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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Intelligent Electronic Music

Começamos assim: sem essa de IDM, esse rótulo safado. Isso não é dance music. IEM, que tal? Música Eletrônica Inteligente me parece mais adequado. Isso posto, dois lançamentos bacanas, um do veterano Mike Paradinas (a.k.a. µ-Ziq), outro do texano Jeff McIlwain (a.k.a. Lusine).



µ-Ziq aparentemente deixou de lado suas (des)construções rítmicas perpetradas no século passado (como no amalucado Lunatic Harness, de 1997) e aposta agora em timbres nostálgicos e estruturas menos complexas - mas nem por isso, desinteressantes - em seu EP Rediffusion. "Taxi Sadness" tem lá sua quebradinha drum'n'bass, mas os sintetizadores à The Orb massageiam delicadamente os ouvidos. Vozes angelicais aparecem em "Rimmy" (pense naquele esquisitíssimo teclado chamado Orchestron, usado para os coros de "Showroom Dummies", do Kraftwerk), efeitos aquosos colaboram para o clima onírico de "PRG" e Paradinas só patina mesmo com a arrastada "Tambor", que encerra o disco.

"Taxi Sadness":


O Lusine também não nasceu ontem: já se vão bons quinze anos desde seu debut epônimo. O projeto de Jeff McIlwain apareceu ano passado aqui no blog com o bom álbum The Waiting Room e agora McIlwain acaba de soltar o EP Arterial. Dosando a acessibilidade de Waiting Room com um experimentalismo contido e sintetizadores inspiradíssimos, Arterial tem quatro faixas com vida própria, desde a linda melodia instrumental da faixa título até o esquartejamento vocal de "Forks". De quebra, beats de hip-hop e uma sujeirinha contínua de vinil gasto. Maravilha.

Arterial EP, inteirinho pra audição: 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Segunda Class: μ-Ziq


Mike Paradinas tem tudo pra se tornar o Kenny G do IDM. Depois de seis anos sem gravar como U-Ziq, o britânico retoma o projeto com o recém lançado Chewed Corners.

Sintetizadores trance, baterias comportadas, melodias fofinhas, timbres amigáveis...

OK, nem tudo no álbum é essa groselha toda. "Christ Dust", por exemplo, tem um arpejo que aparece como um helicóptero atravessando a música. "Monyth" carrega na tensão, "Tickly Flanks" exagera nos rufos de percussão e "Wipe" tem um synth meio derretido.

Em compensação, "Smooch" é ambient com coros Mellotron, "Houzz 10" é techno diluído e "Feeble Minded" exibe synths que parecem ter saído de um disco do Jean-Michel Jarre de 1984.

Pô, quando os caras curram a eletrônica e entregam uns monstrengos tipo o último do Autechre, nego reclama. Quando o cidadão facilita as coisas pro ouvido, reclama também? Nada disso. Não tô reclamando. Gostei muito de Chewed Corners. Só não espere ouvir algo como o drill'n'bass alucinado de Lunatic Harness (1997), que não vai rolar nesse álbum.

Mike Paradinas vir com um disco tão gostoso de ouvir também é uma forma de esquisitice.

"Mountain Island Boner": Paradinas in love.