizadores de "What I Never Knew" e "Dummy" até o sample de voz eufórico de "Nobody Else", o EP traz quatro faixas que não precisam de retoques.

Some Like It Hot


A Hot Creations é foda. O selo de propriedade dos DJs e produtores Lee Foss e Jamie Jones não erra uma. Mal saiu esse single house-retrô do DJ alemão Butch, "Highbeams", e já aparece uma sequência melhor ainda de remixes. Coisa fina é a versão do excelente Maceo Plex, dá uma ligada:

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Que Fim Levou Robin?

 

O Que Fim Levou Robin? foi um projeto idealizado pelo DJ Mauro Borges, no começo dos 90. A dance music brasileira engatinhava nessa época. Tínhamos alguns discos de rap aparecendo, Fernanda Abreu... e o que mais? O grupo (formado ainda pelo DJ Renato Lopes e a promoter Bebete Indarte) foi provavelmente o precursor da cena por aqui. Ganhou boa exposição na mídia, especialmente pela finada revista Bizz, que escolheu - pela votação da crítica - a faixa "Aqui Não Tem Chanel" como a melhor de 1990. Na TV não foi diferente - seu disco de estréia Aqui Não Tem Chanel foi lançado pouco tempo depois da MTV ter aberto as transmissões no Brasil, no final de 1990. Lembro de uma entrevista no Jô Soares, inclusive. O álbum saiu pela WEA, em 1991. Produzido por Dudu Marote (Skank, Pato Fu), traz soluções criativas para a tecnologia que se dispunha numa época em que o sampler era algo familiar a pouquíssima gente. Alguns semi-hits brotaram, como a house-batucada da faixa-título, a ítalo-disco "Que Fim Levou Robin?", e um cover para "Dancin' Days" das Frenéticas (que sampleia Cid Moreira na introdução!). Outra curiosidade do álbum é a ousadia da bossa eletrônica "Objeto de Uso Pessoal". Minha preferida sempre foi "Tia". Talvez porque uma FM local martelou isso direto durante um bom tempo e grudou a faixa em algum canto do meu cérebro. "Tia" tem o definidor trecho "garotos não são mais garotos, garotas não são o que são". É Mauro Borges, teu refrão está mais atual do que nunca.

"Tia": divertidíssima.

The Girl Who Returned

E continua linda.

O disco novo da Dido foi a segunda melhor notícia da semana (a primeira foi descobrir que a Daniele Suzuki está solteira de novo).



Quarto álbum da britânica, Girl Who Got Away sai oficialmente dia 04 de Março e nos devolve aquela Dido encantadora de seus dois primeiros álbuns, mas que ficou um pouco de lado no tristonho Safe Trip Home, de 2008. Aqui ela retoma a parceria na produção com o irmão Rollo Armstrong (Faithless) e o resultado é o equilibrio perfeito de canções pop/eletrônicas emotivas (mas não melosas) e tecnicamente impecáveis. Exemplos estão espalhados por canções como "Go Dreaming", com seus graves poderosos e percussão minuciosa, ou na delicada "Happy New Year", que começa com a narrativa de Dido entre um loop sujinho e uma linha de baixo e vai aos poucos sendo preenchida com uma batida encorpada, guitarra e teclados. Sintetizadores que sobem devagar e vão pra estratosfera ("Loveless Hearts", "Blackbird"), fusões com hip-hop (na batida da linda "No Freedom" e no trecho rapeado por Kendrick Lamar em "Let Us Move On"), grooves robóticos (nas sugestivas "End Of Night" e "Love to Blame"), e o vocal elegante e contido de Dido fazem de Girl Who Got Away um retorno à altura e - mais importante - um oásis no meio de tanto lixo pretensamente pop.

"No Freedom": Dido pós-maternidade.

(E Daniele, tô aí, viu? Qualquer coisa...)